Acho que é por isto que a Pele é tão fascinante, ela é a neurônio da nossa alma, que delimita nossos "eus" e interfaceia com o mundo exterior, ora agindo como membrana semi-permeável, ora como escudo.
O filme " A Pele Que Habito", de Pedro Almodovar, trata de uma maneira intensa a questão do que é o "dentro" e o "fora", utilizando um recurso bem hollywoodiano, que é fortalecer uma metáfora subjetiva através de seu próprio reflexo objetivo. Explico: Dramas europeus tendem a criar metáforas muitas vezes antagônicas, o que está acontecendo na psique dos personagens apresenta uma distância fatual do que acontece em cena. No filme de Almodovar, a questão da personalidade se resolve na cirurgia plástica. A questão da ausência e presença de objetos de afeto se manifesta na substituição do objeto, numa quase clonagem. O ódio se transforma fisicamente em amor, e vice-e-versa. É um dos filmes mais bem acabados do diretor, do ponto de vista cinematográfico.
Por isto não deixa de ser surpreendente que a Nokia tenha registrado pedido de patente de uma tatuagem eletromagnética que vibre quando seu celular toca. É essencialmente o limite entre o dentro e o fora, onde a comunicação quer chegar, mas ainda esbarra em nossa Pele, que agora vibrará quando chegar uma mensagem ou seu celular tocar. A busca da mídia (hard e soft) em acessar os nossos mais íntimos desejos encostou na nossa Pele. O que ainda não sei é se ativaremos o nosso módulo Desejo (onde teremos prazer que ela vibre quando a pessoa amada ligar) ou o módulo Escudo (aparentemente mais frágil, pois será cada vez mais difícil ignorar quem não desejamos).

