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25.9.12

Os políticos abandonaram a cidade de vez

Se você tem alguma dúvida em relação a qual o interesse que os candidatos tem ao se elegerem vá dar uma volta pelo centro de São Paulo.
(passei um mês sem correr por causa do ar seco e de uma sinusite crônica e voltei hoje. Senti uma piora brutal na condição da cidade).

O lixo se acumula nas ruas do centro velho. O cheiro de urina aumentou, culpa do cidadão espírito de porco, da falta de vigilância e da falta de limpeza.

As ruas estão esburacadas, não só aqui como na cidade inteira.

A cracolândia está lotada de nóias: o número aumentou ou o bom filho à casa torna?

Um dia destes o barulho no Largo do Arouche estava mais alto que a média. Aos domingos as pessoas vêm namorar por aqui, e ligam os rádios dos carros para dançarem e beberem na rua. Já estou acostumado, é menos barulho que de muito bairro chique. Mas aquele dia estava especial, com gente bêbada gritando.

No dia seguinte fui até o trailer da polícia que fica no meio da praça, ou seja, no meio da bagunça. Tem policial 24h por dia lá. E perguntei para o cara por que a polícia não coíbe os abusos, como gente pisando nas flores, urinando na rua ou brigas. Sabe o que o cara me falou? Que se não houver denúncia a polícia não pode interferir.

Como assim? Se tem um cara urinando na rua a polícia só pode pedir para o cara parar se alguém ligar para o 190? Alguém pode me explicar isto? É um estímulo ao denuncismo ou uma apatia perante a realidade que está literalmente ao lado dos caras?

Na cracolândia a mesma coisa. Centenas de pessoas amontoadas consumindo crack ao lado do trailer da polícia. Honestamente não entendo...

Enquanto corria, refletia sobre a triste condição da política eleitoral de São Paulo. E desviava dos infinitos cavaletes com rostos sorridentes a olhar para mim como uma cobra olha para um rato.

22.7.12

Medalha de Honra. Que honra?

Acabo de chegar de uma corrida pelo centro de SP, destas patrocinadas por grandes empresas com um monte de gente vestida igual, procurando brindes e sorteios e tirando foto com celebridade.
Fiquei muito feliz com o convite, e espero poder correr mais vezes este tipo de prova, apesar do meu desempenho sofrível. 7,5 Km em 35 minutos não é lá grande coisa (por sinal, meu GPS, de uma marca concorrente do patrocinador, marcou 7,5 Km mas o patrocinador falava que a corrida era de 5 Km, em quem devo confiar?), mas para quem não corria nada até o ano passado, acho que está bom.


A grande questão me me fez pensar hoje foi ter ganhado uma medalha, grande, bonita, daquelas de "Honra ao Mérito", pela participação, sabe? E na hora que me entregaram imediatamente me lembrei que ganhei outra medalha destas há uns dois anos atrás.


Eu estava voltando para casa à noite quando fui abordado por uma criança moradora de rua. Com a cara de dependente químico em abstinência, ele me pedia qualquer trocado. Fiquei morrendo de pena e resolvi sacar a carteira e dar um trocado. Quando abri a carteira, minha menor nota era de R$ 5,00. Como já tinha parado e feito todo o ritual de "eu vou te dar dinheiro", não tive coragem de recuar, e entreguei a nota para o garoto.


Acho que fazia muito tempo que ele não via uma nota de R$ 5,00, pois arregalou os olhos, se inclinou solenemente em minha direção e agradeceu. Mas, no meio do agradecimento, seu rosto se iluminou, como se tivesse tido uma ideia. Abriu uma lata velha que carregava, tirou uma medalha envelhecida de um maço de medalhas e pendurou no meu pescoço, e foi embora.


Não sei direito se tenho alguma Honra ao Mérito para ter ganhado uma medalha hoje, junto de outras milhares de pessoas que essencialmente sobreviveram ao trajeto proposto. Da mesma maneira não acho que ter dado dinheiro para um jovem nóia poder comprar mais uma pedra de crack seja honroso. Só sei que agora as duas estão penduradas numa escultura de gato que tenho na minha sala, juntas, enquanto o gato olha de uma maneira intrigada pela janela...