Vi uma discussão muito interessante sobre os novos pontos de ônibus de SP num artigo de um urbanista. O uso de vidros seria inadequado, não precisaria ter trocado os antigos, mas sim melhorado, etc, etc. Aí tive uma ideia: Será que não seria melhor termos mais opções para resolver os problemas da cidade?
Não entro no mérito dos pontos de ônibus, pois não tenho conhecimento suficiente da situação, mas tá cheio de coisa sendo mal feita por aqui, faz tempo... Será que não é falta de opção de contratação?
Explico:
Hoje a cidade (e o país) chegou num grau de corrupção impressionante. Virou um problema endêmico. Pode entrar a pessoa mais honesta do planeta na prefeitura que a engrenagem vai rodar sozinha. Não vejo perspectiva de mudança para as próximas décadas a não ser na base da AK 47 (alô afegãos? alguém disponível?).
Empresários que prestam serviços para a cidade inevitavelmente vão trombar com uma situação de negociar uma caixinha, que de "caixinha" não tem nada, está mais para maleta. É coisa que vemos todo o dia, bem ao estilo do Mensalão Federal, tirando dinheiro público com objetivos privados.
Mas... se existissem mais empresas corruptas, mais profissionais qualificados que aceitem oferecer suborno para ganhar concorrências, que não se sentissem ofendidos com a corrupção, a quantidade de bons profissionais disponíveis neste grupo aumentaria, e teríamos mais chance de obtermos melhores serviços para a cidade. Fazendo com que os corruptos continuem ganhando a sua parte, por que eles não contratariam um profissional melhor? Ia pegar bem para eles, e na hora do leilão da caixinha os corruptos precisariam levar em conta também alguns aspectos, analisando projetos semelhantes que oferecessem o mesmo valor dentro da mala...
Se você é um bom profissional e quer ver sua cidade se tornar melhor, será que não está na hora de aceitar a corrupção e deixar de pudores éticos? Enquanto você continuar a não dar dinheiro para a máquina os serviços vão ser feitos pelos mesmos caras de sempre. O que a engrenagem pede não é novas ideias, ela só precisa da graxa para rodar, ou melhor, da grana. No fundo, são seus pudores que fazem com que SP não continue a crescer. Pense nisto!
Let´s Go!
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18.3.13
23.11.12
Estamos realmente vivendo uma época mais violenta?
Uma notícia triste: Jovem religiosa e de um grupo contra a violência é morta em chacina.
Odeio ver este tipo de coisa na mídia, pois dá um certo desânimo, parece que a luta por uma cidade mais civilizada está fadada ao fracasso. Parece que a banda podre da polícia e a bandidagem estão ganhando esta guerra que para o cidadão comum não faz sentido, ele só quer viver sua vida em paz, enquanto outros grupos estariam tomando o controle da situação.
Mas há uma outra possibilidade de interpretação do que está acontecendo, e é sobre isto que gostaria de refletir.
Já faz algum tempo que alguns observadores estão alertando: A violência que estamos vendo na TV não é necessariamente associada às facções criminosas, ou o crime organizado. Estão colocando todos os fatos dentro de uma só gaveta, como se a violência em SP fosse toda associada a um só fator ou fato.
Esta maneira de pensar têm suas origens. Pensamos de maneira linear, necessitamos criar um sentido, criar histórias. Não aceitamos o acaso, o aleatório. Precisamos fazer com que todas as coisas se conectem, façam um sentido juntas. E nem sempre este raciocínio é correto, ele muitas vezes pode ser ilusório.
A reação natural ao lermos a infeliz notícia desta jovem é acharmos que ela foi assassinada por ser uma defensora da paz, mas existem tantos outros fatores que podem ter gerado esta tragédia. Ela poderia estar no lugar errado, na hora errada, acompanhada de gente que era visada, ou nenhuma destas possibilidades.
Outro fator é o interesse que a própria mídia têm de alimentar estas histórias, eles querem vender notícias. Se querem chamar a atenção e as pessoas estão atentas à determinados fatores, a notícia vai acabar sendo tendenciosa para ser mais bem recebida.
Estas complexidades acabam sendo deixadas de lado, e acabamos simplesmente tirando conclusões errôneas. E acreditamos nelas.
Odeio ver este tipo de coisa na mídia, pois dá um certo desânimo, parece que a luta por uma cidade mais civilizada está fadada ao fracasso. Parece que a banda podre da polícia e a bandidagem estão ganhando esta guerra que para o cidadão comum não faz sentido, ele só quer viver sua vida em paz, enquanto outros grupos estariam tomando o controle da situação.
Mas há uma outra possibilidade de interpretação do que está acontecendo, e é sobre isto que gostaria de refletir.
Já faz algum tempo que alguns observadores estão alertando: A violência que estamos vendo na TV não é necessariamente associada às facções criminosas, ou o crime organizado. Estão colocando todos os fatos dentro de uma só gaveta, como se a violência em SP fosse toda associada a um só fator ou fato.
Esta maneira de pensar têm suas origens. Pensamos de maneira linear, necessitamos criar um sentido, criar histórias. Não aceitamos o acaso, o aleatório. Precisamos fazer com que todas as coisas se conectem, façam um sentido juntas. E nem sempre este raciocínio é correto, ele muitas vezes pode ser ilusório.
A reação natural ao lermos a infeliz notícia desta jovem é acharmos que ela foi assassinada por ser uma defensora da paz, mas existem tantos outros fatores que podem ter gerado esta tragédia. Ela poderia estar no lugar errado, na hora errada, acompanhada de gente que era visada, ou nenhuma destas possibilidades.
Outro fator é o interesse que a própria mídia têm de alimentar estas histórias, eles querem vender notícias. Se querem chamar a atenção e as pessoas estão atentas à determinados fatores, a notícia vai acabar sendo tendenciosa para ser mais bem recebida.
Estas complexidades acabam sendo deixadas de lado, e acabamos simplesmente tirando conclusões errôneas. E acreditamos nelas.
24.9.12
A Humanização de Serra nas Redes Sociais
Curiosidades do mundo digital e do comportamento humano: Serra, o candidato a prefeitura de SP pelo PSDB, se beneficiará das brincadeiras que estão fazendo com ele nas redes sociais. Por que? Porque ele é carrancudo e careta, e está sendo ridicularizado por isto.
Pode parecer estranho, mas não é.
Reparem nas críticas (nas redes sociais, não no horário eleitoral) aos outros candidatos. Em especial ao Russomano. São todas críticas relacionadas ao caráter, aos apadrinhamentos políticos moralmente questionáveis, ao comportamento prévio (quando trabalhava como repórter no carnaval fazendo insinuações maliciosas para mulheres de biquíni dançando).
As críticas ao Serra reafirmam sua condição de chato, ruim de bola, antipático, mas não de imoral, de corrupto, e outras coisas que geram rejeição do público em relação aos profissionais da política.
Haddad está fora deste cenário, pelo desconhecimento que o grande público tem dele. Ele não é ridicularizável pois ainda não é "figura pública", ainda é preposto de Dilma e Lula. Não há graça em brincar com Haddad, pelo menos por enquanto.
Provavelmente na próxima pesquisa de opinião Serra vai roubar potenciais votos de Russomano, e Haddad continuará com o dilema de tentar fazer com que os próprios petistas votem nele. O custo disto será creditado na conta da Martha Suplicy, mas no fundo é do Lula e da Dilma.
Deixo claro aqui que não tenho interesse em fomentar a candidatura de um ou do outro, mas sim analisar o curioso comportamento que faz com que uma crítica na verdade ressalte características positivas do candidato, no caso o Serra.
É ver para crer.
(Minha opção de voto? Voto Nulo, cansei da classe como um todo e do debate partidário sem ideologia)
Pode parecer estranho, mas não é.
Reparem nas críticas (nas redes sociais, não no horário eleitoral) aos outros candidatos. Em especial ao Russomano. São todas críticas relacionadas ao caráter, aos apadrinhamentos políticos moralmente questionáveis, ao comportamento prévio (quando trabalhava como repórter no carnaval fazendo insinuações maliciosas para mulheres de biquíni dançando).
As críticas ao Serra reafirmam sua condição de chato, ruim de bola, antipático, mas não de imoral, de corrupto, e outras coisas que geram rejeição do público em relação aos profissionais da política.
Haddad está fora deste cenário, pelo desconhecimento que o grande público tem dele. Ele não é ridicularizável pois ainda não é "figura pública", ainda é preposto de Dilma e Lula. Não há graça em brincar com Haddad, pelo menos por enquanto.
Provavelmente na próxima pesquisa de opinião Serra vai roubar potenciais votos de Russomano, e Haddad continuará com o dilema de tentar fazer com que os próprios petistas votem nele. O custo disto será creditado na conta da Martha Suplicy, mas no fundo é do Lula e da Dilma.
Deixo claro aqui que não tenho interesse em fomentar a candidatura de um ou do outro, mas sim analisar o curioso comportamento que faz com que uma crítica na verdade ressalte características positivas do candidato, no caso o Serra.
É ver para crer.
(Minha opção de voto? Voto Nulo, cansei da classe como um todo e do debate partidário sem ideologia)
23.4.12
Cem paulistas valem um amapaense, sabia?
Desde que sou pequeno ouço falar no Voto Distrital, uma maneira diferente de contabilizar votos e representantes políticos. A quantidade de representantes estaria associada com a densidade demográfica, ou seja, pela quantidade de habitantes e não por divisões de estados.
Hoje cheguei a conclusão que vou morrer e não ver isto ser implantado no Brasil. Aí resolvi fazer uns cálculos.
O Amapá tem uma população de 450.000 pessoas, menor que São José do Rio Preto. O Sarney foi eleito Senador por Amapá com 140 mil votos. Nem vou entrar em detalhes sobre o que ele foi fazer no Amapá, é assunto para outro post.
São Paulo tem uma população de 41.250.000 pessoas. Aloysio Nunes foi eleito com 11.200.000 votos.
Na hora de votar no Senado, o voto do Aloysio Nunes representa 41 milhões de pessoas, e o do Sarney representa 450 mil pessoas, mas os votos deles têm o mesmo peso na hora da votação. A constatação óbvia: Meu voto vale 1/100 de um voto de um amapaense.
Quer fazer seus direitos serem defendidos no Senado? Mude-se para o Amapá, você vai imediatamente valer por cem vezes mais!
Estas excrescências políticas estruturais ajudam ainda mais a piorar a qualidade do jogo político no Brasil.
Sabe quando isto vai mudar? Nunca! Você acha que os senadores dos estados menos populosos votariam a favor de uma emenda assim?
Outra questão é: Para que ter duas câmaras? O sistema bicameral serve para quê? Até hoje não sei para que ter Deputados e Senadores. Uma câmara só não basta?
Acho que vou me mudar para o Amapá e tentar carreira política. Com uns quinhentos votos já consigo ser deputado estadual. Se eu falar bonito, fizer uma campanha básica e prometer algumas bobagens eu tô eleito. E sou mais bonito que o Sarney! Se bem que o meu bigode é mais ralo, talvez seja melhor deixar para lá...
Hoje cheguei a conclusão que vou morrer e não ver isto ser implantado no Brasil. Aí resolvi fazer uns cálculos.
O Amapá tem uma população de 450.000 pessoas, menor que São José do Rio Preto. O Sarney foi eleito Senador por Amapá com 140 mil votos. Nem vou entrar em detalhes sobre o que ele foi fazer no Amapá, é assunto para outro post.
São Paulo tem uma população de 41.250.000 pessoas. Aloysio Nunes foi eleito com 11.200.000 votos.
Na hora de votar no Senado, o voto do Aloysio Nunes representa 41 milhões de pessoas, e o do Sarney representa 450 mil pessoas, mas os votos deles têm o mesmo peso na hora da votação. A constatação óbvia: Meu voto vale 1/100 de um voto de um amapaense.
Quer fazer seus direitos serem defendidos no Senado? Mude-se para o Amapá, você vai imediatamente valer por cem vezes mais!
Estas excrescências políticas estruturais ajudam ainda mais a piorar a qualidade do jogo político no Brasil.
Sabe quando isto vai mudar? Nunca! Você acha que os senadores dos estados menos populosos votariam a favor de uma emenda assim?
Outra questão é: Para que ter duas câmaras? O sistema bicameral serve para quê? Até hoje não sei para que ter Deputados e Senadores. Uma câmara só não basta?
Acho que vou me mudar para o Amapá e tentar carreira política. Com uns quinhentos votos já consigo ser deputado estadual. Se eu falar bonito, fizer uma campanha básica e prometer algumas bobagens eu tô eleito. E sou mais bonito que o Sarney! Se bem que o meu bigode é mais ralo, talvez seja melhor deixar para lá...
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