Let´s Go!

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7.4.12

Páscoa - A Verdade sobre as Teorias de Conspiração!

Sem receio de ser perseguido pelos terríveis ocultadores da Verdade, pelo Governo Americano, NASA, FBI e Cacau Show, falo em primeira mão sobre as verdades ocultas sobre a Páscoa. Se eu não voltar a postar em dois dias, aviso que posso ter sido exterminado pelos Iluminatti, ou pelo Ronaldo Nazário.


A conspiração contra o Tatu Bola - Antes da Ditadura Militar Brasileira o animal símbolo da Páscoa era  o Tatu Bola. A CNBB, junto do Papa Pio XII festejavam alegremente o renascimento de Jesus realizando o ritual de Tirar o Tatu da Toca. Pequenas bolotas de mandioca eram distribuídas para a população,que as enterrava nos jardins e esperava três dias para comer.  
Com a Ditadura, o Governo Americano resolveu fortalecer a presença cultural no Brasil e impôs que o símbolo da Páscoa deveria ser o Coelho, que refletia mais as expectativas que os americanos tinham de nosso país: Levado ao forno marinado no vinho, cebola e alho, ficaria uma delícia. De lá para cá, assumimos o Coelho como símbolo da Páscoa, e o Tatu foi totalmente esquecido.


Os conglomerados de refrigerante subsidiam a importação do Bacalhau - Para muitas pessoas comer Bacalhau na Sexta-feira Santa é uma tradição, um respeito a morte de Jesus. O que estes ingênuos não sabem é que a Coca Cola e o Grupo Alaor Trindade (donos das marcas Xamego, Arco Íris e Convenção) investem pesado na importação do Bacalhau Português (que na verdade é Norueguês). Por que? Ninguém sabe dessalgar o bacalhau, e todo prato com o peixe fica salgado, o que aumenta a sede de praticamente todos os brasileiros na Sexta-feira Santa. O consumo de tubaína e cola aumenta 343,5% nesta época. Garanto que você não sabia...


Patinhas de Coelho? Pegadas de OVNI, isto sim - A proliferação de contatos com ETs e os sinais deles espalhados pelas casas acionou a NASA, que teve a brihante  ideia de inventar a brincadeira de deixar pegadinhas de coelho na época da Páscoa (parece que é uma época onde vários contatos são feitos, há um grupo que jura que Cristo não ressuscitou, quem teria saído da tumba era ET, e que nossa Bíblia estaria cheia de passagens alienígenas.


Sobre o Ronaldo Nazário, prefiro não comentar. Acabei de receber uma mensagem SMS de um alto escalão do governo alegando que tem um dossiê sobre minha suposta participação no Village People. Apesar de garantir que é tudo mentira, a melhor estratégia agora é me silenciar sobre o assunto...




6.4.12

Projetos Inovadores para o Centro de SP!

Candidatos a prefeito, hora de se atualizar! Segue uma lista de projetos que cairão no gosto do povão que mora aqui no Centro de São Paulo. Garanto que farão o maior sucesso no horário eleitoral. Podem usar minhas ideias, nem precisa dar crédito.


Vale-Zumbi - Como toda hora temos de dar dinheiro para os Nóias que surgem do nada pedindo dinheiro no estilo Flanelinha do Apocalipse, por que não criar o Vale-Zumbi, um cartão que damos ao Nóia e ele pode levar imediatamente para o traficante? A distribuição, a preços populares, de máquinas de cartão de crédito aos traficantes vai digitalizar o comércio de drogas, que anda informal e caboclo, o pessoal troca até pacote de bolacha por pedra. Não está na hora do Brasil entrar no Primeiro Mundo? É nossa oportunidade!


Proibição do "Sãssa" - Uma das maiores chateações da população é entrar no Metrô lotado e todo mundo tentando sair na estação falando "Sãssa", "Sãssa", "Sãssa".O Aldo Rebelo podia encampar esta ideia, já que é profundo defensor do linguajar formal brazuca. Criaríamos a obrigação de falar "Com Licença", ou a pessoa simplesmente empurra as pessoas e sai, evitando aquela sensação de que estamos numa convenção de fanhos.


O Pula-Bosta - Um mix genial de estratégias, que resolve problemas de transporte criando mini-viadutos nas calçadas para que as pessoas evitem pisar em excremento humano. Como a quantidade é enorme, vai facilitar a vida dos vereadores, que adoram dar nome pras coisas. "Projeto Sola Limpa - Chegou o Pula-Bosta" pode ser o slogan. E a câmara dos vereadores teria o que fazer, dando o nome para todos estes viadutos. Assim pelo menos eles fazem alguma coisa.


Muita Multa - Para que investir em tanto guarda para ficar multando os carros se podemos fazer com que o próprio condutor faça isto? Definimos um kit básico de multas para cada cidadão, por exemplo, num mês o condutor precisa se multar por excesso de velocidade, no outro mês ele se multa por estacionar em local proibido, e por aí vai. Assim ele pode oficialmente fazer uma contravenção mensal, ele mesmo se multa e podemos economizar o dinheiro com o CET e com os Marronzinhos, já que a única coisa que eles fazem é multar os motoristas.


Churrato - Por que deixar livres estes vendedores de churrasco de gato, se cada vez vemos menos gatos pela cidade? Os churrasqueiros já cumpriram seu papel de retirar os gatos da rua. Agora é hora de investir no Churrato, que resolve o problema da fome e o da infestação de ratazanas pelas ruas numa tacada só (mas a tacada tem de ser bem na cachola do bicho, pois ele é resistente). É possível pensar num projeto casado com o Vale-Nóia, cada dois cartões ele troca por meio rato na brasa. Tiramos o dinheiro do traficante e alimentamos os pobres!

5.4.12

Muita Fé e Pouca Luta

No dia 03/04 tive a oportunidade de assistir ao magnífico show do Roger Waters, The Wall.
Foi, talvez, o show mais incrível que assisti, seja do ponto de vista da amarração do tema, da tecnologia utilizada, da Direção de Arte e da qualidade do som gerado pelo artista (em todos os sentidos).
Mas ficou a velha pulga atrás da orelha.


Vi no show uma multidão de classe média, todos de camiseta preta, calça jeans e botas, parecendo uniforme. Mas era roupa nova, arrumada, dava a sensação que aquilo era a versão roqueira de um terno, ou uma túnica a ser utilizada num ritual.
Quando as luzes se apagaram era possível ver milhares (não é exagero) de celulares filmando o show.
A platéia cantou todas as músicas do álbum, estava sintonizada com o espetáculo.


Paralelamente o show obteve bom resultado ao atualizar a metáfora do Muro. Trinta anos atrás (o filme é de 1982) o Muro era a parede política, o conflito armado que pairava nos resquícios da Guerra Fria, hoje ele é a exclusão gerada pelo capitalismo global e pelo terrorismo dos Estados. Um discurso abrangente e funcional, de fácil adesão. O mito do Estado que promove o terrorismo e a exclusão financiado pelas corporações é o complementar na área social do mito de Proteção à Gaia, promovido pelos Greenpeaces da vida, que agressivamente se posicionam contra os ataques à entidade abstrata chamada Natureza. É a figura do Satã Bipartido, ora desajustando o Equilíbrio Social, ora desequilibrando o Meio Ambiente ao violentar a Mãe Terra...


Imediatamente me lembrei da Carta a d´Alembert, de Rousseau, e no papel que todo aquele circo teria. Do ponto de vista político, o show é perverso, pois usa a alienação para criticar a alienação. Todos saíram satisfeitos de lá, ao deixarem extravasar seus sentimentos genéricos de revolta, ao usarem seus uniformes de rebeldia e gravarem seus filminhos particulares que nunca irão assistir, que servirão mais como amuleto mágico, resíduo da experiência mística.


Do ponto de vista metafórico, a figura do Professor, que no filme massifica os alunos (Hey, teacher, leave us kids alone!), que andam em fila, sem rosto, com uniformes, enquanto são levados para uma grande máquina de moer carne, agora se corporifica na figura do próprio Roger Waters cantando no estádio. E, pelo que vi, não havia ironia nisto, os papéis se misturaram e não há mais como separar um do outro.


Flutuando sobre a platéia havia um porco todo grafitado. No Brasil foi feito pela dupla Osgêmeos (atualmente muito criticada pela comunidade do grafiti e do pixo por terem "se vendido ao sistema", coisa que 90% deles pretende fazer, mas não conseguiu ainda). Nele estava escrito: Muita Fé e Pouca Luta.


Evidentemente, o show de Roger Waters é um local de Culto, de Fé, e não de mobilização para Lutar contra aquilo que estava sendo criticado... Tempos bicudos...


4.4.12

O Sucesso de "Para Nossa Alegria"

Para as pessoas que moram em outro planeta e as pessoas do futuro que lerem este texto (talvez ele seja o único texto que sobre no mundo digital e seja tratado como uma bíblia, a referência do passado e da civilização humana, quem sabe?), "Para Nossa Alegria" é um vídeo curto que fez grande sucesso durante pouco tempo no Brasil. Família humilde em cenário humilde, sorridente, cantando desafinado música religiosa.  Se quiser, veja o vídeo aqui.


Quais as razões para o sucesso? Elenco algumas:

  1. Sorriso Social exagerado - Alguns estudiosos, como o Paul Ekman, analisam as expressões faciais humanas, e uma delas é o Sorriso Social. Sabemos distinguir do Sorriso Espontâneo, pois o Social parece meio "forçado". É algo que você espera do atendente do McDonalds, mas não gostaria de ver no rosto de sua namorada quando a pede em casamento.
    Os dois garotos forçam tanto o Sorriso Social que ele parece plastificado, e no exagero, rimos.
  2. A Mãe Séria - Enquanto o vídeo se desenvolve, podemos passear nossos olhos pela imagem, e aí prestamos atenção na figura da Mãe, sentada no meio dos garotos. O contraste da seriedade dela com o Sorriso Social dos garotos gera o estranhamento, que prepara para o que vem a seguir.
  3. A Garota Desafinada - Quando a abertura acústica do violão termina, a família começa a cantar, mas aí o inesperado acontece: A Garota desafina que dói. É impossível de entender o que ela fala. O garoto e a Mãe cantam normalmente, como se aquela desafinação fosse normal. Mais estranhamento.
  4. O Garoto Solta a Voz! - O Garoto, no momento do refrão, solta a voz. E canta bem, com um belo sorriso no rosto. E, para brindar o estranhamento absoluto, a Garota tem um ataque histérico de riso. A Mãe, incomodada, se levanta e vai embora, como se o Garoto tivesse feito algo errado. O único cara que está fazendo direito é, na situação, aquele que está desagradando, motivo de chacota e de rejeição. É possível entrever a barriga mole da Mãe enquanto ela sai do foco, indignada. Para terminar, a Mãe passa com a vassoura na frente da câmera, resmungando alguma coisa.
É assim que surge o riso! E as pessoas se matam de ver pois o vídeo vai acumulando estranhamentos e situações inesperadas, até que a risada da Garota, a Mãe indo embora e o Garoto cantando geram o riso.

Por outro lado, eles se tornam heróis, e depois do vídeo, são convidados a participarem de programas de televisão e entrevistas.

Se tornam heróis por terem conseguido, mesmo que involuntariamente, romper a difícil camada que separa os anônimos dos populares na nossa sociedade de hoje. De uma maneira tão singela e despretensiosa,  conseguem deixar de ser massa e se tornar alguém.

1.4.12

Jogos Vorazes e a Difícil Arte de Crescer

Adultos certamente não entenderão a razão pela qual os adolescentes estão correndo desesperadamente para ver Jogos Vorazes nos cinemas. Quem assistir vai achar médio, com ritmo lento e uma mistura de George Orwell com Lady Gaga, anabolizado com um jeitão de BBB. 
Quem quiser ler a sinopse do filme, basta clicar aqui.
O filme trata de um ritual de passagem da juventude para a vida adulta, e o retrato mostra uma passagem sangrenta, difícil, onde poucos sobreviverão. Há enormes desigualdades sociais, romance e luta, mas a questão de encontrar um papel na sociedade e saber se posicionar se destaca.
Os adolescentes mergulharam no livro, e agora saúdam o filme como um fenômeno pós Harry Potter, uma trilogia a ser seguida.
O que eu pediria aos adultos em geral é que assistam o filme para ver como a garotada está encarando o ritual de passagem para o mundo adulto. O negócio é nervoso, tenso, agressivo. A sociedade com que se identificam e onde estão suas raízes está em colapso, e a que seria a sociedade almejada é de uma afetação kitsch, de sentimentos voláteis e emoções baratas, totalmente midiatizada.
O que vale a pena não é o filme ou o livro em si, mas parar para pensar na identificação que os adolescentes do mundo inteiro tiveram com ele. Assista e veja como hoje é difícil para os garotos enfrentarem o duro desafio de crescer.

30.3.12

Profissões não recomendadas

Depois de ter virado um fotógrafo maratonista, descobri que existem atividades que não são muito compatíveis. Toda hora eu tenho de parar de correr pois o olhar de fotógrafo chama a atenção para as coisas que a gente vê no trajeto. Enquanto der para conciliar, vou correndo, parando, fotografando e voltando para a correria...


Isto me lembra de um ótimo filme do Woody Allen, Um Assaltante Bem Trapalhão, que mostrava uma cena inesquecível, que (de acordo com o personagem) teria sido uma das razões de ele ter se transformado num marginal. Na juventude o personagem tinha tentado tocar numa fanfarra, e se desiludido, pois ele tocava violoncelo e tinha de ficar correndo com a cadeira para poder sentar e tocar, enquanto a fanfarra andava pelas ruas. 
Daí pensei que existem alguns mix de profissões que realmente não valem a pena. Eis alguns exemplos:


Cheirador de Suvaco e Gastrônomo
Fica difícil depois de uma sessão de verificar o odor do suvaco de um monte de gente entrar na cozinha e preparar um prato gostoso. Tudo vai ficar com um cheiro estranho, meio azedo, e para compensar o futum você vai encher a comida com temperos e aromas, o que vai deixar seus convidados praticamente drogados com o excesso de tempero...


Modelo e Apicultor
Além de não ficar necessariamente bonito com uma barba cheia de abelhas (só vai poder posar de cover do Marcelo Camelo), o risco de distribuir ferroadas (e angariar processos) num estúdio fotográfico é enorme!


Granjeiro e Dono de Pet Shop
Conflito básico, o que fazer? Cuidar do bichinho ou matar, depenar e temperar para comer? Fuja deste mix de profissões, altamente não recomendável


Dançarino e Carregador de Ovo da Lady Gaga
A grande questão neste mix de profissões é como sambar enquanto leva o ovo gigante, mas acho que é possível, se você estiver em boa forma física e a Lady Gaga não estiver com o vestido de Bacon, pois o cheiro pode ser intoxicante.

29.3.12

Distúrbios Mentais não justificam a maldade humana

Conheço muitas pessoas que convivem com distúrbios mentais, mas isto não significa que conheça profundamente o assunto, assim, me perdoem os super especialistas na área. No fundo a reflexão deste artigo é sobre a negação do Mal que vemos nas pessoas em geral. O Mal que habita o seu próprio coração.
Excluindo os borderlines, conheço dois comportamentos distintos: Gente que surta "do bem" e gente que surta "do mal". Sim, estou assumindo a questão binária Bem e Mal, falando sobre a questão subjetiva chamada Moral.
Tanto faz o transtorno, bipolaridade, esquizofrenia, depressão. Reparem: Há pessoas que sofrem quando estão fora de si e há pessoas que fazem os outros sofrerem quando não estão bem.
Da mesma maneira que as drogas, parece que a pessoa deixa cair algumas barreiras morais ao surtar e assim conseguimos enxergar melhor seu caráter (que obviamente não está relacionado ao seu distúrbio, são coisas totalmente distintas).
A mãe de um amigo meu é um bom exemplo. Ela tem surtos relativamente constantes mesmo clinicada. Não sei qual a razão ou qual o "rótulo" clínico, e nem interessam. Pois bem, quando ela surta geralmente sai pela rua, vagando pelo bairro, colhendo flores e brincando com os cachorros da vizinhança. Nunca vi nenhum comportamento agressivo ou prejudicial aos outros. Conheço muitas pessoas assim. E isto não significa que não sofram, ou que não estejam precisando de ajuda, mas de dentro delas não sai nada perverso, não há ataque aos outros.


Por outro lado vi muitas pessoas que quando surtam atacam as pessoas, parece que alguma maldade habita a pessoa, e ela se torna agressiva ou ardilosa. Um bom exemplo é um professor que conheci, que tinha comportamentos dignos de vilão de desenho animado quando surtava. O fato dele usar drogas constantemente também não ajudava, pois são um gatilho para surtos, e assim a maldade dele se tornava cada vez mais constante. Em surto, dedicava boa parte de seu tempo criando planos contra outras pessoas.


Todos temos maldades dentro de nossos corações, alguns não as expressam por controle. Controlam até... surtar, e quando surtam vêm uma avalanche de maldade em direção ao mundo.


Não acho que o surto seja o problema, mas sim a negação do Mal. Toda vez que negamos o Mal talvez acabemos encapsulando este sentimento. Se não aceitarmos nossas maldades, nossas imperfeições, o risco é de algum gatilho emocional ou físico disparar e despejamos aquele número enorme de sentimentos nos outros.


PS - Por favor, quem tiver mais informações sobre as razões pela qual numa situação de descontrole as pessoas tendem a expressar manifestações de maldade, agradeço comentários. Quero entender mais sobre o assunto e dialogar.

28.3.12

Ditadura da Beleza ou da Juventude?

Se formos interpretar os fatos à luz dos Neo Darwinistas, em especial Richard Dawkins, a culpa é de nossos genes que tentam ficar se reproduzindo para sobreviverem neste vetor que chamamos de ser humano. Homens e mulheres, cada um à sua maneira (homens buscando o maior número possível de fêmeas, e mulheres procurando um macho alfa, que possa garantir seu sustento enquanto passa vários meses de sua vida grávida e/ou cuidando dos filhotes) farão de tudo para que nossos genes sobrevivam e se perpetuem.
Portanto, nada mais óbvio do que as mulheres tentarem à todo custo se manterem atraentes, aumentando sua possibilidade de encontrar machos alfa. E, ao mesmo tempo, quanto mais atraentes, mais poderosas, e mais chances de se tornarem também fêmeas-alfa.


O discurso das velhas feministas, estilo anos 1960, não funcionaria, de acordo com os evolucionistas. Este fenômeno não seria algo "cultural", no sentido da Cultura Ocidental, que tem alguns milhares anos. O buraco seria mais embaixo, pois nossa cultura, nossa sociedade e nosso entorno mudou, mas nosso corpo continuaria o mesmo, sem alteração, há pelo menos quarenta mil anos. Isto significaria que o software humano estaria atualizado, mas o hardware seria muito antigo, regido por uma Bios (literalmente) da época das cavernas. Temos nesta situação um discurso de superfície contemporânea, mas a essência da questão da beleza estaria na tentativa da mulher se manter o mais atraente possível pelo máximo de tempo que conseguir, pois esta seria a estratégia de nossos genes para tentarem sobreviver o máximo possível, conduzindo o vetor deles (o indivíduo) nesta direção.


Por outro lado, a visão sociológica/filosófica: Negamos o entardecer da vida, e negamos absolutamente a morte. Nossa sociedade (aí sim a Sociedade, a Cultura Ocidental) não saberia trabalhar com a ideia de finitude, de que um dia acabaremos, criando uma hiper valorização da vida, em especial da juventude. Isto teria se reforçado nos anos 1960 com o levante dos jovens em relação aos modelos sociais pré e pós Segunda Guerra Mundial. O padrão, que antes era o adulto, agora é o jovem. E se antigamente um jovem era um "projeto de adulto", hoje um adulto é um "jovem que passou do tempo", e assim, todas as tentativas são de se manter uma aura de juventude, vestindo-se de maneira juvenil, cortes de cabelos dos ídolos juvenis, e por aí vai.  E isto afetaria em especial as mulheres, pois o envelhecer seria socialmente mais aceito nos homens do que nas mulheres. Basta ver que um homem grisalho pode ser considerado "charmoso", enquanto uma mulher grisalha é necessariamente "velha". Eu pessoalmente não acho isto, mas mulheres de 40 anos fazem papel de mães de mulheres de 25 nas novelas...


Há outros evolucionistas que dizem que não estamos preparados (socialmente e fisicamente) para vivermos tanto quanto vivemos hoje. A média de vida na época de Cristo era de 28 anos, e hoje nossos filhos provavelmente passarão dos cem anos. Daí doenças como Alzheimer (não é que não existissem antigamente, é que nosso corpo não está preparado para viver tanto, e antes morríamos sem dar chance delas aparecerem).


Por outro lado há um estudo incrível que diz que a sociedade humana só surgiu por causa do envelhecimento da raça, pois sem isto homens e mulheres ficariam tão ocupados em cuidar dos filhos que não teriam tempo de desenvolver outras coisas. Assim, será que não está na hora de aceitarmos o belo papel que a vida nos dá na velhice que é de dar suporte às novas gerações, para que continuem a fazer as coisas incríveis que começamos a plantar quando nossos cabelos não precisavam de tintura?

27.3.12

Bulimia Cultural

Nossa sociedade sofre de um transtorno facilmente categorizável: A Bulimia Cultural.
Como se configura este distúrbio? Na incapacidade de digerir os dados, impedindo a digestão da informação e impossibilitando a geração de conhecimento.


Isto se dá pelo fato de sermos cada vez menos capazes de agirmos de forma seletiva. Há informação demais, e somos demandados a tomar conhecimento de tudo, ou quase tudo. Não somos obrigados, mas parece que somos.


Quer um exemplo? Eu não assisto Televisão. Perdi o hábito, de vez em quando fico admirado olhando na casa dos outros, ou em vitrines de lojas. Mas não assisto. Sei dos incríveis seriados americanos, dos BBBs, das novelas, mas não acompanho nada.
E posso garantir que quando falo isto para as pessoas há um silêncio absoluto na sala. É aquele momento em que te olham como se fosse um espécime isolado, um Mogli, um Kasper Hauser. Só vi este mesmo olhar no rosto das atendentes do Mc Donald´s, quando minha irmã vegetariana pede um Big Mac sem hambúrguer...


O fenômeno não é novo, faz tempo que o pessoal lê resumos, quer seja da Bíblia ou de Iracema (para fazer prova), ou vê o filme para não precisar ler o livro, e por aí vai.


Digestão é um negócio complicado, exige sangue, oxigenação, paciência. Engolir e Cuspir é mais rápido, e tecnicamente não contaminante, ou seja, não precisamos depois ficar pensando nos fatos durante tempos. O conhecimento é mais ou menos como o Pimentão, que fica conversando com a gente durante um tempão depois de ter sido engolido.


Uma  hora isto vai ter de parar, pois a Bulimia Cultural impede que o corpo e a mente se reponham de sais minerais fundamentais, que precisam ser ingeridos e processados lentamente, mesmo que a vida seja curta.

26.3.12

Carreira e Amizade


Este é o discurso que proferi para a turma de formandos da Fecap, dia 24/03. Longe da genialidade dos Steve Jobs da vida, mas vale como registro de um momento legal que passei.


Fiquei honrado com o convite para ser o patrono da turma de formandos de 2011 de Publicidade e Relações Públicas da Fecap, obrigado pelo carinho!


O que vocês precisam lembrar agora é que terminar uma das etapas não significa terminar o processo: O aprendizado vai continuar a acontecer na sua vida. 
Vocês escolheram uma carreira muito dinâmica. Quando começaram a faculdade não existia Facebook, Twitter e Banda Larga era para poucos. Hoje criar aplicativos faz parte de criar uma boa campanha de comunicação. O mundo gira, e rápido!
Pudemos tratar em aulas de assuntos como MKT Viral, Redes Sociais, Storytelling e um monte de coisas que 1 - Hoje são relevantes, 2- Ontem não existiam e 3 - Amanhã talvez não existam mais.
Não são apenas "modinhas", a comunicação é dinâmica e estabelece novos patamares e modelos a cada momento. Assim, estejam alertas às mudanças, e, de preferência, sejam os agentes da mudança na comunicação.
Há um preço em ser pioneiro: A incompreensão. Vai ter muita gente que não vai entender o que você está falando, acostume-se a isto, se resolver inovar. 
Mas também não tenham medo de buscar conhecimento na antiguidade. Não é para criar estratégia de comunicação usando o Fax, ou o Pager! Mas nos antigos pensadores há muita verdade a ser descoberta. Clássicos como Platão, Sêneca, pensadores da comunicação como Baudrillard ou mesmo o McLuhan estão disponíveis para quem quiser le-los.


Mas fugindo um pouco do assunto vida profissional, sejam felizes! Aproveitem que a vida é curta, e curtam seus amigos. Amigos são mais importantes do que colegas. Desconfiem de pessoas que só têm colegas, e não tem amigos. Procurem pessoas que sorriem, que sejam acessíveis, divertidas. Evitem as pessoas que se acham donas da verdade, ou que são invejosas. 
Groucho Marx, um comediante do começo do século passado dizia que não há graça nenhuma em ir ao cinema se não tem um amigo ao seu lado para comentar a porcaria de filme que estão assistindo.
Não busquem o caminho da solidão, tenham amigos e sejam fiéis às suas amizades. Ofereçam seu afeto. Quando você fizer sucesso e a pessoa ao seu lado ficar incomodada, ela não é sua amiga. 


Parabéns a todos os formandos! Vocês merecem todo o sucesso e felicidade do mundo.


PS - A foto é da Rafa, querida aluna, que me flagrou num momento em que eu estava concentrado, só não sei se era para relembrar o discurso ou se estava de olho nas mensagens recebidas. Os alunos estavam me congratulando via aplicativo durante o evento, sinais da comunicação de hoje...)

De que adianta o templo lindo se o padre é ruim?

O que faz o fenômeno religioso acontecer são os pregadores, não o local em que o rito acontece. Acho que tem muito movimento religioso que esqueceu disto. A própria Igreja Católica muitas vezes pune gente como o Padre Marcelo (eu particularmente não gosto, mas o cara toca milhões de pessoas de maneira positiva), por vaidade, vaidade e vaidade. 
Vi este padre no YouTube e achei o cara divertido, atualizado, sensato e com capacidade de sensibilizar sua comunidade.
Óbvio que não vou me converter por causa dele, mas que ele fala e o pessoal ouve, tenho certeza. Igreja lotada! Já faz tempo que vemos a dificuldade da Igreja Católica de conseguir formar padres interessantes. Os que apareceram foram abafados, ou colocados em segundo plano. Vaidade, vaidade, vaidade....
(Escrevi este post há duas semanas atrás, e fiquei feliz de ver o padre no Fantástico ontem. Vamos ver quanto tempo a Igreja vai demorar para cortar as asinhas do moço...)


25.3.12

Viva la Música!

Quem disse que não existe inteligência na música Pop? Que só vemos sucessos passageiros, efêmeros, e de baixa qualidade, como Lenine, Coldplay, John Mayer e outras porcarias?
Separei alguns clips que vão fazer o maior sucesso na sua festinha na garagem! Separe a máquina de gelo seco, o globo com espelhinhos, o vinho químico e se joga, meu chapa!

Locomia
Já vieram para o Brasil, enlouqueciam a mulherada com seus sapatos de polichinelo e grandes leques. Rebola aí, tiozinho!

Golf Boys
Alguns dizem que é uma Boy Band de gozação, mas eu não acredito. Acho genial que eles tiveram a ideia de cada um ser um estilo, o índio, o machão, o esportista... Se bem que, pensando bem, o Village People já fazia isto, mas deixa para lá e se joga na pista!

Mary e Los Juanas
É na verdade uma franquia, pois você vai encontrar em qualquer cidade por aí eles tocando na rua e dançando hare hare. Bate Cabelo e Bate Bata Indiana!

Gengis Khan
Uma única palavra resume o grupo: Sexy e Chique!

Gengis Khan (Ué? Tem dois?)

Os Pré-Sal
Banda criada no Governo Lula para divulgar a potência petrolífera que se tornou o Brasil! Senta na cadeira, gruda uma vela acesa na cabeça e fica girando! Uhu!


23.3.12

O Sidnei Basile sabia de tudo!

Para quem não conheceu o Sidnei Basile posso dizer que perdeu a oportunidade de conhecer um grande cara. Além de amigo, pai e marido querido, era um baita especialista em comunicação.
Trabalhou num monte de empresas importantes e fez a diferença por lá.


Mas a história que vou contar foi de uma (rara) época em que ele trabalhou como consultor autônomo. Durante um intervalo entre uma empresa e outra montou escritório e começou a atender clientes. Ele me contou esta história nesta época. 


O Sidnei havia sido contratado para uma tarefa ingrata: Uma montadora de carros estava saindo de São Bernardo do Campo e mudando a fábrica para o Nordeste. Demissão em massa. E ele teria de criar uma estratégia para minimizar o impacto do processo.


Outras também saíram de lá, devido aos altos custos de mão-de-obra especializada, impostos e coisas do gênero.


Uma das montadoras resolveu o problema da seguinte maneira: Mandou um telegrama alguns dias antes do Natal para todos os funcionários e avisou que tava todo mundo demitido. Favor passar no RH. 
Os funcionários ficaram chocados, mais precisamente enfurecidos. Foram até a porta da fábrica, botaram fogo, fizeram greve, sindicato... Deu matéria na capa do jornal mostrando a bagunça que estava acontecendo e, obviamente, destacando a insensibilidade dos gestores de agirem daquela maneira.


Já o Sidnei teve uma bela ideia: Contratou um pesquisador da área econômica e mandou o sujeito investigar quais eram as oportunidades de negócio para empreendedores na região. Mais do que isto, procurou o Sebrae  e pediu cursos de especialização para requalificar a mão-de-obra da fábrica. E, para completar, entrou em contato com o Banco do Brasil para estudar linhas de crédito com baixos juros.


Com o plano pronto, o presidente da montadora chamou todos os funcionários num grande galpão e contou a parte ruim da história: Todos seriam demitidos. Mas ressaltou que não ia deixar ninguém na mão. E disse que:

  1. Havia contratado um especialista em empreendedorismo, e chamou o cara pro palco. O especialista mostrou a pesquisa que tinha feito e disse que existiam boas oportunidades em duas áreas: panificadoras e manipulação de frango (cortar e embalar).
  2. O Sebrae tinha montado um estande atrás do público para atender os interessados em fazer cursos de especialização em empreendedorismo e nas áreas específicas. Os cursos seriam subsidiados pela montadora.
  3. Havia um estande do Banco do Brasil que oferecia uma linha de crédito especial para o grupo poder pensar em novos negócios.
  4. Para finalizar, o presidente da montadora garantiu que ele iria comprar toda a produção dos empreendedores durante o primeiro ano do negócio.
Sabe o que aconteceu? Ele foi aplaudido de pé. .. Só para lembrar, quem estava aplaudindo tinha sido demitido minutos atrás.

Algum tempo depois os dois presidentes das montadoras se encontraram por acaso num restaurante. O que tinha enviado o telegrama não se conformou:
" Como você conseguiu? Eu fui processado, a mídia me chamou de bandido, o sindicato inflamou um monte de greves, toda a opinião pública contra mim, e com você não aconteceu nada!"

O outro sorriu e disse:
"Pois é, meu consultor era melhor que o seu..."

E o Sidnei se desmanchava de rir com aquela risada gostosa dele. 
Um dos caras que vão fazer falta neste planeta.

22.3.12

Onde é o "dentro de mim" ?

Uma das características mais marcantes da compreensão de nós mesmos é o conceito de "dentro" e "fora". Quando gostamos de alguém, dizemos que ela mora no nosso coração. E quando sentimos uma perda, parece que a pessoa foi embora de dentro de nós, não de nossas redondezas.

Acho que é por isto que a Pele é tão fascinante, ela é a neurônio da nossa alma, que delimita nossos "eus" e interfaceia com o mundo exterior, ora agindo como membrana semi-permeável, ora como escudo.


O filme " A Pele Que Habito", de Pedro Almodovar, trata de uma maneira intensa a questão do que é o "dentro" e o "fora", utilizando um recurso bem hollywoodiano, que é fortalecer uma metáfora subjetiva através de seu próprio reflexo objetivo. Explico: Dramas europeus tendem a criar metáforas muitas vezes antagônicas, o que está acontecendo na psique dos personagens apresenta uma distância fatual do que acontece em cena. No  filme de Almodovar, a questão da personalidade se resolve na cirurgia plástica. A questão da ausência e presença de objetos de afeto se manifesta na substituição do objeto, numa quase clonagem. O ódio se transforma fisicamente em amor, e vice-e-versa. É um dos filmes mais bem acabados do diretor, do ponto de vista cinematográfico.


Por outro lado, ao tentarmos entender a Pele nos deparamos com Cole Porter e sua belíssima canção Under My Skin, cantada por muitos, em especial Frank Sinatra. A lenda sobre esta música é que seria uma homenagem não a uma mulher, mas sim à cocaína. Curiosamente, tanto faz se é uma pessoa amada ou uma droga injetável, ela corre por dentro de nós, por baixo de nossa pele...


Por isto não deixa de ser surpreendente que a Nokia tenha registrado pedido de patente de uma tatuagem eletromagnética que vibre quando seu celular toca. É essencialmente o limite entre o dentro e o fora, onde a comunicação quer chegar, mas ainda esbarra em nossa Pele, que agora vibrará quando chegar uma mensagem ou seu celular tocar. A busca da mídia (hard e soft) em acessar os nossos mais íntimos desejos encostou na nossa Pele. O que ainda não sei é se ativaremos o nosso módulo Desejo (onde teremos prazer que ela vibre quando a pessoa amada ligar) ou o módulo Escudo (aparentemente mais frágil, pois será cada vez mais difícil ignorar quem não desejamos).

21.3.12

Quanto custa uma Geisy Arruda para uma empresa?

Saiu o valor da indenização que a Uniban vai pagar para a ex-estudante e agora semi-celebridade Geisy Arruda: 40 mil reais.
Para quem acha pouco, vamos calcular um pouco o impacto da má gestão da comunicação quando aconteceu o incidente, mas antes, lembremos o que aconteceu:
A aluna Geisy Arruda foi com uma saia bem curta na faculdade, e ao subir as rampas era possível ver mais do que suas pernas. Alguns alunos começaram a persegui-la e ofendê-la, num misto de impulso erótico e agressão.
Diante do fato, a direção da Uniban, ao invés de punir os agressores, puniu a aluna, expulsando-a da faculdade. E como a repercussão na mídia foi péssima (apesar da inquestionável roupa inadequada, a agredida foi a aluna), os diretores resolveram reverter a expulsão e punir de leve os agressores, explicitando a falta de clareza que tinham sobre os valores que regem a instituição (lembram do papo de Missão Visão e Valores das empresas? Isto não parece nem um pouco claro para o Conselho da Uniban).
A imagem da Uniban ficou muito afetada depois disto. Já era fato conhecido nos meios acadêmicos que a qualidade de ensino do local era no mínimo questionável, agora eram os valores morais e a integridade dos alunos que estavam em jogo.


Pois bem, calculemos o prejuízo da falta de clareza e da condução errada:

  • Um ano depois do fato o índice de matrículas caiu bruscamente: de aproximadamente 35 mil alunos matriculados o número foi para 15 mil matrículas, uma perda de mais da metade dos alunos, umas 20 mil pessoas. Um aluno paga em média R$ 300,00, assim, mensalmente a Uniban deixou de arrecadar uns R$6.000.000,00. Isto sem contar que este aluno paga durante 48 meses, no mínimo, para se formar.
  • Não tenho dados precisos, mas acredito que o processo seletivo coloque uns 8 mil alunos por ano na faculdade. Se este número caiu proporcionalmente à evasão, devem ter deixado de entrar 4 mil alunos novos, que gerariam uma receita de R$ 1.200.000,00 mensais durante quatro anos.
  • Durante o processo de negociação da aquisição da Uniban pela Anhanguera, o cálculo do valor da instituição foi definido pelo número de alunos que ela tinha, além de vários outros fatores. Vamos dizer que se o número de alunos representar 10/% do valor total que ela valia, se ela foi vendida por R$ 510.000.000,00 a perda dos alunos baixou em R$ 50.000.000,00 o valor na hora da venda.
Estes números são apenas referência, e alguns deles podem estar errados, mas queria mostrar a dimensão da perda numa decisão equivocada e na condução inadequada de uma situação de gestão de crise. Quando você vir que o processo da Geisy Arruda deu um prejuízo de R$ 40,000,00 para a Uniban lembre que a perda foi de dezenas de milhões de reais. 

Comunicação dá prejuízo dos grandes, às vezes irreparáveis.

Para quem não sabe, uma situação ruim pode ser revertida sim! Vejam o exemplo do Halls de Uva Verde, que ia sair da linha de produção e a Kraft acompanhou as reclamações pelas redes sociais e criou uma campanha interessante aproveitando a oportunidade.

20.3.12

Há sempre algo para nos lembrar de que somos humanos

Na antiguidade César era acompanhado de um serviçal que tinha como única função lembrá-lo de que ele era mortal. Não sei se nunca tive o poder de César para precisar de alguém para me lembrar disto, mas sei que a vida é infinitamente criativa para nos lembrar de nossa condição humana. Muitas vezes a vida é irônica com isto, parece que quebra as nossas pernas justo naquilo que nos consideramos poderosos ou invencíveis.
Quando estamos bem de dinheiro, damos aquela respirada e resolvemos sentar na rede e curtir a bonança, lá vem a vida quebrando a rede e mandando a gente para o hospital. Quando estamos bem de saúde lá vem a vida avisando que deu problema no banco e que o dinheiro se foi.


Um dos problemas é a construção de narrativas lineares que criamos em nossas mentes. Parece que as coisas precisam ter uma sequência positivista, uma evolução que tende ao infinito. Mas o dado de realidade é que a vida é fragmentada (tanto que ficamos tentando "criar" esta linearidade em nossas cabeças, o aleatório absoluto parece inaceitável). 


Se aceitássemos que as coisas acontecem sem o nosso controle talvez nossa vida fosse melhor. Mas a relação causa-efeito parece que sempre está presente, como a dizer que se fizermos uma coisa geraremos algum determinado resultado, o que quase nunca é verdade.


Quando algo acontecer na sua vida que te desestruture, não é para ficar animado, mas também não precisa se desesperar. Eis uma bela oportunidade de lembrar que as coisas não estão sob o seu controle. E sem precisar de um cara colado em você falando "você é humano... você é humano...", como o grande (ou pobre) César.

17.3.12

Interpretar é para os fortes!

Como dei aula de teatro uns vinte anos nesta vida posso dizer que atuar não é para todos, não basta querer, tem de treinar, e muito.
Selecionei algumas cenas que valem a pena seres assistidas, de atores em seu momento de glória, mostrando para todo mundo como são ruins. Boa diversão!


Preste atenção na tentativa de diálogo, na maneira sutil de largar a arma, e no olhar trágico ao se despedir da vida. Coisa fina! 


Seria impossível falar de atuação sem citar o William Shatner, que é um dos menos talentosos atores a sobreviverem em Hollywood. Esta cena de luta do seriado Star Trek dá uma noção do talento do rapaz. 


Já no próximo filme o pessoal que postou chama a atenção para a péssima interpretação da velhinha que vê o Schwarzenegger em sua primeira aparição em filmes, em 1969. Eu peço que observem como o Schwarzenegger é ruim mesmo numa cena onde ele aparece por menos de um segundo. Veja!

Já os filmes de Kung Fu têm sua graça, acho que são filmados muito rápido, sem dinheiro e também os caras devem pensar que ninguém está lá para ver uma bela interpretação dramática. Morrer bem é uma arte, mas não no caso a seguir...

Para terminar, um belo filme de guerra, com uma sequência de tragédias que força tanto a barra que vai ficando cada vez mais divertido. E é em preto e branco, com gente falando em alemão, dá aquela sensação de estar vendo um filme Cult, mas não dá para resistir às más interpretações... (minha preferida é a cena da bazuca)

E para terminar um ótimo filme de 5 segundos sobre figurantes, um dos grandes problemas do cinema!

Sobre a impossibilidade de peidar em cima de uma moto

A motocicleta de passeio oferece grande liberdade para quem anda, mas gera algumas restrições. A que considero pior (depois obviamente do perigo de um acidente com um carro) é a impossibilidade absoluta de liberar os gases enquanto está dirigindo.
O motorista que anda num carro sempre está tranquilão. Tira catota do nariz, tira sujeira do dente, limpa a ramela dos olhos e peida à vontade, sem medo de ser feliz. Basta abrir a janela e pronto!
Quando passamos de moto ao lado dos carros sentimos o poder da flatulência nos carros, o pessoal não se intimida, manda bala mesmo.
Tenho inclusive reparado que existe um batalhão de gente fumando maconha e dirigindo. A maresia é braba, e nós, os motoqueiros, sentimos todos os odores que saem dos carros (além de uma fumaça infernal).
Mas o pobre do motoqueiro nem peidar pode. A moto não tem uma ergonomia compatível com o intestino, esta é a verdade. A posição de quem dirige moto de passeio é praticamente um lacre intestinal. Se quer se aliviar, tem de levantar da moto. Esta é uma imagem que você observa de vez em quando. Repare: Se o motociclista deu uma levantadinha sem razão aparente, é bufa na certa!


Já o motociclista que dirige motos esportivas é um felizardo. Se por um lado fica todo torto, parecendo um corcunda, do ponto de vista flatulento é uma posição incrível, que ajuda até a acelerar a trajetória do bólido.


A grande questão é: Ficar todo encurvado e preferir as motos esportivas ou sair com as motos de passeio e scooters e simplesmente ficar entalado? A vida é uma grande encruzilhada...

15.3.12

Há pouco o que fazer com a infelicidade dos outros

Parece fatalismo, mas não é.  O que podemos fazer pelos outros é muito pouco.
Não adianta dar atenção, tratar com carinho, sorrir, fazer agrados, ser gentil. Isto só dá certo se já existe na pessoa a disponibilidade de receber esta atenção. Há pessoas que não ativaram este botão, e que sofrem sem saber por que estão sofrendo.
Não quer dizer que você não deva fazer tudo isto. Faça! Mime as pessoas queridas, dê atenção, carinho, mas não espere que isto vá gerar algum resultado, pois possivelmente não vai gerar.


Precisamos aprender a oferecer afeto sem gerar nada em troca, o que em muitas situações parece impossível.
É necessário lutar contra uma prepotência que temos, parte inflada pelo ego, parte estimulada pela lógica "ação-reação" (se eu faço o bem para alguém ele necessariamente irá se sentir ou ficar bem).


No fundo o grande desafio é a prática do desapego. Conseguir oferecer o afeto sem esperar nada em troca, nem para você nem para a outra pessoa. Muitas vezes falamos do desapego e associamos com o desapego pessoal, aquele que faz que você não espere nada para você do que fez, mas é bom lembrar que é necessário se desapegar inclusive de que seu sentimento vá gerar algo no outro.


Temos inúmeros ditados que vão contra este pensamento, acho que o principal é "Não adianta jogar pérolas aos porcos", como se fosse preciso selecionar a quem dirigir o afeto. Eu mesmo penso muitas vezes assim, já que é uma chatice ser gentil com quem te trata mal, ser afetuoso com quem está azedo. Mas, se pararmos para pensar, o que interessa mesmo? Ser afetuoso ou gerar algum resultado com o afeto? É uma troca o que você espera? Então é melhor definir qual tipo de troca está esperando e qual a moeda que vai utilizar. Mais do que isto, é bom também definir o quanto vale a sua moeda. Um "bom dia" vale um sorriso? Se não receber "sorriso" de volta não dá mais "bom dia"?


Se soubermos gerenciar a frustração e a expectativa da sensação de gratuidade, é possível ter uma relação afetuosa com o mundo. Mas não espere que isto vá gerar nada, é só pelo afeto mesmo.

14.3.12

A 3a Guerra Mundial será na África? (Uma reflexão pós KONY 2012)

Esta semana vi o belo filme Kony 2012, onde um  americano propõe expor ao máximo a figura de Kony, um rebelde de Uganda que sequestra e maltrata crianças para criar um exército próprio (já faz isto há décadas). Com isto o cineasta pretende fazer com que este problema se torne visível, sensibilizando a população e as autoridades mundiais para tentar parar com esta prática.
A ação e a ideia são muito positivas, apesar de exalarem um certo messianismo, mas nada contra. E o filme é belo, triste e emocionante.


Por outro lado acompanhamos um crescente expansionismo da China no território africano. Empresas chinesas estão envolvidas em projetos de infraestrutura em diversas regiões da África. A China percebeu a oportunidade e está exportando sua capacidade e seu baixo custo para literalmente "pavimentar" o desenvolvimento africano.


Que a África precisa de ajuda humanitária e de infraestrutura ninguém duvida, mas o que acontecerá quando estes dois modelos mentais entrarem em conflito naquele continente? Pelo que me parece os chineses não aparentam muita preocupação com o indivíduo, mas sim com o coletivo, ou macro-coletivo (um ideal ou ideia por trás de massas humanas implantando este ideal). O governo chinês nunca demonstrou muita preocupação humanitária em relação aos próprios chineses (conceitos como direitos humanos e trabalhistas são bem diferentes na China, ao que parece). Não imagino que ele teria este tipo de preocupação em relação a outros povos. Assim, é possível que ao construir esta infraestrutura necessária ao povo africano as empresas chinesas gerem situações delicadas nestes aspectos em relação aos africanos nelas envolvidos, funcionários, comunidade, etc.


Numa situação desta, agora os vilões não seriam mais os próprios africanos, mas sim os chineses, e como reagiria o messianismo americano quando as estatais chinesas forem as culpadas por situações de miséria ou exploração de um povo já sofrido?


Não digo que isto esteja acontecendo ou que vá necessariamente acontecer, mas se a postura salvacionista americana cruzar com o expansionismo coletivo chinês na África talvez vejamos um conflito de grande ordem por lá. Honestamente espero que isto não aconteça, mas é algo para se pensar.