Conheço muitas pessoas que convivem com distúrbios mentais, mas isto não significa que conheça profundamente o assunto, assim, me perdoem os super especialistas na área. No fundo a reflexão deste artigo é sobre a negação do Mal que vemos nas pessoas em geral. O Mal que habita o seu próprio coração.
Excluindo os borderlines, conheço dois comportamentos distintos: Gente que surta "do bem" e gente que surta "do mal". Sim, estou assumindo a questão binária Bem e Mal, falando sobre a questão subjetiva chamada Moral.
Tanto faz o transtorno, bipolaridade, esquizofrenia, depressão. Reparem: Há pessoas que sofrem quando estão fora de si e há pessoas que fazem os outros sofrerem quando não estão bem.
Da mesma maneira que as drogas, parece que a pessoa deixa cair algumas barreiras morais ao surtar e assim conseguimos enxergar melhor seu caráter (que obviamente não está relacionado ao seu distúrbio, são coisas totalmente distintas).
A mãe de um amigo meu é um bom exemplo. Ela tem surtos relativamente constantes mesmo clinicada. Não sei qual a razão ou qual o "rótulo" clínico, e nem interessam. Pois bem, quando ela surta geralmente sai pela rua, vagando pelo bairro, colhendo flores e brincando com os cachorros da vizinhança. Nunca vi nenhum comportamento agressivo ou prejudicial aos outros. Conheço muitas pessoas assim. E isto não significa que não sofram, ou que não estejam precisando de ajuda, mas de dentro delas não sai nada perverso, não há ataque aos outros.
Por outro lado vi muitas pessoas que quando surtam atacam as pessoas, parece que alguma maldade habita a pessoa, e ela se torna agressiva ou ardilosa. Um bom exemplo é um professor que conheci, que tinha comportamentos dignos de vilão de desenho animado quando surtava. O fato dele usar drogas constantemente também não ajudava, pois são um gatilho para surtos, e assim a maldade dele se tornava cada vez mais constante. Em surto, dedicava boa parte de seu tempo criando planos contra outras pessoas.
Todos temos maldades dentro de nossos corações, alguns não as expressam por controle. Controlam até... surtar, e quando surtam vêm uma avalanche de maldade em direção ao mundo.
Não acho que o surto seja o problema, mas sim a negação do Mal. Toda vez que negamos o Mal talvez acabemos encapsulando este sentimento. Se não aceitarmos nossas maldades, nossas imperfeições, o risco é de algum gatilho emocional ou físico disparar e despejamos aquele número enorme de sentimentos nos outros.
PS - Por favor, quem tiver mais informações sobre as razões pela qual numa situação de descontrole as pessoas tendem a expressar manifestações de maldade, agradeço comentários. Quero entender mais sobre o assunto e dialogar.
Let´s Go!
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29.3.12
6.3.12
Precisamos dos opostos! (Ou você acha que realmente os elefantes têm medo de ratos?)
Uma vez minha irmã citou uma frase de Krishna (a divindade hindu): "Combater o mal só deixará o mal mais forte". Demorei para entender esta frase, como bom ocidental. Mas depois de ler, reler, e ver todos os vídeos disponíveis do Joseph Campbell, e acho que posso falar um pouco sobre o assunto.
Deus e o Diabo, Bem e o Mal, tudo precisa de seu complementar, de seu oposto. E quando não existe nós o inventamos. Vejam o exemplo dos Reis. De onde surge a figura do Bobo da Côrte? Para quê serve esta figura? Este papel? Para contrabalançar o poder do Rei. Da mesma maneira que existe um homem super-poderoso, há o mais miserável e ridículo de todos.
Curiosamente vemos inúmeras pessoas falando em "acabar com o Mal", e poucas falando em "aceitar o Mal". Se acabarmos com o Mal, viveremos com o Bem Absoluto? Não é um pouco ingênuo? Aceitar o Mal, da mesma maneira que é necessário aceitar os complementares dos bons sentimentos (alguns chamam de nossa Sombra) talvez seja aceitar a nossa condição dupla, dúbia, ambígua, bipolar, que gera diálogos internos e externos extremamente ricos, e em algumas situações, problemas. Uma das fontes de nossa complexidade é a polarização, acabarmos com ela é simplesmente impossível. Mas há uma horda de pessoas que propõem isto, através dos mais variados argumentos, mas todos disfarçando uma coisa feiosa, chamada Hipocrisia. São os Santos de Pau Oco espalhando suas verdades unidimensionais por aí.
Pensei nisto por uma questão simples. Todo mundo já ouviu falar que Elefante têm medo de Rato. Mas isto não é verdade comprovada, é verdade complementar, das necessidades que temos de criar opostos. Como aceitar algo majestoso e gigantesco como o Elefante, sem que ele tenha sua Sombra, o pequeno Rato? Não há nenhuma comprovação que Elefantes tenham medo de Ratos.
Nossa mente precisa de complementares, não conseguimos pensar em algo absoluto sem pensarmos no seu oposto complementar.
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