Caso você seja ateu, agnóstico, tenha fé mas não religião ou seja de uma corrente religiosa moderada ou que aceita a diversidade de credo, seria muito bom que você lesse o livro Religião para Ateus, do Alain de Botton.
Diferentemente do Richard Dawkins, que está numa cruzada contra a religião, Botton se propõe a analisar o que a Religião tem de bom. Não do ponto de vista de seus dogmas e crenças, mas sim nos milhares de anos de desenvolvimento de técnicas de propagação de ideias, organização e tudo o mais. Nisto os religiosos são imbatíveis.
Botton acredita que existem valores sociais que ateus e não-religiosos poderiam disseminar usando as mesmas técnicas que as religiões usam, e que não necessariamente entram em conflito com os princípios religiosos, mas organizam a maneira de disseminarmos questões que são relevantes para um grupo de pessoas sem a organização dos religiosos.
Um belo exemplo que ele deu na palestra na Sala São Paulo é um Templo do Amor. Por que não criar um templo dedicado ao amor, onde as pessoas pudessem frequentar e fosse um espaço para a reflexão e a vivência deste sentimento tão caro a todos?
Há outros inúmeros valores que os grupos nas Redes Sociais clamam, mas de maneira desorganizada. E as Redes Sociais não são Redes Sociais, a experiência de "rede" do Facebook é solitária, as estruturas coletivas ainda são embrionárias e orientadas para negócios.
A leitura de um livro como este ajudaria na reflexão sobre como pessoas não-religiosas podem se organizar em torno de questões que vivenciam e acreditam. Fica a dica.
Let´s Go!
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26.11.12
É possível sumir?
Os números variam, mas muitas pessoas somem sem deixar rastros todos os dias. Numa matéria de jornal o número é de onze por dia só no Estado de São Paulo. Mas estes números incluem pessoas que foram sequestradas e mortas. O que estamos falando aqui é de pessoas que desistem da vida que levavam e tentam desaparecer, reinventar sua vida.
O caso mais recente é do cantor Belchior, que um dia largou o carro no aeroporto e não deu mais sinal de vida. Foi encontrado pela mídia no Uruguai, e agora dizem que está devendo dinheiro para hotéis daquele país.
Acho que sonhar com sumir não é anormal, mas realizar esta vontade deve ser para poucos. Do ponto de vista da dificuldade e do total desenraizamento daquilo que foi construído até aquele momento da vida.
As poucas entrevistas que li com pessoas que resolveram desaparecer não dão grandes explicações. Imaginamos estas pessoas com problemas sérios, ameaçadas, tensão. Mas o que elas relatam é algo mais subjetivo, sem grandes explicações. Há algo dentro delas que faz com que decidam ir embora, largar tudo.
Minha experiência pessoal com isto foi bastante dura. Um dia ouvi de meu pai que tinha sido tão difícil gerenciar a situação da separação com minha mãe que ele decidiu num determinado momento que não tinha mais filhos, e foi viver a sua vida. Naquele dia andei uns dez quilômetros para poder digerir a frase. Posso dizer que entendo o que as pessoas sentem quando um parente resolve desaparecer. Mas não culpo ninguém de desejar isto.
Curiosamente podemos reinventar nossas vidas a cada dia, não há nada que nos impeça de simplesmente mudar, rever aquilo que acreditamos e fazemos, reinventar nossos relacionamentos, tudo. Sabemos que podemos fazer isto, mas o mundo que está construído ao nosso redor parece muito mais poderoso do que nossa existência. E moldamos nossa vida ao mundo. Fica uma sensação de não-plenitude do viver.
Será que sumir resolveria? Não tenho muita certeza. Me lembro imediatamente de um ótimo trecho do livro A Arte de Viajar do Alain de Botton onde ele resolve sair de férias para esquecer de tudo ao seu redor e quando chega ao local paradisíaco que escolheu percebe quetodas as suas preocupações foram junto dele. Não dá para tirarmos férias de nós mesmos...
Será que sumir resolveria? Não tenho muita certeza. Me lembro imediatamente de um ótimo trecho do livro A Arte de Viajar do Alain de Botton onde ele resolve sair de férias para esquecer de tudo ao seu redor e quando chega ao local paradisíaco que escolheu percebe quetodas as suas preocupações foram junto dele. Não dá para tirarmos férias de nós mesmos...
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