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4.8.13

Empatia é um sentimento importante, mas é muito duro de sentir

Três situações muito desconectadas me fizeram refletir um pouco sobre a empatia. Do ponto de vista neurológico um fenômeno aparentemente regido pelos neurônios-espelho, mas que precisam de muito estímulo para construírem as redes neurais e referências. Só assim a memória poderá utilizar este recurso, que é tentar se colocar no lugar do outro.
É da empatia que saem o altruísmo, o aprendizado, a generosidade, o riso, a felicidade. Não é pouca coisa, nem de pouca relevância. São coisas fundamentais e que almejamos, pelo menos boa parte da humanidade, em nosso cotidiano.
Lembro do Kevin Carter, fotógrafo premiado de guerra, que registrou misérias pelo mundo afora, mas ficou conhecido pelas fotografias na África.
Lembro da parte final (e ficcional) de A Lista de Schindler, quando Oskar Schindler têm um sentimento de profunda tristeza quando pensa que poderia ter salvado mais judeus, que poderia ter tentado conseguir mais dinheiro.
Observo o estranho comportamento dos babuínos num Zoológico da Holanda que, de tempos em tempos, ficam em um estado de apatia,  paralisados, sem comer, sem fazer nada. E mesmo com todos os tratamentos possíveis não se sabe como resolver ( solta-los na África não é uma solução, querido ecochato. O pessoal vai comer os bichos, e a maioria vai morrer. Não há um ambiente adequado, intocado pelas mãos dos homens. O conceito de Santuário de Animais é uma derivação do Paraíso Cristão, e se bem lembram, Adão e Eva já comeram o fruto proibido, não dá para voltar atrás.)

E aí, quando vou na feira, comprar verdura, olho bem nos olhos das pessoas e vejo um mundo de pessoas cansadas, tristes, tensas, meio destruídas pela vida. Como os babuínos.

Kevin Carter se matou de depressão, ao ter registrado tantas mazelas e sofrimentos, não aguentou. Oskar Schindler (o ficcional) percebe que o mundo é grande demais para o cobertor que ele pode dar, e sofre por ajudar, ao invés de se sentir um herói.
Ao observar os babuínos percebemos que nossa capacidade de tentar manter a vida e o ecossistema é restrita, e que muito do que vemos hoje de fauna e flora não estará mais presente no planeta para a próxima geração.

Empatia aparentemente é algo que devemos valorizar, mas ela é um fardo terrível. Quem se preocupa com os rostos desolados ao andar pelo mundo sabe do que eu estou dizendo.

2.5.13

Por que as mulheres rebolam?

Há uma explicação para as mulheres rebolarem.
A questão óbvia é obter a atenção do macho. Mas por quê o rebolado faz com que os homens parem tudo e fiquem observando?

Homens prestam atenção em alguns sinais. Aprenderam durante os últimos milhares e milhares de anos. Depois de observarem o rosto da mulher (identificando empatia a partir dos neurônios-espelho e do micro-gestos faciais), sua atenção irá direto para o quadril.

Existe uma proporção áurea no corpo da mulher que o homem calcula sem perceber, que está na relação do tamanho do quadril e a cintura. O cálculo deve chegar em 0,70 aproximadamente na relação entre o tamanho dos dois. Se a relação estiver mais ou menos neste número, os homens tendem a se sentir atraídos pela mulher.

Isto tem muita relação com a capacidade de procriar da fêmea, e os homens não calculam isto conscientemente, é uma coisa que acontece, herdada de gerações e gerações que evoluíram neste sentido. Os homens apenas sabem disto, e ponto.

E as mulheres também.

E por que rebolam então?

O rebolado aumenta o tamanho do quadril, e o movimento chama a atenção do macho. Acelera o processo de atenção, atraindo o olhar do potencial parceiro.
A mulher emite sinais, e o homem percebe.

7.3.12

Os Demônios dentro de nós

Originalmente a palavra Daemon surgiu para definir a voz interior que temos, ou as vozes (no plural) que agem dentro de nossa cabeça. Enfatizo a questão plural, pois existem muitos dentro de nós. Alguns pesquisadores da área da Neurociência não conseguem definir dentro de um indivíduo apenas uma consciência, parece que há várias, da mesma maneira que também não é possível definir um indivíduo como uno, são vários dentro de uma pessoa. É confuso, mas é o que sabemos hoje. Talvez no futuro seja mais claro como isto acontece.
Estes indivíduos e estas consciências não são desdobramentos de nosso ego, como se existissem vários egos, são mais coisas, de acordo com os seguidores de Jung, discípulo de Freud. Há como uma fauna dentro de nós, e nem tudo é regido pelos nossos egos, há outras manifestações, que compõem este "ecossistema", que ainda podem e devem ser investigados.

Mas esta investigação esbarra num fator cultural importante, vivemos numa cultura monoteísta, que define uma "unicidade" das vozes que temos. Melhor dizendo, não devem haver "vozes", mas sim uma única voz dentro de nós, convergente a um único sentimento em relação a um único Deus.

Isto acaba afetando nosso modo de pensar, mesmo quando não somos necessariamente religiosos. Não há como negar que este ambiente "mono" acaba ajudando a construir um pensamento ou uma proposição de pensamento único, fortalecendo a imagem de que somos apenas um, e estamos conectados a outro "um" também. E assim acabamos evitando a dubiedade, a complexidade. Temos de ter um único pensamento, uma única opinião, não sabemos trabalhar com os conflitos interiores que temos e que deveriam ser parte de nós, não algo a ser extirpado.

A dubiedade não é uma situação instável a ser resolvida. Ela é parte de nós. E, sem ela, perdemos muito de nossa "fauna" interior de vozes, que discordam, que surpreendem e que nos fazem sermos o que somos. E se Deus não é um, e sim vários, porque nós não poderíamos ser vários também?