Uma notícia triste: Jovem religiosa e de um grupo contra a violência é morta em chacina.
Odeio ver este tipo de coisa na mídia, pois dá um certo desânimo, parece que a luta por uma cidade mais civilizada está fadada ao fracasso. Parece que a banda podre da polícia e a bandidagem estão ganhando esta guerra que para o cidadão comum não faz sentido, ele só quer viver sua vida em paz, enquanto outros grupos estariam tomando o controle da situação.
Mas há uma outra possibilidade de interpretação do que está acontecendo, e é sobre isto que gostaria de refletir.
Já faz algum tempo que alguns observadores estão alertando: A violência que estamos vendo na TV não é necessariamente associada às facções criminosas, ou o crime organizado. Estão colocando todos os fatos dentro de uma só gaveta, como se a violência em SP fosse toda associada a um só fator ou fato.
Esta maneira de pensar têm suas origens. Pensamos de maneira linear, necessitamos criar um sentido, criar histórias. Não aceitamos o acaso, o aleatório. Precisamos fazer com que todas as coisas se conectem, façam um sentido juntas. E nem sempre este raciocínio é correto, ele muitas vezes pode ser ilusório.
A reação natural ao lermos a infeliz notícia desta jovem é acharmos que ela foi assassinada por ser uma defensora da paz, mas existem tantos outros fatores que podem ter gerado esta tragédia. Ela poderia estar no lugar errado, na hora errada, acompanhada de gente que era visada, ou nenhuma destas possibilidades.
Outro fator é o interesse que a própria mídia têm de alimentar estas histórias, eles querem vender notícias. Se querem chamar a atenção e as pessoas estão atentas à determinados fatores, a notícia vai acabar sendo tendenciosa para ser mais bem recebida.
Estas complexidades acabam sendo deixadas de lado, e acabamos simplesmente tirando conclusões errôneas. E acreditamos nelas.
Let´s Go!
Let´s Go!
21.11.12
A Curva da Felicidade dos Humanos e Primatas
Há um certo tempo os pesquisadores têm reparado que no decorrer da vida temos ciclos básicos de felicidade. O que se sabe é que somos mais felizes no começo e no fim da vida, mas existe um buraco de felicidade no meio da vida, que é chamado de "Crise da Meia Idade".
Ela acontece a partir dos 40 anos, e uma reflexão menos positiva da vida acaba atingindo um número respeitável de pessoas. Quem somos, para onde vamos, o que fizemos de nossas vidas, o que o futuro nos reserva, como trabalhar com a perda e a morte... O repertório de angústias não termina.
O que é novo é saber que isto acontece também com outros grandes primatas. Gorilas e chimpanzés também passam por isto. O que acaba colocando em xeque a ideia que seja algo cultural, provavelmente têm raízes evolutivas, apesar de ainda não sabermos quais nem as razões delas.
Leia a matéria completa neste link
Ela acontece a partir dos 40 anos, e uma reflexão menos positiva da vida acaba atingindo um número respeitável de pessoas. Quem somos, para onde vamos, o que fizemos de nossas vidas, o que o futuro nos reserva, como trabalhar com a perda e a morte... O repertório de angústias não termina.
O que é novo é saber que isto acontece também com outros grandes primatas. Gorilas e chimpanzés também passam por isto. O que acaba colocando em xeque a ideia que seja algo cultural, provavelmente têm raízes evolutivas, apesar de ainda não sabermos quais nem as razões delas.
Leia a matéria completa neste link
16.11.12
Como reconhecer expressões depois do Botox?
Para quem não sabe, o Botox nada mais é que o bom e velho Botulismo (toxina botulínica), versão light. Como o botulismo gera enrijecimento dos músculos, passou a ser utilizado para eliminar rugas de "expressão". Mas sem expressão, como saber o que as pessoas estão sentindo?
Algumas mulheres que abusaram do Botox tiveram problemas por causa disto, dizem que ao perderem os traços expressivos acabaram tendo dificuldades nos relacionamentos. Não conseguem mais que os outros entendam seus sentimentos...
Algumas mulheres que abusaram do Botox tiveram problemas por causa disto, dizem que ao perderem os traços expressivos acabaram tendo dificuldades nos relacionamentos. Não conseguem mais que os outros entendam seus sentimentos...
Pornografia e Religião - Não sabemos trabalhar com o Desejo
Acho que todo mundo já devia desconfiar, mas vale o resultado da pesquisa: Em alguns países islâmicos como Egito e Tunísia, há grande procura por sites pornográficos a ponto de estarem entre os 25 mais visitados destes países. Não é pouca coisa,e diz muito sobre o comportamento humano.
Já estamos acostumados a ver o impacto do comportamento sexual na vida de famosos nos Estados Unidos e Europa. De Tiger Woods a Strauss-Kahn, a sexualidade se estranha com a sociedade. Um escândalo sexual pode comprometer a imagem de uma pessoa da mesma maneira que pode promovê-la. Não há uma regra muito clara, espero poder compreender melhor e escrever em outro momento sobre o assunto.
Mas os países islâmicos, que interessante, né? Tanto julgamento moral da sociedade ocidental, tanta crítica ao modelo ocidental de vida, tanta pregação por um comportamento mais moralmente orientado, e mesmo assim a pornografia sendo acessada intensamente.
Não estou julgando este comportamento, muito pelo contrário, acho realmente instigante pensar sobre isto.
Estou num ponto - da vida ou do pensamento - em que evito julgar. Não cabe a mim isto, cabe a cada um e suas orientações sociais, religiosas, ideológicas... Admito cada vez mais o lema "Viva e Deixe Viver", e só. Apesar de perceber que a cada dia mais pessoas se sentem no direito de julgar o comportamento dos outros, o universo digital amplificou este comportamento dos pequenos vilarejos.
Talvez a sociedade ocidental seja realmente uma praga (acredito que esta deva ser a resposta padrão que os islâmicos darão depois de terem sidos pegos no escurinho olhando sacanagem pela Internet). "Não foi culpa minha, o mundo é que me corrompeu". Na verdade o "mundo dos outros", os malvados e pervertidos ocidentais.
Mas no escurinho eles continuarão a acessar pornografia enquanto puderem, e nesta mesma penumbra, eles precisarão admitir para si mesmos que não há culpa, há apenas o desejo. E que a sociedade, qualquer uma delas, não sabe trabalhar com o desejo. Ora estimula, ora pune.
PS - Aceito dicas de pensadores e filósofos que discutiram a questão do desejo, quero ampliar minha reflexão sobre o assunto. Por enquanto estou com o Baudrillard, mas quero conhecer outras vertentes.
13.11.12
Intolerância e Identidade
Não há uma só razão para a intolerância, elas são várias. Há razões ligadas às relações pessoais e às relações sociais, o que já gera um grande leque de variáveis. Mas podemos perceber que as intolerâncias sociais (de credo, etnia, gênero, status social, etc) incidem nas relações pessoais. Assim, o meu credo pode gerar intolerância não ao credo do meu vizinho, mas sim ao vizinho enquanto ser humano. Sempre a intolerância é em relação a pessoas, é deflagrada por ideias e conceitos, mas se manifesta nas relações.
Curiosamente, é um processo de coisificação, a pessoa que não é tolerada deixa de ser pessoa, passa a ser coisa, perde sua humanidade, suas múltiplas dimensões, para se restringir apenas ao objeto da intolerância. Um bom exemplo disto são as inúmeras mensagens de ódio às pessoas encarceradas nas prisões. A partir do momento que você infringiu algum código da sociedade que te levou para a prisão, você não é mais um ser humano, você é um bandido, e bandidos não merecem ter Direitos Humanos, eles não são mais humanos, são apenas bandidos.
É um processo de simplificação que permite que nossa intolerância se manifeste com toda sua crueza (da mesma maneira que acontece quando o "bandido" olha para você na rua e enxerga apenas sua bolsa com dinheiro, esquecendo ou ignorando sua humanidade, suas dificuldades, etc)
Em Manaus, um grupo de alunos evangélicos se recusou a fazer um trabalho escolar sobre a cultura afro-brasileira, pois seus princípios religiosos os impediam de estudar algo associado com o satanismo e ao homossexualismo. Livros como Macunaíma também foram repudiados por estes alunos.
O que pode parecer um caso de intolerância esbarra numa situação muito mais complexa, que é a questão da identidade. Se este grupo de alunos fosse formado por europeus (ou asiáticos, ou qualquer outra etnia) ou de descendentes de uma etnia isolados num contexto cultural e separado geograficamente do cotidiano da Amazônia, daria para entender algum estranhamento cultural que gerasse esta intolerância. Não justificaria, mas seria um pouco mais compreensível.
Mas eles são descendentes da miscigenação cultural brasileira, ou seja, fazem parte deste caldo cultural de nosso povo.
Negar a influência da cultura afro no Brasil, se recusar a sequer estudar esta cultura, é um problema de negação de identidade, e não de intolerância.
Que possamos e queiramos mudar nossa identidade, ampliar nossos horizontes identitários, não vejo problemas. Mas a negação absoluta de parte de suas raízes pode ser um problema. Podemos até almejar nos descolar de nossas raízes, mas o sofrimento será inevitável, em algum momento teremos de nos confrontar com esta realidade. Negação da realidade não faz bem para a saúde...
Curiosamente, é um processo de coisificação, a pessoa que não é tolerada deixa de ser pessoa, passa a ser coisa, perde sua humanidade, suas múltiplas dimensões, para se restringir apenas ao objeto da intolerância. Um bom exemplo disto são as inúmeras mensagens de ódio às pessoas encarceradas nas prisões. A partir do momento que você infringiu algum código da sociedade que te levou para a prisão, você não é mais um ser humano, você é um bandido, e bandidos não merecem ter Direitos Humanos, eles não são mais humanos, são apenas bandidos.
É um processo de simplificação que permite que nossa intolerância se manifeste com toda sua crueza (da mesma maneira que acontece quando o "bandido" olha para você na rua e enxerga apenas sua bolsa com dinheiro, esquecendo ou ignorando sua humanidade, suas dificuldades, etc)
Em Manaus, um grupo de alunos evangélicos se recusou a fazer um trabalho escolar sobre a cultura afro-brasileira, pois seus princípios religiosos os impediam de estudar algo associado com o satanismo e ao homossexualismo. Livros como Macunaíma também foram repudiados por estes alunos.
O que pode parecer um caso de intolerância esbarra numa situação muito mais complexa, que é a questão da identidade. Se este grupo de alunos fosse formado por europeus (ou asiáticos, ou qualquer outra etnia) ou de descendentes de uma etnia isolados num contexto cultural e separado geograficamente do cotidiano da Amazônia, daria para entender algum estranhamento cultural que gerasse esta intolerância. Não justificaria, mas seria um pouco mais compreensível.
Mas eles são descendentes da miscigenação cultural brasileira, ou seja, fazem parte deste caldo cultural de nosso povo.
Negar a influência da cultura afro no Brasil, se recusar a sequer estudar esta cultura, é um problema de negação de identidade, e não de intolerância.
Que possamos e queiramos mudar nossa identidade, ampliar nossos horizontes identitários, não vejo problemas. Mas a negação absoluta de parte de suas raízes pode ser um problema. Podemos até almejar nos descolar de nossas raízes, mas o sofrimento será inevitável, em algum momento teremos de nos confrontar com esta realidade. Negação da realidade não faz bem para a saúde...
9.11.12
Colapso de Imagem
Há definitivamente algo estranho no mundo corporativo quando um executivo bem-sucedido e conhecido pelo seu alto astral, liderança e bom humor comete suicídio. Principalmente quando isto acontece dentro do ambiente corporativo.
Não considero o suicidio inaceitável, apesar de saber da implicação social e da gravidade do ato. Odiaria que uma pessoa querida resolvesse tirar a própria vida. Mas acho que isto faz parte de meu sentimento de pensar que poderia ter alterado esta história. Um pouco de prepotência, talvez. Mas entendo o sentimento. De pôr fim à sua própria existência. Do ponto de vista simbólico, podemos fazer isto sem pormos fim às nossas vidas. Basta mudarmos, ou aceitarmos as mudanças.
O que é estranho neste caso são os dados aparentemente conflitantes da história. Ele é O Profissional Realizado, O Homem Admirado, O Gestor Competente. E sem razão "aparente" implode, ou explode.
A grande maioria das pessoas geralmente dá sinais. Fica murcho, desanimado, triste, aparece abatido, olheiras. Neste caso não.
Mais do que concluir que é um caso pessoal, onde há desestabilidade específica do indivíduo ou um problema de uma empresa específica, me pergunto se não é um reflexo de uma cada vez maior falta de sintonia da persona pública que temos de criar e manter versus as expectativas pessoais que temos em relação às nossas vidas.
O que isto significa? Que a cada dia temos mais dificuldade em gerenciar nossa imagem, aquilo que esperam de nós, ou aquilo que pretendemos vender para o mundo.
Qualquer coisa que fuja deste modelo pode colocar em risco tudo aquilo que foi construído, pois há uma necessidade incessante de coerência. E sabemos que somos dinâmicos, que nossa personalidade é fluida, que nascemos um, somos outro e morremos diferentes do que fomos.
Temos de tomar cuidado com a rigidez, com o excesso de cobrança pela coerência, que, aparentemente é um objetivo a se atingir, mas passa a se tornar uma armadilha. Em alguns casos, mortal.
5.11.12
A Cura pela Palavra
Volta e meia a questão reaparece. Desta vez saiu pesquisa na Mente & Cérebro sobre a possibilidade de treinar a memória para combater a depressão.
Quem sabia bastante sobre o assunto era o Freud. Não sou conhecedor da história da psicologia, mas foi no final do Século XIX que os pesquisadores perceberam que a mente podia ser acessada através da linguagem. Podemos transformar comportamentos através da palavra.
A importância da linguagem vai muito além da comunicação básica. É com ela que definimos o mundo que nos rodeia. Se é através do nosso olhar subjetivo que compreendemos o mundo, é através das palavras que categorizamos o mundo.
Usava um exemplo em palestras que dava no Sebrae: Pedia para as pessoas fecharem os olhos e prestarem atenção na primeira imagem que viria nas suas cabeças quando eu falasse uma palavra.
Sempre usei uma palavra simples, a que mais usava era "Cachorro". A resposta das pessoas era sempre misteriosa e incrível. Praticamente ninguém pensava na mesma coisa. Um lembrava de cachorro quente, outro de cocô de cachorro, outro de amigo, outro de tristeza. Num grupo de vinte ou trinta pessoas praticamente ninguém pensava na mesma coisa.
Categorizamos as coisas (até as mais simples) com palavras que definem o sentido daquilo para nós, e isto acaba reforçando determinada maneira de enxergar o mundo e interagir com o outro.
Uma dica? Preste bastante atenção em palavras que usa com frequência. Elas provavelmente representam uma ponta do iceberg de sua maneira de enxergar o mundo.
(sobre a ilustração acima, este é um outro fenômeno curioso que temos, muito investigado pelo Ramachandran, genial neurocientista. Tendemos a encontrar sentido em coisas a partir das referências que temos, precisamos dar sentido ao mundo que nos rodeia, e temos inúmeros recursos mentais para fazer isto. Óbvio que muitas vezes eles nos levam a erros e equívocos absurdos, mas na maioria das vezes eles ajudaram a nos salvar do tigre escondido no meio da folhagem...)
Quem sabia bastante sobre o assunto era o Freud. Não sou conhecedor da história da psicologia, mas foi no final do Século XIX que os pesquisadores perceberam que a mente podia ser acessada através da linguagem. Podemos transformar comportamentos através da palavra.
A importância da linguagem vai muito além da comunicação básica. É com ela que definimos o mundo que nos rodeia. Se é através do nosso olhar subjetivo que compreendemos o mundo, é através das palavras que categorizamos o mundo.
Usava um exemplo em palestras que dava no Sebrae: Pedia para as pessoas fecharem os olhos e prestarem atenção na primeira imagem que viria nas suas cabeças quando eu falasse uma palavra.
Sempre usei uma palavra simples, a que mais usava era "Cachorro". A resposta das pessoas era sempre misteriosa e incrível. Praticamente ninguém pensava na mesma coisa. Um lembrava de cachorro quente, outro de cocô de cachorro, outro de amigo, outro de tristeza. Num grupo de vinte ou trinta pessoas praticamente ninguém pensava na mesma coisa.
Categorizamos as coisas (até as mais simples) com palavras que definem o sentido daquilo para nós, e isto acaba reforçando determinada maneira de enxergar o mundo e interagir com o outro.
Uma dica? Preste bastante atenção em palavras que usa com frequência. Elas provavelmente representam uma ponta do iceberg de sua maneira de enxergar o mundo.
(sobre a ilustração acima, este é um outro fenômeno curioso que temos, muito investigado pelo Ramachandran, genial neurocientista. Tendemos a encontrar sentido em coisas a partir das referências que temos, precisamos dar sentido ao mundo que nos rodeia, e temos inúmeros recursos mentais para fazer isto. Óbvio que muitas vezes eles nos levam a erros e equívocos absurdos, mas na maioria das vezes eles ajudaram a nos salvar do tigre escondido no meio da folhagem...)
2.11.12
Por que Michael Jackson está destruindo Nova Iorque?
Talvez Nietzsche estivesse parcialmente certo em sua Teoria do Eterno Retorno, onde estaríamos presos a um número limitado de fatos em nossas vidas.
Adoro uma cena do filme "Hannah e suas Irmãs" onde Woody Allen, preocupado com o Eterno Retorno, se desespera: "Se isto realmente existe, será que eu vou ter de assistir os Harlem Globetrotters de novo?"
Pois bem, estou aqui para fortalecer o pensamento de Nietzsche e anunciar mais uma teoria da conspiração: A cidade de Nova Iorque está sofrendo por causa de alguma macumba do Michael Jackson. Não sei por que Michael teria alguma coisa contra ela, mas reparem nas coincidências!
1 - A data em que Michael Jackson morreu (25+06+2009= 2040) é igual a soma de todas as ruas de Nova Iorque.
2 - Este número coincide exatamente com a quantidade de CDs vendidos pela cantora Sandy em Homenagem ao Rei do Pop
3 - Sandy é o nome do furacão que gerou toda a confusão na cidade, e que, com as inundações das galerias, o que vai provavelmente acontecer é a maior infestação de ratos da história da cidade.
4 - Michael Jackson fez muito sucesso com a música tema do filme "Ben", que conta a história de um enorme rato que comanda uma invasão de ratazanas a partir das galerias subterrâneas.
Percebem? Está tudo conectado! O filme na verdade é um presságio, e estamos prestes a ver a história acontecer de novo. O que antes era ficção agora é realidade. O que resta ao povo de Nova Iorque é oferecer um sacrifício para aplacar a ira de Michael. Eu acho que se fizerem uma grande cerimônia e oferecerem o Macauley Culkin num altar besuntado de bacon Ben e seus amigos das galerias levarão sua alma para Michael, que poderá descansar em paz...
Adoro uma cena do filme "Hannah e suas Irmãs" onde Woody Allen, preocupado com o Eterno Retorno, se desespera: "Se isto realmente existe, será que eu vou ter de assistir os Harlem Globetrotters de novo?"
Pois bem, estou aqui para fortalecer o pensamento de Nietzsche e anunciar mais uma teoria da conspiração: A cidade de Nova Iorque está sofrendo por causa de alguma macumba do Michael Jackson. Não sei por que Michael teria alguma coisa contra ela, mas reparem nas coincidências!
1 - A data em que Michael Jackson morreu (25+06+2009= 2040) é igual a soma de todas as ruas de Nova Iorque.
2 - Este número coincide exatamente com a quantidade de CDs vendidos pela cantora Sandy em Homenagem ao Rei do Pop
3 - Sandy é o nome do furacão que gerou toda a confusão na cidade, e que, com as inundações das galerias, o que vai provavelmente acontecer é a maior infestação de ratos da história da cidade.
4 - Michael Jackson fez muito sucesso com a música tema do filme "Ben", que conta a história de um enorme rato que comanda uma invasão de ratazanas a partir das galerias subterrâneas.
Percebem? Está tudo conectado! O filme na verdade é um presságio, e estamos prestes a ver a história acontecer de novo. O que antes era ficção agora é realidade. O que resta ao povo de Nova Iorque é oferecer um sacrifício para aplacar a ira de Michael. Eu acho que se fizerem uma grande cerimônia e oferecerem o Macauley Culkin num altar besuntado de bacon Ben e seus amigos das galerias levarão sua alma para Michael, que poderá descansar em paz...
31.10.12
Voltar a se Encantar com o Mundo (e com Você)
Durante um ótimo happy hour com Fábio Betti, amigo querido e consultor cada vez mais especializado em comunicação face-a-face, surgiu o assunto da Paixão. Não aquela entre um ser humano e outro, mas sim a questão de se sentir "Encantado" por algo.
Estava comentando sobre meus estudos, e ele sobre os dele. Atualmente, além de minhas pesquisas sobre cognição, comportamento e mercado, resolvi, meio que por impulso, a voltar a estudar Filosofia. E Heidegger apareceu como um tsunami, me fazendo pensar profundamente sobre as questões da existência.
O Fábio estava (já está a um certo tempo) encantado com o Humberto Maturana, pensador/biólogo, e ficamos discutindo sobre como é bom sentirmos este "Estado de Graça" a que somos levados quando saímos do "interesse" por algo e passamos a entregar um sentimento a este algo.
Apesar das diferenças (entre mim e o Fábio e entre Heidegger e Maturana) ficou claro que estávamos encantados com o Existir, com coisas simples, com trocar os óculos usados para enxergar a realidade e mudar nossa percepção daquilo que nos rodeia.
Como nós dois temos mais ou menos a mesma idade, percebo de fundo em nossa conversa um outro tema, que é como fica difícil se encantar quando envelhecemos. Precisamos evitar a todo custo uma sensação de "já vi isto", "já conheço isto", "já passei por isto".
Não, meu amiguinho, você nunca viu isto. O que você viu foi semelhante, mas não igual, e quando viu você era outro. Nossas personalidades são líquidas, e não sólidas. O mundo parece ser muito mais sólido do que é, mas estamos cercados de outras pessoas, com personalidades tão líquidas quanto as nossas. Portanto, se der para jogar o óculos de "eu já vi tudo" e deixar se encantar com a vida, ela vai oferecer inúmeras oportunidades de encantamento.
E o encantamento é muito saudável, pois traz o frescor do novo associado com o prazer da descoberta. Tudo isto regado a emoções positivas. Quer alguma coisa melhor do que isto?
Não espere muito para deixar se encantar pelas coisas. Cuidado para não embaçar os óculos com que enxerga a realidade, senão o que você vai ver é só "mais do mesmo". E no caso, o mais do mesmo não é o mundo, infelizmente é você...
25.10.12
Em busca da verdade - Heidegger
Fico encantado cada vez que vou ao meu curso sobre Heidegger. Essencialmente o curso se resume a ler " Ser e Tempo", parágrafo por parágrafo, e debater.
Conheci acidentalmente Heidegger, meu antigo terapeuta era adepto da Daseinanalyse (nome do tipo de análise que investiga questões existenciais presentes na Filosofia do sujeito), e acabei me inscrevendo num curso sobre o tema. E fiquei abobalhado com a questão existencial.
A grande questão de debate hoje foi relativa a narrativas pessoais. Sabe aquelas histórias que você constrói, que ditam algumas características da sua identidade? " Minha mãe não me dava atenção quando eu era criança, portanto, sou como sou". Kit básico do debate psicanalítico freudiano, e amplamente discutido em qualquer momento em que você tenha bebido demais com algum amigo. Em qualquer lugar ouvimos uma explicação da existência baseada em alguma narrativa pessoal. "Sou assim desde que...", coisas do gênero.
Durante o debate, o professor, Marcos Casanova, fez o seguinte comentário:
"Se eu te pedir para olhar para uma pintura que você gosta muito e escrever, todo dia, um comentário sobre este quadro, num determinado momento, o quadro vai desaparecer. E vai sobrar apenas a narrativa da narrativa".
Esta é a questão. Num determinado momento o fenômeno (o quadro) deixa de existir e passamos a operar a partir das narrativas que criamos. E nos apegamos a elas, de uma maneira que quanto mais falamos sobre elas mais nos distanciamos do fenômeno em si.
Imediatamente me lembrei de uma narrativa que me perseguia, da minha infância. Lembro de minha avó ter falado para mim de uma determinada tristeza que eu tinha quando pequeno, e como isto se tornou importante para mim.
Aí pensei: Quantas outras coisas a minha avó falou para mim? Será que toda vez que eu via a minha avó ela falava sobre isto? Claro que não. Conversamos sobre inúmeras outras coisas, mas eu, de alguma maneira me apeguei a esta história até que num determinado momento o fenômeno deixou de existir, existia apenas a narrativa. E quanto mais ela era lembrada, mais era reafirmada, e menos o "fato" existia.
Fazemos isto o tempo todo. Por que? Para de alguma maneira evitarmos um vazio que surge quando pensamos sobre nossa existência, que é fluida e dinâmica. Por isto nos apegamos a estas narrativas, para podermos evitar refletir sobre nossas vidas.
Como diria Criolo, "o bagulho é louco".... :o)
Conheci acidentalmente Heidegger, meu antigo terapeuta era adepto da Daseinanalyse (nome do tipo de análise que investiga questões existenciais presentes na Filosofia do sujeito), e acabei me inscrevendo num curso sobre o tema. E fiquei abobalhado com a questão existencial.
A grande questão de debate hoje foi relativa a narrativas pessoais. Sabe aquelas histórias que você constrói, que ditam algumas características da sua identidade? " Minha mãe não me dava atenção quando eu era criança, portanto, sou como sou". Kit básico do debate psicanalítico freudiano, e amplamente discutido em qualquer momento em que você tenha bebido demais com algum amigo. Em qualquer lugar ouvimos uma explicação da existência baseada em alguma narrativa pessoal. "Sou assim desde que...", coisas do gênero.
Durante o debate, o professor, Marcos Casanova, fez o seguinte comentário:
"Se eu te pedir para olhar para uma pintura que você gosta muito e escrever, todo dia, um comentário sobre este quadro, num determinado momento, o quadro vai desaparecer. E vai sobrar apenas a narrativa da narrativa".
Esta é a questão. Num determinado momento o fenômeno (o quadro) deixa de existir e passamos a operar a partir das narrativas que criamos. E nos apegamos a elas, de uma maneira que quanto mais falamos sobre elas mais nos distanciamos do fenômeno em si.
Imediatamente me lembrei de uma narrativa que me perseguia, da minha infância. Lembro de minha avó ter falado para mim de uma determinada tristeza que eu tinha quando pequeno, e como isto se tornou importante para mim.
Aí pensei: Quantas outras coisas a minha avó falou para mim? Será que toda vez que eu via a minha avó ela falava sobre isto? Claro que não. Conversamos sobre inúmeras outras coisas, mas eu, de alguma maneira me apeguei a esta história até que num determinado momento o fenômeno deixou de existir, existia apenas a narrativa. E quanto mais ela era lembrada, mais era reafirmada, e menos o "fato" existia.
Fazemos isto o tempo todo. Por que? Para de alguma maneira evitarmos um vazio que surge quando pensamos sobre nossa existência, que é fluida e dinâmica. Por isto nos apegamos a estas narrativas, para podermos evitar refletir sobre nossas vidas.
Como diria Criolo, "o bagulho é louco".... :o)
25.9.12
Os políticos abandonaram a cidade de vez
Se você tem alguma dúvida em relação a qual o interesse que os candidatos tem ao se elegerem vá dar uma volta pelo centro de São Paulo.
(passei um mês sem correr por causa do ar seco e de uma sinusite crônica e voltei hoje. Senti uma piora brutal na condição da cidade).
O lixo se acumula nas ruas do centro velho. O cheiro de urina aumentou, culpa do cidadão espírito de porco, da falta de vigilância e da falta de limpeza.
As ruas estão esburacadas, não só aqui como na cidade inteira.
A cracolândia está lotada de nóias: o número aumentou ou o bom filho à casa torna?
Um dia destes o barulho no Largo do Arouche estava mais alto que a média. Aos domingos as pessoas vêm namorar por aqui, e ligam os rádios dos carros para dançarem e beberem na rua. Já estou acostumado, é menos barulho que de muito bairro chique. Mas aquele dia estava especial, com gente bêbada gritando.
No dia seguinte fui até o trailer da polícia que fica no meio da praça, ou seja, no meio da bagunça. Tem policial 24h por dia lá. E perguntei para o cara por que a polícia não coíbe os abusos, como gente pisando nas flores, urinando na rua ou brigas. Sabe o que o cara me falou? Que se não houver denúncia a polícia não pode interferir.
Como assim? Se tem um cara urinando na rua a polícia só pode pedir para o cara parar se alguém ligar para o 190? Alguém pode me explicar isto? É um estímulo ao denuncismo ou uma apatia perante a realidade que está literalmente ao lado dos caras?
Na cracolândia a mesma coisa. Centenas de pessoas amontoadas consumindo crack ao lado do trailer da polícia. Honestamente não entendo...
Enquanto corria, refletia sobre a triste condição da política eleitoral de São Paulo. E desviava dos infinitos cavaletes com rostos sorridentes a olhar para mim como uma cobra olha para um rato.
(passei um mês sem correr por causa do ar seco e de uma sinusite crônica e voltei hoje. Senti uma piora brutal na condição da cidade).
O lixo se acumula nas ruas do centro velho. O cheiro de urina aumentou, culpa do cidadão espírito de porco, da falta de vigilância e da falta de limpeza.
As ruas estão esburacadas, não só aqui como na cidade inteira.
A cracolândia está lotada de nóias: o número aumentou ou o bom filho à casa torna?
Um dia destes o barulho no Largo do Arouche estava mais alto que a média. Aos domingos as pessoas vêm namorar por aqui, e ligam os rádios dos carros para dançarem e beberem na rua. Já estou acostumado, é menos barulho que de muito bairro chique. Mas aquele dia estava especial, com gente bêbada gritando.
No dia seguinte fui até o trailer da polícia que fica no meio da praça, ou seja, no meio da bagunça. Tem policial 24h por dia lá. E perguntei para o cara por que a polícia não coíbe os abusos, como gente pisando nas flores, urinando na rua ou brigas. Sabe o que o cara me falou? Que se não houver denúncia a polícia não pode interferir.
Como assim? Se tem um cara urinando na rua a polícia só pode pedir para o cara parar se alguém ligar para o 190? Alguém pode me explicar isto? É um estímulo ao denuncismo ou uma apatia perante a realidade que está literalmente ao lado dos caras?
Na cracolândia a mesma coisa. Centenas de pessoas amontoadas consumindo crack ao lado do trailer da polícia. Honestamente não entendo...
Enquanto corria, refletia sobre a triste condição da política eleitoral de São Paulo. E desviava dos infinitos cavaletes com rostos sorridentes a olhar para mim como uma cobra olha para um rato.
24.9.12
A Humanização de Serra nas Redes Sociais
Curiosidades do mundo digital e do comportamento humano: Serra, o candidato a prefeitura de SP pelo PSDB, se beneficiará das brincadeiras que estão fazendo com ele nas redes sociais. Por que? Porque ele é carrancudo e careta, e está sendo ridicularizado por isto.
Pode parecer estranho, mas não é.
Reparem nas críticas (nas redes sociais, não no horário eleitoral) aos outros candidatos. Em especial ao Russomano. São todas críticas relacionadas ao caráter, aos apadrinhamentos políticos moralmente questionáveis, ao comportamento prévio (quando trabalhava como repórter no carnaval fazendo insinuações maliciosas para mulheres de biquíni dançando).
As críticas ao Serra reafirmam sua condição de chato, ruim de bola, antipático, mas não de imoral, de corrupto, e outras coisas que geram rejeição do público em relação aos profissionais da política.
Haddad está fora deste cenário, pelo desconhecimento que o grande público tem dele. Ele não é ridicularizável pois ainda não é "figura pública", ainda é preposto de Dilma e Lula. Não há graça em brincar com Haddad, pelo menos por enquanto.
Provavelmente na próxima pesquisa de opinião Serra vai roubar potenciais votos de Russomano, e Haddad continuará com o dilema de tentar fazer com que os próprios petistas votem nele. O custo disto será creditado na conta da Martha Suplicy, mas no fundo é do Lula e da Dilma.
Deixo claro aqui que não tenho interesse em fomentar a candidatura de um ou do outro, mas sim analisar o curioso comportamento que faz com que uma crítica na verdade ressalte características positivas do candidato, no caso o Serra.
É ver para crer.
(Minha opção de voto? Voto Nulo, cansei da classe como um todo e do debate partidário sem ideologia)
Pode parecer estranho, mas não é.
Reparem nas críticas (nas redes sociais, não no horário eleitoral) aos outros candidatos. Em especial ao Russomano. São todas críticas relacionadas ao caráter, aos apadrinhamentos políticos moralmente questionáveis, ao comportamento prévio (quando trabalhava como repórter no carnaval fazendo insinuações maliciosas para mulheres de biquíni dançando).
As críticas ao Serra reafirmam sua condição de chato, ruim de bola, antipático, mas não de imoral, de corrupto, e outras coisas que geram rejeição do público em relação aos profissionais da política.
Haddad está fora deste cenário, pelo desconhecimento que o grande público tem dele. Ele não é ridicularizável pois ainda não é "figura pública", ainda é preposto de Dilma e Lula. Não há graça em brincar com Haddad, pelo menos por enquanto.
Provavelmente na próxima pesquisa de opinião Serra vai roubar potenciais votos de Russomano, e Haddad continuará com o dilema de tentar fazer com que os próprios petistas votem nele. O custo disto será creditado na conta da Martha Suplicy, mas no fundo é do Lula e da Dilma.
Deixo claro aqui que não tenho interesse em fomentar a candidatura de um ou do outro, mas sim analisar o curioso comportamento que faz com que uma crítica na verdade ressalte características positivas do candidato, no caso o Serra.
É ver para crer.
(Minha opção de voto? Voto Nulo, cansei da classe como um todo e do debate partidário sem ideologia)
10.9.12
Tudo que vem, vai... (Incluindo as Redes Sociais)
Um dia ele simplesmente não viu razão em postar nada no Facebook. E estranhamente nem teve vontade de ver os posts de seus amigos, conhecidos, ou amigos de amigos. De uma hora para outra o Facebook não fazia mais sentido para ele.
"Será que estou numa fase pouco sociável?", pensou.
Na fila do supermercado ele ouviu dois amigos conversando sobre como era chato o Facebook. Um deles argumentava que já não via tanta graça em publicar memes e outras frases divertidas no Face. Que estava cansado de fotos de crianças doentes, rezas matinais e frases estranhas de celebridades e pseudo-pensadores.
Lendo notícias nos portais descobriu que as ações do Facebook caíam dia após dia, e dezenas de comentaristas apresentavam suas opiniões sobre as razões, mas não havia consenso.
"O Internauta é volátil, muda de opinião e de interesses a cada instante", dizia um.
"O modelo de negócios do Facebook se tornou inviável", dizia outro.
"A estrutura social do Facebook implodiu: todos querem ser famosos e especiais, e se isto acontece, ninguém é especial", disse o outro, citando o vilão do desenho "Os Incríveis".
Em menos de um mês 15% das contas de Facebook tinham sido encerradas ou se tornaram inativas. A empresa, assustada com a estranha movimentação, resolveu oferecer atrativos e inovações tecnológicas para reter seu principal ativo: as pessoas. E criou mais jogos, mais interatividade, vídeos e, num momento de total desespero, o tão sonhado botão "Dislike".
Já não havia mais o que fazer, o Facebook estava se esfarelando.
Numa atitude comum a outros poderosos do universo digital (e real), seu fundador negava tudo, e desafiava os novos desenvolvedores a chegarem no estágio de sucesso que um dia ele já tinha tido.
Parte dos bilhões de dólares dos investidores já havia migrado na bolsa, para coisas sólidas como Wal Mart e empresas do gênero.
De um instante para outro, Curtir já não tinha mais graça.
Como golpe final, um grupo de Hackers derrubou o site do Facebook por mais de 24h. Mas a Rede Social, tal como ela era no passado, já tinha deixado de ser relevante...
"Será que estou numa fase pouco sociável?", pensou.
Na fila do supermercado ele ouviu dois amigos conversando sobre como era chato o Facebook. Um deles argumentava que já não via tanta graça em publicar memes e outras frases divertidas no Face. Que estava cansado de fotos de crianças doentes, rezas matinais e frases estranhas de celebridades e pseudo-pensadores.
Lendo notícias nos portais descobriu que as ações do Facebook caíam dia após dia, e dezenas de comentaristas apresentavam suas opiniões sobre as razões, mas não havia consenso.
"O Internauta é volátil, muda de opinião e de interesses a cada instante", dizia um.
"O modelo de negócios do Facebook se tornou inviável", dizia outro.
"A estrutura social do Facebook implodiu: todos querem ser famosos e especiais, e se isto acontece, ninguém é especial", disse o outro, citando o vilão do desenho "Os Incríveis".
Em menos de um mês 15% das contas de Facebook tinham sido encerradas ou se tornaram inativas. A empresa, assustada com a estranha movimentação, resolveu oferecer atrativos e inovações tecnológicas para reter seu principal ativo: as pessoas. E criou mais jogos, mais interatividade, vídeos e, num momento de total desespero, o tão sonhado botão "Dislike".
Já não havia mais o que fazer, o Facebook estava se esfarelando.
Numa atitude comum a outros poderosos do universo digital (e real), seu fundador negava tudo, e desafiava os novos desenvolvedores a chegarem no estágio de sucesso que um dia ele já tinha tido.
Parte dos bilhões de dólares dos investidores já havia migrado na bolsa, para coisas sólidas como Wal Mart e empresas do gênero.
De um instante para outro, Curtir já não tinha mais graça.
Como golpe final, um grupo de Hackers derrubou o site do Facebook por mais de 24h. Mas a Rede Social, tal como ela era no passado, já tinha deixado de ser relevante...
29.8.12
E a Geração Y cai na real... Ou o real engoliu a Geração Y?
Tenho visto esta mensagem circular pelas redes sociais e resolvi compartilhar, pois acho que ela marca um momento importante do ponto de vista comportamental da chamada Geração Y.
Todo o discurso remete basicamente a crescer, amadurecer, trabalhar com a perda, e tudo mais que os mais adultos estão (ou deveriam estar) acostumados.
O que existe de diferença deste momento de amadurecer e de outras gerações? Não há mais nenhum ritual de passagem, esta nova geração teve de virar adulta sem nenhum momento simbólico nas suas vidas (que antigamente foi o Vestibular e antes disto foi fazer dezoito anos, prestar o exército, etc, etc).
Mais do que isto, a Geração Y teve de crescer tendo a geração anterior (a Geração X) como anti-exemplo, já que não têm grandes coisas em comum nem se espelham nos valores dos mais velhos. Sem o universo simbólico compartilhado, sem perspectivas, sem se identificar com os valores da geração anterior... demorou para amadurecer, mas amadureceu.
A dúvida é: Eles realmente amadureceram ou o mundo se adaptou para absorver esta nova geração? Ou será que a sociedade finalmente engoliu a molecada?
Leia o texto e analise por si só...
A SÍNDROME DOS VINTE E TANTOS ANOS.
Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Dá-se conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc.. E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco....
...
As multidões já não são ‘tão divertidas’, às ......vezes...... até lhe incomodam.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto e te achou o maior infantil, pôde lhe fazer tanto mal.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar, e isso assusta!
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso.
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.
Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…
Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Autor desconhecido
20.8.12
Pobre Recursos Humanos...
Começo de agosto sempre têm a feira nacional de Recursos Humanos, o CONARH. Há tempos que não ia, e resolvi dar uma passada para ver a quantas andava a feira. Confesso que fui surpreendido.
Quais eram os maiores estandes? De máquinas de café e de softwares de "contabilidade humana". E não havia diversidade de modelos de gestão, ou seja, de prestadores de serviços desta "linha" de RH ou de outra. O CONARH exala um único modelo de gestão de pessoas, que infelizmente está mais para Zeladoria de Pessoas do que Gestão Estratégica.
Em alguns estandes tinha fila... para pegar bexiga, para comer jujuba e tomar café. Havia farta distribuição de sacolas que não tinham nada dentro. E em alguns estandes estavam aspirantes a comediantes de stand up contando piada. Pelo menos desta parte eu gostei, pois adoro o surreal, o esdrúxulo, o exótico.
O estande que mais me intrigou foi de um senhor com um terno amassado vendendo o que seriam "jogos corporativos", onde tinha um monte de material de EVA, tipo casinhas para montar e dardos para jogar em alvos na parede. De acordo com ele eram jogos para estimular debates dentro das empresas.
Para mim pareciam mais brinquedos utilizados por primatólogos para tentar descobrir a linguagem dos chimpanzés...
Em menos de duas horas já estava indo embora.
Espero, do fundo do coração, que este CONARH não tenha sido representativo do momento do RH de hoje, e que apenas reflita uma decadência do encontro em si. Se ele realmente for o reflexo de como as empresas estão enxergando o RH hoje acho que todos que trabalham em corporações estão em apuros...
Quais eram os maiores estandes? De máquinas de café e de softwares de "contabilidade humana". E não havia diversidade de modelos de gestão, ou seja, de prestadores de serviços desta "linha" de RH ou de outra. O CONARH exala um único modelo de gestão de pessoas, que infelizmente está mais para Zeladoria de Pessoas do que Gestão Estratégica.
Em alguns estandes tinha fila... para pegar bexiga, para comer jujuba e tomar café. Havia farta distribuição de sacolas que não tinham nada dentro. E em alguns estandes estavam aspirantes a comediantes de stand up contando piada. Pelo menos desta parte eu gostei, pois adoro o surreal, o esdrúxulo, o exótico.
O estande que mais me intrigou foi de um senhor com um terno amassado vendendo o que seriam "jogos corporativos", onde tinha um monte de material de EVA, tipo casinhas para montar e dardos para jogar em alvos na parede. De acordo com ele eram jogos para estimular debates dentro das empresas.
Para mim pareciam mais brinquedos utilizados por primatólogos para tentar descobrir a linguagem dos chimpanzés...
Em menos de duas horas já estava indo embora.
Espero, do fundo do coração, que este CONARH não tenha sido representativo do momento do RH de hoje, e que apenas reflita uma decadência do encontro em si. Se ele realmente for o reflexo de como as empresas estão enxergando o RH hoje acho que todos que trabalham em corporações estão em apuros...
19.8.12
Acho que vou viajar para a Índia... Ou não!
Chega um momento em que precisamos buscar a espiritualidade. Basta de uma vida mundana de bebidas caras, festas VIP e participação especial no clipe do Michel Teló vestido de gorila (fui inclusive processado pela Associação de Seguranças Particulares de SP pelo fato da fantasia ter um logotipo de uma famosa empresa de segurança patrimonial). Cansei desta vida ao redor do dinheiro: vou para a Índia, local de peregrinação de 95 de cada 100 proprietários de lojas de produtos orgânicos. Mas antes, resolvi fazer uma pesquisa no Google Imagens para conhecer um pouco a cultura local. Afinal de contas, não dá para encher a mala de água Perrier que senão custo de excesso de bagagem é muito alto.
Comida - Parece que eles comem coisas variadas misturadas com Curry, quando eles tem estas coisas. Senão, é mingau de Curry. Entrei no site do Olivier Anquier deles e achei a comidinha meio feia (gostei do pote) e a consistência parecia meio Pampers. Será que vale a pena experimentar? Tem umas saladas em lata no Pão de Açúcar que eu poderia para levar para viagem em último caso...
Cultura - Quando vi "Quem Quer Ser Um Milionário" achei os atores sofríveis, imaginei que o Danny Boyle não tivesse muitas referências para casting humano (excesso de filme de zumbi e mutante automotivo) e tivesse errado a mão. Mas quando vi no YouTube os filmes indianos fiquei assombrado! Todos atores são canastrões e todos usam bigodes enormes, maiores que o do Sarney! Sobre as atrizes... eu que achava que a Indira Ghandi não tinha sido agraciada com o dom da beleza, mas pelo que vi dava ela para concorrer no Miss Cajurú e pegar um segundo lugar se comparada com suas conterrâneas...
Massagens Exóticas - Cítara, incenso, muita seda, gente rebolando... universo interessante e misterioso. Mas é tudo fake, coisa de filme americano e Kenny G disfarçado de Gênio da Lâmpada. O lance mesmo na Índia é um cara que vai fazer uma massagem numa cadeira de plástico numa varanda de terra batida do lado de um curtume. No qual ele provavelmente trabalha, por sinal.
Gurus - Vários legais, já vi mensagens incríveis em livros altamente espiritualizados e com mensagem de paz e de autoconhecimento... mas a maioria deles têm um visual muito diferente. Será que dá para encontrar o Nirvana ou algo do gênero olhando para alguém com o cabelo que parece uma unha preta num dedão?
Arte - Parece que a milenar arte indiana de objetos para colocar em cima da mesa de centro está migrando para o happening e performances. É o efeito da globalização, acho. Existem vários artistas que fazem intervenções nas ruas, como esta artista vestida de hot dog (não descobri onde estava o pão, mas deve ser pela minha ignorância no tema). Os mistérios da milenar Índia hoje se escondem atrás (ou dentro) de uma salsicha gigante...
Das duas uma: Ou eu vou desistir da minha viagem ou nunca mais faço uma pesquisa no Google Imagens...
Comida - Parece que eles comem coisas variadas misturadas com Curry, quando eles tem estas coisas. Senão, é mingau de Curry. Entrei no site do Olivier Anquier deles e achei a comidinha meio feia (gostei do pote) e a consistência parecia meio Pampers. Será que vale a pena experimentar? Tem umas saladas em lata no Pão de Açúcar que eu poderia para levar para viagem em último caso...
Cultura - Quando vi "Quem Quer Ser Um Milionário" achei os atores sofríveis, imaginei que o Danny Boyle não tivesse muitas referências para casting humano (excesso de filme de zumbi e mutante automotivo) e tivesse errado a mão. Mas quando vi no YouTube os filmes indianos fiquei assombrado! Todos atores são canastrões e todos usam bigodes enormes, maiores que o do Sarney! Sobre as atrizes... eu que achava que a Indira Ghandi não tinha sido agraciada com o dom da beleza, mas pelo que vi dava ela para concorrer no Miss Cajurú e pegar um segundo lugar se comparada com suas conterrâneas...
Massagens Exóticas - Cítara, incenso, muita seda, gente rebolando... universo interessante e misterioso. Mas é tudo fake, coisa de filme americano e Kenny G disfarçado de Gênio da Lâmpada. O lance mesmo na Índia é um cara que vai fazer uma massagem numa cadeira de plástico numa varanda de terra batida do lado de um curtume. No qual ele provavelmente trabalha, por sinal.
Gurus - Vários legais, já vi mensagens incríveis em livros altamente espiritualizados e com mensagem de paz e de autoconhecimento... mas a maioria deles têm um visual muito diferente. Será que dá para encontrar o Nirvana ou algo do gênero olhando para alguém com o cabelo que parece uma unha preta num dedão?
Arte - Parece que a milenar arte indiana de objetos para colocar em cima da mesa de centro está migrando para o happening e performances. É o efeito da globalização, acho. Existem vários artistas que fazem intervenções nas ruas, como esta artista vestida de hot dog (não descobri onde estava o pão, mas deve ser pela minha ignorância no tema). Os mistérios da milenar Índia hoje se escondem atrás (ou dentro) de uma salsicha gigante...
Das duas uma: Ou eu vou desistir da minha viagem ou nunca mais faço uma pesquisa no Google Imagens...
13.8.12
Para que serve uma Loja Conceito?
Uma pequena aula de Marketing, para quem se interessa pelo assunto.
Nos últimos vinte anos surgiu uma estratégia interessante relacionada a Pontos De Venda (ou PDV, como são chamados): Lojas podem ir além do papel de venderem produtos, elas podem refletir as características que a marca quer deixar na mente das pessoas.
Entrar numa loja é ter uma experiência sensorial poderosa que muitas vezes uma marca necessita. Cheiros, iluminação, atendimento ambientação, comunicação visual, tudo colabora para o fortalecimentos de percepções que uma empresa deseja imprimir quando usa outros meios, como a publicidade. A publicidade tenta simular glamour? A loja pode oferecer uma experiência de glamour. A marca quer que o cliente associe tecnologia aos produtos desenvolvidos? O PDV pode ser ambientado de uma maneira que crie o "Uau" necessário e fortaleça os ideais que são divulgados na publicidade.
Várias marcas têm apelado para a criação das Lojas Conceito. Algumas pioneiras, como a Apple e a Prada de Nova Iorque, deslumbram seus clientes, que saem embasbacados com a experiência vivida na loja.
No Brasil, e em especial em São Paulo, há um ícone de glamour que é a Rua Oscar Freire. Ela simboliza um ambiente refinado, onde pessoas refinadas e com dinheiro passeiam e consomem. Nada mais natural que muitas marcas percebessem que colocar uma Loja Conceito neste ponto agregaria muito valor às marcas.
Existem várias lojas por lá, a da Nespresso, da Natura, das Havaianas, e a da Haagen Dazs.
Para quem não sabe, o nome Haagen Dazs não significa absolutamente nada. Era uma empresa que fazia excelentes sorvetes nos Estados Unidos e não conseguia se posicionar no mercado de maneira diferenciada. Quem mandava no mercado dos sorvetes de luxo eram as empresas europeias, mais chiques. O dono da sorveteria resolveu criar um nome pomposo e nórdico e a marca deslanchou.
No Brasil há relativamente pouco tempo, a Haagen Dazs se deu bem, e a marca conseguiu se posicionar no segmento Premium com eficácia. E a Loja Conceito foi uma consequência das estratégias deste posicionamento.
Mas.... (sempre tem um Mas)
... A loja desandou. Apesar de receber inúmeros clientes por dia, o atendimento ficou precário. Na minha última visita (ontem), tinha mais supervisores que funcionários. E os funcionários suando para poder atender.
No modelo de gestão aplicado, todos funcionários devem saber fazer tudo. O cara que faz o seu milkshake é o mesmo que vai limpar o banheiro (espero que lave a mão). O resultado? Quanto mais milkshake pedido, menos o banheiro é limpo.
Resumindo, a Loja Conceito exalava confusão, atendimento precário, bagunça, insatisfação, filas enormes e o banheiro similar ao de rodoviárias de antigamente, pois hoje os banheiros das rodoviárias são mais limpos que o da Loja Conceito da Haagen Dazs.
Demorei 45 minutos para ser atendido, mesmo estando com meu filho pequeno e tendo prioridade no atendimento, ninguém teve coragem de usar o banheiro e saí com a sensação de que o tiro (de fortalecer a marca) saiu pela culatra...
Do ponto de vista do Marketing, é melhor não ter nenhuma Loja Conceito assim do que ter a loja e fazer o cliente associar estas características com a marca.
PS - A foto do banheiro é meramente ilustrativa, não tive coragem de fotografar o estado do local.
Nos últimos vinte anos surgiu uma estratégia interessante relacionada a Pontos De Venda (ou PDV, como são chamados): Lojas podem ir além do papel de venderem produtos, elas podem refletir as características que a marca quer deixar na mente das pessoas.
Entrar numa loja é ter uma experiência sensorial poderosa que muitas vezes uma marca necessita. Cheiros, iluminação, atendimento ambientação, comunicação visual, tudo colabora para o fortalecimentos de percepções que uma empresa deseja imprimir quando usa outros meios, como a publicidade. A publicidade tenta simular glamour? A loja pode oferecer uma experiência de glamour. A marca quer que o cliente associe tecnologia aos produtos desenvolvidos? O PDV pode ser ambientado de uma maneira que crie o "Uau" necessário e fortaleça os ideais que são divulgados na publicidade.
Várias marcas têm apelado para a criação das Lojas Conceito. Algumas pioneiras, como a Apple e a Prada de Nova Iorque, deslumbram seus clientes, que saem embasbacados com a experiência vivida na loja.
No Brasil, e em especial em São Paulo, há um ícone de glamour que é a Rua Oscar Freire. Ela simboliza um ambiente refinado, onde pessoas refinadas e com dinheiro passeiam e consomem. Nada mais natural que muitas marcas percebessem que colocar uma Loja Conceito neste ponto agregaria muito valor às marcas.
Existem várias lojas por lá, a da Nespresso, da Natura, das Havaianas, e a da Haagen Dazs.
Para quem não sabe, o nome Haagen Dazs não significa absolutamente nada. Era uma empresa que fazia excelentes sorvetes nos Estados Unidos e não conseguia se posicionar no mercado de maneira diferenciada. Quem mandava no mercado dos sorvetes de luxo eram as empresas europeias, mais chiques. O dono da sorveteria resolveu criar um nome pomposo e nórdico e a marca deslanchou.
No Brasil há relativamente pouco tempo, a Haagen Dazs se deu bem, e a marca conseguiu se posicionar no segmento Premium com eficácia. E a Loja Conceito foi uma consequência das estratégias deste posicionamento.
Mas.... (sempre tem um Mas)
... A loja desandou. Apesar de receber inúmeros clientes por dia, o atendimento ficou precário. Na minha última visita (ontem), tinha mais supervisores que funcionários. E os funcionários suando para poder atender.
No modelo de gestão aplicado, todos funcionários devem saber fazer tudo. O cara que faz o seu milkshake é o mesmo que vai limpar o banheiro (espero que lave a mão). O resultado? Quanto mais milkshake pedido, menos o banheiro é limpo.
Resumindo, a Loja Conceito exalava confusão, atendimento precário, bagunça, insatisfação, filas enormes e o banheiro similar ao de rodoviárias de antigamente, pois hoje os banheiros das rodoviárias são mais limpos que o da Loja Conceito da Haagen Dazs.
Demorei 45 minutos para ser atendido, mesmo estando com meu filho pequeno e tendo prioridade no atendimento, ninguém teve coragem de usar o banheiro e saí com a sensação de que o tiro (de fortalecer a marca) saiu pela culatra...
Do ponto de vista do Marketing, é melhor não ter nenhuma Loja Conceito assim do que ter a loja e fazer o cliente associar estas características com a marca.
PS - A foto do banheiro é meramente ilustrativa, não tive coragem de fotografar o estado do local.
9.8.12
Shut Up - O Caso do Bolo Maldito
Já com idade avançada, extremamente devota e solidária, a Tia Lú andava muito preocupada com a saúde do padre de Ariranha, cidade de menos de dez mil habitantes do interior de São Paulo. A doença o impedia de realizar as missas, e o pobre sacerdote estava na cama há tempos.
"Vou levar um bolo para o padre", decidiu a Tia Lú. E fez um bolo, com todo o carinho do mundo.
Alguns dias depois de ter levado o bolo, o padre morreu. E a Tia Lú não se conformava...
Pouco tempo depois, um primo da Tia Lú adoeceu. E ela não perdeu a oportunidade:
"Vou levar um bolo para o meu primo". Levou, o primo comeu, e tempos depois o coitado foi dado como desenganado e morreu.
Numa outra vez foi o dono da padaria. Não deu outra. Foi só receber o bolo que a saúde piorou e acabou morrendo.
Durante um bom tempo todos os cidadãos de Ariranha tremiam ao ouvir a campainha. Vai que a Tia Lú estava lá, sorridente, com um bolo na mão...
1.8.12
A falácia das campanhas de publicidade inovadoras
Sei que há um lado positivo e interessante ao se inovar em comunicação. Sou inclusive um disseminador de novas maneiras de comunicar, e minha agência, a UmaCentral, realiza projetos bastante instigantes e eficazes.
Mas... quando vemos nas redes sociais inovações na publicidade precisamos colocar um pé atrás, não por que divulgar produtos e gerar resultados seja ruim, no estilo "o capitalismo é malvado", conversa que tem enchido um pouco a minha paciência nos últimos tempos, pelo excesso de hipocrisia. A grande questão é que ainda não conheço um projeto de comunicação que se sustente apenas na inovação. As grandes agências usam a inovação como chamariz, o formato da campanha sempre é tradicional: Mídias e abordagem adaptadas ao público-alvo, e muito, muito dinheiro envolvido.
Acompanho alguns colegas e ex-alunos postando soluções inovadoras e vejo que há uma falsa sensação de que a inovação na comunicação é a alma do negócio. Não é. Felizmente ou infelizmente, o que consolida a comunicação voltada para gerar negócios é a utilização de canais com frequência necessária para que a mensagem resista perante o universo de outras mensagens pulando na direção do público.
Mas não daria para fazer isto de maneira inovadora, sempre? Não sei se é possível. Primeiro porque o público enjoa, quer outra coisa, rejeita a inovação intensa e frequente. Ele quer um pouco de inovação, mas nada que o tire de sua zona de conforto. E do ponto de vista conceitual, inovar sistematicamente é sistematizar a inovação, o que acabaria definindo como um modelo tradicional de comunicação. Como diz o vilão de "Os Incríveis", se todos formos especiais, ninguém mais será especial....
Sejam bem-vindas as comunicações nas novas mídias e nos novos formatos, e seja bem vinda a inovação. Mas que ela não sustenta uma comunicação consistente, não sustenta.
Mas... quando vemos nas redes sociais inovações na publicidade precisamos colocar um pé atrás, não por que divulgar produtos e gerar resultados seja ruim, no estilo "o capitalismo é malvado", conversa que tem enchido um pouco a minha paciência nos últimos tempos, pelo excesso de hipocrisia. A grande questão é que ainda não conheço um projeto de comunicação que se sustente apenas na inovação. As grandes agências usam a inovação como chamariz, o formato da campanha sempre é tradicional: Mídias e abordagem adaptadas ao público-alvo, e muito, muito dinheiro envolvido.
Acompanho alguns colegas e ex-alunos postando soluções inovadoras e vejo que há uma falsa sensação de que a inovação na comunicação é a alma do negócio. Não é. Felizmente ou infelizmente, o que consolida a comunicação voltada para gerar negócios é a utilização de canais com frequência necessária para que a mensagem resista perante o universo de outras mensagens pulando na direção do público.
Mas não daria para fazer isto de maneira inovadora, sempre? Não sei se é possível. Primeiro porque o público enjoa, quer outra coisa, rejeita a inovação intensa e frequente. Ele quer um pouco de inovação, mas nada que o tire de sua zona de conforto. E do ponto de vista conceitual, inovar sistematicamente é sistematizar a inovação, o que acabaria definindo como um modelo tradicional de comunicação. Como diz o vilão de "Os Incríveis", se todos formos especiais, ninguém mais será especial....
Sejam bem-vindas as comunicações nas novas mídias e nos novos formatos, e seja bem vinda a inovação. Mas que ela não sustenta uma comunicação consistente, não sustenta.
31.7.12
Shut Up! Palavras com duplo sentido
Esta aconteceu com minha mãe, durante uma longa viagem de carro que fizemos pelo sul do Brasil.
Nossa primeira parada foi Curitiba, e como minha mãe tinha um compadre que morava lá, fomos visitar a família.
No meio da conversa com o compadre, apareceu uma bonita moça de uns 14 anos. Era a filha mais nova dele, que só conhecíamos de ouvir falar. E o compadre apresenta a filha:
- Esta é a minha filha mais nova, a Jéssica.
No mesmo momento minha mãe olha espantada para o amigo e pergunta:
- Jéssica? Sério? Você deu este nome para sua filha?
O compadre, meio sem graça, concorda, e fica olhando intrigado para minha mãe, que continua a falar (ô hora boa para ficar quieta...)
- O sobrenome de vocês é Basso. Você deu o nome da sua filha de Jéssica? Assim o pessoal vai chamar a moça de Jessi Cabaço!
Pela cara do compadre da minha mãe, em 14 anos de vida ela era a primeira pessoa que tinha percebido esta possibilidade.
Nem preciso dizer que ficamos mais uns quinze minutos por lá, e nos últimos vinte anos nunca mais mantivemos contato com o compadre da minha mãe...
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