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16.1.14

Exercício Cívico ou Denuncismo?

Me peguei neste dilema hoje. Ao chegar no escritório da Joombo, minha agência de publicidade, vi um carro manobrando para estacionar na vaga exclusiva para motos. Quem não conhece o centro de SP não sabe que é bem difícil estacionar moto por aqui, muitas das áreas com Zona Azul não permitem o estacionamento de motos.

Olhei para o carro estacionando, carro grande, importado, descem duas senhoras bem vestidas e entram no prédio em frente. Fico olhando para ver se o motorista ia sair depois das duas desembarcarem, mas nada. O cara continua lá, desliga o carro e fica esperando.

Daí surgiu meu dilema. Queria dar um toque para o motorista, chegar e pedir educadamente que ele retirasse o carro de lá, estas coisas, mas todas as vezes - sem exceção -  que fiz isto as pessoas se tornam muito agressivas. Não basta o cara estar fazendo a coisa errada, ele tem de te olhar feio e falar um monte, como se quem estivesse errado fosse você, e não ele. É um comportamento que não entendo, mas recorrente em SP.

Aí resolvi ir até a base da polícia e pedir orientação. Conversei com o soldado que me disse que eu nem precisava abordar o motorista, não precisava falar nada, bastava anotar a placa e trazer para ele, que ele mandava a multa no cara. Fui lá, fotografei a placa e passei os dados para o policial.

Depois que fiz isto o policial me disse: "Estes caras ficam fazendo estas coisas, espera daqui trinta dias ele receber a multa aí vai ver o que é bom para tosse".

Toda esta história me gerou um sentimento estranho, pois se por um lado "fiz a coisa certa", por outro lado não acho que este seja o caminho mais adequado, acho que deveria ter podido falar tranquilamente com o motorista e pedido para ele sair de lá, sem stress para nenhuma das partes. Afinal de contas, estava cheio de vagas por perto, mas as mulheres teriam de andar uns vinte ou trinta metros, nada que mate ninguém. Ir até o posto da PM, fotografar a placa do carro, levar para o policial e mandar multa para o infrator não me deu a sensação que vai melhorar a situação, só que o cara vai ter de pagar multa, e pronto. Não acho que isto ajude a melhorar a atitude do cara, penso que ele só vai ficar puto com a multa mas não vai deixar de parar o carro em local proibido.

Nos Estados Unidos o enfoque é duplo: Além do cara ser multado, ele ainda tem de ouvir uma bronca do policial explicando o que ele fez e por que não deveria estar fazendo aquilo. O constrangimento da bronca me parece mais coercitivo do que o valor financeiro. Mas parece que por aqui o que funciona é mandar multa no cidadão. E "funciona"é só um eufemismo, pois tenho certeza que não funciona.
Por sinal, tivemos recorde de multas em SP no ano passado. Foram 10,1 milhões de multas de trânsito. E não acho que isto melhorou em nada a qualidade do trânsito nem a conduta dos motoristas...

PS - A foto publicada é meramente ilustrativa.

13.7.13

Danos Colaterais - Quando os modelos teóricos enterram a realidade

Quinta-feira à tarde a Meire começou a passar mal. Seu marido não sabia o que fazer, nunca tinha visto a mulher ficar daquela maneira. Apesar das restrições da cadeira de rodas, Meire sempre foi forte, teve de aprender a ser assim num ambiente inóspito e difícil.
A cem metros de onde estavam Meire e seu marido tinha uma unidade da Guarda Metropolitana de São Paulo. O marido e amigos correram para pedir ajuda, mas a GCM disse que não era o papel dela socorrer pessoas, que eles deveriam procurar ajuda especializada. O marido de Meire foi de novo pedir socorro, ninguém da GCM se moveu, mesmo a cem metros de distância e com uma viatura que poderia transportar Meire para o hospital. Não era responsabilidade deles.
O estado de Meire era preocupante, ela só piorava. Seu marido ligou duas vezes para o Samu, mas ninguém apareceu. Só vieram na sexta-feira, quando constataram que Meire estava morta, ao lado do marido, desconsolado.

Meire era moradora de rua. Viveu os últimos dez anos na Praça da Sé, local de manifestações e cultos, o Marco Zero de São Paulo. Ninguém socorreu a Meire, nenhuma das milhares de pessoas que passam na praça. Ninguém. Apesar das ONGs protestarem na mídia, nem elas levaram a Meire para um hospital.

Ontem eu conheci o Renan. Um garoto bonito e simpático, de uns 14 anos, que me ajudou a embalar as compras de supermercado. Mora na frente do supermercado há dois anos, quer trabalhar mas não tem nenhum documento, certidão de nascimento, nada. O Renan não existe nem para o governo nem para a sociedade. O Renan é uma sombra.
Pedi ajuda para um amigo que conhece mais os trâmites de moradores de rua e pessoas em situação de risco, e ele me passou um endereço que o Renan deveria ir, talvez alguém pudesse ajudar. Perguntei se não seria bom que eu fosse junto do Renan, e ele me disse que valia a pena deixar o Renan ir sozinho, para ele treinar o seu protagonismo, ver se ele realmente tinha vontade de sair desta vida. De acordo com meu amigo, eu ir junto do Renan seria uma espécie de paternalismo de minha parte, o Renan precisava exercitar sua cidadania, ou algo do gênero.

Ano passado conheci o Maurício. O que mais me impressionou foi que ele pedia ajuda, e dizia: "Ajudem o Maurício, por favor alguém ajuda o Maurício". Quem estava precisando de ajuda não era "alguém", um morador de rua, ou um dependente químico. Era o Maurício.

Na volta fui falar com ele, me apresentei e comecei a conversar chamando-o pelo nome.
"Você lembrou do meu nome, lembrou do Maurício", foi a primeira coisa que ele me disse.

Qualquer modelo teórico enterra a realidade. Qualquer definição de papel social orientada por um uniforme ou um crachá enterra a humanidade das relações. Ao definirmos papéis sociais muito estratificados e segmentados perdemos boa parte da beleza complexa de nossa existência.

Eu, ingenuamente, quando ouvi o grito das manifestações falando "Vem Pra Rua" tinha imaginado que finalmente as ruas seriam, de alguma maneira, repovoadas por aquele grupo de pessoas que sumiu das ruas. Não imaginei que fossem só desfiles alegóricos e conflitos entre uniformes e crachás, temporariamente circulando pelas ruas. Achei que haveria algum tipo de diálogo, alguém estaria disposto a ouvir as ruas, e não apenas ocupar a rua para poder gritar.

Se depender da sociedade como um todo, qualquer grito que venha da rua não será ouvido. Já estamos acostumados a ouvir o grito da rua, alto, forte, lamurioso. Estamos tão acostumados que já não prestamos mais atenção, fica apenas o ruído ecoando enquanto estamos fazendo outra coisa.

PS - O título deste artigo faz referência ao livro que estou lendo do Zygmunt Bauman "Danos Colaterais - Desigualdades Sociais numa Era Global".

1.5.13

É Possível Surgirem Flores no Pântano?


Não sou behaviorista, não acredito na proposta do Skinner que dizia que toda nossa personalidade depende de nosso ambiente. Se formos criados num lugar bom seremos bons, se formos criados de uma maneira ruim, seremos ruins.

Minha maneira de pensar é que nossa personalidade é construída num mix entre genética e ambiente. Não penso que seja 50/50, acho que varia de acordo com a pessoa, a época, o momento, etc,etc. Mas é inegável que o ambiente contamina nosso comportamento, mesmo que não percebamos.
Um exemplo (bobo) disto foi um dia que decidi parar de pintar em Preto e Branco e resolvi comprar tintas coloridas. Estava na loja e me encantei com um verde escuro, foi o primeiro pote que peguei. Quando cheguei em casa descobri que era exatamente a cor de uma de minhas paredes da sala.
Aquela cor estava impregnada no meu pensamento.

Descobri, através de um amigo, o trabalho de uma fotógrafa muito interessante, a Fabi Futata. Em um dos seus belos e instigantes álbuns, vi esta foto acima, que me chamou a atenção: um garoto com o dinheiro do Banco Imobiliário espalhado pelo corpo, óculos escuros na cabeça e um gesto muito interessante nas mãos. O que este gesto simboliza?

Simboliza Armas.

Já vi fotos de assaltantes exatamente deste jeito. Símbolo de status e poder, dinheiro e armas. E de bandidagem. Orgulho.

Quantos anos têm este garoto? Esta postura simbólica não é algo que vemos nos filmes, é algo que de vez em quando vemos nas redes sociais, ou nos noticiários policiais.
E aí vem o pessoal falar de "maioridade penal", como se isto resolvesse alguma coisa. O garoto mora numa ocupação, prédio abandonado, sem nenhuma condição. Se apega as referências que têm, ou que pode ter.

Ele é inocente? Pode ter sido, mas dificilmente continuará a ser sem que surja algum contraponto a esta visão de mundo que está impregnada na sua existência.

Isto vale para outros redutos existentes que a classe média "formadora de opinião" evita enxergar.
Internação compulsória de dependentes químicos? Para quê? Para tirar da rua este povo "feio e doente"?
Caminho todos os dias pelo centro de São Paulo e vejo inúmeros prédios abandonados e ocupados pelos Sem Moradia. Vejo ambulantes sendo retirados das ruas pela Polícia Metropolitana,  moradores de rua com problemas mentais vagando por uma sociedade que se diz plural, mas na verdade é cada vez mais monolítica, engessada e sem a mínima capacidade de absorver aquilo que foge de seus padrões estreitos.

Infelizmente acredito cada vez menos na possibilidade de surgirem belas flores no pântano. Acho que o lixo social vai gerar cada vez mais lixo social. E vejo poucas pessoas preocupadas de verdade com isto.

Agradeço a Fabi Futata por permitir que eu tenha usado sua bela, porém complexa fotografia em meu post.

29.4.13

Preste atenção nos sinais! Como nos enganamos e fazemos julgamentos equivocados...

Dia destes estava estacionando meu carro quando vi uma briga na rua, bem em frente ao estacionamento. Centro de SP tem de tudo, mas acho que foi a primeira vez que peguei dois caras se batendo.
Um rapaz jovem, negro, batia com gosto num senhor de cabelos brancos, que gritava "socorro, estou sendo assaltado".

O manobrista veio na direção do rapaz e começou a gritar, tentando afastar o agressor da vítima.

Eu olhava a cena de dentro de meu carro, a poucos metros, decidindo se saía ou não do carro. Foi quando eu reparei no olhar do rapaz que batia no idoso: O garoto parecia enfurecido, estava puto.

Foi quando pensei: Nunca vi um ladrão puto da vida. E este cara estava revoltado.

Alguma coisa estava acontecendo e não era um assalto...

Desci do carro e fui até o manobrista. Ele tentava enxotar o rapaz, e eu disse para ele que tinha alguma coisa errada. O "errado" era o outro, o rapaz tinha alguma coisa para contar.

Fui conversar com o garoto. Ele me disse que era Michê e fazia programa na região. E que o outro tinha combinado um programa, fizeram e depois o cara tentou fugir sem pagar falando que ia num caixa eletrônico pegar o dinheiro. Quando o rapaz percebeu o truque do idoso correu atrás dele e tentou reaver o dinheiro. Na briga o "cliente" começou a gritar "pega ladrão" e a confusão desandou de vez.

O "pobre velhinho" gritava: Vou chamar a polícia, seu ladrão!

Neste momento resolvi ir conversar com o velho. Perguntei para ele se precisava de ajuda, e ele disse que queria chamar a polícia. Na mesma hora respondi: Tem um trailer da PM cinquenta metros daqui. Acompanho o senhor.

Aí o assaltado desconversou... "Acho melhor esperar chegar uma viatura".

Eu pisei firme. "Faço questão de acompanhar o senhor! Até testemunho!"

E o velho enrolando... "Vou esperar a viatura passar..."

Nisto o bolo de gente se espalhou, o manobrista entrou com meu carro no estacionamento, e sobramos só eu, o Michê e o Espertalhão.

Chamei o velho num canto e disse: "Meu amigo, melhor pagar o que deve para o rapaz. Sabe por que? O manobrista já foi embora, a multidão dispersou, e eu estou indo para casa. Se o senhor não pagar o rapaz vai continuar apanhando muito... E com razão."

O manobrista no dia seguinte veio conversar comigo. Queria saber como descobri que o rapaz era inocente (entre várias aspas o inocente aqui)...

Esta é a maior dificuldade: Evitar, em algumas situações, o raciocínio intuitivo, muitas vezes baseado em padrões que não temos controle. Olhar a situação e tentar entender, sem julgar.
Na maioria das vezes é impossível. Mas desta vez deu certo....

17.1.13

Misterioso Símbolo no Centro de SP

Não sou grande conhecedor de símbolos de seitas e coisas do gênero, mas sei reconhecer uma coisa estranha quando vejo.

Estava indo fazer ginástica quando reparei num tijolo totalmente diferente numa mureta da árvore, cimentado no chão, com uma imagem de um tipo de corvo. Quando vi melhor parecia feito de madeira, mas foi cimentado embaixo dos tijolos, não faz sentido nenhum estar lá.

Alguém sabe dizer o que significa esta imagem? Quem poderia ter colocado isto?
Abaixo um vídeo que fiz para mostrar onde está, em detalhes.


25.9.12

Os políticos abandonaram a cidade de vez

Se você tem alguma dúvida em relação a qual o interesse que os candidatos tem ao se elegerem vá dar uma volta pelo centro de São Paulo.
(passei um mês sem correr por causa do ar seco e de uma sinusite crônica e voltei hoje. Senti uma piora brutal na condição da cidade).

O lixo se acumula nas ruas do centro velho. O cheiro de urina aumentou, culpa do cidadão espírito de porco, da falta de vigilância e da falta de limpeza.

As ruas estão esburacadas, não só aqui como na cidade inteira.

A cracolândia está lotada de nóias: o número aumentou ou o bom filho à casa torna?

Um dia destes o barulho no Largo do Arouche estava mais alto que a média. Aos domingos as pessoas vêm namorar por aqui, e ligam os rádios dos carros para dançarem e beberem na rua. Já estou acostumado, é menos barulho que de muito bairro chique. Mas aquele dia estava especial, com gente bêbada gritando.

No dia seguinte fui até o trailer da polícia que fica no meio da praça, ou seja, no meio da bagunça. Tem policial 24h por dia lá. E perguntei para o cara por que a polícia não coíbe os abusos, como gente pisando nas flores, urinando na rua ou brigas. Sabe o que o cara me falou? Que se não houver denúncia a polícia não pode interferir.

Como assim? Se tem um cara urinando na rua a polícia só pode pedir para o cara parar se alguém ligar para o 190? Alguém pode me explicar isto? É um estímulo ao denuncismo ou uma apatia perante a realidade que está literalmente ao lado dos caras?

Na cracolândia a mesma coisa. Centenas de pessoas amontoadas consumindo crack ao lado do trailer da polícia. Honestamente não entendo...

Enquanto corria, refletia sobre a triste condição da política eleitoral de São Paulo. E desviava dos infinitos cavaletes com rostos sorridentes a olhar para mim como uma cobra olha para um rato.

22.7.12

Medalha de Honra. Que honra?

Acabo de chegar de uma corrida pelo centro de SP, destas patrocinadas por grandes empresas com um monte de gente vestida igual, procurando brindes e sorteios e tirando foto com celebridade.
Fiquei muito feliz com o convite, e espero poder correr mais vezes este tipo de prova, apesar do meu desempenho sofrível. 7,5 Km em 35 minutos não é lá grande coisa (por sinal, meu GPS, de uma marca concorrente do patrocinador, marcou 7,5 Km mas o patrocinador falava que a corrida era de 5 Km, em quem devo confiar?), mas para quem não corria nada até o ano passado, acho que está bom.


A grande questão me me fez pensar hoje foi ter ganhado uma medalha, grande, bonita, daquelas de "Honra ao Mérito", pela participação, sabe? E na hora que me entregaram imediatamente me lembrei que ganhei outra medalha destas há uns dois anos atrás.


Eu estava voltando para casa à noite quando fui abordado por uma criança moradora de rua. Com a cara de dependente químico em abstinência, ele me pedia qualquer trocado. Fiquei morrendo de pena e resolvi sacar a carteira e dar um trocado. Quando abri a carteira, minha menor nota era de R$ 5,00. Como já tinha parado e feito todo o ritual de "eu vou te dar dinheiro", não tive coragem de recuar, e entreguei a nota para o garoto.


Acho que fazia muito tempo que ele não via uma nota de R$ 5,00, pois arregalou os olhos, se inclinou solenemente em minha direção e agradeceu. Mas, no meio do agradecimento, seu rosto se iluminou, como se tivesse tido uma ideia. Abriu uma lata velha que carregava, tirou uma medalha envelhecida de um maço de medalhas e pendurou no meu pescoço, e foi embora.


Não sei direito se tenho alguma Honra ao Mérito para ter ganhado uma medalha hoje, junto de outras milhares de pessoas que essencialmente sobreviveram ao trajeto proposto. Da mesma maneira não acho que ter dado dinheiro para um jovem nóia poder comprar mais uma pedra de crack seja honroso. Só sei que agora as duas estão penduradas numa escultura de gato que tenho na minha sala, juntas, enquanto o gato olha de uma maneira intrigada pela janela...

4.5.12

Minhas dicas para a Virada Cultural

Melhores horários - De dia a Virada é ótima. À noite, recomendo eventos até meia noite, no máximo uma da manhã. Depois o pessoal fica bêbado e vi alguns casos de furto de celular nas aglomerações. Raras situações de violência, pode vir com a criançada neste horário sem erro.


Onde comer - Difícil de responder, pois os lugares ficam lotados, do boteco ao restaurante fino. Melhor se garantir e trazer lanche e água. Vai ter barracas no Minhocão com comidas de cozinheiros famosos, mas imagino que vai ficar coalhado de gente, não vai sobrar pedra sobre pedra.


Atrações -Um monte, veja todas no site oficial. Abaixo alguns dos shows que me chamaram a atenção:


Hermeto Pachoal no Centro Cultural Caixa, na Sé - Sábado 18h
Guizado - Coreto da Praça da República, Sábado 18h
Ray Lema e Orquestra Jazz Sinfônica - Praça Júlio Prestes Sábado 18h
Man or Astro-Man? - Barão de Limeira - Sábado 22h30
Suicidal Tendencies - São João, Domingo 9h30
Gilberto Gil - Praça Júlio Prestes Domingo 18h
SKW Trio (Skowa) - Coreto República Domingo 14h
Dexter - República Domingo 10h
Mutation (Psy Israel) Princesa Isabel, Sábado 21h
Mute (Psy Israel) Princesa Isabel Sábado 22h
Orquestras - Todas no Anhangabaú, Domingo durante o dia


São centenas de shows, exposições, performances, filmes, tem toda a galera Nerd fazendo batalha viking e cosplay, vai ser bem legal.
Um pedido! Sejam bem vindos ao centro, ele é de todos nós, mas evitem jogar coisas na rua e os excessos de bebida. A ocupação cultural é uma das melhores  coisas que nós temos, mas a sujeira e os excessos não.

6.4.12

Projetos Inovadores para o Centro de SP!

Candidatos a prefeito, hora de se atualizar! Segue uma lista de projetos que cairão no gosto do povão que mora aqui no Centro de São Paulo. Garanto que farão o maior sucesso no horário eleitoral. Podem usar minhas ideias, nem precisa dar crédito.


Vale-Zumbi - Como toda hora temos de dar dinheiro para os Nóias que surgem do nada pedindo dinheiro no estilo Flanelinha do Apocalipse, por que não criar o Vale-Zumbi, um cartão que damos ao Nóia e ele pode levar imediatamente para o traficante? A distribuição, a preços populares, de máquinas de cartão de crédito aos traficantes vai digitalizar o comércio de drogas, que anda informal e caboclo, o pessoal troca até pacote de bolacha por pedra. Não está na hora do Brasil entrar no Primeiro Mundo? É nossa oportunidade!


Proibição do "Sãssa" - Uma das maiores chateações da população é entrar no Metrô lotado e todo mundo tentando sair na estação falando "Sãssa", "Sãssa", "Sãssa".O Aldo Rebelo podia encampar esta ideia, já que é profundo defensor do linguajar formal brazuca. Criaríamos a obrigação de falar "Com Licença", ou a pessoa simplesmente empurra as pessoas e sai, evitando aquela sensação de que estamos numa convenção de fanhos.


O Pula-Bosta - Um mix genial de estratégias, que resolve problemas de transporte criando mini-viadutos nas calçadas para que as pessoas evitem pisar em excremento humano. Como a quantidade é enorme, vai facilitar a vida dos vereadores, que adoram dar nome pras coisas. "Projeto Sola Limpa - Chegou o Pula-Bosta" pode ser o slogan. E a câmara dos vereadores teria o que fazer, dando o nome para todos estes viadutos. Assim pelo menos eles fazem alguma coisa.


Muita Multa - Para que investir em tanto guarda para ficar multando os carros se podemos fazer com que o próprio condutor faça isto? Definimos um kit básico de multas para cada cidadão, por exemplo, num mês o condutor precisa se multar por excesso de velocidade, no outro mês ele se multa por estacionar em local proibido, e por aí vai. Assim ele pode oficialmente fazer uma contravenção mensal, ele mesmo se multa e podemos economizar o dinheiro com o CET e com os Marronzinhos, já que a única coisa que eles fazem é multar os motoristas.


Churrato - Por que deixar livres estes vendedores de churrasco de gato, se cada vez vemos menos gatos pela cidade? Os churrasqueiros já cumpriram seu papel de retirar os gatos da rua. Agora é hora de investir no Churrato, que resolve o problema da fome e o da infestação de ratazanas pelas ruas numa tacada só (mas a tacada tem de ser bem na cachola do bicho, pois ele é resistente). É possível pensar num projeto casado com o Vale-Nóia, cada dois cartões ele troca por meio rato na brasa. Tiramos o dinheiro do traficante e alimentamos os pobres!

20.2.12

O Lado B de São Paulo

Lado B, para quem não é da época do vinil, significa o lado menos interessante das coisas. Muita banda tinha de inventar música para poder "rechear" uma bolacha inteira, e nem sempre as melhores músicas ficavam no fim do disco. Daí o termo "Lado B".


Hoje fui correr, como sempre, e aproveitei para passear por caminhos ainda não conhecidos pros lados da Cracolândia. Pode parecer maluquice correr no centro de SP, mas é uma experiência única.
Salvo o cheiro, nem sempre agradável, há praças e prédios lindos. A praça em frente à Igreja Sagrado Coração de Jesus é linda, e a igreja é incrivelmente bonita. É uma região que está isolada, no meio do caos em que se tornou o baixo centro.


Nem tudo está perdido, e nem todos os lugares do centro são horríveis ou destruídos, mas parece que morar no centro é coisa exótica. Um amigo me disse: Você deveria escrever mais sobre esta sua experiência de morar no centro...


Aí fiquei pensando: Por que? O que faz esta experiência tão diferente nos dias de hoje?


E a resposta é simples: Conviver com o diferente e com as diferenças é cada vez menos valorizado na prática, apesar de toda lenga-lenga teórica que ouvimos por aí. Falta prática para a classe média conviver com o diferente. Só quando faz redação na escola e propõe projeto social.


Isto não significa que assistir uma blitz policial seja "normal". Na minha corrida de hoje vi meia dúzia de policiais suando para controlar vinte nóias perto da Santa Ifigênia. Mas sei que a classe média está mais preocupada em que os nóias não cheguem perto dos condomínios fechados onde habitam do que tentar resolver o problema. Parece que os "outros" são o problema, por isto que ainda hoje quem é o grande cronista do pensamento (e da sordidez) da classe média seja o Nélson Rodrigues.
Como disse um sábio taxista, "Meu filho é Viciado, o filho dos outros é Dependente Químico".


Que tal o movimento "Ocupa São Paulo" se transformar em "Viver São Paulo"? A cidade é linda, mas enquanto as pessoas não reocuparem os espaços públicos, não adianta reclamar, eles vão continuar abandonados. Parece óbvio, mas não é.