Let´s Go!

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14.1.14

Uma esquina que me faz sorrir todos os dias

Na Avenida São João existe um centro de apoio à terceira idade. Passo todos os dias na frente para ir ao escritório da Joombo.
Na pracinha em frente ao local ficam vários senhores e senhoras aposentados tomando sol e batendo papo.
Um dia estava passando de moto e o sinal fechou. Fiquei parado por um tempo, enquanto alguns senhores atravessavam na faixa de pedestres. Um deles, num determinado momento, começou a olhar na minha direção e a falar. Eu estava ouvindo música e não entendia o que ele dizia.  Desliguei o som e consegui ouvir o que ele falava:
"Você está muito carrancudo! Que cara feia! Está na hora de sorrir mais!" E abriu um sorriso como se fosse uma careta, um misto de avacalhação e simpatia, parecia brincadeira de criança.

Está na hora de sorrir mais....

Como sorrir mais, quando estamos preocupados com as coisas do mundo adulto, resolver uma série de pepinos, trabalhos, planejamentos, etc etc?

O que aprendi (de novo) naquele dia é que temos de buscar um sorriso dentro da gente a cada dia. Sorrir faz bem, muito bem, e mesmo que aparentemente não tenhamos razão para sorrir, ao iniciarmos o processo é possível que mudemos a nossa percepção das coisas.

Sabe aquele papo de Mens Sana In Corpore Sano? A regra é a mesma se for usada ao contrário: Corpore Sano In Mens Sana. Se você forçar o seu corpo a agir buscando a felicidade ele pode ajudar sua mente a encontrá-la. Parece bobeira né? Mas bobeira maior seria esperar do mundo que enviasse razões para você sorrrir. Não é o mundo o responsável pela sua felicidade, mas o contrário.

Vamos sorrir um pouco hoje?

(Todo dia que eu passo naquela esquina eu agradeço aquele senhor que me fez uma careta para mudar meu dia. E sorrio)


21.11.12

A Curva da Felicidade dos Humanos e Primatas

Há um certo tempo os pesquisadores têm reparado que no decorrer da vida temos ciclos básicos de felicidade. O que se sabe é que somos mais felizes no começo e no fim da vida, mas existe um buraco de felicidade no meio da vida, que é chamado de "Crise da Meia Idade". 
Ela acontece a partir dos 40 anos, e uma reflexão menos positiva da vida acaba atingindo um número respeitável de pessoas. Quem somos, para onde vamos, o que fizemos de nossas vidas, o que o futuro nos reserva, como trabalhar com a perda e a morte... O repertório de angústias não termina.
O que é novo é saber que isto acontece também com outros grandes primatas. Gorilas e chimpanzés também passam por isto. O que acaba colocando em xeque a ideia que seja algo cultural, provavelmente têm raízes evolutivas, apesar de ainda não sabermos quais nem as razões delas.
Leia a matéria completa neste link

15.3.12

Há pouco o que fazer com a infelicidade dos outros

Parece fatalismo, mas não é.  O que podemos fazer pelos outros é muito pouco.
Não adianta dar atenção, tratar com carinho, sorrir, fazer agrados, ser gentil. Isto só dá certo se já existe na pessoa a disponibilidade de receber esta atenção. Há pessoas que não ativaram este botão, e que sofrem sem saber por que estão sofrendo.
Não quer dizer que você não deva fazer tudo isto. Faça! Mime as pessoas queridas, dê atenção, carinho, mas não espere que isto vá gerar algum resultado, pois possivelmente não vai gerar.


Precisamos aprender a oferecer afeto sem gerar nada em troca, o que em muitas situações parece impossível.
É necessário lutar contra uma prepotência que temos, parte inflada pelo ego, parte estimulada pela lógica "ação-reação" (se eu faço o bem para alguém ele necessariamente irá se sentir ou ficar bem).


No fundo o grande desafio é a prática do desapego. Conseguir oferecer o afeto sem esperar nada em troca, nem para você nem para a outra pessoa. Muitas vezes falamos do desapego e associamos com o desapego pessoal, aquele que faz que você não espere nada para você do que fez, mas é bom lembrar que é necessário se desapegar inclusive de que seu sentimento vá gerar algo no outro.


Temos inúmeros ditados que vão contra este pensamento, acho que o principal é "Não adianta jogar pérolas aos porcos", como se fosse preciso selecionar a quem dirigir o afeto. Eu mesmo penso muitas vezes assim, já que é uma chatice ser gentil com quem te trata mal, ser afetuoso com quem está azedo. Mas, se pararmos para pensar, o que interessa mesmo? Ser afetuoso ou gerar algum resultado com o afeto? É uma troca o que você espera? Então é melhor definir qual tipo de troca está esperando e qual a moeda que vai utilizar. Mais do que isto, é bom também definir o quanto vale a sua moeda. Um "bom dia" vale um sorriso? Se não receber "sorriso" de volta não dá mais "bom dia"?


Se soubermos gerenciar a frustração e a expectativa da sensação de gratuidade, é possível ter uma relação afetuosa com o mundo. Mas não espere que isto vá gerar nada, é só pelo afeto mesmo.