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21.7.13

Procrastinar - Talvez o comportamento mais perigoso que você pode ter

Procrastinar significa adiar, deixar para depois. Criar uma justificativa mental para não realizar o que precisa ou deseja hoje e deixar para amanhã.

O grande problema por trás deste comportamento não é só adiar algo que se deseja fazer (precisamos fazer), mas sim ficar com a falsa sensação de que um dia iremos realizar aquilo. Afinal de contas, se temos uma boa justificativa hoje para adiar, com certeza amanhã inventaremos outra!

Óbvio que todos fazemos isto, inventamos as desculpas mais incríveis para evitarmos ter de tomar uma atitude ou realizar algo.

Repare na lista de justificativas a seguir:

- Não tenho tempo
- Não é tão fácil como parece
- Nunca aprendi a fazer isto
- Meus pais não me estimularam
- Minha vida é difícil
- Tenho de trabalhar
- Tenho de ganhar dinheiro

Deve ter mais de cem outras frases que cabem aqui. Mas agora olhe com atenção para elas. Reparou?

Elas servem para qualquer um, todo mundo tem pouco tempo, têm dificuldades com coisas novas, não foi devidamente estimulado, e por aí vai...

Tenho sido pouco tolerante com pessoas que falam estas frases para mim. O que me faz ser mais paciente com quem fala isto é uma frase do Lincoln: "Aprendi a tolerar os medíocres; afinal Deus deve amá-los, porque fez vários deles".

Muita insensibilidade da minha parte? Acho que não, só me entristece ver gente que têm potenciais incríveis e fica enrolando, ao invés de expandir suas possibilidades, e viver achando que no dia seguinte alguma mágica irá mudar sua postura perante o mundo...


Se você realmente acha que é melhor deixar para depois e ficar enrolando, abaixo postei um vídeo que tem 24h de duração com um gatinho colorido voando (Nyan Cat, para os conhecedores).
Bom vídeo!

8.4.13

"A Gente é Gente Assim"

Quando ia para a academia vi o carrinho do milho ser colocado na caçamba da Guarda Civil Metropolitana. Sem licença, o dono nem reclamou.
Ao lado do carro da polícia uma fila enorme de pessoas uniformizadas, todas com malas grandes. Esperando um ônibus de turismo fretado. O motorista do ônibus estava pedindo informações para um dos guardas por sinal.
Fui conversar com os guardas: Por que o carrinho do milho foi apreendido?
Não tinha licença, disseram eles.

E o ônibus? Que está usando o espaço público de maneira irregular, como se fosse ponto? Os ônibus, gigantes, atrapalham muito mais a vida dos moradores aqui do centro do que o cara do milho.

Não é nossa responsabilidade, disse o guarda. É com a CET.

E vocês não podem fazer nada?

Não, mas se procurar a Polícia Militar ela pode acionar o CET e fazer sua queixa.

Fui até o trailer da PM, no meio da praça, 100 metros do local.

Perguntei para os policiais com quem devia falar. Eles disseram que o problema é com a Guarda Municipal que devia agir nestas situações.

Nas duas situações a sensação que passa é que você é um chato de galocha que está atrapalhando a vida deles. Um olhar de "lá vem mais um chato". Dureza.

No final do dia fui buscar minha filha no Ballet. Quando estava perto de deixa-la em casa um carro na minha frente atropela um ciclista. O ciclista levanta e reclama. Ao tirar a bicicleta da frente do carro o motorista acelera e vai embora. Vou atrás do cara e junto de outro carro fechamos o infrator e fazemos o cara voltar para socorrer o ciclista. Quando abre a janela era um senhor de mais de 75 anos de idade, com cara de "lá vem mais um chato". As netas, dentro do carro, entediadas com a situação. Conseguimos fazer o cara voltar e socorrer o ciclista.

Entro no carro. Minha filha me olha, fixamente.

"A gente é assim, filha. A gente é gente assim".

6.3.13

Em busca de uma compreensão do pensamento feminino

Uma pequena história de como pode ser complexo para um homem entender o pensamento de uma mulher. Uma vez fui levar minha filha ao cabeleireiro, e um dos caras que cortava o cabelo tinha os braços bem musculosos. Minha filha olhou e me perguntou: "Pai, se você faz tanta ginástica por que seu braço não tem as veias saltadas que nem a deste cara?"
Olhei para o meu braço e me senti meio murcho, nada Rambo... Tudo bem, faz parte da vida.
Aí resolvi pegar mais pesado nos treinos, aumentei os pesos, fiz mais academia, e um dia as veias do meu braço começaram a saltar.
Quando encontrei com minha filha a primeira coisa que fiz foi comentar: "Olha, as veias do meu braço estão saltando".
Na mesma hora minha filha disse: "Ai pai, acho horrível braço com veia saltada..."

Vai entender, né?

14.12.12

Cultura, Futebol e O Público e O Privado


Durante a apresentação de Ballet Clássico de minha filha Isabel uma mulher começou a gritar:
 "Vai Cíntia!!!"

A voz grossa e alta ecoou pelo teatro algumas vezes, e as quinhentas pessoas que assistiam foram brindadas com a efusiva mensagem.


Num primeiro momento achei (de verdade) que a infeliz tinha gritado "Vai Corinthians!!!", mas depois percebi que ela gritava o nome da amiga, com o mesmo tom que o grito da torcida corintiana. Mas dentro de um teatro, durante o Ballet Clássico...

Duas constatações:


Primeira
Da mesma maneira que a cultura elitizada (livros, dança clássica, teatro, museus, etc.) absorveu a cultura da periferia (grafiti, rap, street, etc.), seria interessante que o processo também acontecesse no sentido contrário. Nada contra expressar a emoção ao ver a amiga dançando, mas gritar no meio da apresentação é totalmente inconveniente e inadequado.
Este fenômeno também está associado à questão do espaço Público e do Privado. Como podemos ver também nos cinemas, as pessoas não diferenciam mais estas duas esferas. O ambiente público é tratado como a sala de casa, e as pessoas conversam nos cinemas como se estivessem assistindo DVD no sofá.
É bom lembrar que cada espaço têm seu jeito de ser, seus protocolos, e eles devem ser respeitados para uma melhor fruição daquilo que estamos assistindo. 


Segunda
Fico extasiado com o amor que as pessoas têm pelos times de futebol, e como transformam um esporte em algo verdadeiramente significativo nas suas vidas.
No caso da amiga gritando no meio do espetáculo, a cultura popular entranhou até na maneira dela se manifestar, semelhante aos gritos de torcida de futebol.

Esta semana vimos três grandes manifestações disto. Os corintianos, que no Brasil soltaram rojões a noite inteira antes de um jogo no Japão (além do monte de gente que vendeu tudo para acompanhar o jogo do outro lado do mundo), os palmeirenses que louvaram num jogo simbólico o seu goleiro amado, e os são-paulinos indo ao delírio por ganhar um jogo onde o time adversário simplesmente abandonou o jogo antes de terminar.
E eu fico pensando: Que inveja desta gente! Eu olho para o futebol e não tenho nenhum apego, para mim não faz nenhum sentido. Como seria bom que minha alegria fosse ditada por um fenômeno esportivo, e que minha personalidade fosse moldada como nos horóscopos, e se eu fosse corintiano seria de um jeito, se fosse palmeirense seria de outro jeito...

Mas não consigo ser assim. Tem um lado Woody Allen dentro de mim que pensa na infinitude do universo e dos bilhões de galáxias explodindo em direção ao nada enquanto os torcedores debatem se foi escanteio ou não. Deve ser muito bom ter uma vida definida por padrões assim, e estou falando sério. É chato demais pensar nas agruras da vida, no que podemos mudar em nosso comportamento, na existência como um todo...
Acho que bateu em mim um momento Cypher, aquele personagem que quer voltar para a Matrix, esquecer o horror que é a realidade, e simplesmente comer um bife suculento sem precisar pensar em nada...

29.8.12

E a Geração Y cai na real... Ou o real engoliu a Geração Y?


Tenho visto esta mensagem circular pelas redes sociais e resolvi compartilhar, pois acho que ela marca um momento importante do ponto de vista comportamental da chamada Geração Y.
Todo o discurso remete basicamente a crescer, amadurecer, trabalhar com a perda, e tudo mais que os mais adultos estão (ou deveriam estar) acostumados. 
O que existe de diferença deste momento de amadurecer e de outras gerações? Não há mais nenhum ritual de passagem, esta nova geração teve de virar adulta sem nenhum momento simbólico nas suas vidas (que antigamente foi o Vestibular e antes disto foi fazer dezoito anos, prestar o exército, etc, etc). 
Mais do que isto, a Geração Y teve de crescer  tendo a geração anterior (a Geração X) como anti-exemplo, já que não têm grandes coisas em comum nem se espelham nos valores dos mais velhos. Sem o universo simbólico compartilhado, sem perspectivas, sem se identificar com os valores da geração anterior... demorou para amadurecer, mas amadureceu.

A dúvida é: Eles realmente amadureceram ou o mundo se adaptou para absorver esta nova geração? Ou será que a sociedade finalmente engoliu a molecada?

Leia o texto e analise por si só...
 A SÍNDROME DOS VINTE E TANTOS ANOS.

Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.

Dá-se conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc.. E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco....
...
As multidões já não são ‘tão divertidas’, às ......vezes...... até lhe incomodam.

Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas.

Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.

Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto e te achou o maior infantil, pôde lhe fazer tanto mal.

Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar, e isso assusta!

Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.

Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.

Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso.

De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.

Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.

E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.

O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.

Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…

Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…

Autor desconhecido