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23.6.13

A Rede Social Offline - A Disseminação das Manifestações não é Fractal, mas sim de Aglutinação

Folheando ontem a Internet pelo Flipboard me detive nas fotos de Américo Rodrigues publicadas no Flickr. Elas mostram uma manifestação organizada em Santo André, região Metropolitana de São Paulo. O grupo deveria ter umas 50 ou 100 pessoas, se tanto.

Já falei em um vídeo (veja abaixo) sobre a relação estrutural entre as Manifestações e o Harlem Shake. Mas a questão dos conteúdos de expressão da Manifestação é outra. Estas pessoas se aglutinam em torno de quê, especificamente? Se antigamente o povo se juntava em torno de uma causa, hoje as pessoas levam suas causas para juntar à manifestação.


O que muda?

Enquanto em outros movimentos políticos existia uma causa clara - Liberdade de Imprensa, por exemplo - e as pessoas que se identificavam com esta causa iam às ruas para dar força ao movimento e torna-lo expressivo, hoje, o que vemos é as pessoas levarem suas causas de cada micro-grupo para darem força ao grupo. Por isto vemos tantas faixas e bandeiras, quase individuais, espalhadas pela multidão.

Um dos grandes baratos de quem está na manifestação é ver o que cada faixa ou cartolina está dizendo, muito parecido com os memes e os posts que preenchem nossas timelines nas redes sociais.
Um deles, que dizia "Saímos do Facebook" significa um pouco isto. Obviamente isto não significa que a Ágora Virtual que é o Facebook se expandiu e foi para o offline, mas sim que já existiam reflexões pessoais e de pequenos grupos que se manifestavam no online e agora levam seus "posts" para a rua. E isto volta para as redes sociais online, já que as pessoas fotografam os cartazes e postam em suas timelines, gerando um ciclo de comunicação virtuoso, pelo menos até o presente momento.

Voltando a Santo André e as pequenas Manifestações

Um amigo meu publicou, orgulhoso, a manifestação em sua cidade, Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Na foto era possível ver umas 300 pessoas com guarda-chuvas fazendo uma micro manifestação no centro da cidade.
Os alunos da 8a série da escola de minha filha criaram um evento pelo Facebook e juntaram 200 garotos para fazerem uma manifestação na frente da escola, parando a pequena travessa onde ela fica.
Agora vá até o álbum do Flickr onde estão as fotos do Américo Rodrigues e veja: Há um pouco de tudo naquele pequeno grupo. A intenção é se juntar e expressar questões num espaço coletivo, agregando a sua causa pessoal às causas de outras pessoas.
Quando pensamos nas grandes manifestações, como de São Paulo, Rio e Belo Horizonte, devemos ter em mente não apenas o número de pessoas que teoricamente aderiram a uma causa específica, mas sim a um maior número de pessoas por causa e um maior número de causas, o que gera uma complexidade de situação muito maior. Se existe na manifestação de Santo André um casal gay se manifestando em SP há uma passeata específica dos Gays para se expressarem, que se dirige para a Avenida Paulista, onde encontrará as outras manifestações vindas de todos os outros lados da cidade.
E existem grupos menores, como os Nacionalistas Radicais de Direita, que não são significativos em Santa Rosa ou Santo André mas que em SP existem, que também vão juntos avolumar a massa de gente, expressando seu ponto de vista. O mesmo vale para partidos políticos, agremiações, movimentos sociais, ONGs, e por aí vai.

Não é simples atuar perante inúmeros grupos reunidos, que inclusive discordam entre si. A diversidade de interesses e motivos varia de acordo com o local, mas está presente em todos.

28.4.13

Sobre o Vídeo da Mulher sendo Decapitada no Facebook e os julgamentos

Uma das notícias mais comentadas nos grande portais nesta semana foi a divulgação no Facebook da decapitação de uma mulher no México. Parece que o vídeo continuou por um certo tempo no ar mesmo depois de muitos usuários terem denunciado como impróprio.

Para mim este vídeo suscita duas grande questões:

O Fascínio que temos pelo escabroso

Que a violência nos excita, em especial aos homens, todo mundo sabe. Mas há um apelo que o Nojo, o Desagradável, o Mórbido e o Repugnante nos traz. Existe inclusive um culto a isto, com nos filmes e games Gore americanos e japoneses. Quanto mais tripas, sangue e cabeças voando melhor. Tem a ver com o que chamamos de "curiosidade mórbida". O que gera repulsa curiosamente atrai. Se você digitar a palavra Gore no Google vai entender o que estou falando (e acho que existe uma grande chance de você querer fazer isto, é este o instinto a que me refiro).
Podemos criar uma série de justificativas para assistir ao filme, mas todas elas escondem uma curiosidade mórbida que movimenta os programas de noticiário e faz com que tentemos dar uma espiada no acidente que aconteceu no trânsito, gerando congestionamentos e ibope.

Só para lembrar, esta cultura vêm de longe, muito longe. No México podemos ver sobrepostas duas culturas que elevaram ao status de Culto a adoração mórbida: Os Maias e o Catolicismo. Sacrifícios Humanos são comuns por lá faz tempo, e quando os europeus trouxeram sua cultura apresentaram mais uma situação do gênero a ser cultuada.






A Violência no México gerou um Estado Paralelo Marcial

Para quem não sabe, a violência no México tem nome e sobrenome: Drogas para os Americanos. Milícias controlam com rigor e violência a região da fronteira e o domínio do tráfico. Há mais de uma década decatitações e outras formas violentas (e espetaculares, visando alertar e intimidar grupos rivais) acontecem, e nenhum governo consegue controlar.
Conversei com algumas pessoas que assistiram o vídeo no Facebook. Para quem assistiu o vídeo, chama a atenção o fato da mulher que está sendo morta não esboçar reação enquanto é brutalmente assassinada. Parece que ela aceita o fato. E este aceitar mostra claramente que a regra, por lá, é clara. Ela sabe o que fez e sabe por que está sendo submetida a isto. E isto, para mim, choca mais do que a parte sanguinolenta da história. Lembra um pouco outros casos no Oriente Médio, quando pessoas são apedrejadas em silêncio. Não apenas por constrangimento ou culpa, mas sim por saberem exatamente a regra, e quais as consequências de seu ato, por mais abominável que isto pareça para nós.
Questionarmos o Oriente Médio pelas suas atrocidades sem questionarmos as violências que acontecem na América decorrentes de uma demanda de droga para os americanos (e toda a complexidade do debate da discriminalização das drogas, etc) é no mínimo hipócrita de nossa parte.


11.3.13

Sobre os Monstros e o Julgamento de Cima do Banquinho

Domingo foi um dia em que a Monstruosidade reapareceu. Nem sempre ela aparece, não são todos os dias que convivemos com ela, mas de vez em quando ela ressurge.
Desta vez foi na forma de um atropelamento na Avenida Paulista. São Paulo vive um pseudo-encanto com o ciclismo, todos querem andar de bibicleta, as longas ciclovias levam alegremente a classe média até a cracolândia, onde famílias felizes se "apropriam" do centro velho passeando de bike rodeadas de nóias e moradores de rua.

No domingo de madrugada um jovem de classe média (provavelmente voltando da balada e alcoolizado) atropelou um jovem de classe baixa que ia pela ciclovia trabalhar. Não vou entrar em detalhes, mas se quiser saber tudo clique aqui.

Esta colisão de mundos gerou uma situação chocante: Um jovem de classe média se torna um monstro, capaz de fazer coisas inimagináveis, deixa de ser humano, (alguém que era como "nós") e numa sequência de ações surpreendentes passa a ser uma aberração.

Para mim é um caso de descontrole, total falta de condição de saber o que seria o certo e o errado. Foi isto que levou o motorista a fazer o que fez. Ninguém está preparado para uma situação destas, e ele entrou numa espiral que o levou a agir assim.

Mas isto não é o que a maioria das pessoas pensa. Quando elas vão julgar os atos dos outros sobem num pequeno banquinho, e de lá fazem seus discursos do que é certo e errado, sempre do ponto de vista "ideal". E hoje as redes sociais são recheadas de pequenas pessoas em cima de pequenos banquinhos, olhando de um ponto de vista perfeito e julgando os outros. O universo opinativo parece adquirir força com o distanciamento que o virtual têm na sua essência.

Vá falar nas redes sociais alguma coisa em defesa deste motorista e perceberá a fúria das pessoas em seus banquinhos. Apesar de nenhuma delas ter conhecido ninguém que passou por algo semelhante, e nem elas terem passado por algo parecido, todas têm certeza que agiriam perfeitamente naquela situação: Parariam para socorrer uma pessoa destroçada (por elas), pegaria os pedaços desta pessoa no meio de uma poça de sangue escuro e espesso, colocariam dentro do carro, esperariam a polícia chegar no hospital, estenderiam as mãos e diriam: "Seu guarda, eu pequei! Fiz o mal para este desconhecido, estava alcoolizado. Me leve para uma cela junto do pessoal do PCC, junto de matadores e estupradores por alguns anos pois mereço a punição. Estou em pleno juízo, apesar de bêbado e de ter destruído a vida de uma pessoa meia hora atrás..."

Parece que quando a gente sobe no banquinho, ao invés de ficarmos maiores, ficamos menores, perdemos nossa humanidade e esquecemos que Monstruosidades podem acontecer também com a gente, e não acontecem só com os outros...


10.9.12

Tudo que vem, vai... (Incluindo as Redes Sociais)

Um dia ele simplesmente não viu razão em postar nada no Facebook. E estranhamente nem teve vontade de ver os posts de seus amigos, conhecidos, ou amigos de amigos. De uma hora para outra o Facebook não fazia mais sentido para ele.

"Será que estou numa fase pouco sociável?", pensou. 

 Na fila do supermercado ele ouviu dois amigos conversando sobre como era chato o Facebook. Um deles argumentava que já não via tanta graça em publicar memes e outras frases divertidas no Face. Que estava cansado de fotos de crianças doentes, rezas matinais e frases estranhas de celebridades e pseudo-pensadores.

Lendo notícias nos portais descobriu que as ações do Facebook caíam dia após dia, e dezenas de comentaristas apresentavam suas opiniões sobre as razões, mas não havia consenso.

"O Internauta é volátil, muda de opinião e de interesses a cada instante", dizia um. 
"O modelo de negócios do Facebook se tornou inviável", dizia outro.
"A estrutura social do Facebook implodiu: todos querem ser famosos e especiais, e se isto acontece, ninguém é especial", disse o outro, citando o vilão do desenho "Os Incríveis".

Em menos de um mês 15% das contas de Facebook tinham sido encerradas ou se tornaram inativas. A empresa, assustada com a estranha movimentação, resolveu oferecer atrativos e inovações tecnológicas para reter seu principal ativo: as pessoas. E criou mais jogos, mais interatividade, vídeos e, num momento de total desespero, o tão sonhado botão "Dislike".

Já não havia mais o que fazer, o Facebook estava se esfarelando.
Numa atitude comum a outros poderosos do universo digital (e real), seu fundador negava tudo, e desafiava os novos desenvolvedores a chegarem no estágio de sucesso que um dia ele já tinha tido.
Parte dos bilhões de dólares dos investidores já havia migrado na bolsa, para coisas sólidas como Wal Mart e empresas do gênero.

De um instante para outro, Curtir já não tinha mais graça.

Como golpe final, um grupo de Hackers derrubou o site do Facebook por mais de 24h. Mas a Rede Social, tal como ela era no passado, já tinha deixado de ser relevante...

25.7.12

Folha - Vale a pena cobrar pelo conteúdo online?



A Folha de São Paulo online mudou sua postura comercial, e de uns tempos para cá passou a cobrar pelo conteúdo de seu portal. Descobri isto através de um sistema criado por eles que reduz em 20 páginas gratuitas de acesso por internauta. A partir daí, bloqueia o acesso ao conteúdo.
Como não entrei mais no portal da Folha, não sei se eles desistiram de sua estratégia ou mantém a restrição.




Considero equivocada esta estratégia de rentabilizar conteúdo do Grupo Folha. Primeiro por uma razão muito simples: O usuário acostumado a um produto totalmente gratuito tem resistência a entrar em um modelo pago (mais que resistência, beira a rejeição, se sente enganado). Por que a pessoa pagaria a partir de hoje por algo exatamente igual ao que acessava ontem gratuitamente? Fica difícil de entender e impacta na percepção da marca (branding) justamente no seu público fidelizado.

Outra questão importante é o fato da diminuição da relevância enquanto fonte nas redes sociais. Menos pessoas irão compartilhar as notícias deste portal em Facebooks e Twitters, o que diminui a presença da marca na mente das pessoas e a quantidade de visitação. E as redes sociais não podem ser ignoradas, basta lembrar que no último censo o Facebook já tinha mais de 900 milhões de usuários, aproximadamente uma pessoa em cada 13 no mundo têm conta nesta rede.


A estratégia pode ser parecida com a que a Igreja Católica têm feito, a partir do Papa Bento XVI (e já sendo engendrada por ele na gestão anterior) que é a redução de fiéis visando fortalecer a fé naqueles que realmente vivem a experiência religiosa católica. Em suma, deixar de lado os "meio-fiéis", que chamamos aqui no Brasil de católicos não-praticantes, aceitar a perda deste grupo e focar nos que interessam. Talvez o Grupo Folha tenha seguido este exemplo. Mas acredito que existissem outros recursos de fortalecimento de resultados sem usar este caminho. Nem sei se fidelizar neste caso não seja uma tentativa de impor um modelo offline dentro de um cenário online que já estabeleceu parâmetros próprios e dinâmicos, diferentemente do modelo de venda de jornal que já existe há mais de cem anos.


É inegável que as pessoas estão deixando de ler, em especial jornais diários pagos. Os assinantes diminuem a cada dia, mas os concorrentes com conteúdos simples e gratuitos ocupam espaço no mercado e ganham dinheiro com ... publicidade! Pode parece incrível, mas aquele velho modelo de divulgação em mídia impressa está vivo e gerando faturamento para jornais regionais e segmentado, há vários estudos sobre eles disponíveis na Internet.


O Grupo Folha diversificou seus produtos, como venda de livros, aplicativos pagos, mas imagino que seja muito dolorido para a gestão tradicional do jornal aceitar que ele tenha virado parte de um todo (do ponto de vista de faturamento), e que a fonte de onde os produtos derivam (o portal e as notícias) seja apenas uma parcela de onde vem o dinheiro.


Também imagino a dificuldade de gerenciar duas plataformas tão distintas (do ponto de vista de modelo comercial e de relacionamento com o usuário), sem que uma não "canibalize" a outra. É possível manter o jornal pago e o portal gratuito? É uma hipótese, mas pela reação do Grupo Folha provavelmente os resultados forçam a empresa a se movimentar em alguma direção.


Não sei quanto custa manter uma equipe de jornalistas de qualidade que investiguem notícias ao invés de repassar press releases. Sei que folha de pagamento não é barato, mas sei também que reestruturações, investimentos em mídia, etc etc também não são baratos, muitas vezes é mais caro que gente.



Uma das coisas que vejo com clareza é que não está se discutindo uma reformulação de produto e de politica comercial simultânea. O que se quer é impor um novo modelo comercial sem reformular o produto, e isto não dá certo.


Um caso interessante que vale como comparação é o de uma banda chamada Propellerhead. Há alguns anos atrás eles foram responsáveis por vários sucessos, muitos vindos da trilha sonora que fizeram para o filme Matrix.


Para poderem desenvolver uma trilha interessante eles tiveram de criar seu próprio software de música, o Reason. Apesar do sucesso como banda, eles perceberam que havia pessoas interessadas em usar o software que desenvolveram para criar suas próprias músicas. Assim, entraram no mercado de programação e começaram a vender o Reason.


O Reason foi um sucesso, mas ele é um produto de nicho, extremamente segmentado, de alto custo e de alta complexidade. Não é todo mundo que consegue usar o software. Assim, eles resolveram desenvolver um novo produto, o Figure, voltado para Smartphones, usando uma série de timbres do Reason mas com interface simples e voltado para um público que quer se divertir fazendo pequenas trilhas sentado no aeroporto enquanto o embarque não começa. Coisa rápida e divertida.


A mesma equipe que começou como banda eletrônica vira desenvolvedora de software para segmento musical e depois amplia sua participação no mercado oferecendo um software divertido e poderoso a U$ 0,99 na Applestore.


Há inúmeros casos parecidos com este, como o da Amazon, cuja receita multiplicou a partir do momento em que passaram a oferecer hospedagem de conteúdo, aproveitando uma capacidade de armazenamento ociosa que dispunham.


Obviamente, é mais fácil para quem já nasceu neste novo mundo se mover por ele. O Grupo Folha está tendo a mesma dificuldade que várias empresas que se viram diante de cenários inóspitos e tentaram impor seu modelo ultrapassado para um mundo que mudou. E corre sérios riscos de ser abocanhada por um conglomerado maior, mais ágil e menos indeciso que ele.

12.3.12

Facebook é o delírio coletivo

Carros lindos e potentes, vídeos de festas maravilhosas, sentimentos profundos e nobres.
O Facebook é hoje a representação do delírio das pessoas. Neste sentido ele é muito mais do que o Second Life, que ainda têm desafios gráficos a serem transpostos para poder representar o mundo ideal. Hoje o mundo ideal é o Facebook.
Há muito de sórdido e banal também eu sei, mas é como se fosse um dos círculos internos desta grande fantasia. Mas existe, sem sombra de dúvida uma projeção das pessoas querendo simular o que queriam ser, ter, como queriam estar conectadas umas às outras e com as divindades contemporâneas, em especial Gaia, nosso grande arquétipo místico do século XXI.
Até o Muro das Lamentações (Afetivas, Profissionais e Políticas) que aparece vez em quando em nossa timeline é um grande delírio: Como se o resmungo pudesse melhorar relações amorosas, consertar as relações de trabalho ou derrubar modelos centenários de poder no país e no mundo.
Durante uma de minhas corridas no centro de SP comentei com o Ricardo, brother de coração e atual colega de correria, que o fato de estarmos correndo e as pessoas ao redor olharem (somos as únicas pessoas correndo nesta região, acreditem) geraria mais reflexão do que se fizéssemos milhares de pessoas participarem de um grupo no Facebook estimulando a ginástica.
Esta hipertrofia do desejo que o mundo virtual traz gera riscos, em especial a possibilidade de insatisfação absoluta com o Real. Nenhum carro será tão potente, nenhum amor tão maravilhoso, nenhuma causa tão nobre.
Esta virtualização dos sentimentos e expectativas é para o mundo das relações a mesma coisa que a Pornografia é para o Sexo: Altamente estimulante, absolutamente dirigida (segmentada pelo indivíduo, visando uma prática solitária, mesmo quando acompanhada), orientadora do desejo e frustrante, pois nunca a sexualidade se manifestará como ela acontece nos filmes.
As redes sociais hoje criam uma expectativa que nunca se cumprirá na vida real. Você está preparado para esta grande frustração?


Lembrando obviamente do Baudrillard e sua teoria pós-orgia em A Transparência do Mal, que por sinal recomendo.

2.3.12

O Facebook é o Taxista da Era Digital!

Quantas vezes você entrou no Facebook e encontrou um monte de gente falando sobre o clima? 
"É, vai chover"
"Este calor está insuportável"
"Parece que vem uma frente fria no final de semana"

Ou falando sobre o final de semana?

"Oba, é sexta"
"Já é domingo? Que pena"


E sobre jogo de futebol?
"O Corinthians não está em boa fase, né?"
"Você viu o gol que o Alex perdeu?"
"Com este técnico o São Paulo não vai para a frente"


Por estas e outras percebo cada vez mais que o Facebook na verdade é um enorme Táxi digital. Como a conversa não evolui, só dá para ficar na base do papo furado. Ninguém entra no Facebook (nem no Táxi) e começa conversa existencial, profunda. Só quando quer impressionar, mas quem quer impressionar o Taxista? Só gente que tira foto querendo pagar de bacana para literalmente qualquer um, momento apelação total. Mas a média das pessoas simplesmente fica no pré-trivial, ou seja, em lugar nenhum da comunicação.


Logicamente estou falando de pessoas banais, diferentes de mim ou de você, que somos pessoas refinadas e só de vez em quando acessamos o Facebook, mais para se manter atualizado. O resto de tempo passamos salvando criancinhas e lendo Shakespeare. Como têm gentinha neste mundo, né?


21.2.12

Eu te conheço? De onde mesmo? Que foto é esta?

Uma das coisas estranhas do Facebook é que tem uma hora que você não sabe mais se conhece ou não uma determinada pessoa. Você olha a foto (ela mudou? cortou o cabelo? trocou a foto do perfil?), vê um comentário no timeline e não tem a mínima ideia de quem seja aquele tipo.


Robin Dunbar, pesquisador, chegou a um cálculo que nosso círculo real de amigos beira as 150 pessoas. Parece muito, mas em tempos de redes sociais, é um número modesto. Há outros pesquisadores que expandiram o número de Dunbar para uns 200 amigos, mas ainda sim é pouco se compararmos com a quantidade de pessoas que conhecemos em diferentes ambientes.


Outro fator curioso é que redes sociais no Brasil têm suas particularidade. Brasileiro deu "oi" na rua e já adiciona como amigo no Facebook, diferentemente de outros povos não latinos. Assim, gente que você conheceu numa viagem para Mongaguá há cinco anos hoje aparece na sua timeline comentando assuntos que muitas vezes você não tem noção do que esteja acontecendo.


Alguém aí conseguiu se encontrar na época em que todo mundo trocou fotos do perfil por personagens de desenho animado? Além das curiosidades, como uma conhecida de 1,90 de mais de sessenta anos colocar a foto da Sininho no perfil (como é interessante a auto-percepção), como saber quem é? O rosto ajuda muito no processo de reconhecimento, nossos neurônios espelho usam e abusam do reconhecimento facial para saber quem são as pessoas e entender seus sentimentos. Olhando para a Sininho de vendo um nome de uma pessoa acabo me perdendo, sem saber quem é ou qual a relação que tenho com ela...