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15.1.13

Por que gente velha gosta de lembrar do passado?

Não há tempo que não seja dinâmico. Passado, Presente e Futuro não são estáticos, eles dependem de como percebemos estes momentos. Cada vez que revemos algum evento vivido fazemos leves alterações na percepção dele. O que parecia um fato triste é interpretado como algo bom hoje, e talvez no futuro seja considerado um evento ruim novamente, mas por outras razões.
A mesma coisa pode acontecer em tempo real: Uma situação que está sendo vivida pode ser percebida de várias maneiras, e esta percepção pode mudar em fração de segundos, dependendo de como você se sente em relação a ela. Mudou a emoção e/ou o contexto a percepção muda.
Nossos projetos e expectativas em relação ao futuro? A mesma coisa. Só que estamos mais acostumados a enxergar o futuro de uma maneira incerta e cheia de possibilidades.

Menos as pessoas velhas. Estas sabem que há poucas incertezas no futuro delas, ele passa a ser cada vez mais concreto com a proximidade da morte. Talvez por isto o mistério do "pós-morte" vendido pelas religiões seja tão sedutor quando envelhecemos. Parece nos dar uma sobrevida na dúvida perante o futuro. Certezas absolutas, em especial a da morte, não são muito bem-vindas para ninguém.

Podemos transformar nosso passado numa especie de playground existencial. Como tudo de certa maneira pode ser transformado, podemos definir  que nossas experiências do Passado foram todas positivas de alguma maneira, para construir aquilo que somos hoje, e o poder de sedução desta miragem transforma nossa maneira de enxergar o Presente e mesmo o Futuro.

Se para os jovens a miragem do Futuro (infinito, poderoso e cheio de surpresas, mas só as boas) leva a uma percepção de que tudo será bom e que o fim está longe, não precisamos nos preocupar com isto, para os velhos a miragem está justamente no Passado, ou em alguma religião que permita que o Futuro seja infinito, como quando somos jovens.

28.3.12

Ditadura da Beleza ou da Juventude?

Se formos interpretar os fatos à luz dos Neo Darwinistas, em especial Richard Dawkins, a culpa é de nossos genes que tentam ficar se reproduzindo para sobreviverem neste vetor que chamamos de ser humano. Homens e mulheres, cada um à sua maneira (homens buscando o maior número possível de fêmeas, e mulheres procurando um macho alfa, que possa garantir seu sustento enquanto passa vários meses de sua vida grávida e/ou cuidando dos filhotes) farão de tudo para que nossos genes sobrevivam e se perpetuem.
Portanto, nada mais óbvio do que as mulheres tentarem à todo custo se manterem atraentes, aumentando sua possibilidade de encontrar machos alfa. E, ao mesmo tempo, quanto mais atraentes, mais poderosas, e mais chances de se tornarem também fêmeas-alfa.


O discurso das velhas feministas, estilo anos 1960, não funcionaria, de acordo com os evolucionistas. Este fenômeno não seria algo "cultural", no sentido da Cultura Ocidental, que tem alguns milhares anos. O buraco seria mais embaixo, pois nossa cultura, nossa sociedade e nosso entorno mudou, mas nosso corpo continuaria o mesmo, sem alteração, há pelo menos quarenta mil anos. Isto significaria que o software humano estaria atualizado, mas o hardware seria muito antigo, regido por uma Bios (literalmente) da época das cavernas. Temos nesta situação um discurso de superfície contemporânea, mas a essência da questão da beleza estaria na tentativa da mulher se manter o mais atraente possível pelo máximo de tempo que conseguir, pois esta seria a estratégia de nossos genes para tentarem sobreviver o máximo possível, conduzindo o vetor deles (o indivíduo) nesta direção.


Por outro lado, a visão sociológica/filosófica: Negamos o entardecer da vida, e negamos absolutamente a morte. Nossa sociedade (aí sim a Sociedade, a Cultura Ocidental) não saberia trabalhar com a ideia de finitude, de que um dia acabaremos, criando uma hiper valorização da vida, em especial da juventude. Isto teria se reforçado nos anos 1960 com o levante dos jovens em relação aos modelos sociais pré e pós Segunda Guerra Mundial. O padrão, que antes era o adulto, agora é o jovem. E se antigamente um jovem era um "projeto de adulto", hoje um adulto é um "jovem que passou do tempo", e assim, todas as tentativas são de se manter uma aura de juventude, vestindo-se de maneira juvenil, cortes de cabelos dos ídolos juvenis, e por aí vai.  E isto afetaria em especial as mulheres, pois o envelhecer seria socialmente mais aceito nos homens do que nas mulheres. Basta ver que um homem grisalho pode ser considerado "charmoso", enquanto uma mulher grisalha é necessariamente "velha". Eu pessoalmente não acho isto, mas mulheres de 40 anos fazem papel de mães de mulheres de 25 nas novelas...


Há outros evolucionistas que dizem que não estamos preparados (socialmente e fisicamente) para vivermos tanto quanto vivemos hoje. A média de vida na época de Cristo era de 28 anos, e hoje nossos filhos provavelmente passarão dos cem anos. Daí doenças como Alzheimer (não é que não existissem antigamente, é que nosso corpo não está preparado para viver tanto, e antes morríamos sem dar chance delas aparecerem).


Por outro lado há um estudo incrível que diz que a sociedade humana só surgiu por causa do envelhecimento da raça, pois sem isto homens e mulheres ficariam tão ocupados em cuidar dos filhos que não teriam tempo de desenvolver outras coisas. Assim, será que não está na hora de aceitarmos o belo papel que a vida nos dá na velhice que é de dar suporte às novas gerações, para que continuem a fazer as coisas incríveis que começamos a plantar quando nossos cabelos não precisavam de tintura?