Let´s Go!

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25.3.13

Você tem medo de andar a pé? Bem-vindo à Classe Média!

Tenho reparado como a Classe Média se desacostumou a andar por São Paulo. Acho que ela anda de carro faz tanto tempo que já não sabe o que é encontrar outras pessoas sem buzinar ou querer passar por cima.
Se dentro do carro a Classe Média parece poderosa, nas calçadas fica visível a sua fragilidade. Não olha poderosa, arrogante, mas com medo. Na verdade aparenta verdadeiro pânico de ter de encontrar com estranhos...

Curiosamente a Classe Média não aparenta este medo quando passeia no Shopping, parece estar bem à vontade, mesmo com a presença da nova classe, a emergente que é chamada de Nova Classe Média, mas que em nada se parece com a Velha Classe Média, apenas no desejo de consumo.
Ha um certo incômodo da Classe Média com o "Pessoal da Comunidade" frequentando aeroportos, Shoppings e destinos turísticos, mas como ela ainda se considera superior, enxerga esta presença mais como parasitária do que como ameaçadora. Nenhum pobre com dinheiro é ameaça, ele pode ser rotulado como "emergente"  e tornado digno de ironia, é um "povinho desqualificável" sob os olhos da Classe Média. A Marilena Chauí definiu bem o cenário neste vídeo, um pouco longo (23 minutos), mas que vale a pena.


Mas na rua a coisa muda. Como a Classe Média perdeu o convívio democrático com pessoas "diferentes", tudo se torna ameaça.

Quer fazer um teste? Vá na direção de um casal que anda pela rua que verá o pânico brilhar nos olhinhos deles. Basta isto.
Para mim é o reflexo da auto-exclusão consolidado em muitos anos de condomínios privados, escolas segmentadas por renda, clubes e tudo o mais que tem a palavra Exclusivo. Num primeiro momento o Exclusivo pareceu ser atraente e VIP. O resultado? a Classe Média tentou tanto ser Exclusiva que acabou se excluíndo do mundo ao seu redor.
Alienação é pouco.

29.2.12

Godzilla é aqui!


Adorava os filmes e seriados de monstro que inevitavelmente destruíam Tóquio, aquela coisa do monstro ser de borracha com zíper nas costas e o cenário de papelão.
Ontem li que o maior medo do governo japonês quando a Usina Nuclear de Fukushima vazou era a total destruição de Tóquio, e aí eu pensei: Os seriados e os filmes refletiam um temor profundo dos japoneses, de que um dia a força motriz da civilização deles poderia ruir. 
Isto tem relação com a unificação do império japonês, com toda a sua cultura de clãs espalhados, guerras tribais e características culturais. Como na China e Itália, há pouco unificadas, e a África, ainda tribal.
Como os clãs japoneses deram espaço a uma cultura diversa porém centralizada, a perda do centro seria catastrófica, principalmente pelo fato de que os clãs não teriam condição de se reerguerem de maneira independente: Eles agora dependem da unidade.
Godzilla ou Fukushima são o pesadelo das culturas que passaram por um processo recente (do ponto de vista histórico) de unificação. Nada como um grande oponente, com a magnitude de Tóquio, para destruí-la.
Nada de novo, Tanathos versus Eros, Mal e Bem, e por aí vai. Mas que sempre existe um pesadelo horrível que complementa nossos melhores sonhos, existe. Não há como evitar.