Caso você seja ateu, agnóstico, tenha fé mas não religião ou seja de uma corrente religiosa moderada ou que aceita a diversidade de credo, seria muito bom que você lesse o livro Religião para Ateus, do Alain de Botton.
Diferentemente do Richard Dawkins, que está numa cruzada contra a religião, Botton se propõe a analisar o que a Religião tem de bom. Não do ponto de vista de seus dogmas e crenças, mas sim nos milhares de anos de desenvolvimento de técnicas de propagação de ideias, organização e tudo o mais. Nisto os religiosos são imbatíveis.
Botton acredita que existem valores sociais que ateus e não-religiosos poderiam disseminar usando as mesmas técnicas que as religiões usam, e que não necessariamente entram em conflito com os princípios religiosos, mas organizam a maneira de disseminarmos questões que são relevantes para um grupo de pessoas sem a organização dos religiosos.
Um belo exemplo que ele deu na palestra na Sala São Paulo é um Templo do Amor. Por que não criar um templo dedicado ao amor, onde as pessoas pudessem frequentar e fosse um espaço para a reflexão e a vivência deste sentimento tão caro a todos?
Há outros inúmeros valores que os grupos nas Redes Sociais clamam, mas de maneira desorganizada. E as Redes Sociais não são Redes Sociais, a experiência de "rede" do Facebook é solitária, as estruturas coletivas ainda são embrionárias e orientadas para negócios.
A leitura de um livro como este ajudaria na reflexão sobre como pessoas não-religiosas podem se organizar em torno de questões que vivenciam e acreditam. Fica a dica.
Let´s Go!
Let´s Go!
Mostrar mensagens com a etiqueta religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta religião. Mostrar todas as mensagens
16.11.12
Pornografia e Religião - Não sabemos trabalhar com o Desejo
Acho que todo mundo já devia desconfiar, mas vale o resultado da pesquisa: Em alguns países islâmicos como Egito e Tunísia, há grande procura por sites pornográficos a ponto de estarem entre os 25 mais visitados destes países. Não é pouca coisa,e diz muito sobre o comportamento humano.
Já estamos acostumados a ver o impacto do comportamento sexual na vida de famosos nos Estados Unidos e Europa. De Tiger Woods a Strauss-Kahn, a sexualidade se estranha com a sociedade. Um escândalo sexual pode comprometer a imagem de uma pessoa da mesma maneira que pode promovê-la. Não há uma regra muito clara, espero poder compreender melhor e escrever em outro momento sobre o assunto.
Mas os países islâmicos, que interessante, né? Tanto julgamento moral da sociedade ocidental, tanta crítica ao modelo ocidental de vida, tanta pregação por um comportamento mais moralmente orientado, e mesmo assim a pornografia sendo acessada intensamente.
Não estou julgando este comportamento, muito pelo contrário, acho realmente instigante pensar sobre isto.
Estou num ponto - da vida ou do pensamento - em que evito julgar. Não cabe a mim isto, cabe a cada um e suas orientações sociais, religiosas, ideológicas... Admito cada vez mais o lema "Viva e Deixe Viver", e só. Apesar de perceber que a cada dia mais pessoas se sentem no direito de julgar o comportamento dos outros, o universo digital amplificou este comportamento dos pequenos vilarejos.
Talvez a sociedade ocidental seja realmente uma praga (acredito que esta deva ser a resposta padrão que os islâmicos darão depois de terem sidos pegos no escurinho olhando sacanagem pela Internet). "Não foi culpa minha, o mundo é que me corrompeu". Na verdade o "mundo dos outros", os malvados e pervertidos ocidentais.
Mas no escurinho eles continuarão a acessar pornografia enquanto puderem, e nesta mesma penumbra, eles precisarão admitir para si mesmos que não há culpa, há apenas o desejo. E que a sociedade, qualquer uma delas, não sabe trabalhar com o desejo. Ora estimula, ora pune.
PS - Aceito dicas de pensadores e filósofos que discutiram a questão do desejo, quero ampliar minha reflexão sobre o assunto. Por enquanto estou com o Baudrillard, mas quero conhecer outras vertentes.
26.3.12
De que adianta o templo lindo se o padre é ruim?
O que faz o fenômeno religioso acontecer são os pregadores, não o local em que o rito acontece. Acho que tem muito movimento religioso que esqueceu disto. A própria Igreja Católica muitas vezes pune gente como o Padre Marcelo (eu particularmente não gosto, mas o cara toca milhões de pessoas de maneira positiva), por vaidade, vaidade e vaidade.
Vi este padre no YouTube e achei o cara divertido, atualizado, sensato e com capacidade de sensibilizar sua comunidade.
Óbvio que não vou me converter por causa dele, mas que ele fala e o pessoal ouve, tenho certeza. Igreja lotada! Já faz tempo que vemos a dificuldade da Igreja Católica de conseguir formar padres interessantes. Os que apareceram foram abafados, ou colocados em segundo plano. Vaidade, vaidade, vaidade....
(Escrevi este post há duas semanas atrás, e fiquei feliz de ver o padre no Fantástico ontem. Vamos ver quanto tempo a Igreja vai demorar para cortar as asinhas do moço...)
Vi este padre no YouTube e achei o cara divertido, atualizado, sensato e com capacidade de sensibilizar sua comunidade.
Óbvio que não vou me converter por causa dele, mas que ele fala e o pessoal ouve, tenho certeza. Igreja lotada! Já faz tempo que vemos a dificuldade da Igreja Católica de conseguir formar padres interessantes. Os que apareceram foram abafados, ou colocados em segundo plano. Vaidade, vaidade, vaidade....
(Escrevi este post há duas semanas atrás, e fiquei feliz de ver o padre no Fantástico ontem. Vamos ver quanto tempo a Igreja vai demorar para cortar as asinhas do moço...)
7.3.12
Os Demônios dentro de nós
Originalmente a palavra Daemon surgiu para definir a voz interior que temos, ou as vozes (no plural) que agem dentro de nossa cabeça. Enfatizo a questão plural, pois existem muitos dentro de nós. Alguns pesquisadores da área da Neurociência não conseguem definir dentro de um indivíduo apenas uma consciência, parece que há várias, da mesma maneira que também não é possível definir um indivíduo como uno, são vários dentro de uma pessoa. É confuso, mas é o que sabemos hoje. Talvez no futuro seja mais claro como isto acontece.
Estes indivíduos e estas consciências não são desdobramentos de nosso ego, como se existissem vários egos, são mais coisas, de acordo com os seguidores de Jung, discípulo de Freud. Há como uma fauna dentro de nós, e nem tudo é regido pelos nossos egos, há outras manifestações, que compõem este "ecossistema", que ainda podem e devem ser investigados.
Mas esta investigação esbarra num fator cultural importante, vivemos numa cultura monoteísta, que define uma "unicidade" das vozes que temos. Melhor dizendo, não devem haver "vozes", mas sim uma única voz dentro de nós, convergente a um único sentimento em relação a um único Deus.
Isto acaba afetando nosso modo de pensar, mesmo quando não somos necessariamente religiosos. Não há como negar que este ambiente "mono" acaba ajudando a construir um pensamento ou uma proposição de pensamento único, fortalecendo a imagem de que somos apenas um, e estamos conectados a outro "um" também. E assim acabamos evitando a dubiedade, a complexidade. Temos de ter um único pensamento, uma única opinião, não sabemos trabalhar com os conflitos interiores que temos e que deveriam ser parte de nós, não algo a ser extirpado.
A dubiedade não é uma situação instável a ser resolvida. Ela é parte de nós. E, sem ela, perdemos muito de nossa "fauna" interior de vozes, que discordam, que surpreendem e que nos fazem sermos o que somos. E se Deus não é um, e sim vários, porque nós não poderíamos ser vários também?
Subscrever:
Mensagens (Atom)





