Let´s Go!

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6.5.13

O Mala das Redes Sociais - Conhece? Espero que não...

Foi dia destes que reparei: Tem gente que para afirmar sua personalidade precisa discordar de você.
Quanto mais ela fizer oposição, mais significará que ela existe. Em alguns casos mais radicais, ela precisa te destruir para poder existir.

No mundo real passei por isto faz um tempo. Primeiro a pessoa se aproxima, se torna íntima, e depois arranja uma maneira de te destruir. A sua existência é um atentado a existência dela. É tão insuportável ela se olhar no espelho que precisa de alguma outra pessoa que a personifique para depois eliminá-la.

Eu sei, eu sei. Qualquer pessoa com o mínimo de autoconhecimento sabe que no fundo a única pessoa que precisamos superar somos nós mesmos. Nem precisa de grande conhecimento, basta ter assistido Star Wars para entender o kit básico. Mas "entender" não tem nada a ver com sentir e expressar. São coisas diferentes. E é neste conflito que surgem pessoas destrutivas.

Como nas Redes Sociais não dá para ser absolutamente destrutivo (o pessoal está vendo, pega mal, tudo documentado pode dar processo, cana, etc), o ser destrutivo e inseguro se transforma no Mala das Redes Sociais.

Para exemplificar sem apontar para os outros, vou contar uma história que aconteceu comigo. Eu estava com dois amigos recém-ingressos na Faculdade de Filosofia tomando cerveja num boteco.
Os dois estavam animadíssimos. Parecia que ter entrado na Filosofia fosse como se alguém tivesse dado autorização formal para elaborar raciocínios abstratos e divagações intermináveis em nome do conhecimento. E os dois falando um monte de abobrinha, e eu entediado que só.
Num determinado momento percebi que poderia me divertir um pouco com a situação. Quando os dois, depois de um longo e tortuoso raciocínio quase estavam chegando a um consenso pretensamente filosófico eu cortava e dizia: "Não necessariamente". Aí os dois se olhavam e tinham de concordar comigo. E começavam a divagar novamente em busca de alguma linha de pensamento consistente.
Resumindo, fui ficando meio bêbado e soltando uns "Não necessariamente" a cada dez ou quinze minutos, o que obrigava os dois a reverem seus argumentos. Eles só perceberam que eu estava trollando o debate quando já estava praticamente debaixo da mesa de tanto rir.

Pois é.

Nas Redes Sociais sempre tem o Mala do "Não Necessariamente..." Você gosta de panquecas? Postou uma foto de uma bela panqueca? Ele vai comentar: "Não gosto de panqueca".
Você gosta de Rock Clássico? Ele vai dizer " Tenho dúvidas se Rock é realmente música".

Não dá para dizer que tecnicamente isto seja um diálogo. É só ele se contrapondo a você. Mais importante que debater, o que ele quer é discordar. Discordar para Existir.
Deve ser terrível olhar no espelho, entendo sua tristeza Mr Mala, mas vai encher o saco de outra pessoa...

5.5.13

Burocracia desenvolvida para te enlouquecer

Tive de ir resolver um problema na prefeitura, e depois desta minha experiência cheguei a conclusão que existem sádicos de verdade projetando a burocracia de uma cidade.
Como o posto de atendimento é único (um posto para todos os cidadãos paulistanos, que beira os vinte milhões de pessoas), fica tecnicamente impossível de atender todo mundo.

Ao invés de criarem mais postos de atendimento ou distribuírem postos por serviços (lixo é em tal lugar, IPTU em outro, etc), os caras criaram a máquina dos infernos para gerenciar o mundo de gente que vai lá.

A coisa funciona da seguinte maneira: Na triagem a atendente te dá uma senha, composta de letras e números. Esta senha não tem ordem cronológica, ou seja, o K490 não vem depois do K399. Dependendo da situação o K400 é chamado antes do K399. Mas você não sabe qual é a situação.

Somado a isto, existem várias outras letras iniciais, e um grande luminoso fica apresentando uma sequencia como A032, J890, B004, X123, e por aí vai.

Como nossa mente tenta criar sentido nas coisas, você fica observando aquele luminoso tentando entender em que posição você provavelmente estará, mas é impossível. E se deixar de prestar atenção pode correr o risco de perder a sua vez e ser jogado para o fim da fila (eu acho, ou deduzo, pois não há uma lógica no processo).

Conclusão? Fiquei duas horas olhando fixamente para aquele letreiro, como um sapo hipnotizado por uma cobra, sem poder sair, ir ao banheiro, decidir se vou embora ou não...

É um negócio maligno, quem arquitetou aquilo é um gênio do mal. Espero que não seja o mesmo que vai coordenar a campanha de algum candidato fascista, pois se for o cara ganha e a gente vira tudo zumbi...

2.5.13

Por que as mulheres rebolam?

Há uma explicação para as mulheres rebolarem.
A questão óbvia é obter a atenção do macho. Mas por quê o rebolado faz com que os homens parem tudo e fiquem observando?

Homens prestam atenção em alguns sinais. Aprenderam durante os últimos milhares e milhares de anos. Depois de observarem o rosto da mulher (identificando empatia a partir dos neurônios-espelho e do micro-gestos faciais), sua atenção irá direto para o quadril.

Existe uma proporção áurea no corpo da mulher que o homem calcula sem perceber, que está na relação do tamanho do quadril e a cintura. O cálculo deve chegar em 0,70 aproximadamente na relação entre o tamanho dos dois. Se a relação estiver mais ou menos neste número, os homens tendem a se sentir atraídos pela mulher.

Isto tem muita relação com a capacidade de procriar da fêmea, e os homens não calculam isto conscientemente, é uma coisa que acontece, herdada de gerações e gerações que evoluíram neste sentido. Os homens apenas sabem disto, e ponto.

E as mulheres também.

E por que rebolam então?

O rebolado aumenta o tamanho do quadril, e o movimento chama a atenção do macho. Acelera o processo de atenção, atraindo o olhar do potencial parceiro.
A mulher emite sinais, e o homem percebe.

1.5.13

É Possível Surgirem Flores no Pântano?


Não sou behaviorista, não acredito na proposta do Skinner que dizia que toda nossa personalidade depende de nosso ambiente. Se formos criados num lugar bom seremos bons, se formos criados de uma maneira ruim, seremos ruins.

Minha maneira de pensar é que nossa personalidade é construída num mix entre genética e ambiente. Não penso que seja 50/50, acho que varia de acordo com a pessoa, a época, o momento, etc,etc. Mas é inegável que o ambiente contamina nosso comportamento, mesmo que não percebamos.
Um exemplo (bobo) disto foi um dia que decidi parar de pintar em Preto e Branco e resolvi comprar tintas coloridas. Estava na loja e me encantei com um verde escuro, foi o primeiro pote que peguei. Quando cheguei em casa descobri que era exatamente a cor de uma de minhas paredes da sala.
Aquela cor estava impregnada no meu pensamento.

Descobri, através de um amigo, o trabalho de uma fotógrafa muito interessante, a Fabi Futata. Em um dos seus belos e instigantes álbuns, vi esta foto acima, que me chamou a atenção: um garoto com o dinheiro do Banco Imobiliário espalhado pelo corpo, óculos escuros na cabeça e um gesto muito interessante nas mãos. O que este gesto simboliza?

Simboliza Armas.

Já vi fotos de assaltantes exatamente deste jeito. Símbolo de status e poder, dinheiro e armas. E de bandidagem. Orgulho.

Quantos anos têm este garoto? Esta postura simbólica não é algo que vemos nos filmes, é algo que de vez em quando vemos nas redes sociais, ou nos noticiários policiais.
E aí vem o pessoal falar de "maioridade penal", como se isto resolvesse alguma coisa. O garoto mora numa ocupação, prédio abandonado, sem nenhuma condição. Se apega as referências que têm, ou que pode ter.

Ele é inocente? Pode ter sido, mas dificilmente continuará a ser sem que surja algum contraponto a esta visão de mundo que está impregnada na sua existência.

Isto vale para outros redutos existentes que a classe média "formadora de opinião" evita enxergar.
Internação compulsória de dependentes químicos? Para quê? Para tirar da rua este povo "feio e doente"?
Caminho todos os dias pelo centro de São Paulo e vejo inúmeros prédios abandonados e ocupados pelos Sem Moradia. Vejo ambulantes sendo retirados das ruas pela Polícia Metropolitana,  moradores de rua com problemas mentais vagando por uma sociedade que se diz plural, mas na verdade é cada vez mais monolítica, engessada e sem a mínima capacidade de absorver aquilo que foge de seus padrões estreitos.

Infelizmente acredito cada vez menos na possibilidade de surgirem belas flores no pântano. Acho que o lixo social vai gerar cada vez mais lixo social. E vejo poucas pessoas preocupadas de verdade com isto.

Agradeço a Fabi Futata por permitir que eu tenha usado sua bela, porém complexa fotografia em meu post.

29.4.13

Preste atenção nos sinais! Como nos enganamos e fazemos julgamentos equivocados...

Dia destes estava estacionando meu carro quando vi uma briga na rua, bem em frente ao estacionamento. Centro de SP tem de tudo, mas acho que foi a primeira vez que peguei dois caras se batendo.
Um rapaz jovem, negro, batia com gosto num senhor de cabelos brancos, que gritava "socorro, estou sendo assaltado".

O manobrista veio na direção do rapaz e começou a gritar, tentando afastar o agressor da vítima.

Eu olhava a cena de dentro de meu carro, a poucos metros, decidindo se saía ou não do carro. Foi quando eu reparei no olhar do rapaz que batia no idoso: O garoto parecia enfurecido, estava puto.

Foi quando pensei: Nunca vi um ladrão puto da vida. E este cara estava revoltado.

Alguma coisa estava acontecendo e não era um assalto...

Desci do carro e fui até o manobrista. Ele tentava enxotar o rapaz, e eu disse para ele que tinha alguma coisa errada. O "errado" era o outro, o rapaz tinha alguma coisa para contar.

Fui conversar com o garoto. Ele me disse que era Michê e fazia programa na região. E que o outro tinha combinado um programa, fizeram e depois o cara tentou fugir sem pagar falando que ia num caixa eletrônico pegar o dinheiro. Quando o rapaz percebeu o truque do idoso correu atrás dele e tentou reaver o dinheiro. Na briga o "cliente" começou a gritar "pega ladrão" e a confusão desandou de vez.

O "pobre velhinho" gritava: Vou chamar a polícia, seu ladrão!

Neste momento resolvi ir conversar com o velho. Perguntei para ele se precisava de ajuda, e ele disse que queria chamar a polícia. Na mesma hora respondi: Tem um trailer da PM cinquenta metros daqui. Acompanho o senhor.

Aí o assaltado desconversou... "Acho melhor esperar chegar uma viatura".

Eu pisei firme. "Faço questão de acompanhar o senhor! Até testemunho!"

E o velho enrolando... "Vou esperar a viatura passar..."

Nisto o bolo de gente se espalhou, o manobrista entrou com meu carro no estacionamento, e sobramos só eu, o Michê e o Espertalhão.

Chamei o velho num canto e disse: "Meu amigo, melhor pagar o que deve para o rapaz. Sabe por que? O manobrista já foi embora, a multidão dispersou, e eu estou indo para casa. Se o senhor não pagar o rapaz vai continuar apanhando muito... E com razão."

O manobrista no dia seguinte veio conversar comigo. Queria saber como descobri que o rapaz era inocente (entre várias aspas o inocente aqui)...

Esta é a maior dificuldade: Evitar, em algumas situações, o raciocínio intuitivo, muitas vezes baseado em padrões que não temos controle. Olhar a situação e tentar entender, sem julgar.
Na maioria das vezes é impossível. Mas desta vez deu certo....

A Nova Guerra Simbólica

Tudo é linguagem e simbólico. Não pensamos de maneira "objetiva", o subjetivismo prevalece, e é preciso aceitar isto.

As pessoas que estavam no World Trade Center em 11/09/2001 não tinham nenhum tipo de relacionamento direto com o Osama Bin Laden. Ele não as odiava, e por isto resolveu explodir o prédio.
Nem o prédio era o ponto mais interessante para atacar o modelo econômico americano, e as perdas, apesar de milionárias, não pararam com o capitalismo americano. As Torres Gêmeas eram um símbolo do capitalismo, como a Estátua da Liberdade também é um símbolo americano, de outra época e que simboliza outra coisa.

Mas o que simboliza a Maratona de Boston? Para mim esta é a pergunta mais complexa a ser respondida na explosão que aconteceu. Qual o sentido político, social, religioso, econômico que está embutido num evento geralmente associado a competição, esporte e saúde?

Por que este evento foi escolhido, dentre tantos outros, para ser objeto de um atentado?

Independentemente das explicações sobre quem fez o atentado (por sinal a história está muito mal explicada), a motivação me parece a grande incógnita.

Foram motivados apenas pelo fato de ser um agrupamento aleatório de pessoas? Pela vigilância reduzida? Pela cobertura jornalística mundial?
Honestamente acho simplório pensar nisto. Há mil outros eventos assim.
Guerras Simbólicas são guerras contra alvos que fazem algum sentido, que são antagônicos a princípios que regem um grupo, que têm crenças opostas e coisas do gênero.

Daí penso: E se realmente o simbolismo estiver no evento? No encontro de pessoas vibrando por entretenimento e saúde? Se a Guerra Simbólica tiver migrado de Objetos Físicos (templos, estátuas, prédios) e tiver passado para atacar Comportamentos? Atacar a Maratona enquanto Modelo de Vida, algo como se não fosse tão interessante explodir o prédio da Nike, e fosse mais importante explodir as pessoas que compraram a ideia que a Nike vende...

Sem querer ser profético, acho que o próximo atentado, se a lógica for esta, poderia ser numa Applestore ou na Disney. Tanto faz quem for faze-lo (o que sempre me parece estranho, como quando ativistas ocidentais pelos direitos dos animais atacavam os Mc Donalds ou em países não-democráticos baniam o consumo de Coca Cola).
De qualquer jeito o simbolismo continua, só que agora contra um jeito de levar a vida, focando nos seguidores, e não nos mentores deste sistema.

28.4.13

Sobre o Vídeo da Mulher sendo Decapitada no Facebook e os julgamentos

Uma das notícias mais comentadas nos grande portais nesta semana foi a divulgação no Facebook da decapitação de uma mulher no México. Parece que o vídeo continuou por um certo tempo no ar mesmo depois de muitos usuários terem denunciado como impróprio.

Para mim este vídeo suscita duas grande questões:

O Fascínio que temos pelo escabroso

Que a violência nos excita, em especial aos homens, todo mundo sabe. Mas há um apelo que o Nojo, o Desagradável, o Mórbido e o Repugnante nos traz. Existe inclusive um culto a isto, com nos filmes e games Gore americanos e japoneses. Quanto mais tripas, sangue e cabeças voando melhor. Tem a ver com o que chamamos de "curiosidade mórbida". O que gera repulsa curiosamente atrai. Se você digitar a palavra Gore no Google vai entender o que estou falando (e acho que existe uma grande chance de você querer fazer isto, é este o instinto a que me refiro).
Podemos criar uma série de justificativas para assistir ao filme, mas todas elas escondem uma curiosidade mórbida que movimenta os programas de noticiário e faz com que tentemos dar uma espiada no acidente que aconteceu no trânsito, gerando congestionamentos e ibope.

Só para lembrar, esta cultura vêm de longe, muito longe. No México podemos ver sobrepostas duas culturas que elevaram ao status de Culto a adoração mórbida: Os Maias e o Catolicismo. Sacrifícios Humanos são comuns por lá faz tempo, e quando os europeus trouxeram sua cultura apresentaram mais uma situação do gênero a ser cultuada.






A Violência no México gerou um Estado Paralelo Marcial

Para quem não sabe, a violência no México tem nome e sobrenome: Drogas para os Americanos. Milícias controlam com rigor e violência a região da fronteira e o domínio do tráfico. Há mais de uma década decatitações e outras formas violentas (e espetaculares, visando alertar e intimidar grupos rivais) acontecem, e nenhum governo consegue controlar.
Conversei com algumas pessoas que assistiram o vídeo no Facebook. Para quem assistiu o vídeo, chama a atenção o fato da mulher que está sendo morta não esboçar reação enquanto é brutalmente assassinada. Parece que ela aceita o fato. E este aceitar mostra claramente que a regra, por lá, é clara. Ela sabe o que fez e sabe por que está sendo submetida a isto. E isto, para mim, choca mais do que a parte sanguinolenta da história. Lembra um pouco outros casos no Oriente Médio, quando pessoas são apedrejadas em silêncio. Não apenas por constrangimento ou culpa, mas sim por saberem exatamente a regra, e quais as consequências de seu ato, por mais abominável que isto pareça para nós.
Questionarmos o Oriente Médio pelas suas atrocidades sem questionarmos as violências que acontecem na América decorrentes de uma demanda de droga para os americanos (e toda a complexidade do debate da discriminalização das drogas, etc) é no mínimo hipócrita de nossa parte.


25.4.13

Sempre existe um Ricardo III perto de nós. E é bom ficarmos atentos

Ricardo III é um personagem real da história inglesa, mas o personagem que Shakespeare criou a partir dele é um resumo de um tipo de gente que anda por este mundo afora.
(Se quiser saber mais da história, clique aqui)

Conhece alguém movido pelo rancor, pela inveja? Alguém que sabe que é menor, que é feio, que sua alma é feia, mas ao mesmo tempo é um profundo conhecedor do ser humano?

Este é o Ricardo III. Ele age nas sombras, não se mostra, sua ações aparentam bom senso e boa vontade, mas seus objetivos estão longe de querer bem o outro. Ele odeia o mundo que o desprezou, e odeia saber que é desprezível.

Este tipo de pessoa está em débito consigo mesma ( Já escrevi um post sobre Dívida Interna Pessoal). Ela transfere para o mundo sua mágoa, ela quer ver o circo pegar fogo, um pouco como Nero tocando lira e Roma em chamas.

Esta pessoa decide, num determinado momento, que não espera mais ser aceita por ninguém, que não fazem questão de serem amadas. Ela quer se vingar do mundo por não gostar de si mesma.

Uma vez Orlando Villas Boas me disse que na aldeia indígena existem dois personagens mágicos: O Feiticeiro e o Pagé (que é o filho do cacique e curandeiro da tribo).
O Feiticeiro é geralmente o homem mais feio da tribo. Na tradição, só as pessoas bonitas vão para o céu. A alma dos feios é comida pelos urubus quando tentam chegar no céu.

O Feiticeiro decide fazer seus feitiços e maldades pois sabe que não irá para o céu. É uma estratégia para que as pessoas o odeiem e queiram matá-lo, e assim ele se pinta todo para ficar belo e tentar ir para céu. Ele quer morrer, ele busca a morte.

Então, conhece algum Ricardo III? Eu infelizmente conheço vários, inteligentes, elegantes, ardilosos. Vez por outra deixamos uma pessoa assim entrar no nosso rol de amizades. E quando isto acontece, se prepare: O estrago vai ser grande.

14.4.13

Por que as mulheres fazem biquinho para tirar foto?

Já parou para pensar nisto? Raros são os homens que fazem biquinho para tirar foto, mas tem um monte de mulher que faz isto.
Pensemos no batom e no botox: Por que as mulheres não fazem preenchimento de... Orelha, por exemplo? Ou pintam suas Orelhas de uma maneira colorida e interessante? Qual a história com a boca?
Se você tem feito biquinho para tirar foto, minha cara fêmea, vale a pena lembrar que você está fazendo uma sinalização sexual, da mesma maneira que a fêmea primata entumesce sua vagina e fica mostrando para o macho. Sei que não é muito elegante ficar falando destas coisas para pessoas finas e requintadas, mas esta sinalização de entumescimento está totalmente associada a demonstrações sexuais das fêmeas.
Adoraria poder mapear o ciclo hormonal das fêmeas nas redes sociais e ver se há relação entre o período fértil e fotos com malabarismos bucais, mas como sou pesquisador cognitivo pobre, e programadores são bichos caros, acho que no momento vai ficar na suposição...
(Por sinal se você publicou fotos suas fazendo biquinho, mande comentários para validar ou não minha hipótese do período fértil, vou agradecer, mesmo se estiver errado.)
De qualquer jeito, é divertido pensar que toda mulher contemporânea ao fazer biquinho está fazendo a mesma coisa que uma chimpanzé peluda mostrando a bunda. Permite a gente pensar o ser humano de uma maneira diferente, menos distante das coisas básicas e primitivas.
PS - E só para lembrar, falando em nome dos primatas machos: Continuamos olhando atentamente biquinhos!

8.4.13

"A Gente é Gente Assim"

Quando ia para a academia vi o carrinho do milho ser colocado na caçamba da Guarda Civil Metropolitana. Sem licença, o dono nem reclamou.
Ao lado do carro da polícia uma fila enorme de pessoas uniformizadas, todas com malas grandes. Esperando um ônibus de turismo fretado. O motorista do ônibus estava pedindo informações para um dos guardas por sinal.
Fui conversar com os guardas: Por que o carrinho do milho foi apreendido?
Não tinha licença, disseram eles.

E o ônibus? Que está usando o espaço público de maneira irregular, como se fosse ponto? Os ônibus, gigantes, atrapalham muito mais a vida dos moradores aqui do centro do que o cara do milho.

Não é nossa responsabilidade, disse o guarda. É com a CET.

E vocês não podem fazer nada?

Não, mas se procurar a Polícia Militar ela pode acionar o CET e fazer sua queixa.

Fui até o trailer da PM, no meio da praça, 100 metros do local.

Perguntei para os policiais com quem devia falar. Eles disseram que o problema é com a Guarda Municipal que devia agir nestas situações.

Nas duas situações a sensação que passa é que você é um chato de galocha que está atrapalhando a vida deles. Um olhar de "lá vem mais um chato". Dureza.

No final do dia fui buscar minha filha no Ballet. Quando estava perto de deixa-la em casa um carro na minha frente atropela um ciclista. O ciclista levanta e reclama. Ao tirar a bicicleta da frente do carro o motorista acelera e vai embora. Vou atrás do cara e junto de outro carro fechamos o infrator e fazemos o cara voltar para socorrer o ciclista. Quando abre a janela era um senhor de mais de 75 anos de idade, com cara de "lá vem mais um chato". As netas, dentro do carro, entediadas com a situação. Conseguimos fazer o cara voltar e socorrer o ciclista.

Entro no carro. Minha filha me olha, fixamente.

"A gente é assim, filha. A gente é gente assim".

5.4.13

Bill Murray e a arte de não saber o que está acontecendo

Antes que alguém pergunte "O Bill Murray morreu?", é bom avisar que tenho minha própria linha do tempo, independente do Timeline do Facebook, quase todo orientado para o passado e uma digestão recente de acontecimentos. Não, o Bill Murray não morreu, pelo menos até o momento em que escrevo estas linhas.

Existem inúmeros estilos de cômicos, e Bill Murray faz parte de um estilo que têm poucos representantes, é uma coisa meio rara de aparecer. Ele faz de um estado de semi-dormência uma arte.

O que é este estado de semi-dormência?

Você já viu algum dos filmes "Se Beber não Case"? Os personagens tentam resolver situações que aconteceram no dia anterior depois de terem tomado um porre tão grande que não se lembram de nada. E daí vão procurar pistas do que pode ter acontecido na noite em que estavam totalmente bêbados.

Você já acordou numa situação estranha e ficou olhando e pensando "Onde eu estou? O que está acontecendo? Como vim parar aqui?"

Quando não distinguimos claramente o que está acontecendo é o que chamei de semi-dormência. E a consequência disto é um estranhamento da realidade que nos cerca.

Numa boa parte dos filmes que o Bill Murray atuou ele está nesta situação. O mundo está desabando e ele lá no meio.

Mas a genialidade e a graça estão justamente na maneira como ele se comporta nestas situações.
Se na série "Se Beber não Case" os personagens aparentam evidente constrangimento com o comportamento do dia anterior e estão preocupados em como reorganizar as suas vidas, seja encontrando algo ou alguém que desapareceu ou mesmo eliminando vestígios do que fizeram, os personagens (ou "o" personagem) de Bill Murray simplesmente continua a sua vida no meio do caos que está no seu entorno.
E você pensa: "Será que em algum momento ele vai acordar para a situação e perceber o que está acontecendo?" E ele curiosamente continua em seu sonambulismo existencial, seguindo um script mas não entendendo nada do que acontece.

É uma questão muito especifica, uma falta de noção do entorno que nos faz rir, e que Bill Murray transformou numa espécie de arte. Há algo de Buster Keaton nisto, e são poucos que sabem mostrar isto na tela. Talvez quem tenha melhor percebido issto foi Sophia Coppola (minha prima distante, acredite se quiser) com o filme Encontros e Desencontros (Lost in Translation).
Você imagina outro ator fazendo este filme?


3.4.13

Dívida Interna Pessoal - Sabe o que é?

 Quando convivemos com os outros, ou seja, o tempo todo (a não ser que você seja um eremita numa caverna isolada com conexão 3G ) convivemos com a Dívida Interna Pessoal delas e a nossa.

Ninguém é maduro o suficiente para resolver todos os problemas do passado. Muitas vezes temos de conviver com eles, e em muitas situações eles nos assombram.

Do ponto de vista que enxergo as coisas hoje chamo isto de Narrativas Ficcionais, um pouco influenciado por alguns Heideggerianos e o papo da Dasein Análise. O que são as Narrativas Ficcionais? Histórias que criamos gradativamente e se consolidam na nossa imaginação ou memória.

Somos felizes ou tristes, amargurados ou bem-resolvidos pela maneira com que observamos nossas Narrativas Ficcionais. Nos apegamos a determinados elementos do passado e construímos histórias, valores e referências para o mundo que vivemos hoje. Até aí normal, mas como o próprio nome diz, elas são ficções, não foram reais no momento em que vivemos e não são reais agora, mas são nossos parâmetros.

Tenho uma amiga muito querida que me disse uma vez sobre perdão: "Não procurei o perdão dos outros, procurei me perdoar". De certa maneira "se perdoar" é fazer as pazes com histórias que muitas vezes não digerimos no passado e que estão assombrando o nosso momento presente.

Quando não digerimos ou "reconstruímos" nossas histórias, elas se tornam nossa Dívida Pessoal Interna. Ficamos em débito conosco, devemos algo por termos evitado olhar para questões pessoais que deveriam em algum momento serem encaradas.

Infelizmente obrigamos as pessoas ao nosso redor a conviverem com estas questões, faz parte. Mas como elas são nossas histórias, e não necessariamente os outros vão entender. E daí podem surgir conflitos e mal entendidos.

Vale a pena reinventar nossas histórias do passado, sempre. Ela não são fixas, ela são dinâmicas, e nossas narrativas também podem ser. Se não fizermos isto, nossa dívida só aumenta.

2.4.13

Qual versão você prefere? Dave Brubeck, Trio Los Panchos ou Ray Conniff? Besame Mucho...

Uma das belezas da música é esta: Sempre dá para fazer uma nova versão, e outra, e outra.

Besame Mucho tem milhares de versões. Selecionei três para ouvir, gosto de todas. Ou, pensando melhor, três caras diferentes dentro de mim gostam de cada uma delas. Ouça! Música pode ser um sentido para a vida, na ausência das verdades.




Por que você deveria ler Religião para Ateus, do Alain de Botton

Caso você seja ateu, agnóstico, tenha fé mas não religião ou seja de uma corrente religiosa moderada ou que aceita a diversidade de credo, seria muito bom que você lesse o livro Religião para Ateus, do Alain de Botton.
Diferentemente do Richard Dawkins, que está numa cruzada contra a religião, Botton se propõe a analisar o que a Religião tem de bom. Não do ponto de vista de seus dogmas e crenças, mas sim nos milhares de anos de desenvolvimento de técnicas de propagação de ideias, organização e tudo o mais. Nisto os religiosos são imbatíveis.
Botton acredita que existem valores sociais que ateus e não-religiosos poderiam disseminar usando as mesmas técnicas que as religiões usam, e que não necessariamente entram em conflito com os princípios religiosos, mas organizam a maneira de disseminarmos questões que são relevantes para um grupo de pessoas sem a organização dos religiosos.
Um belo exemplo que ele deu na palestra na Sala São Paulo é um Templo do Amor. Por que não criar um templo dedicado ao amor, onde as pessoas pudessem frequentar e fosse um espaço para a reflexão e a vivência deste sentimento tão caro a todos?
Há outros inúmeros valores que os grupos nas Redes Sociais clamam, mas de maneira desorganizada. E as Redes Sociais não são Redes Sociais, a experiência de "rede" do Facebook é solitária, as estruturas coletivas ainda são embrionárias e orientadas para negócios.
A leitura de um livro como este ajudaria na reflexão sobre como pessoas não-religiosas podem se organizar em torno de questões que vivenciam e acreditam. Fica a dica.

27.3.13

Caro Coelho da Páscoa: Diga para seu chefe que não vou dar dinheiro para ele este ano

Querido Coelho da Páscoa da Indústria Brasileira que gosta de ganhar muito, muito dinheiro nas datas comemorativas,

Não vou comprar ovos este ano, e ponto. A partir de agora as pessoas ao meu redor vão ter de se acostumar que o mercado não define o que eu vou comprar, mas sim eu defino. Não quero mais entrar neste tipo de arapuca em nome de uma data religiosa.

Na época de Cristo coelho botava ovo? Cristo falou "Abençoado seja o ovo marrom que sai de dentro do coelho"?

O sentido simbólico da Páscoa é a Renovação, muito mais antigo que o cristianismo ou o judaísmo, herança pagã que celebra o final do Inverno e a entrada da Primavera. É o Florescer que se celebra, as plantas desabrocharem, a beleza cíclica da vida.

Apesar de ser a entrada do Outono no Brasil (diferente do hemisfério norte), a celebração da Renovação é um rito lindo, e vou comemorar com os queridos. Mas não vou pagar centenas de reais para isto. Mesmo sendo chocólatra. Cansei do abuso deste modelo do mercado brasileiro que mais parece um cartel do que livre concorrência. Os preços só sobem, e sabe por que? Porque todo mundo compra.

Pois eu não vou comprar. Simples assim. Vou é celebrar a renovação da vida, vou agradecer as coisas misteriosas que não compreendemos e a dádiva de estar vivo e compartilhar as coisas boas da vida. E isto dá para fazer sem entrar no jogo do mercado.

26.3.13

O Pastor Marcos Feliciano representa (sim) muita gente!

Esqueçamos a troca de cargos e a permissividade dos partidos. Esqueçamos também as questões de corrupção e abusos.
Todas as questões acima podem ser usadas para criticar qualquer político e partido do Brasil, portanto são genéricas e endêmicas.
Não é isto que está em questão.
O Pastor Marcos Feliciano está sendo julgado por assumir um cargo tradicionalmente oferecido para minorias e perseguidos políticos. Foi a fatia que o PSC obteve nas trocas de cargos dos jogos de poder.
(Também vejo como muitos uma contradição existencial do Pastor, ao depilar as sobrancelhas e alisar o cabelo pixaim, numa vaidade complexa e negação de sua identidade, seja lá qual for. Mas acho que esta contradição não se restringe a ele, mas sim a todas as mulheres que fazem chapinha, todos os caras que tomam anabolizantes, clareamento de dentes, Camaro amarelo, e por aí vai)

O que questiono é que a perseguição do Pastor tenha embutida uma postura preconceituosa em relação àquilo que ele representa: Sua classe e seu papel social.

Ele é definitivamente uma liderança emergente, no papel de Pastor, é uma celebridade em seu meio. Faz o que outras lideranças como Edir Macedo e muitos já fizeram. O púlpito é um canal de comunicação para disseminar sua mensagem, obter seguidores e consolidar seu grupo. Mas este grupo, quem é?

Óbvio que este grupo é uma elite que gerencia um grupo maior e obtém privilégios de seus seguidores. José Dirceu incitou a juventude socialista a sair nas ruas em defesa de sua honradez e inocência alegadas. A Marcha da Família por Deus foi uma resposta à Parada Gay, ambas gigantes e poderosas.

Aparentemente O Pastor Marcos Feliciano é um tradicionalista, quando defende valores como Tradição, Família e Propriedade, como Plínio Correia de Oliveira da TFP.

Se ele foi escolhido para o cargo pelo seu partido (Social e Cristão), imagino que o partido pretenda uma projeção potencial desta liderança para que consiga mais espaço no governo ou se candidatando a novos cargos públicos.

O atual Presidente da Comissão de Direitos Humanos representa sim muita gente: A grande massa de evangélicos saídos da periferia, de baixa escolaridade, que busca na comunidade religiosa um espaço social que perdeu ou que nunca teve. E que tem sim valores tradicionais e ambíguos, como a própria imagem do pastor.

O que as pessoas querem? Que eles voltem para o seu devido lugar? Qual é o lugar "destas pessoas"?
Não está na hora de aceitar que grupos democraticamente representados tenham espaço, algum espaço na gestão? Ou eles só podem participar em alguns lugares, e em outros não? Tem certeza que você pensa assim? A imagem da faxineira proibida de subir pelo elevador social vêm imediatamente na minha cabeça...

"Mas ele é retrógrado, preconceituoso, racista", alguns dizem. Eu não tenho nenhuma simpatia por ele, não conheço seu trabalho e não sou religioso, mas fica a pergunta:

Você ainda não tinha percebido que nosso mundo está deste jeito faz tempo? Foi só agora? Jura?

25.3.13

Você tem medo de andar a pé? Bem-vindo à Classe Média!

Tenho reparado como a Classe Média se desacostumou a andar por São Paulo. Acho que ela anda de carro faz tanto tempo que já não sabe o que é encontrar outras pessoas sem buzinar ou querer passar por cima.
Se dentro do carro a Classe Média parece poderosa, nas calçadas fica visível a sua fragilidade. Não olha poderosa, arrogante, mas com medo. Na verdade aparenta verdadeiro pânico de ter de encontrar com estranhos...

Curiosamente a Classe Média não aparenta este medo quando passeia no Shopping, parece estar bem à vontade, mesmo com a presença da nova classe, a emergente que é chamada de Nova Classe Média, mas que em nada se parece com a Velha Classe Média, apenas no desejo de consumo.
Ha um certo incômodo da Classe Média com o "Pessoal da Comunidade" frequentando aeroportos, Shoppings e destinos turísticos, mas como ela ainda se considera superior, enxerga esta presença mais como parasitária do que como ameaçadora. Nenhum pobre com dinheiro é ameaça, ele pode ser rotulado como "emergente"  e tornado digno de ironia, é um "povinho desqualificável" sob os olhos da Classe Média. A Marilena Chauí definiu bem o cenário neste vídeo, um pouco longo (23 minutos), mas que vale a pena.


Mas na rua a coisa muda. Como a Classe Média perdeu o convívio democrático com pessoas "diferentes", tudo se torna ameaça.

Quer fazer um teste? Vá na direção de um casal que anda pela rua que verá o pânico brilhar nos olhinhos deles. Basta isto.
Para mim é o reflexo da auto-exclusão consolidado em muitos anos de condomínios privados, escolas segmentadas por renda, clubes e tudo o mais que tem a palavra Exclusivo. Num primeiro momento o Exclusivo pareceu ser atraente e VIP. O resultado? a Classe Média tentou tanto ser Exclusiva que acabou se excluíndo do mundo ao seu redor.
Alienação é pouco.

18.3.13

Quer uma cidade melhor? Seja Corrupto!

Vi uma discussão muito interessante sobre os novos pontos de ônibus de SP num artigo de um urbanista. O uso de vidros seria inadequado, não precisaria ter trocado os antigos, mas sim melhorado, etc, etc. Aí tive uma ideia: Será que não seria melhor termos mais opções para resolver os problemas da cidade?
Não entro no mérito dos pontos de ônibus, pois não tenho conhecimento suficiente da situação, mas tá cheio de coisa sendo mal feita por aqui, faz tempo... Será que não é falta de opção de contratação?
Explico:
Hoje a cidade (e o país) chegou num grau de corrupção impressionante. Virou um problema endêmico. Pode entrar a pessoa mais honesta do planeta na prefeitura que a engrenagem vai rodar sozinha. Não vejo perspectiva de mudança para as próximas décadas a não ser na base da AK 47 (alô afegãos? alguém disponível?).
Empresários que prestam serviços para a cidade inevitavelmente vão trombar com uma situação de negociar uma caixinha, que de "caixinha" não tem nada, está mais para maleta. É coisa que vemos todo o dia, bem ao estilo do Mensalão Federal, tirando dinheiro público com objetivos privados.

Mas... se existissem mais empresas corruptas, mais profissionais qualificados que aceitem oferecer suborno para ganhar concorrências, que não se sentissem ofendidos com a corrupção, a quantidade de bons profissionais disponíveis neste grupo aumentaria, e teríamos mais chance de obtermos melhores serviços para a cidade. Fazendo com que os corruptos continuem ganhando a sua parte, por que eles não contratariam um profissional melhor? Ia pegar bem para eles, e na hora do leilão da caixinha os corruptos precisariam levar em conta também alguns aspectos, analisando projetos semelhantes que oferecessem o mesmo valor dentro da mala...

Se você é um bom profissional e quer ver sua cidade se tornar melhor, será que não está na hora de aceitar a corrupção e deixar de pudores éticos? Enquanto você continuar a não dar dinheiro para a máquina os serviços vão ser feitos pelos mesmos caras de sempre. O que a engrenagem pede não é novas ideias, ela só precisa da graxa para rodar, ou melhor, da grana. No fundo, são seus pudores que fazem com que SP não continue a crescer. Pense nisto!


11.3.13

Sobre os Monstros e o Julgamento de Cima do Banquinho

Domingo foi um dia em que a Monstruosidade reapareceu. Nem sempre ela aparece, não são todos os dias que convivemos com ela, mas de vez em quando ela ressurge.
Desta vez foi na forma de um atropelamento na Avenida Paulista. São Paulo vive um pseudo-encanto com o ciclismo, todos querem andar de bibicleta, as longas ciclovias levam alegremente a classe média até a cracolândia, onde famílias felizes se "apropriam" do centro velho passeando de bike rodeadas de nóias e moradores de rua.

No domingo de madrugada um jovem de classe média (provavelmente voltando da balada e alcoolizado) atropelou um jovem de classe baixa que ia pela ciclovia trabalhar. Não vou entrar em detalhes, mas se quiser saber tudo clique aqui.

Esta colisão de mundos gerou uma situação chocante: Um jovem de classe média se torna um monstro, capaz de fazer coisas inimagináveis, deixa de ser humano, (alguém que era como "nós") e numa sequência de ações surpreendentes passa a ser uma aberração.

Para mim é um caso de descontrole, total falta de condição de saber o que seria o certo e o errado. Foi isto que levou o motorista a fazer o que fez. Ninguém está preparado para uma situação destas, e ele entrou numa espiral que o levou a agir assim.

Mas isto não é o que a maioria das pessoas pensa. Quando elas vão julgar os atos dos outros sobem num pequeno banquinho, e de lá fazem seus discursos do que é certo e errado, sempre do ponto de vista "ideal". E hoje as redes sociais são recheadas de pequenas pessoas em cima de pequenos banquinhos, olhando de um ponto de vista perfeito e julgando os outros. O universo opinativo parece adquirir força com o distanciamento que o virtual têm na sua essência.

Vá falar nas redes sociais alguma coisa em defesa deste motorista e perceberá a fúria das pessoas em seus banquinhos. Apesar de nenhuma delas ter conhecido ninguém que passou por algo semelhante, e nem elas terem passado por algo parecido, todas têm certeza que agiriam perfeitamente naquela situação: Parariam para socorrer uma pessoa destroçada (por elas), pegaria os pedaços desta pessoa no meio de uma poça de sangue escuro e espesso, colocariam dentro do carro, esperariam a polícia chegar no hospital, estenderiam as mãos e diriam: "Seu guarda, eu pequei! Fiz o mal para este desconhecido, estava alcoolizado. Me leve para uma cela junto do pessoal do PCC, junto de matadores e estupradores por alguns anos pois mereço a punição. Estou em pleno juízo, apesar de bêbado e de ter destruído a vida de uma pessoa meia hora atrás..."

Parece que quando a gente sobe no banquinho, ao invés de ficarmos maiores, ficamos menores, perdemos nossa humanidade e esquecemos que Monstruosidades podem acontecer também com a gente, e não acontecem só com os outros...


6.3.13

Em busca de uma compreensão do pensamento feminino

Uma pequena história de como pode ser complexo para um homem entender o pensamento de uma mulher. Uma vez fui levar minha filha ao cabeleireiro, e um dos caras que cortava o cabelo tinha os braços bem musculosos. Minha filha olhou e me perguntou: "Pai, se você faz tanta ginástica por que seu braço não tem as veias saltadas que nem a deste cara?"
Olhei para o meu braço e me senti meio murcho, nada Rambo... Tudo bem, faz parte da vida.
Aí resolvi pegar mais pesado nos treinos, aumentei os pesos, fiz mais academia, e um dia as veias do meu braço começaram a saltar.
Quando encontrei com minha filha a primeira coisa que fiz foi comentar: "Olha, as veias do meu braço estão saltando".
Na mesma hora minha filha disse: "Ai pai, acho horrível braço com veia saltada..."

Vai entender, né?