Volta e meia a questão reaparece. Desta vez saiu pesquisa na Mente & Cérebro sobre a possibilidade de treinar a memória para combater a depressão.
Quem sabia bastante sobre o assunto era o Freud. Não sou conhecedor da história da psicologia, mas foi no final do Século XIX que os pesquisadores perceberam que a mente podia ser acessada através da linguagem. Podemos transformar comportamentos através da palavra.
A importância da linguagem vai muito além da comunicação básica. É com ela que definimos o mundo que nos rodeia. Se é através do nosso olhar subjetivo que compreendemos o mundo, é através das palavras que categorizamos o mundo.
Usava um exemplo em palestras que dava no Sebrae: Pedia para as pessoas fecharem os olhos e prestarem atenção na primeira imagem que viria nas suas cabeças quando eu falasse uma palavra.
Sempre usei uma palavra simples, a que mais usava era "Cachorro". A resposta das pessoas era sempre misteriosa e incrível. Praticamente ninguém pensava na mesma coisa. Um lembrava de cachorro quente, outro de cocô de cachorro, outro de amigo, outro de tristeza. Num grupo de vinte ou trinta pessoas praticamente ninguém pensava na mesma coisa.
Categorizamos as coisas (até as mais simples) com palavras que definem o sentido daquilo para nós, e isto acaba reforçando determinada maneira de enxergar o mundo e interagir com o outro.
Uma dica? Preste bastante atenção em palavras que usa com frequência. Elas provavelmente representam uma ponta do iceberg de sua maneira de enxergar o mundo.
(sobre a ilustração acima, este é um outro fenômeno curioso que temos, muito investigado pelo Ramachandran, genial neurocientista. Tendemos a encontrar sentido em coisas a partir das referências que temos, precisamos dar sentido ao mundo que nos rodeia, e temos inúmeros recursos mentais para fazer isto. Óbvio que muitas vezes eles nos levam a erros e equívocos absurdos, mas na maioria das vezes eles ajudaram a nos salvar do tigre escondido no meio da folhagem...)
Let´s Go!
Let´s Go!
5.11.12
2.11.12
Por que Michael Jackson está destruindo Nova Iorque?
Talvez Nietzsche estivesse parcialmente certo em sua Teoria do Eterno Retorno, onde estaríamos presos a um número limitado de fatos em nossas vidas.
Adoro uma cena do filme "Hannah e suas Irmãs" onde Woody Allen, preocupado com o Eterno Retorno, se desespera: "Se isto realmente existe, será que eu vou ter de assistir os Harlem Globetrotters de novo?"
Pois bem, estou aqui para fortalecer o pensamento de Nietzsche e anunciar mais uma teoria da conspiração: A cidade de Nova Iorque está sofrendo por causa de alguma macumba do Michael Jackson. Não sei por que Michael teria alguma coisa contra ela, mas reparem nas coincidências!
1 - A data em que Michael Jackson morreu (25+06+2009= 2040) é igual a soma de todas as ruas de Nova Iorque.
2 - Este número coincide exatamente com a quantidade de CDs vendidos pela cantora Sandy em Homenagem ao Rei do Pop
3 - Sandy é o nome do furacão que gerou toda a confusão na cidade, e que, com as inundações das galerias, o que vai provavelmente acontecer é a maior infestação de ratos da história da cidade.
4 - Michael Jackson fez muito sucesso com a música tema do filme "Ben", que conta a história de um enorme rato que comanda uma invasão de ratazanas a partir das galerias subterrâneas.
Percebem? Está tudo conectado! O filme na verdade é um presságio, e estamos prestes a ver a história acontecer de novo. O que antes era ficção agora é realidade. O que resta ao povo de Nova Iorque é oferecer um sacrifício para aplacar a ira de Michael. Eu acho que se fizerem uma grande cerimônia e oferecerem o Macauley Culkin num altar besuntado de bacon Ben e seus amigos das galerias levarão sua alma para Michael, que poderá descansar em paz...
Adoro uma cena do filme "Hannah e suas Irmãs" onde Woody Allen, preocupado com o Eterno Retorno, se desespera: "Se isto realmente existe, será que eu vou ter de assistir os Harlem Globetrotters de novo?"
Pois bem, estou aqui para fortalecer o pensamento de Nietzsche e anunciar mais uma teoria da conspiração: A cidade de Nova Iorque está sofrendo por causa de alguma macumba do Michael Jackson. Não sei por que Michael teria alguma coisa contra ela, mas reparem nas coincidências!
1 - A data em que Michael Jackson morreu (25+06+2009= 2040) é igual a soma de todas as ruas de Nova Iorque.
2 - Este número coincide exatamente com a quantidade de CDs vendidos pela cantora Sandy em Homenagem ao Rei do Pop
3 - Sandy é o nome do furacão que gerou toda a confusão na cidade, e que, com as inundações das galerias, o que vai provavelmente acontecer é a maior infestação de ratos da história da cidade.
4 - Michael Jackson fez muito sucesso com a música tema do filme "Ben", que conta a história de um enorme rato que comanda uma invasão de ratazanas a partir das galerias subterrâneas.
Percebem? Está tudo conectado! O filme na verdade é um presságio, e estamos prestes a ver a história acontecer de novo. O que antes era ficção agora é realidade. O que resta ao povo de Nova Iorque é oferecer um sacrifício para aplacar a ira de Michael. Eu acho que se fizerem uma grande cerimônia e oferecerem o Macauley Culkin num altar besuntado de bacon Ben e seus amigos das galerias levarão sua alma para Michael, que poderá descansar em paz...
31.10.12
Voltar a se Encantar com o Mundo (e com Você)
Durante um ótimo happy hour com Fábio Betti, amigo querido e consultor cada vez mais especializado em comunicação face-a-face, surgiu o assunto da Paixão. Não aquela entre um ser humano e outro, mas sim a questão de se sentir "Encantado" por algo.
Estava comentando sobre meus estudos, e ele sobre os dele. Atualmente, além de minhas pesquisas sobre cognição, comportamento e mercado, resolvi, meio que por impulso, a voltar a estudar Filosofia. E Heidegger apareceu como um tsunami, me fazendo pensar profundamente sobre as questões da existência.
O Fábio estava (já está a um certo tempo) encantado com o Humberto Maturana, pensador/biólogo, e ficamos discutindo sobre como é bom sentirmos este "Estado de Graça" a que somos levados quando saímos do "interesse" por algo e passamos a entregar um sentimento a este algo.
Apesar das diferenças (entre mim e o Fábio e entre Heidegger e Maturana) ficou claro que estávamos encantados com o Existir, com coisas simples, com trocar os óculos usados para enxergar a realidade e mudar nossa percepção daquilo que nos rodeia.
Como nós dois temos mais ou menos a mesma idade, percebo de fundo em nossa conversa um outro tema, que é como fica difícil se encantar quando envelhecemos. Precisamos evitar a todo custo uma sensação de "já vi isto", "já conheço isto", "já passei por isto".
Não, meu amiguinho, você nunca viu isto. O que você viu foi semelhante, mas não igual, e quando viu você era outro. Nossas personalidades são líquidas, e não sólidas. O mundo parece ser muito mais sólido do que é, mas estamos cercados de outras pessoas, com personalidades tão líquidas quanto as nossas. Portanto, se der para jogar o óculos de "eu já vi tudo" e deixar se encantar com a vida, ela vai oferecer inúmeras oportunidades de encantamento.
E o encantamento é muito saudável, pois traz o frescor do novo associado com o prazer da descoberta. Tudo isto regado a emoções positivas. Quer alguma coisa melhor do que isto?
Não espere muito para deixar se encantar pelas coisas. Cuidado para não embaçar os óculos com que enxerga a realidade, senão o que você vai ver é só "mais do mesmo". E no caso, o mais do mesmo não é o mundo, infelizmente é você...
25.10.12
Em busca da verdade - Heidegger
Fico encantado cada vez que vou ao meu curso sobre Heidegger. Essencialmente o curso se resume a ler " Ser e Tempo", parágrafo por parágrafo, e debater.
Conheci acidentalmente Heidegger, meu antigo terapeuta era adepto da Daseinanalyse (nome do tipo de análise que investiga questões existenciais presentes na Filosofia do sujeito), e acabei me inscrevendo num curso sobre o tema. E fiquei abobalhado com a questão existencial.
A grande questão de debate hoje foi relativa a narrativas pessoais. Sabe aquelas histórias que você constrói, que ditam algumas características da sua identidade? " Minha mãe não me dava atenção quando eu era criança, portanto, sou como sou". Kit básico do debate psicanalítico freudiano, e amplamente discutido em qualquer momento em que você tenha bebido demais com algum amigo. Em qualquer lugar ouvimos uma explicação da existência baseada em alguma narrativa pessoal. "Sou assim desde que...", coisas do gênero.
Durante o debate, o professor, Marcos Casanova, fez o seguinte comentário:
"Se eu te pedir para olhar para uma pintura que você gosta muito e escrever, todo dia, um comentário sobre este quadro, num determinado momento, o quadro vai desaparecer. E vai sobrar apenas a narrativa da narrativa".
Esta é a questão. Num determinado momento o fenômeno (o quadro) deixa de existir e passamos a operar a partir das narrativas que criamos. E nos apegamos a elas, de uma maneira que quanto mais falamos sobre elas mais nos distanciamos do fenômeno em si.
Imediatamente me lembrei de uma narrativa que me perseguia, da minha infância. Lembro de minha avó ter falado para mim de uma determinada tristeza que eu tinha quando pequeno, e como isto se tornou importante para mim.
Aí pensei: Quantas outras coisas a minha avó falou para mim? Será que toda vez que eu via a minha avó ela falava sobre isto? Claro que não. Conversamos sobre inúmeras outras coisas, mas eu, de alguma maneira me apeguei a esta história até que num determinado momento o fenômeno deixou de existir, existia apenas a narrativa. E quanto mais ela era lembrada, mais era reafirmada, e menos o "fato" existia.
Fazemos isto o tempo todo. Por que? Para de alguma maneira evitarmos um vazio que surge quando pensamos sobre nossa existência, que é fluida e dinâmica. Por isto nos apegamos a estas narrativas, para podermos evitar refletir sobre nossas vidas.
Como diria Criolo, "o bagulho é louco".... :o)
Conheci acidentalmente Heidegger, meu antigo terapeuta era adepto da Daseinanalyse (nome do tipo de análise que investiga questões existenciais presentes na Filosofia do sujeito), e acabei me inscrevendo num curso sobre o tema. E fiquei abobalhado com a questão existencial.
A grande questão de debate hoje foi relativa a narrativas pessoais. Sabe aquelas histórias que você constrói, que ditam algumas características da sua identidade? " Minha mãe não me dava atenção quando eu era criança, portanto, sou como sou". Kit básico do debate psicanalítico freudiano, e amplamente discutido em qualquer momento em que você tenha bebido demais com algum amigo. Em qualquer lugar ouvimos uma explicação da existência baseada em alguma narrativa pessoal. "Sou assim desde que...", coisas do gênero.
Durante o debate, o professor, Marcos Casanova, fez o seguinte comentário:
"Se eu te pedir para olhar para uma pintura que você gosta muito e escrever, todo dia, um comentário sobre este quadro, num determinado momento, o quadro vai desaparecer. E vai sobrar apenas a narrativa da narrativa".
Esta é a questão. Num determinado momento o fenômeno (o quadro) deixa de existir e passamos a operar a partir das narrativas que criamos. E nos apegamos a elas, de uma maneira que quanto mais falamos sobre elas mais nos distanciamos do fenômeno em si.
Imediatamente me lembrei de uma narrativa que me perseguia, da minha infância. Lembro de minha avó ter falado para mim de uma determinada tristeza que eu tinha quando pequeno, e como isto se tornou importante para mim.
Aí pensei: Quantas outras coisas a minha avó falou para mim? Será que toda vez que eu via a minha avó ela falava sobre isto? Claro que não. Conversamos sobre inúmeras outras coisas, mas eu, de alguma maneira me apeguei a esta história até que num determinado momento o fenômeno deixou de existir, existia apenas a narrativa. E quanto mais ela era lembrada, mais era reafirmada, e menos o "fato" existia.
Fazemos isto o tempo todo. Por que? Para de alguma maneira evitarmos um vazio que surge quando pensamos sobre nossa existência, que é fluida e dinâmica. Por isto nos apegamos a estas narrativas, para podermos evitar refletir sobre nossas vidas.
Como diria Criolo, "o bagulho é louco".... :o)
25.9.12
Os políticos abandonaram a cidade de vez
Se você tem alguma dúvida em relação a qual o interesse que os candidatos tem ao se elegerem vá dar uma volta pelo centro de São Paulo.
(passei um mês sem correr por causa do ar seco e de uma sinusite crônica e voltei hoje. Senti uma piora brutal na condição da cidade).
O lixo se acumula nas ruas do centro velho. O cheiro de urina aumentou, culpa do cidadão espírito de porco, da falta de vigilância e da falta de limpeza.
As ruas estão esburacadas, não só aqui como na cidade inteira.
A cracolândia está lotada de nóias: o número aumentou ou o bom filho à casa torna?
Um dia destes o barulho no Largo do Arouche estava mais alto que a média. Aos domingos as pessoas vêm namorar por aqui, e ligam os rádios dos carros para dançarem e beberem na rua. Já estou acostumado, é menos barulho que de muito bairro chique. Mas aquele dia estava especial, com gente bêbada gritando.
No dia seguinte fui até o trailer da polícia que fica no meio da praça, ou seja, no meio da bagunça. Tem policial 24h por dia lá. E perguntei para o cara por que a polícia não coíbe os abusos, como gente pisando nas flores, urinando na rua ou brigas. Sabe o que o cara me falou? Que se não houver denúncia a polícia não pode interferir.
Como assim? Se tem um cara urinando na rua a polícia só pode pedir para o cara parar se alguém ligar para o 190? Alguém pode me explicar isto? É um estímulo ao denuncismo ou uma apatia perante a realidade que está literalmente ao lado dos caras?
Na cracolândia a mesma coisa. Centenas de pessoas amontoadas consumindo crack ao lado do trailer da polícia. Honestamente não entendo...
Enquanto corria, refletia sobre a triste condição da política eleitoral de São Paulo. E desviava dos infinitos cavaletes com rostos sorridentes a olhar para mim como uma cobra olha para um rato.
(passei um mês sem correr por causa do ar seco e de uma sinusite crônica e voltei hoje. Senti uma piora brutal na condição da cidade).
O lixo se acumula nas ruas do centro velho. O cheiro de urina aumentou, culpa do cidadão espírito de porco, da falta de vigilância e da falta de limpeza.
As ruas estão esburacadas, não só aqui como na cidade inteira.
A cracolândia está lotada de nóias: o número aumentou ou o bom filho à casa torna?
Um dia destes o barulho no Largo do Arouche estava mais alto que a média. Aos domingos as pessoas vêm namorar por aqui, e ligam os rádios dos carros para dançarem e beberem na rua. Já estou acostumado, é menos barulho que de muito bairro chique. Mas aquele dia estava especial, com gente bêbada gritando.
No dia seguinte fui até o trailer da polícia que fica no meio da praça, ou seja, no meio da bagunça. Tem policial 24h por dia lá. E perguntei para o cara por que a polícia não coíbe os abusos, como gente pisando nas flores, urinando na rua ou brigas. Sabe o que o cara me falou? Que se não houver denúncia a polícia não pode interferir.
Como assim? Se tem um cara urinando na rua a polícia só pode pedir para o cara parar se alguém ligar para o 190? Alguém pode me explicar isto? É um estímulo ao denuncismo ou uma apatia perante a realidade que está literalmente ao lado dos caras?
Na cracolândia a mesma coisa. Centenas de pessoas amontoadas consumindo crack ao lado do trailer da polícia. Honestamente não entendo...
Enquanto corria, refletia sobre a triste condição da política eleitoral de São Paulo. E desviava dos infinitos cavaletes com rostos sorridentes a olhar para mim como uma cobra olha para um rato.
24.9.12
A Humanização de Serra nas Redes Sociais
Curiosidades do mundo digital e do comportamento humano: Serra, o candidato a prefeitura de SP pelo PSDB, se beneficiará das brincadeiras que estão fazendo com ele nas redes sociais. Por que? Porque ele é carrancudo e careta, e está sendo ridicularizado por isto.
Pode parecer estranho, mas não é.
Reparem nas críticas (nas redes sociais, não no horário eleitoral) aos outros candidatos. Em especial ao Russomano. São todas críticas relacionadas ao caráter, aos apadrinhamentos políticos moralmente questionáveis, ao comportamento prévio (quando trabalhava como repórter no carnaval fazendo insinuações maliciosas para mulheres de biquíni dançando).
As críticas ao Serra reafirmam sua condição de chato, ruim de bola, antipático, mas não de imoral, de corrupto, e outras coisas que geram rejeição do público em relação aos profissionais da política.
Haddad está fora deste cenário, pelo desconhecimento que o grande público tem dele. Ele não é ridicularizável pois ainda não é "figura pública", ainda é preposto de Dilma e Lula. Não há graça em brincar com Haddad, pelo menos por enquanto.
Provavelmente na próxima pesquisa de opinião Serra vai roubar potenciais votos de Russomano, e Haddad continuará com o dilema de tentar fazer com que os próprios petistas votem nele. O custo disto será creditado na conta da Martha Suplicy, mas no fundo é do Lula e da Dilma.
Deixo claro aqui que não tenho interesse em fomentar a candidatura de um ou do outro, mas sim analisar o curioso comportamento que faz com que uma crítica na verdade ressalte características positivas do candidato, no caso o Serra.
É ver para crer.
(Minha opção de voto? Voto Nulo, cansei da classe como um todo e do debate partidário sem ideologia)
Pode parecer estranho, mas não é.
Reparem nas críticas (nas redes sociais, não no horário eleitoral) aos outros candidatos. Em especial ao Russomano. São todas críticas relacionadas ao caráter, aos apadrinhamentos políticos moralmente questionáveis, ao comportamento prévio (quando trabalhava como repórter no carnaval fazendo insinuações maliciosas para mulheres de biquíni dançando).
As críticas ao Serra reafirmam sua condição de chato, ruim de bola, antipático, mas não de imoral, de corrupto, e outras coisas que geram rejeição do público em relação aos profissionais da política.
Haddad está fora deste cenário, pelo desconhecimento que o grande público tem dele. Ele não é ridicularizável pois ainda não é "figura pública", ainda é preposto de Dilma e Lula. Não há graça em brincar com Haddad, pelo menos por enquanto.
Provavelmente na próxima pesquisa de opinião Serra vai roubar potenciais votos de Russomano, e Haddad continuará com o dilema de tentar fazer com que os próprios petistas votem nele. O custo disto será creditado na conta da Martha Suplicy, mas no fundo é do Lula e da Dilma.
Deixo claro aqui que não tenho interesse em fomentar a candidatura de um ou do outro, mas sim analisar o curioso comportamento que faz com que uma crítica na verdade ressalte características positivas do candidato, no caso o Serra.
É ver para crer.
(Minha opção de voto? Voto Nulo, cansei da classe como um todo e do debate partidário sem ideologia)
10.9.12
Tudo que vem, vai... (Incluindo as Redes Sociais)
Um dia ele simplesmente não viu razão em postar nada no Facebook. E estranhamente nem teve vontade de ver os posts de seus amigos, conhecidos, ou amigos de amigos. De uma hora para outra o Facebook não fazia mais sentido para ele.
"Será que estou numa fase pouco sociável?", pensou.
Na fila do supermercado ele ouviu dois amigos conversando sobre como era chato o Facebook. Um deles argumentava que já não via tanta graça em publicar memes e outras frases divertidas no Face. Que estava cansado de fotos de crianças doentes, rezas matinais e frases estranhas de celebridades e pseudo-pensadores.
Lendo notícias nos portais descobriu que as ações do Facebook caíam dia após dia, e dezenas de comentaristas apresentavam suas opiniões sobre as razões, mas não havia consenso.
"O Internauta é volátil, muda de opinião e de interesses a cada instante", dizia um.
"O modelo de negócios do Facebook se tornou inviável", dizia outro.
"A estrutura social do Facebook implodiu: todos querem ser famosos e especiais, e se isto acontece, ninguém é especial", disse o outro, citando o vilão do desenho "Os Incríveis".
Em menos de um mês 15% das contas de Facebook tinham sido encerradas ou se tornaram inativas. A empresa, assustada com a estranha movimentação, resolveu oferecer atrativos e inovações tecnológicas para reter seu principal ativo: as pessoas. E criou mais jogos, mais interatividade, vídeos e, num momento de total desespero, o tão sonhado botão "Dislike".
Já não havia mais o que fazer, o Facebook estava se esfarelando.
Numa atitude comum a outros poderosos do universo digital (e real), seu fundador negava tudo, e desafiava os novos desenvolvedores a chegarem no estágio de sucesso que um dia ele já tinha tido.
Parte dos bilhões de dólares dos investidores já havia migrado na bolsa, para coisas sólidas como Wal Mart e empresas do gênero.
De um instante para outro, Curtir já não tinha mais graça.
Como golpe final, um grupo de Hackers derrubou o site do Facebook por mais de 24h. Mas a Rede Social, tal como ela era no passado, já tinha deixado de ser relevante...
"Será que estou numa fase pouco sociável?", pensou.
Na fila do supermercado ele ouviu dois amigos conversando sobre como era chato o Facebook. Um deles argumentava que já não via tanta graça em publicar memes e outras frases divertidas no Face. Que estava cansado de fotos de crianças doentes, rezas matinais e frases estranhas de celebridades e pseudo-pensadores.
Lendo notícias nos portais descobriu que as ações do Facebook caíam dia após dia, e dezenas de comentaristas apresentavam suas opiniões sobre as razões, mas não havia consenso.
"O Internauta é volátil, muda de opinião e de interesses a cada instante", dizia um.
"O modelo de negócios do Facebook se tornou inviável", dizia outro.
"A estrutura social do Facebook implodiu: todos querem ser famosos e especiais, e se isto acontece, ninguém é especial", disse o outro, citando o vilão do desenho "Os Incríveis".
Em menos de um mês 15% das contas de Facebook tinham sido encerradas ou se tornaram inativas. A empresa, assustada com a estranha movimentação, resolveu oferecer atrativos e inovações tecnológicas para reter seu principal ativo: as pessoas. E criou mais jogos, mais interatividade, vídeos e, num momento de total desespero, o tão sonhado botão "Dislike".
Já não havia mais o que fazer, o Facebook estava se esfarelando.
Numa atitude comum a outros poderosos do universo digital (e real), seu fundador negava tudo, e desafiava os novos desenvolvedores a chegarem no estágio de sucesso que um dia ele já tinha tido.
Parte dos bilhões de dólares dos investidores já havia migrado na bolsa, para coisas sólidas como Wal Mart e empresas do gênero.
De um instante para outro, Curtir já não tinha mais graça.
Como golpe final, um grupo de Hackers derrubou o site do Facebook por mais de 24h. Mas a Rede Social, tal como ela era no passado, já tinha deixado de ser relevante...
29.8.12
E a Geração Y cai na real... Ou o real engoliu a Geração Y?
Tenho visto esta mensagem circular pelas redes sociais e resolvi compartilhar, pois acho que ela marca um momento importante do ponto de vista comportamental da chamada Geração Y.
Todo o discurso remete basicamente a crescer, amadurecer, trabalhar com a perda, e tudo mais que os mais adultos estão (ou deveriam estar) acostumados.
O que existe de diferença deste momento de amadurecer e de outras gerações? Não há mais nenhum ritual de passagem, esta nova geração teve de virar adulta sem nenhum momento simbólico nas suas vidas (que antigamente foi o Vestibular e antes disto foi fazer dezoito anos, prestar o exército, etc, etc).
Mais do que isto, a Geração Y teve de crescer tendo a geração anterior (a Geração X) como anti-exemplo, já que não têm grandes coisas em comum nem se espelham nos valores dos mais velhos. Sem o universo simbólico compartilhado, sem perspectivas, sem se identificar com os valores da geração anterior... demorou para amadurecer, mas amadureceu.
A dúvida é: Eles realmente amadureceram ou o mundo se adaptou para absorver esta nova geração? Ou será que a sociedade finalmente engoliu a molecada?
Leia o texto e analise por si só...
A SÍNDROME DOS VINTE E TANTOS ANOS.
Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Dá-se conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc.. E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco....
...
As multidões já não são ‘tão divertidas’, às ......vezes...... até lhe incomodam.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto e te achou o maior infantil, pôde lhe fazer tanto mal.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar, e isso assusta!
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso.
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.
Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…
Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Autor desconhecido
20.8.12
Pobre Recursos Humanos...
Começo de agosto sempre têm a feira nacional de Recursos Humanos, o CONARH. Há tempos que não ia, e resolvi dar uma passada para ver a quantas andava a feira. Confesso que fui surpreendido.
Quais eram os maiores estandes? De máquinas de café e de softwares de "contabilidade humana". E não havia diversidade de modelos de gestão, ou seja, de prestadores de serviços desta "linha" de RH ou de outra. O CONARH exala um único modelo de gestão de pessoas, que infelizmente está mais para Zeladoria de Pessoas do que Gestão Estratégica.
Em alguns estandes tinha fila... para pegar bexiga, para comer jujuba e tomar café. Havia farta distribuição de sacolas que não tinham nada dentro. E em alguns estandes estavam aspirantes a comediantes de stand up contando piada. Pelo menos desta parte eu gostei, pois adoro o surreal, o esdrúxulo, o exótico.
O estande que mais me intrigou foi de um senhor com um terno amassado vendendo o que seriam "jogos corporativos", onde tinha um monte de material de EVA, tipo casinhas para montar e dardos para jogar em alvos na parede. De acordo com ele eram jogos para estimular debates dentro das empresas.
Para mim pareciam mais brinquedos utilizados por primatólogos para tentar descobrir a linguagem dos chimpanzés...
Em menos de duas horas já estava indo embora.
Espero, do fundo do coração, que este CONARH não tenha sido representativo do momento do RH de hoje, e que apenas reflita uma decadência do encontro em si. Se ele realmente for o reflexo de como as empresas estão enxergando o RH hoje acho que todos que trabalham em corporações estão em apuros...
Quais eram os maiores estandes? De máquinas de café e de softwares de "contabilidade humana". E não havia diversidade de modelos de gestão, ou seja, de prestadores de serviços desta "linha" de RH ou de outra. O CONARH exala um único modelo de gestão de pessoas, que infelizmente está mais para Zeladoria de Pessoas do que Gestão Estratégica.
Em alguns estandes tinha fila... para pegar bexiga, para comer jujuba e tomar café. Havia farta distribuição de sacolas que não tinham nada dentro. E em alguns estandes estavam aspirantes a comediantes de stand up contando piada. Pelo menos desta parte eu gostei, pois adoro o surreal, o esdrúxulo, o exótico.
O estande que mais me intrigou foi de um senhor com um terno amassado vendendo o que seriam "jogos corporativos", onde tinha um monte de material de EVA, tipo casinhas para montar e dardos para jogar em alvos na parede. De acordo com ele eram jogos para estimular debates dentro das empresas.
Para mim pareciam mais brinquedos utilizados por primatólogos para tentar descobrir a linguagem dos chimpanzés...
Em menos de duas horas já estava indo embora.
Espero, do fundo do coração, que este CONARH não tenha sido representativo do momento do RH de hoje, e que apenas reflita uma decadência do encontro em si. Se ele realmente for o reflexo de como as empresas estão enxergando o RH hoje acho que todos que trabalham em corporações estão em apuros...
19.8.12
Acho que vou viajar para a Índia... Ou não!
Chega um momento em que precisamos buscar a espiritualidade. Basta de uma vida mundana de bebidas caras, festas VIP e participação especial no clipe do Michel Teló vestido de gorila (fui inclusive processado pela Associação de Seguranças Particulares de SP pelo fato da fantasia ter um logotipo de uma famosa empresa de segurança patrimonial). Cansei desta vida ao redor do dinheiro: vou para a Índia, local de peregrinação de 95 de cada 100 proprietários de lojas de produtos orgânicos. Mas antes, resolvi fazer uma pesquisa no Google Imagens para conhecer um pouco a cultura local. Afinal de contas, não dá para encher a mala de água Perrier que senão custo de excesso de bagagem é muito alto.
Comida - Parece que eles comem coisas variadas misturadas com Curry, quando eles tem estas coisas. Senão, é mingau de Curry. Entrei no site do Olivier Anquier deles e achei a comidinha meio feia (gostei do pote) e a consistência parecia meio Pampers. Será que vale a pena experimentar? Tem umas saladas em lata no Pão de Açúcar que eu poderia para levar para viagem em último caso...
Cultura - Quando vi "Quem Quer Ser Um Milionário" achei os atores sofríveis, imaginei que o Danny Boyle não tivesse muitas referências para casting humano (excesso de filme de zumbi e mutante automotivo) e tivesse errado a mão. Mas quando vi no YouTube os filmes indianos fiquei assombrado! Todos atores são canastrões e todos usam bigodes enormes, maiores que o do Sarney! Sobre as atrizes... eu que achava que a Indira Ghandi não tinha sido agraciada com o dom da beleza, mas pelo que vi dava ela para concorrer no Miss Cajurú e pegar um segundo lugar se comparada com suas conterrâneas...
Massagens Exóticas - Cítara, incenso, muita seda, gente rebolando... universo interessante e misterioso. Mas é tudo fake, coisa de filme americano e Kenny G disfarçado de Gênio da Lâmpada. O lance mesmo na Índia é um cara que vai fazer uma massagem numa cadeira de plástico numa varanda de terra batida do lado de um curtume. No qual ele provavelmente trabalha, por sinal.
Gurus - Vários legais, já vi mensagens incríveis em livros altamente espiritualizados e com mensagem de paz e de autoconhecimento... mas a maioria deles têm um visual muito diferente. Será que dá para encontrar o Nirvana ou algo do gênero olhando para alguém com o cabelo que parece uma unha preta num dedão?
Arte - Parece que a milenar arte indiana de objetos para colocar em cima da mesa de centro está migrando para o happening e performances. É o efeito da globalização, acho. Existem vários artistas que fazem intervenções nas ruas, como esta artista vestida de hot dog (não descobri onde estava o pão, mas deve ser pela minha ignorância no tema). Os mistérios da milenar Índia hoje se escondem atrás (ou dentro) de uma salsicha gigante...
Das duas uma: Ou eu vou desistir da minha viagem ou nunca mais faço uma pesquisa no Google Imagens...
Comida - Parece que eles comem coisas variadas misturadas com Curry, quando eles tem estas coisas. Senão, é mingau de Curry. Entrei no site do Olivier Anquier deles e achei a comidinha meio feia (gostei do pote) e a consistência parecia meio Pampers. Será que vale a pena experimentar? Tem umas saladas em lata no Pão de Açúcar que eu poderia para levar para viagem em último caso...
Cultura - Quando vi "Quem Quer Ser Um Milionário" achei os atores sofríveis, imaginei que o Danny Boyle não tivesse muitas referências para casting humano (excesso de filme de zumbi e mutante automotivo) e tivesse errado a mão. Mas quando vi no YouTube os filmes indianos fiquei assombrado! Todos atores são canastrões e todos usam bigodes enormes, maiores que o do Sarney! Sobre as atrizes... eu que achava que a Indira Ghandi não tinha sido agraciada com o dom da beleza, mas pelo que vi dava ela para concorrer no Miss Cajurú e pegar um segundo lugar se comparada com suas conterrâneas...
Massagens Exóticas - Cítara, incenso, muita seda, gente rebolando... universo interessante e misterioso. Mas é tudo fake, coisa de filme americano e Kenny G disfarçado de Gênio da Lâmpada. O lance mesmo na Índia é um cara que vai fazer uma massagem numa cadeira de plástico numa varanda de terra batida do lado de um curtume. No qual ele provavelmente trabalha, por sinal.
Gurus - Vários legais, já vi mensagens incríveis em livros altamente espiritualizados e com mensagem de paz e de autoconhecimento... mas a maioria deles têm um visual muito diferente. Será que dá para encontrar o Nirvana ou algo do gênero olhando para alguém com o cabelo que parece uma unha preta num dedão?
Arte - Parece que a milenar arte indiana de objetos para colocar em cima da mesa de centro está migrando para o happening e performances. É o efeito da globalização, acho. Existem vários artistas que fazem intervenções nas ruas, como esta artista vestida de hot dog (não descobri onde estava o pão, mas deve ser pela minha ignorância no tema). Os mistérios da milenar Índia hoje se escondem atrás (ou dentro) de uma salsicha gigante...
Das duas uma: Ou eu vou desistir da minha viagem ou nunca mais faço uma pesquisa no Google Imagens...
13.8.12
Para que serve uma Loja Conceito?
Uma pequena aula de Marketing, para quem se interessa pelo assunto.
Nos últimos vinte anos surgiu uma estratégia interessante relacionada a Pontos De Venda (ou PDV, como são chamados): Lojas podem ir além do papel de venderem produtos, elas podem refletir as características que a marca quer deixar na mente das pessoas.
Entrar numa loja é ter uma experiência sensorial poderosa que muitas vezes uma marca necessita. Cheiros, iluminação, atendimento ambientação, comunicação visual, tudo colabora para o fortalecimentos de percepções que uma empresa deseja imprimir quando usa outros meios, como a publicidade. A publicidade tenta simular glamour? A loja pode oferecer uma experiência de glamour. A marca quer que o cliente associe tecnologia aos produtos desenvolvidos? O PDV pode ser ambientado de uma maneira que crie o "Uau" necessário e fortaleça os ideais que são divulgados na publicidade.
Várias marcas têm apelado para a criação das Lojas Conceito. Algumas pioneiras, como a Apple e a Prada de Nova Iorque, deslumbram seus clientes, que saem embasbacados com a experiência vivida na loja.
No Brasil, e em especial em São Paulo, há um ícone de glamour que é a Rua Oscar Freire. Ela simboliza um ambiente refinado, onde pessoas refinadas e com dinheiro passeiam e consomem. Nada mais natural que muitas marcas percebessem que colocar uma Loja Conceito neste ponto agregaria muito valor às marcas.
Existem várias lojas por lá, a da Nespresso, da Natura, das Havaianas, e a da Haagen Dazs.
Para quem não sabe, o nome Haagen Dazs não significa absolutamente nada. Era uma empresa que fazia excelentes sorvetes nos Estados Unidos e não conseguia se posicionar no mercado de maneira diferenciada. Quem mandava no mercado dos sorvetes de luxo eram as empresas europeias, mais chiques. O dono da sorveteria resolveu criar um nome pomposo e nórdico e a marca deslanchou.
No Brasil há relativamente pouco tempo, a Haagen Dazs se deu bem, e a marca conseguiu se posicionar no segmento Premium com eficácia. E a Loja Conceito foi uma consequência das estratégias deste posicionamento.
Mas.... (sempre tem um Mas)
... A loja desandou. Apesar de receber inúmeros clientes por dia, o atendimento ficou precário. Na minha última visita (ontem), tinha mais supervisores que funcionários. E os funcionários suando para poder atender.
No modelo de gestão aplicado, todos funcionários devem saber fazer tudo. O cara que faz o seu milkshake é o mesmo que vai limpar o banheiro (espero que lave a mão). O resultado? Quanto mais milkshake pedido, menos o banheiro é limpo.
Resumindo, a Loja Conceito exalava confusão, atendimento precário, bagunça, insatisfação, filas enormes e o banheiro similar ao de rodoviárias de antigamente, pois hoje os banheiros das rodoviárias são mais limpos que o da Loja Conceito da Haagen Dazs.
Demorei 45 minutos para ser atendido, mesmo estando com meu filho pequeno e tendo prioridade no atendimento, ninguém teve coragem de usar o banheiro e saí com a sensação de que o tiro (de fortalecer a marca) saiu pela culatra...
Do ponto de vista do Marketing, é melhor não ter nenhuma Loja Conceito assim do que ter a loja e fazer o cliente associar estas características com a marca.
PS - A foto do banheiro é meramente ilustrativa, não tive coragem de fotografar o estado do local.
Nos últimos vinte anos surgiu uma estratégia interessante relacionada a Pontos De Venda (ou PDV, como são chamados): Lojas podem ir além do papel de venderem produtos, elas podem refletir as características que a marca quer deixar na mente das pessoas.
Entrar numa loja é ter uma experiência sensorial poderosa que muitas vezes uma marca necessita. Cheiros, iluminação, atendimento ambientação, comunicação visual, tudo colabora para o fortalecimentos de percepções que uma empresa deseja imprimir quando usa outros meios, como a publicidade. A publicidade tenta simular glamour? A loja pode oferecer uma experiência de glamour. A marca quer que o cliente associe tecnologia aos produtos desenvolvidos? O PDV pode ser ambientado de uma maneira que crie o "Uau" necessário e fortaleça os ideais que são divulgados na publicidade.
Várias marcas têm apelado para a criação das Lojas Conceito. Algumas pioneiras, como a Apple e a Prada de Nova Iorque, deslumbram seus clientes, que saem embasbacados com a experiência vivida na loja.
No Brasil, e em especial em São Paulo, há um ícone de glamour que é a Rua Oscar Freire. Ela simboliza um ambiente refinado, onde pessoas refinadas e com dinheiro passeiam e consomem. Nada mais natural que muitas marcas percebessem que colocar uma Loja Conceito neste ponto agregaria muito valor às marcas.
Existem várias lojas por lá, a da Nespresso, da Natura, das Havaianas, e a da Haagen Dazs.
Para quem não sabe, o nome Haagen Dazs não significa absolutamente nada. Era uma empresa que fazia excelentes sorvetes nos Estados Unidos e não conseguia se posicionar no mercado de maneira diferenciada. Quem mandava no mercado dos sorvetes de luxo eram as empresas europeias, mais chiques. O dono da sorveteria resolveu criar um nome pomposo e nórdico e a marca deslanchou.
No Brasil há relativamente pouco tempo, a Haagen Dazs se deu bem, e a marca conseguiu se posicionar no segmento Premium com eficácia. E a Loja Conceito foi uma consequência das estratégias deste posicionamento.
Mas.... (sempre tem um Mas)
... A loja desandou. Apesar de receber inúmeros clientes por dia, o atendimento ficou precário. Na minha última visita (ontem), tinha mais supervisores que funcionários. E os funcionários suando para poder atender.
No modelo de gestão aplicado, todos funcionários devem saber fazer tudo. O cara que faz o seu milkshake é o mesmo que vai limpar o banheiro (espero que lave a mão). O resultado? Quanto mais milkshake pedido, menos o banheiro é limpo.
Resumindo, a Loja Conceito exalava confusão, atendimento precário, bagunça, insatisfação, filas enormes e o banheiro similar ao de rodoviárias de antigamente, pois hoje os banheiros das rodoviárias são mais limpos que o da Loja Conceito da Haagen Dazs.
Demorei 45 minutos para ser atendido, mesmo estando com meu filho pequeno e tendo prioridade no atendimento, ninguém teve coragem de usar o banheiro e saí com a sensação de que o tiro (de fortalecer a marca) saiu pela culatra...
Do ponto de vista do Marketing, é melhor não ter nenhuma Loja Conceito assim do que ter a loja e fazer o cliente associar estas características com a marca.
PS - A foto do banheiro é meramente ilustrativa, não tive coragem de fotografar o estado do local.
9.8.12
Shut Up - O Caso do Bolo Maldito
Já com idade avançada, extremamente devota e solidária, a Tia Lú andava muito preocupada com a saúde do padre de Ariranha, cidade de menos de dez mil habitantes do interior de São Paulo. A doença o impedia de realizar as missas, e o pobre sacerdote estava na cama há tempos.
"Vou levar um bolo para o padre", decidiu a Tia Lú. E fez um bolo, com todo o carinho do mundo.
Alguns dias depois de ter levado o bolo, o padre morreu. E a Tia Lú não se conformava...
Pouco tempo depois, um primo da Tia Lú adoeceu. E ela não perdeu a oportunidade:
"Vou levar um bolo para o meu primo". Levou, o primo comeu, e tempos depois o coitado foi dado como desenganado e morreu.
Numa outra vez foi o dono da padaria. Não deu outra. Foi só receber o bolo que a saúde piorou e acabou morrendo.
Durante um bom tempo todos os cidadãos de Ariranha tremiam ao ouvir a campainha. Vai que a Tia Lú estava lá, sorridente, com um bolo na mão...
1.8.12
A falácia das campanhas de publicidade inovadoras
Sei que há um lado positivo e interessante ao se inovar em comunicação. Sou inclusive um disseminador de novas maneiras de comunicar, e minha agência, a UmaCentral, realiza projetos bastante instigantes e eficazes.
Mas... quando vemos nas redes sociais inovações na publicidade precisamos colocar um pé atrás, não por que divulgar produtos e gerar resultados seja ruim, no estilo "o capitalismo é malvado", conversa que tem enchido um pouco a minha paciência nos últimos tempos, pelo excesso de hipocrisia. A grande questão é que ainda não conheço um projeto de comunicação que se sustente apenas na inovação. As grandes agências usam a inovação como chamariz, o formato da campanha sempre é tradicional: Mídias e abordagem adaptadas ao público-alvo, e muito, muito dinheiro envolvido.
Acompanho alguns colegas e ex-alunos postando soluções inovadoras e vejo que há uma falsa sensação de que a inovação na comunicação é a alma do negócio. Não é. Felizmente ou infelizmente, o que consolida a comunicação voltada para gerar negócios é a utilização de canais com frequência necessária para que a mensagem resista perante o universo de outras mensagens pulando na direção do público.
Mas não daria para fazer isto de maneira inovadora, sempre? Não sei se é possível. Primeiro porque o público enjoa, quer outra coisa, rejeita a inovação intensa e frequente. Ele quer um pouco de inovação, mas nada que o tire de sua zona de conforto. E do ponto de vista conceitual, inovar sistematicamente é sistematizar a inovação, o que acabaria definindo como um modelo tradicional de comunicação. Como diz o vilão de "Os Incríveis", se todos formos especiais, ninguém mais será especial....
Sejam bem-vindas as comunicações nas novas mídias e nos novos formatos, e seja bem vinda a inovação. Mas que ela não sustenta uma comunicação consistente, não sustenta.
Mas... quando vemos nas redes sociais inovações na publicidade precisamos colocar um pé atrás, não por que divulgar produtos e gerar resultados seja ruim, no estilo "o capitalismo é malvado", conversa que tem enchido um pouco a minha paciência nos últimos tempos, pelo excesso de hipocrisia. A grande questão é que ainda não conheço um projeto de comunicação que se sustente apenas na inovação. As grandes agências usam a inovação como chamariz, o formato da campanha sempre é tradicional: Mídias e abordagem adaptadas ao público-alvo, e muito, muito dinheiro envolvido.
Acompanho alguns colegas e ex-alunos postando soluções inovadoras e vejo que há uma falsa sensação de que a inovação na comunicação é a alma do negócio. Não é. Felizmente ou infelizmente, o que consolida a comunicação voltada para gerar negócios é a utilização de canais com frequência necessária para que a mensagem resista perante o universo de outras mensagens pulando na direção do público.
Mas não daria para fazer isto de maneira inovadora, sempre? Não sei se é possível. Primeiro porque o público enjoa, quer outra coisa, rejeita a inovação intensa e frequente. Ele quer um pouco de inovação, mas nada que o tire de sua zona de conforto. E do ponto de vista conceitual, inovar sistematicamente é sistematizar a inovação, o que acabaria definindo como um modelo tradicional de comunicação. Como diz o vilão de "Os Incríveis", se todos formos especiais, ninguém mais será especial....
Sejam bem-vindas as comunicações nas novas mídias e nos novos formatos, e seja bem vinda a inovação. Mas que ela não sustenta uma comunicação consistente, não sustenta.
31.7.12
Shut Up! Palavras com duplo sentido
Esta aconteceu com minha mãe, durante uma longa viagem de carro que fizemos pelo sul do Brasil.
Nossa primeira parada foi Curitiba, e como minha mãe tinha um compadre que morava lá, fomos visitar a família.
No meio da conversa com o compadre, apareceu uma bonita moça de uns 14 anos. Era a filha mais nova dele, que só conhecíamos de ouvir falar. E o compadre apresenta a filha:
- Esta é a minha filha mais nova, a Jéssica.
No mesmo momento minha mãe olha espantada para o amigo e pergunta:
- Jéssica? Sério? Você deu este nome para sua filha?
O compadre, meio sem graça, concorda, e fica olhando intrigado para minha mãe, que continua a falar (ô hora boa para ficar quieta...)
- O sobrenome de vocês é Basso. Você deu o nome da sua filha de Jéssica? Assim o pessoal vai chamar a moça de Jessi Cabaço!
Pela cara do compadre da minha mãe, em 14 anos de vida ela era a primeira pessoa que tinha percebido esta possibilidade.
Nem preciso dizer que ficamos mais uns quinze minutos por lá, e nos últimos vinte anos nunca mais mantivemos contato com o compadre da minha mãe...
30.7.12
Shut Up! - Coisas que você não deve falar para sua namorada
Esta não é minha, mas vale a pena ser citada.
Sabe quando sua namorada fala que gosta que você seja sincero com ela? Que fale o que pensa? Que se abra, sem medos? Então, não é para acreditar, OK? Este é o erro mais comum dos homens. E de vez em quando a coisa pode ficar praticamente impossível de ser consertada.
Tenho um primo que passou por isto. A namorada dele sempre esteve meio fora do peso, brigando contra a balança. E ele nunca pareceu se importar com isto, mas para ela emagrecer era muito importante.
Um dia ela perguntou para ele se ela tinha emagrecido, se a dieta estava funcionando. Ele não teve dúvidas e respondeu:
- A dieta não está funcionando, mas eu acho bom, sabe por que? Porque eu adoro pelanca! Adoro uma pele flácida, uma estria, as dobras nas suas costas...
E o pior de tudo é que ele gosta mesmo, e acha a namorada bonita e sexy. Mas depois desta ele passou uns bons meses tentando se acertar com ela, que achou inaceitável o que ele disse...
Sabe quando sua namorada fala que gosta que você seja sincero com ela? Que fale o que pensa? Que se abra, sem medos? Então, não é para acreditar, OK? Este é o erro mais comum dos homens. E de vez em quando a coisa pode ficar praticamente impossível de ser consertada.
Tenho um primo que passou por isto. A namorada dele sempre esteve meio fora do peso, brigando contra a balança. E ele nunca pareceu se importar com isto, mas para ela emagrecer era muito importante.
Um dia ela perguntou para ele se ela tinha emagrecido, se a dieta estava funcionando. Ele não teve dúvidas e respondeu:
- A dieta não está funcionando, mas eu acho bom, sabe por que? Porque eu adoro pelanca! Adoro uma pele flácida, uma estria, as dobras nas suas costas...
E o pior de tudo é que ele gosta mesmo, e acha a namorada bonita e sexy. Mas depois desta ele passou uns bons meses tentando se acertar com ela, que achou inaceitável o que ele disse...
25.7.12
Folha - Vale a pena cobrar pelo conteúdo online?
A Folha de São Paulo online mudou sua postura comercial, e de uns tempos para cá passou a cobrar pelo conteúdo de seu portal. Descobri isto através de um sistema criado por eles que reduz em 20 páginas gratuitas de acesso por internauta. A partir daí, bloqueia o acesso ao conteúdo.
Como não entrei mais no portal da Folha, não sei se eles desistiram de sua estratégia ou mantém a restrição.
Considero equivocada esta estratégia de rentabilizar conteúdo do Grupo Folha. Primeiro por uma razão muito simples: O usuário acostumado a um produto totalmente gratuito tem resistência a entrar em um modelo pago (mais que resistência, beira a rejeição, se sente enganado). Por que a pessoa pagaria a partir de hoje por algo exatamente igual ao que acessava ontem gratuitamente? Fica difícil de entender e impacta na percepção da marca (branding) justamente no seu público fidelizado.
Outra questão importante é o fato da diminuição da relevância enquanto fonte nas redes sociais. Menos pessoas irão compartilhar as notícias deste portal em Facebooks e Twitters, o que diminui a presença da marca na mente das pessoas e a quantidade de visitação. E as redes sociais não podem ser ignoradas, basta lembrar que no último censo o Facebook já tinha mais de 900 milhões de usuários, aproximadamente uma pessoa em cada 13 no mundo têm conta nesta rede.
A estratégia pode ser parecida com a que a Igreja Católica têm feito, a partir do Papa Bento XVI (e já sendo engendrada por ele na gestão anterior) que é a redução de fiéis visando fortalecer a fé naqueles que realmente vivem a experiência religiosa católica. Em suma, deixar de lado os "meio-fiéis", que chamamos aqui no Brasil de católicos não-praticantes, aceitar a perda deste grupo e focar nos que interessam. Talvez o Grupo Folha tenha seguido este exemplo. Mas acredito que existissem outros recursos de fortalecimento de resultados sem usar este caminho. Nem sei se fidelizar neste caso não seja uma tentativa de impor um modelo offline dentro de um cenário online que já estabeleceu parâmetros próprios e dinâmicos, diferentemente do modelo de venda de jornal que já existe há mais de cem anos.
É inegável que as pessoas estão deixando de ler, em especial jornais diários pagos. Os assinantes diminuem a cada dia, mas os concorrentes com conteúdos simples e gratuitos ocupam espaço no mercado e ganham dinheiro com ... publicidade! Pode parece incrível, mas aquele velho modelo de divulgação em mídia impressa está vivo e gerando faturamento para jornais regionais e segmentado, há vários estudos sobre eles disponíveis na Internet.
O Grupo Folha diversificou seus produtos, como venda de livros, aplicativos pagos, mas imagino que seja muito dolorido para a gestão tradicional do jornal aceitar que ele tenha virado parte de um todo (do ponto de vista de faturamento), e que a fonte de onde os produtos derivam (o portal e as notícias) seja apenas uma parcela de onde vem o dinheiro.
Também imagino a dificuldade de gerenciar duas plataformas tão distintas (do ponto de vista de modelo comercial e de relacionamento com o usuário), sem que uma não "canibalize" a outra. É possível manter o jornal pago e o portal gratuito? É uma hipótese, mas pela reação do Grupo Folha provavelmente os resultados forçam a empresa a se movimentar em alguma direção.
Não sei quanto custa manter uma equipe de jornalistas de qualidade que investiguem notícias ao invés de repassar press releases. Sei que folha de pagamento não é barato, mas sei também que reestruturações, investimentos em mídia, etc etc também não são baratos, muitas vezes é mais caro que gente.
Uma das coisas que vejo com clareza é que não está se discutindo uma reformulação de produto e de politica comercial simultânea. O que se quer é impor um novo modelo comercial sem reformular o produto, e isto não dá certo.
Um caso interessante que vale como comparação é o de uma banda chamada Propellerhead. Há alguns anos atrás eles foram responsáveis por vários sucessos, muitos vindos da trilha sonora que fizeram para o filme Matrix.
Para poderem desenvolver uma trilha interessante eles tiveram de criar seu próprio software de música, o Reason. Apesar do sucesso como banda, eles perceberam que havia pessoas interessadas em usar o software que desenvolveram para criar suas próprias músicas. Assim, entraram no mercado de programação e começaram a vender o Reason.
O Reason foi um sucesso, mas ele é um produto de nicho, extremamente segmentado, de alto custo e de alta complexidade. Não é todo mundo que consegue usar o software. Assim, eles resolveram desenvolver um novo produto, o Figure, voltado para Smartphones, usando uma série de timbres do Reason mas com interface simples e voltado para um público que quer se divertir fazendo pequenas trilhas sentado no aeroporto enquanto o embarque não começa. Coisa rápida e divertida.
A mesma equipe que começou como banda eletrônica vira desenvolvedora de software para segmento musical e depois amplia sua participação no mercado oferecendo um software divertido e poderoso a U$ 0,99 na Applestore.
Há inúmeros casos parecidos com este, como o da Amazon, cuja receita multiplicou a partir do momento em que passaram a oferecer hospedagem de conteúdo, aproveitando uma capacidade de armazenamento ociosa que dispunham.
Obviamente, é mais fácil para quem já nasceu neste novo mundo se mover por ele. O Grupo Folha está tendo a mesma dificuldade que várias empresas que se viram diante de cenários inóspitos e tentaram impor seu modelo ultrapassado para um mundo que mudou. E corre sérios riscos de ser abocanhada por um conglomerado maior, mais ágil e menos indeciso que ele.
22.7.12
Medalha de Honra. Que honra?
Acabo de chegar de uma corrida pelo centro de SP, destas patrocinadas por grandes empresas com um monte de gente vestida igual, procurando brindes e sorteios e tirando foto com celebridade.
Fiquei muito feliz com o convite, e espero poder correr mais vezes este tipo de prova, apesar do meu desempenho sofrível. 7,5 Km em 35 minutos não é lá grande coisa (por sinal, meu GPS, de uma marca concorrente do patrocinador, marcou 7,5 Km mas o patrocinador falava que a corrida era de 5 Km, em quem devo confiar?), mas para quem não corria nada até o ano passado, acho que está bom.
A grande questão me me fez pensar hoje foi ter ganhado uma medalha, grande, bonita, daquelas de "Honra ao Mérito", pela participação, sabe? E na hora que me entregaram imediatamente me lembrei que ganhei outra medalha destas há uns dois anos atrás.
Eu estava voltando para casa à noite quando fui abordado por uma criança moradora de rua. Com a cara de dependente químico em abstinência, ele me pedia qualquer trocado. Fiquei morrendo de pena e resolvi sacar a carteira e dar um trocado. Quando abri a carteira, minha menor nota era de R$ 5,00. Como já tinha parado e feito todo o ritual de "eu vou te dar dinheiro", não tive coragem de recuar, e entreguei a nota para o garoto.
Acho que fazia muito tempo que ele não via uma nota de R$ 5,00, pois arregalou os olhos, se inclinou solenemente em minha direção e agradeceu. Mas, no meio do agradecimento, seu rosto se iluminou, como se tivesse tido uma ideia. Abriu uma lata velha que carregava, tirou uma medalha envelhecida de um maço de medalhas e pendurou no meu pescoço, e foi embora.
Não sei direito se tenho alguma Honra ao Mérito para ter ganhado uma medalha hoje, junto de outras milhares de pessoas que essencialmente sobreviveram ao trajeto proposto. Da mesma maneira não acho que ter dado dinheiro para um jovem nóia poder comprar mais uma pedra de crack seja honroso. Só sei que agora as duas estão penduradas numa escultura de gato que tenho na minha sala, juntas, enquanto o gato olha de uma maneira intrigada pela janela...
Fiquei muito feliz com o convite, e espero poder correr mais vezes este tipo de prova, apesar do meu desempenho sofrível. 7,5 Km em 35 minutos não é lá grande coisa (por sinal, meu GPS, de uma marca concorrente do patrocinador, marcou 7,5 Km mas o patrocinador falava que a corrida era de 5 Km, em quem devo confiar?), mas para quem não corria nada até o ano passado, acho que está bom.
A grande questão me me fez pensar hoje foi ter ganhado uma medalha, grande, bonita, daquelas de "Honra ao Mérito", pela participação, sabe? E na hora que me entregaram imediatamente me lembrei que ganhei outra medalha destas há uns dois anos atrás.
Eu estava voltando para casa à noite quando fui abordado por uma criança moradora de rua. Com a cara de dependente químico em abstinência, ele me pedia qualquer trocado. Fiquei morrendo de pena e resolvi sacar a carteira e dar um trocado. Quando abri a carteira, minha menor nota era de R$ 5,00. Como já tinha parado e feito todo o ritual de "eu vou te dar dinheiro", não tive coragem de recuar, e entreguei a nota para o garoto.
Acho que fazia muito tempo que ele não via uma nota de R$ 5,00, pois arregalou os olhos, se inclinou solenemente em minha direção e agradeceu. Mas, no meio do agradecimento, seu rosto se iluminou, como se tivesse tido uma ideia. Abriu uma lata velha que carregava, tirou uma medalha envelhecida de um maço de medalhas e pendurou no meu pescoço, e foi embora.
Não sei direito se tenho alguma Honra ao Mérito para ter ganhado uma medalha hoje, junto de outras milhares de pessoas que essencialmente sobreviveram ao trajeto proposto. Da mesma maneira não acho que ter dado dinheiro para um jovem nóia poder comprar mais uma pedra de crack seja honroso. Só sei que agora as duas estão penduradas numa escultura de gato que tenho na minha sala, juntas, enquanto o gato olha de uma maneira intrigada pela janela...
20.7.12
Não está na hora de ficar pelado e ver quem você é?
Quando você olha no espelho o que vê?
A maioria das pessoas vê uma entre duas pessoas: Ou alguém melhor que você ou alguém pior que você.
É muito difícil conseguir enxergar aquele alguém que somos. Ou nos vemos cheios de cicatrizes ou enxergamos uma versão melhorada do Brad Pitt.
Com o hiper narcisismo do consumo e das redes sociais, acabamos vivendo coletivamente um transtorno bipolar. Dificilmente nos desnudamos e enxergamos a nossa essência frágil humana. Somos grandes consumidores, poderosos, ou somos simplesmente aqueles que não conseguimos ser aquele quem queríamos ser. E deixamos de enxergar aquilo que somos, só estamos interessados nas projeções que criamos de nós mesmos. Por isto meu interesse em analisar a percepção de realidade das pessoas.
Lucien Freud, neto do Sigmund, foi um artista da pesada. Seu grande tema foi retratar pessoas nuas. Ele dizia a nudez não seria mais nossa natureza. Somos aquilo que criamos, que montamos. Por isto fica evidente nas telas de Lucien Freud o constrangimento de seus modelos. Há um profundo constrangimento em apenas ser. Não há espaço para sermos menos do que projetamos, ou o que os outros projetam em nós.
Quando foi a última vez que você se olhou nu (e a olho nu) no espelho? Imagino que a vez que isto aconteceu você ficou procurando defeitos, algo perdido, que deveria estar num lugar esperado e não está. Algo que precisa ser melhorado, para que possamos oferecer ao mundo aquilo que tentamos vender, mas não conseguimos entregar.
Acho que deve ser tão difícil conseguir olhar para o espelho e simplesmente se enxergar tal como você é quanto conseguir fazer uma aula de Yoga e passar uma hora sem pensar em nada.
Olhar, e simplesmente olhar, já não é natural para nós.
A maioria das pessoas vê uma entre duas pessoas: Ou alguém melhor que você ou alguém pior que você.
É muito difícil conseguir enxergar aquele alguém que somos. Ou nos vemos cheios de cicatrizes ou enxergamos uma versão melhorada do Brad Pitt.
Com o hiper narcisismo do consumo e das redes sociais, acabamos vivendo coletivamente um transtorno bipolar. Dificilmente nos desnudamos e enxergamos a nossa essência frágil humana. Somos grandes consumidores, poderosos, ou somos simplesmente aqueles que não conseguimos ser aquele quem queríamos ser. E deixamos de enxergar aquilo que somos, só estamos interessados nas projeções que criamos de nós mesmos. Por isto meu interesse em analisar a percepção de realidade das pessoas.
Lucien Freud, neto do Sigmund, foi um artista da pesada. Seu grande tema foi retratar pessoas nuas. Ele dizia a nudez não seria mais nossa natureza. Somos aquilo que criamos, que montamos. Por isto fica evidente nas telas de Lucien Freud o constrangimento de seus modelos. Há um profundo constrangimento em apenas ser. Não há espaço para sermos menos do que projetamos, ou o que os outros projetam em nós.
Quando foi a última vez que você se olhou nu (e a olho nu) no espelho? Imagino que a vez que isto aconteceu você ficou procurando defeitos, algo perdido, que deveria estar num lugar esperado e não está. Algo que precisa ser melhorado, para que possamos oferecer ao mundo aquilo que tentamos vender, mas não conseguimos entregar.
Acho que deve ser tão difícil conseguir olhar para o espelho e simplesmente se enxergar tal como você é quanto conseguir fazer uma aula de Yoga e passar uma hora sem pensar em nada.
Olhar, e simplesmente olhar, já não é natural para nós.
Etiquetas:
bipolar,
consumo,
espelho,
Lucien Freud,
nu,
Nudez,
pelado,
redes sociais
3.7.12
Shut Up! Ajudando os Pobres
Seguindo a minha saga de ser uma pessoa incapaz de fechar a boca, mais uma pequena história das bobagens que falo por aí.
Uma vez, quando trabalhava num colégio bastante elitizado, tive a oportunidade de conhecer a ONG responsável pelos projetos sociais de lá. Era semana de planejamento, todos os professores reunidos num salão, e uma senhora começou a falar:
- Antigamente, aqui na frente do colégio, era uma grande favela, com esgoto a céu aberto e muita miséria. Nossos alunos chegavam e tinha toda aquela pobreza, e resolvemos intervir. Começamos uma série de melhorias no local, blábláblá... (e foi listando uma série de atividades desenvolvidas ao longo do tempo).
Quando ela terminou, eu pedi a palavra...
- Gostaria de parabenizar o trabalho da ONG e o esforço, pois o resultado é espantoso! Posso ver que este tipo de intervenção funciona: Hoje o local mudou muito, pois os conjuntos residenciais são lindos, com excelentes apartamentos e áreas gramadas!
Os pobres tinham sido obviamente transferidos para outro local, com a expansão imobiliária na região, e, onde era uma favela, agora tinha prédio com apartamento de dez milhões de dólares e milhares de metros quadrados por unidade.
Nem preciso dizer que depois desta nunca me chamaram para fazer projeto social por lá...
Uma vez, quando trabalhava num colégio bastante elitizado, tive a oportunidade de conhecer a ONG responsável pelos projetos sociais de lá. Era semana de planejamento, todos os professores reunidos num salão, e uma senhora começou a falar:
- Antigamente, aqui na frente do colégio, era uma grande favela, com esgoto a céu aberto e muita miséria. Nossos alunos chegavam e tinha toda aquela pobreza, e resolvemos intervir. Começamos uma série de melhorias no local, blábláblá... (e foi listando uma série de atividades desenvolvidas ao longo do tempo).
Quando ela terminou, eu pedi a palavra...
- Gostaria de parabenizar o trabalho da ONG e o esforço, pois o resultado é espantoso! Posso ver que este tipo de intervenção funciona: Hoje o local mudou muito, pois os conjuntos residenciais são lindos, com excelentes apartamentos e áreas gramadas!
Os pobres tinham sido obviamente transferidos para outro local, com a expansão imobiliária na região, e, onde era uma favela, agora tinha prédio com apartamento de dez milhões de dólares e milhares de metros quadrados por unidade.
Nem preciso dizer que depois desta nunca me chamaram para fazer projeto social por lá...
2.7.12
Shut Up! A boa oportunidade de ficar quieto
Inaugurando a coluna Shut Up no meu blog! Sabe aquela belíssima oportunidade de calar a boca que você perdeu? Então, eu sou igual, várias vezes perdi o momento certo e resolvi falar alguma bobagem.
Quando eu morava com minha mãe, final da adolescência, tive uma conversa com ela. Na verdade foi um DR básico. Eu trabalhava, estudava e estava envolvido até a medula com Arte. Minha mãe, preocupada com este papo de Arte, me chamou um dia na cozinha:
- Filho, estou preocupada com seu futuro! Você fica fazendo teatro, tocando teclado, estudando artes plásticas, só vai ao cinema e exposições. Me diga: O que você faz de concreto?
Eu, infelizmente, não resisti...
- De concreto, mãe? Hummm, acho que de concreto mesmo eu só faço cocô...
Como era uma resposta inesperada, minha mãe sequer compreendeu o que eu tinha acabado de falar. Deu três segundos de cara de cachorro (com a cabeça virada para o lado, sabe?), levantou e nunca mais falamos sobre o assunto. Acho que foi a melhor resposta, acho...
Quando eu morava com minha mãe, final da adolescência, tive uma conversa com ela. Na verdade foi um DR básico. Eu trabalhava, estudava e estava envolvido até a medula com Arte. Minha mãe, preocupada com este papo de Arte, me chamou um dia na cozinha:
- Filho, estou preocupada com seu futuro! Você fica fazendo teatro, tocando teclado, estudando artes plásticas, só vai ao cinema e exposições. Me diga: O que você faz de concreto?
Eu, infelizmente, não resisti...
- De concreto, mãe? Hummm, acho que de concreto mesmo eu só faço cocô...
Como era uma resposta inesperada, minha mãe sequer compreendeu o que eu tinha acabado de falar. Deu três segundos de cara de cachorro (com a cabeça virada para o lado, sabe?), levantou e nunca mais falamos sobre o assunto. Acho que foi a melhor resposta, acho...
Subscrever:
Mensagens (Atom)










































