Volta e meia a questão reaparece. Desta vez saiu pesquisa na Mente & Cérebro sobre a possibilidade de treinar a memória para combater a depressão.
Quem sabia bastante sobre o assunto era o Freud. Não sou conhecedor da história da psicologia, mas foi no final do Século XIX que os pesquisadores perceberam que a mente podia ser acessada através da linguagem. Podemos transformar comportamentos através da palavra.
A importância da linguagem vai muito além da comunicação básica. É com ela que definimos o mundo que nos rodeia. Se é através do nosso olhar subjetivo que compreendemos o mundo, é através das palavras que categorizamos o mundo.
Usava um exemplo em palestras que dava no Sebrae: Pedia para as pessoas fecharem os olhos e prestarem atenção na primeira imagem que viria nas suas cabeças quando eu falasse uma palavra.
Sempre usei uma palavra simples, a que mais usava era "Cachorro". A resposta das pessoas era sempre misteriosa e incrível. Praticamente ninguém pensava na mesma coisa. Um lembrava de cachorro quente, outro de cocô de cachorro, outro de amigo, outro de tristeza. Num grupo de vinte ou trinta pessoas praticamente ninguém pensava na mesma coisa.
Categorizamos as coisas (até as mais simples) com palavras que definem o sentido daquilo para nós, e isto acaba reforçando determinada maneira de enxergar o mundo e interagir com o outro.
Uma dica? Preste bastante atenção em palavras que usa com frequência. Elas provavelmente representam uma ponta do iceberg de sua maneira de enxergar o mundo.
(sobre a ilustração acima, este é um outro fenômeno curioso que temos, muito investigado pelo Ramachandran, genial neurocientista. Tendemos a encontrar sentido em coisas a partir das referências que temos, precisamos dar sentido ao mundo que nos rodeia, e temos inúmeros recursos mentais para fazer isto. Óbvio que muitas vezes eles nos levam a erros e equívocos absurdos, mas na maioria das vezes eles ajudaram a nos salvar do tigre escondido no meio da folhagem...)
Let´s Go!
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5.11.12
2.3.12
A Evolução do Sorriso
Recebi uma imagem de um amigo, ela diz que fomos projetados para sorrir. Mas o sorriso evoluiu de uma maneira bem estranha, e a risada também.
De acordo com Ramachandran, excelente escritor e neurocientista, em todas as outras espécies arreganhar a boca e mostrar os dentes é sinal de agressão, só na raça humana é que tem outros significados.
Curiosamente em nossa espécie se transformou em símbolo de empatia e diversão. Freud já havia notado o poder malvado da risada. Como digo, prefiro rir com alguém do que rir de alguém. E rir de alguém é uma estratégia eficaz de cooptação do interlocutor, como Freud percebeu em seu livro sobre Piadas (sim, ele escreveu um livro assim, e é incrivelmente consistente, como tudo em Freud). Ao "atacarmos" ironicamente alguém fazendo o interlocutor rir de nosso comentário, trazemos o cara para nosso lado "subornando" com o prazer gerado pela risada. É um tipo de agressão, mas não se compara à atitude defensiva de eriçar os pelos e arreganhar os dentes. Os babuínos têm dentes grandes que são ornamentais, não servem para mastigação nem para morder, apenas para intimidar.
No nosso caso a grande diferença são os neurônios espelho, abundantes em nossa espécie, que ajudam no processo de mimetização do que vemos. Assim, quando vemos alguém rindo também rimos, e assim surge o contágio de risadas.
Acredite se quiser, já existiram casos de contágios seríssimos de risadas, sendo que alguns locais tiveram de ser isolados por causa do descontrole da situação. Na África o surto só passou depois de dois anos de ter começado...
O que começou como instinto de defesa em nossa espécie se transformou em empatia. Mistérios darwinistas...
De acordo com Ramachandran, excelente escritor e neurocientista, em todas as outras espécies arreganhar a boca e mostrar os dentes é sinal de agressão, só na raça humana é que tem outros significados.
Curiosamente em nossa espécie se transformou em símbolo de empatia e diversão. Freud já havia notado o poder malvado da risada. Como digo, prefiro rir com alguém do que rir de alguém. E rir de alguém é uma estratégia eficaz de cooptação do interlocutor, como Freud percebeu em seu livro sobre Piadas (sim, ele escreveu um livro assim, e é incrivelmente consistente, como tudo em Freud). Ao "atacarmos" ironicamente alguém fazendo o interlocutor rir de nosso comentário, trazemos o cara para nosso lado "subornando" com o prazer gerado pela risada. É um tipo de agressão, mas não se compara à atitude defensiva de eriçar os pelos e arreganhar os dentes. Os babuínos têm dentes grandes que são ornamentais, não servem para mastigação nem para morder, apenas para intimidar.
No nosso caso a grande diferença são os neurônios espelho, abundantes em nossa espécie, que ajudam no processo de mimetização do que vemos. Assim, quando vemos alguém rindo também rimos, e assim surge o contágio de risadas.
Acredite se quiser, já existiram casos de contágios seríssimos de risadas, sendo que alguns locais tiveram de ser isolados por causa do descontrole da situação. Na África o surto só passou depois de dois anos de ter começado...
O que começou como instinto de defesa em nossa espécie se transformou em empatia. Mistérios darwinistas...
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