Se formos interpretar os fatos à luz dos Neo Darwinistas, em especial Richard Dawkins, a culpa é de nossos genes que tentam ficar se reproduzindo para sobreviverem neste vetor que chamamos de ser humano. Homens e mulheres, cada um à sua maneira (homens buscando o maior número possível de fêmeas, e mulheres procurando um macho alfa, que possa garantir seu sustento enquanto passa vários meses de sua vida grávida e/ou cuidando dos filhotes) farão de tudo para que nossos genes sobrevivam e se perpetuem.
Portanto, nada mais óbvio do que as mulheres tentarem à todo custo se manterem atraentes, aumentando sua possibilidade de encontrar machos alfa. E, ao mesmo tempo, quanto mais atraentes, mais poderosas, e mais chances de se tornarem também fêmeas-alfa.
O discurso das velhas feministas, estilo anos 1960, não funcionaria, de acordo com os evolucionistas. Este fenômeno não seria algo "cultural", no sentido da Cultura Ocidental, que tem alguns milhares anos. O buraco seria mais embaixo, pois nossa cultura, nossa sociedade e nosso entorno mudou, mas nosso corpo continuaria o mesmo, sem alteração, há pelo menos quarenta mil anos. Isto significaria que o software humano estaria atualizado, mas o hardware seria muito antigo, regido por uma Bios (literalmente) da época das cavernas. Temos nesta situação um discurso de superfície contemporânea, mas a essência da questão da beleza estaria na tentativa da mulher se manter o mais atraente possível pelo máximo de tempo que conseguir, pois esta seria a estratégia de nossos genes para tentarem sobreviver o máximo possível, conduzindo o vetor deles (o indivíduo) nesta direção.
Por outro lado, a visão sociológica/filosófica: Negamos o entardecer da vida, e negamos absolutamente a morte. Nossa sociedade (aí sim a Sociedade, a Cultura Ocidental) não saberia trabalhar com a ideia de finitude, de que um dia acabaremos, criando uma hiper valorização da vida, em especial da juventude. Isto teria se reforçado nos anos 1960 com o levante dos jovens em relação aos modelos sociais pré e pós Segunda Guerra Mundial. O padrão, que antes era o adulto, agora é o jovem. E se antigamente um jovem era um "projeto de adulto", hoje um adulto é um "jovem que passou do tempo", e assim, todas as tentativas são de se manter uma aura de juventude, vestindo-se de maneira juvenil, cortes de cabelos dos ídolos juvenis, e por aí vai. E isto afetaria em especial as mulheres, pois o envelhecer seria socialmente mais aceito nos homens do que nas mulheres. Basta ver que um homem grisalho pode ser considerado "charmoso", enquanto uma mulher grisalha é necessariamente "velha". Eu pessoalmente não acho isto, mas mulheres de 40 anos fazem papel de mães de mulheres de 25 nas novelas...
Há outros evolucionistas que dizem que não estamos preparados (socialmente e fisicamente) para vivermos tanto quanto vivemos hoje. A média de vida na época de Cristo era de 28 anos, e hoje nossos filhos provavelmente passarão dos cem anos. Daí doenças como Alzheimer (não é que não existissem antigamente, é que nosso corpo não está preparado para viver tanto, e antes morríamos sem dar chance delas aparecerem).
Por outro lado há um estudo incrível que diz que a sociedade humana só surgiu por causa do envelhecimento da raça, pois sem isto homens e mulheres ficariam tão ocupados em cuidar dos filhos que não teriam tempo de desenvolver outras coisas. Assim, será que não está na hora de aceitarmos o belo papel que a vida nos dá na velhice que é de dar suporte às novas gerações, para que continuem a fazer as coisas incríveis que começamos a plantar quando nossos cabelos não precisavam de tintura?
Let´s Go!
Let´s Go!
28.3.12
27.3.12
Bulimia Cultural
Nossa sociedade sofre de um transtorno facilmente categorizável: A Bulimia Cultural.
Como se configura este distúrbio? Na incapacidade de digerir os dados, impedindo a digestão da informação e impossibilitando a geração de conhecimento.
Isto se dá pelo fato de sermos cada vez menos capazes de agirmos de forma seletiva. Há informação demais, e somos demandados a tomar conhecimento de tudo, ou quase tudo. Não somos obrigados, mas parece que somos.
Quer um exemplo? Eu não assisto Televisão. Perdi o hábito, de vez em quando fico admirado olhando na casa dos outros, ou em vitrines de lojas. Mas não assisto. Sei dos incríveis seriados americanos, dos BBBs, das novelas, mas não acompanho nada.
E posso garantir que quando falo isto para as pessoas há um silêncio absoluto na sala. É aquele momento em que te olham como se fosse um espécime isolado, um Mogli, um Kasper Hauser. Só vi este mesmo olhar no rosto das atendentes do Mc Donald´s, quando minha irmã vegetariana pede um Big Mac sem hambúrguer...
O fenômeno não é novo, faz tempo que o pessoal lê resumos, quer seja da Bíblia ou de Iracema (para fazer prova), ou vê o filme para não precisar ler o livro, e por aí vai.
Digestão é um negócio complicado, exige sangue, oxigenação, paciência. Engolir e Cuspir é mais rápido, e tecnicamente não contaminante, ou seja, não precisamos depois ficar pensando nos fatos durante tempos. O conhecimento é mais ou menos como o Pimentão, que fica conversando com a gente durante um tempão depois de ter sido engolido.
Uma hora isto vai ter de parar, pois a Bulimia Cultural impede que o corpo e a mente se reponham de sais minerais fundamentais, que precisam ser ingeridos e processados lentamente, mesmo que a vida seja curta.
Como se configura este distúrbio? Na incapacidade de digerir os dados, impedindo a digestão da informação e impossibilitando a geração de conhecimento.
Isto se dá pelo fato de sermos cada vez menos capazes de agirmos de forma seletiva. Há informação demais, e somos demandados a tomar conhecimento de tudo, ou quase tudo. Não somos obrigados, mas parece que somos.
Quer um exemplo? Eu não assisto Televisão. Perdi o hábito, de vez em quando fico admirado olhando na casa dos outros, ou em vitrines de lojas. Mas não assisto. Sei dos incríveis seriados americanos, dos BBBs, das novelas, mas não acompanho nada.
E posso garantir que quando falo isto para as pessoas há um silêncio absoluto na sala. É aquele momento em que te olham como se fosse um espécime isolado, um Mogli, um Kasper Hauser. Só vi este mesmo olhar no rosto das atendentes do Mc Donald´s, quando minha irmã vegetariana pede um Big Mac sem hambúrguer...
O fenômeno não é novo, faz tempo que o pessoal lê resumos, quer seja da Bíblia ou de Iracema (para fazer prova), ou vê o filme para não precisar ler o livro, e por aí vai.
Digestão é um negócio complicado, exige sangue, oxigenação, paciência. Engolir e Cuspir é mais rápido, e tecnicamente não contaminante, ou seja, não precisamos depois ficar pensando nos fatos durante tempos. O conhecimento é mais ou menos como o Pimentão, que fica conversando com a gente durante um tempão depois de ter sido engolido.
Uma hora isto vai ter de parar, pois a Bulimia Cultural impede que o corpo e a mente se reponham de sais minerais fundamentais, que precisam ser ingeridos e processados lentamente, mesmo que a vida seja curta.
26.3.12
Carreira e Amizade
Este é o discurso que proferi para a turma de formandos da Fecap, dia 24/03. Longe da genialidade dos Steve Jobs da vida, mas vale como registro de um momento legal que passei.
Fiquei honrado com o convite para ser o patrono da turma de formandos de 2011 de Publicidade e Relações Públicas da Fecap, obrigado pelo carinho!
O que vocês precisam lembrar agora é que terminar uma das etapas não significa terminar o processo: O aprendizado vai continuar a acontecer na sua vida.
Vocês escolheram uma carreira muito dinâmica. Quando começaram a faculdade não existia Facebook, Twitter e Banda Larga era para poucos. Hoje criar aplicativos faz parte de criar uma boa campanha de comunicação. O mundo gira, e rápido!
Pudemos tratar em aulas de assuntos como MKT Viral, Redes Sociais, Storytelling e um monte de coisas que 1 - Hoje são relevantes, 2- Ontem não existiam e 3 - Amanhã talvez não existam mais.
Não são apenas "modinhas", a comunicação é dinâmica e estabelece novos patamares e modelos a cada momento. Assim, estejam alertas às mudanças, e, de preferência, sejam os agentes da mudança na comunicação.
Há um preço em ser pioneiro: A incompreensão. Vai ter muita gente que não vai entender o que você está falando, acostume-se a isto, se resolver inovar.
Mas também não tenham medo de buscar conhecimento na antiguidade. Não é para criar estratégia de comunicação usando o Fax, ou o Pager! Mas nos antigos pensadores há muita verdade a ser descoberta. Clássicos como Platão, Sêneca, pensadores da comunicação como Baudrillard ou mesmo o McLuhan estão disponíveis para quem quiser le-los.
Mas fugindo um pouco do assunto vida profissional, sejam felizes! Aproveitem que a vida é curta, e curtam seus amigos. Amigos são mais importantes do que colegas. Desconfiem de pessoas que só têm colegas, e não tem amigos. Procurem pessoas que sorriem, que sejam acessíveis, divertidas. Evitem as pessoas que se acham donas da verdade, ou que são invejosas.
Groucho Marx, um comediante do começo do século passado dizia que não há graça nenhuma em ir ao cinema se não tem um amigo ao seu lado para comentar a porcaria de filme que estão assistindo.
Não busquem o caminho da solidão, tenham amigos e sejam fiéis às suas amizades. Ofereçam seu afeto. Quando você fizer sucesso e a pessoa ao seu lado ficar incomodada, ela não é sua amiga.
Parabéns a todos os formandos! Vocês merecem todo o sucesso e felicidade do mundo.
PS - A foto é da Rafa, querida aluna, que me flagrou num momento em que eu estava concentrado, só não sei se era para relembrar o discurso ou se estava de olho nas mensagens recebidas. Os alunos estavam me congratulando via aplicativo durante o evento, sinais da comunicação de hoje...)
De que adianta o templo lindo se o padre é ruim?
O que faz o fenômeno religioso acontecer são os pregadores, não o local em que o rito acontece. Acho que tem muito movimento religioso que esqueceu disto. A própria Igreja Católica muitas vezes pune gente como o Padre Marcelo (eu particularmente não gosto, mas o cara toca milhões de pessoas de maneira positiva), por vaidade, vaidade e vaidade.
Vi este padre no YouTube e achei o cara divertido, atualizado, sensato e com capacidade de sensibilizar sua comunidade.
Óbvio que não vou me converter por causa dele, mas que ele fala e o pessoal ouve, tenho certeza. Igreja lotada! Já faz tempo que vemos a dificuldade da Igreja Católica de conseguir formar padres interessantes. Os que apareceram foram abafados, ou colocados em segundo plano. Vaidade, vaidade, vaidade....
(Escrevi este post há duas semanas atrás, e fiquei feliz de ver o padre no Fantástico ontem. Vamos ver quanto tempo a Igreja vai demorar para cortar as asinhas do moço...)
Vi este padre no YouTube e achei o cara divertido, atualizado, sensato e com capacidade de sensibilizar sua comunidade.
Óbvio que não vou me converter por causa dele, mas que ele fala e o pessoal ouve, tenho certeza. Igreja lotada! Já faz tempo que vemos a dificuldade da Igreja Católica de conseguir formar padres interessantes. Os que apareceram foram abafados, ou colocados em segundo plano. Vaidade, vaidade, vaidade....
(Escrevi este post há duas semanas atrás, e fiquei feliz de ver o padre no Fantástico ontem. Vamos ver quanto tempo a Igreja vai demorar para cortar as asinhas do moço...)
25.3.12
Viva la Música!
Quem disse que não existe inteligência na música Pop? Que só vemos sucessos passageiros, efêmeros, e de baixa qualidade, como Lenine, Coldplay, John Mayer e outras porcarias?
Separei alguns clips que vão fazer o maior sucesso na sua festinha na garagem! Separe a máquina de gelo seco, o globo com espelhinhos, o vinho químico e se joga, meu chapa!
Locomia
Já vieram para o Brasil, enlouqueciam a mulherada com seus sapatos de polichinelo e grandes leques. Rebola aí, tiozinho!
Golf Boys
Alguns dizem que é uma Boy Band de gozação, mas eu não acredito. Acho genial que eles tiveram a ideia de cada um ser um estilo, o índio, o machão, o esportista... Se bem que, pensando bem, o Village People já fazia isto, mas deixa para lá e se joga na pista!
Mary e Los Juanas
É na verdade uma franquia, pois você vai encontrar em qualquer cidade por aí eles tocando na rua e dançando hare hare. Bate Cabelo e Bate Bata Indiana!
Gengis Khan
Uma única palavra resume o grupo: Sexy e Chique!
Gengis Khan (Ué? Tem dois?)
Os Pré-Sal
Banda criada no Governo Lula para divulgar a potência petrolífera que se tornou o Brasil! Senta na cadeira, gruda uma vela acesa na cabeça e fica girando! Uhu!
23.3.12
O Sidnei Basile sabia de tudo!
Para quem não conheceu o Sidnei Basile posso dizer que perdeu a oportunidade de conhecer um grande cara. Além de amigo, pai e marido querido, era um baita especialista em comunicação.
Trabalhou num monte de empresas importantes e fez a diferença por lá.
Mas a história que vou contar foi de uma (rara) época em que ele trabalhou como consultor autônomo. Durante um intervalo entre uma empresa e outra montou escritório e começou a atender clientes. Ele me contou esta história nesta época.
O Sidnei havia sido contratado para uma tarefa ingrata: Uma montadora de carros estava saindo de São Bernardo do Campo e mudando a fábrica para o Nordeste. Demissão em massa. E ele teria de criar uma estratégia para minimizar o impacto do processo.
Outras também saíram de lá, devido aos altos custos de mão-de-obra especializada, impostos e coisas do gênero.
Uma das montadoras resolveu o problema da seguinte maneira: Mandou um telegrama alguns dias antes do Natal para todos os funcionários e avisou que tava todo mundo demitido. Favor passar no RH.
Os funcionários ficaram chocados, mais precisamente enfurecidos. Foram até a porta da fábrica, botaram fogo, fizeram greve, sindicato... Deu matéria na capa do jornal mostrando a bagunça que estava acontecendo e, obviamente, destacando a insensibilidade dos gestores de agirem daquela maneira.
Já o Sidnei teve uma bela ideia: Contratou um pesquisador da área econômica e mandou o sujeito investigar quais eram as oportunidades de negócio para empreendedores na região. Mais do que isto, procurou o Sebrae e pediu cursos de especialização para requalificar a mão-de-obra da fábrica. E, para completar, entrou em contato com o Banco do Brasil para estudar linhas de crédito com baixos juros.
Com o plano pronto, o presidente da montadora chamou todos os funcionários num grande galpão e contou a parte ruim da história: Todos seriam demitidos. Mas ressaltou que não ia deixar ninguém na mão. E disse que:
Trabalhou num monte de empresas importantes e fez a diferença por lá.
Mas a história que vou contar foi de uma (rara) época em que ele trabalhou como consultor autônomo. Durante um intervalo entre uma empresa e outra montou escritório e começou a atender clientes. Ele me contou esta história nesta época.
O Sidnei havia sido contratado para uma tarefa ingrata: Uma montadora de carros estava saindo de São Bernardo do Campo e mudando a fábrica para o Nordeste. Demissão em massa. E ele teria de criar uma estratégia para minimizar o impacto do processo.
Outras também saíram de lá, devido aos altos custos de mão-de-obra especializada, impostos e coisas do gênero.
Uma das montadoras resolveu o problema da seguinte maneira: Mandou um telegrama alguns dias antes do Natal para todos os funcionários e avisou que tava todo mundo demitido. Favor passar no RH.
Os funcionários ficaram chocados, mais precisamente enfurecidos. Foram até a porta da fábrica, botaram fogo, fizeram greve, sindicato... Deu matéria na capa do jornal mostrando a bagunça que estava acontecendo e, obviamente, destacando a insensibilidade dos gestores de agirem daquela maneira.
Já o Sidnei teve uma bela ideia: Contratou um pesquisador da área econômica e mandou o sujeito investigar quais eram as oportunidades de negócio para empreendedores na região. Mais do que isto, procurou o Sebrae e pediu cursos de especialização para requalificar a mão-de-obra da fábrica. E, para completar, entrou em contato com o Banco do Brasil para estudar linhas de crédito com baixos juros.
Com o plano pronto, o presidente da montadora chamou todos os funcionários num grande galpão e contou a parte ruim da história: Todos seriam demitidos. Mas ressaltou que não ia deixar ninguém na mão. E disse que:
- Havia contratado um especialista em empreendedorismo, e chamou o cara pro palco. O especialista mostrou a pesquisa que tinha feito e disse que existiam boas oportunidades em duas áreas: panificadoras e manipulação de frango (cortar e embalar).
- O Sebrae tinha montado um estande atrás do público para atender os interessados em fazer cursos de especialização em empreendedorismo e nas áreas específicas. Os cursos seriam subsidiados pela montadora.
- Havia um estande do Banco do Brasil que oferecia uma linha de crédito especial para o grupo poder pensar em novos negócios.
- Para finalizar, o presidente da montadora garantiu que ele iria comprar toda a produção dos empreendedores durante o primeiro ano do negócio.
Sabe o que aconteceu? Ele foi aplaudido de pé. .. Só para lembrar, quem estava aplaudindo tinha sido demitido minutos atrás.
Algum tempo depois os dois presidentes das montadoras se encontraram por acaso num restaurante. O que tinha enviado o telegrama não se conformou:
" Como você conseguiu? Eu fui processado, a mídia me chamou de bandido, o sindicato inflamou um monte de greves, toda a opinião pública contra mim, e com você não aconteceu nada!"
O outro sorriu e disse:
"Pois é, meu consultor era melhor que o seu..."
E o Sidnei se desmanchava de rir com aquela risada gostosa dele.
Um dos caras que vão fazer falta neste planeta.
22.3.12
Onde é o "dentro de mim" ?
Uma das características mais marcantes da compreensão de nós mesmos é o conceito de "dentro" e "fora". Quando gostamos de alguém, dizemos que ela mora no nosso coração. E quando sentimos uma perda, parece que a pessoa foi embora de dentro de nós, não de nossas redondezas.
Acho que é por isto que a Pele é tão fascinante, ela é a neurônio da nossa alma, que delimita nossos "eus" e interfaceia com o mundo exterior, ora agindo como membrana semi-permeável, ora como escudo.
O filme " A Pele Que Habito", de Pedro Almodovar, trata de uma maneira intensa a questão do que é o "dentro" e o "fora", utilizando um recurso bem hollywoodiano, que é fortalecer uma metáfora subjetiva através de seu próprio reflexo objetivo. Explico: Dramas europeus tendem a criar metáforas muitas vezes antagônicas, o que está acontecendo na psique dos personagens apresenta uma distância fatual do que acontece em cena. No filme de Almodovar, a questão da personalidade se resolve na cirurgia plástica. A questão da ausência e presença de objetos de afeto se manifesta na substituição do objeto, numa quase clonagem. O ódio se transforma fisicamente em amor, e vice-e-versa. É um dos filmes mais bem acabados do diretor, do ponto de vista cinematográfico.
Por outro lado, ao tentarmos entender a Pele nos deparamos com Cole Porter e sua belíssima canção Under My Skin, cantada por muitos, em especial Frank Sinatra. A lenda sobre esta música é que seria uma homenagem não a uma mulher, mas sim à cocaína. Curiosamente, tanto faz se é uma pessoa amada ou uma droga injetável, ela corre por dentro de nós, por baixo de nossa pele...
Por isto não deixa de ser surpreendente que a Nokia tenha registrado pedido de patente de uma tatuagem eletromagnética que vibre quando seu celular toca. É essencialmente o limite entre o dentro e o fora, onde a comunicação quer chegar, mas ainda esbarra em nossa Pele, que agora vibrará quando chegar uma mensagem ou seu celular tocar. A busca da mídia (hard e soft) em acessar os nossos mais íntimos desejos encostou na nossa Pele. O que ainda não sei é se ativaremos o nosso módulo Desejo (onde teremos prazer que ela vibre quando a pessoa amada ligar) ou o módulo Escudo (aparentemente mais frágil, pois será cada vez mais difícil ignorar quem não desejamos).
Acho que é por isto que a Pele é tão fascinante, ela é a neurônio da nossa alma, que delimita nossos "eus" e interfaceia com o mundo exterior, ora agindo como membrana semi-permeável, ora como escudo.
O filme " A Pele Que Habito", de Pedro Almodovar, trata de uma maneira intensa a questão do que é o "dentro" e o "fora", utilizando um recurso bem hollywoodiano, que é fortalecer uma metáfora subjetiva através de seu próprio reflexo objetivo. Explico: Dramas europeus tendem a criar metáforas muitas vezes antagônicas, o que está acontecendo na psique dos personagens apresenta uma distância fatual do que acontece em cena. No filme de Almodovar, a questão da personalidade se resolve na cirurgia plástica. A questão da ausência e presença de objetos de afeto se manifesta na substituição do objeto, numa quase clonagem. O ódio se transforma fisicamente em amor, e vice-e-versa. É um dos filmes mais bem acabados do diretor, do ponto de vista cinematográfico.
Por isto não deixa de ser surpreendente que a Nokia tenha registrado pedido de patente de uma tatuagem eletromagnética que vibre quando seu celular toca. É essencialmente o limite entre o dentro e o fora, onde a comunicação quer chegar, mas ainda esbarra em nossa Pele, que agora vibrará quando chegar uma mensagem ou seu celular tocar. A busca da mídia (hard e soft) em acessar os nossos mais íntimos desejos encostou na nossa Pele. O que ainda não sei é se ativaremos o nosso módulo Desejo (onde teremos prazer que ela vibre quando a pessoa amada ligar) ou o módulo Escudo (aparentemente mais frágil, pois será cada vez mais difícil ignorar quem não desejamos).
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21.3.12
Quanto custa uma Geisy Arruda para uma empresa?
Saiu o valor da indenização que a Uniban vai pagar para a ex-estudante e agora semi-celebridade Geisy Arruda: 40 mil reais.
Para quem acha pouco, vamos calcular um pouco o impacto da má gestão da comunicação quando aconteceu o incidente, mas antes, lembremos o que aconteceu:
A aluna Geisy Arruda foi com uma saia bem curta na faculdade, e ao subir as rampas era possível ver mais do que suas pernas. Alguns alunos começaram a persegui-la e ofendê-la, num misto de impulso erótico e agressão.
Diante do fato, a direção da Uniban, ao invés de punir os agressores, puniu a aluna, expulsando-a da faculdade. E como a repercussão na mídia foi péssima (apesar da inquestionável roupa inadequada, a agredida foi a aluna), os diretores resolveram reverter a expulsão e punir de leve os agressores, explicitando a falta de clareza que tinham sobre os valores que regem a instituição (lembram do papo de Missão Visão e Valores das empresas? Isto não parece nem um pouco claro para o Conselho da Uniban).
A imagem da Uniban ficou muito afetada depois disto. Já era fato conhecido nos meios acadêmicos que a qualidade de ensino do local era no mínimo questionável, agora eram os valores morais e a integridade dos alunos que estavam em jogo.
Pois bem, calculemos o prejuízo da falta de clareza e da condução errada:
Para quem acha pouco, vamos calcular um pouco o impacto da má gestão da comunicação quando aconteceu o incidente, mas antes, lembremos o que aconteceu:
A aluna Geisy Arruda foi com uma saia bem curta na faculdade, e ao subir as rampas era possível ver mais do que suas pernas. Alguns alunos começaram a persegui-la e ofendê-la, num misto de impulso erótico e agressão.
Diante do fato, a direção da Uniban, ao invés de punir os agressores, puniu a aluna, expulsando-a da faculdade. E como a repercussão na mídia foi péssima (apesar da inquestionável roupa inadequada, a agredida foi a aluna), os diretores resolveram reverter a expulsão e punir de leve os agressores, explicitando a falta de clareza que tinham sobre os valores que regem a instituição (lembram do papo de Missão Visão e Valores das empresas? Isto não parece nem um pouco claro para o Conselho da Uniban).
A imagem da Uniban ficou muito afetada depois disto. Já era fato conhecido nos meios acadêmicos que a qualidade de ensino do local era no mínimo questionável, agora eram os valores morais e a integridade dos alunos que estavam em jogo.
Pois bem, calculemos o prejuízo da falta de clareza e da condução errada:
- Um ano depois do fato o índice de matrículas caiu bruscamente: de aproximadamente 35 mil alunos matriculados o número foi para 15 mil matrículas, uma perda de mais da metade dos alunos, umas 20 mil pessoas. Um aluno paga em média R$ 300,00, assim, mensalmente a Uniban deixou de arrecadar uns R$6.000.000,00. Isto sem contar que este aluno paga durante 48 meses, no mínimo, para se formar.
- Não tenho dados precisos, mas acredito que o processo seletivo coloque uns 8 mil alunos por ano na faculdade. Se este número caiu proporcionalmente à evasão, devem ter deixado de entrar 4 mil alunos novos, que gerariam uma receita de R$ 1.200.000,00 mensais durante quatro anos.
- Durante o processo de negociação da aquisição da Uniban pela Anhanguera, o cálculo do valor da instituição foi definido pelo número de alunos que ela tinha, além de vários outros fatores. Vamos dizer que se o número de alunos representar 10/% do valor total que ela valia, se ela foi vendida por R$ 510.000.000,00 a perda dos alunos baixou em R$ 50.000.000,00 o valor na hora da venda.
Estes números são apenas referência, e alguns deles podem estar errados, mas queria mostrar a dimensão da perda numa decisão equivocada e na condução inadequada de uma situação de gestão de crise. Quando você vir que o processo da Geisy Arruda deu um prejuízo de R$ 40,000,00 para a Uniban lembre que a perda foi de dezenas de milhões de reais.
Comunicação dá prejuízo dos grandes, às vezes irreparáveis.
Para quem não sabe, uma situação ruim pode ser revertida sim! Vejam o exemplo do Halls de Uva Verde, que ia sair da linha de produção e a Kraft acompanhou as reclamações pelas redes sociais e criou uma campanha interessante aproveitando a oportunidade.20.3.12
Há sempre algo para nos lembrar de que somos humanos
Na antiguidade César era acompanhado de um serviçal que tinha como única função lembrá-lo de que ele era mortal. Não sei se nunca tive o poder de César para precisar de alguém para me lembrar disto, mas sei que a vida é infinitamente criativa para nos lembrar de nossa condição humana. Muitas vezes a vida é irônica com isto, parece que quebra as nossas pernas justo naquilo que nos consideramos poderosos ou invencíveis.
Quando estamos bem de dinheiro, damos aquela respirada e resolvemos sentar na rede e curtir a bonança, lá vem a vida quebrando a rede e mandando a gente para o hospital. Quando estamos bem de saúde lá vem a vida avisando que deu problema no banco e que o dinheiro se foi.
Um dos problemas é a construção de narrativas lineares que criamos em nossas mentes. Parece que as coisas precisam ter uma sequência positivista, uma evolução que tende ao infinito. Mas o dado de realidade é que a vida é fragmentada (tanto que ficamos tentando "criar" esta linearidade em nossas cabeças, o aleatório absoluto parece inaceitável).
Se aceitássemos que as coisas acontecem sem o nosso controle talvez nossa vida fosse melhor. Mas a relação causa-efeito parece que sempre está presente, como a dizer que se fizermos uma coisa geraremos algum determinado resultado, o que quase nunca é verdade.
Quando algo acontecer na sua vida que te desestruture, não é para ficar animado, mas também não precisa se desesperar. Eis uma bela oportunidade de lembrar que as coisas não estão sob o seu controle. E sem precisar de um cara colado em você falando "você é humano... você é humano...", como o grande (ou pobre) César.
Quando estamos bem de dinheiro, damos aquela respirada e resolvemos sentar na rede e curtir a bonança, lá vem a vida quebrando a rede e mandando a gente para o hospital. Quando estamos bem de saúde lá vem a vida avisando que deu problema no banco e que o dinheiro se foi.
Um dos problemas é a construção de narrativas lineares que criamos em nossas mentes. Parece que as coisas precisam ter uma sequência positivista, uma evolução que tende ao infinito. Mas o dado de realidade é que a vida é fragmentada (tanto que ficamos tentando "criar" esta linearidade em nossas cabeças, o aleatório absoluto parece inaceitável).
Se aceitássemos que as coisas acontecem sem o nosso controle talvez nossa vida fosse melhor. Mas a relação causa-efeito parece que sempre está presente, como a dizer que se fizermos uma coisa geraremos algum determinado resultado, o que quase nunca é verdade.
Quando algo acontecer na sua vida que te desestruture, não é para ficar animado, mas também não precisa se desesperar. Eis uma bela oportunidade de lembrar que as coisas não estão sob o seu controle. E sem precisar de um cara colado em você falando "você é humano... você é humano...", como o grande (ou pobre) César.
17.3.12
Interpretar é para os fortes!
Como dei aula de teatro uns vinte anos nesta vida posso dizer que atuar não é para todos, não basta querer, tem de treinar, e muito.
Selecionei algumas cenas que valem a pena seres assistidas, de atores em seu momento de glória, mostrando para todo mundo como são ruins. Boa diversão!
Preste atenção na tentativa de diálogo, na maneira sutil de largar a arma, e no olhar trágico ao se despedir da vida. Coisa fina!
Seria impossível falar de atuação sem citar o William Shatner, que é um dos menos talentosos atores a sobreviverem em Hollywood. Esta cena de luta do seriado Star Trek dá uma noção do talento do rapaz.
Já no próximo filme o pessoal que postou chama a atenção para a péssima interpretação da velhinha que vê o Schwarzenegger em sua primeira aparição em filmes, em 1969. Eu peço que observem como o Schwarzenegger é ruim mesmo numa cena onde ele aparece por menos de um segundo. Veja!
E para terminar um ótimo filme de 5 segundos sobre figurantes, um dos grandes problemas do cinema!
Selecionei algumas cenas que valem a pena seres assistidas, de atores em seu momento de glória, mostrando para todo mundo como são ruins. Boa diversão!
Preste atenção na tentativa de diálogo, na maneira sutil de largar a arma, e no olhar trágico ao se despedir da vida. Coisa fina!
Seria impossível falar de atuação sem citar o William Shatner, que é um dos menos talentosos atores a sobreviverem em Hollywood. Esta cena de luta do seriado Star Trek dá uma noção do talento do rapaz.
Já no próximo filme o pessoal que postou chama a atenção para a péssima interpretação da velhinha que vê o Schwarzenegger em sua primeira aparição em filmes, em 1969. Eu peço que observem como o Schwarzenegger é ruim mesmo numa cena onde ele aparece por menos de um segundo. Veja!
Já os filmes de Kung Fu têm sua graça, acho que são filmados muito rápido, sem dinheiro e também os caras devem pensar que ninguém está lá para ver uma bela interpretação dramática. Morrer bem é uma arte, mas não no caso a seguir...
Para terminar, um belo filme de guerra, com uma sequência de tragédias que força tanto a barra que vai ficando cada vez mais divertido. E é em preto e branco, com gente falando em alemão, dá aquela sensação de estar vendo um filme Cult, mas não dá para resistir às más interpretações... (minha preferida é a cena da bazuca)
E para terminar um ótimo filme de 5 segundos sobre figurantes, um dos grandes problemas do cinema!
Sobre a impossibilidade de peidar em cima de uma moto
A motocicleta de passeio oferece grande liberdade para quem anda, mas gera algumas restrições. A que considero pior (depois obviamente do perigo de um acidente com um carro) é a impossibilidade absoluta de liberar os gases enquanto está dirigindo.
O motorista que anda num carro sempre está tranquilão. Tira catota do nariz, tira sujeira do dente, limpa a ramela dos olhos e peida à vontade, sem medo de ser feliz. Basta abrir a janela e pronto!
Quando passamos de moto ao lado dos carros sentimos o poder da flatulência nos carros, o pessoal não se intimida, manda bala mesmo.
Tenho inclusive reparado que existe um batalhão de gente fumando maconha e dirigindo. A maresia é braba, e nós, os motoqueiros, sentimos todos os odores que saem dos carros (além de uma fumaça infernal).
Mas o pobre do motoqueiro nem peidar pode. A moto não tem uma ergonomia compatível com o intestino, esta é a verdade. A posição de quem dirige moto de passeio é praticamente um lacre intestinal. Se quer se aliviar, tem de levantar da moto. Esta é uma imagem que você observa de vez em quando. Repare: Se o motociclista deu uma levantadinha sem razão aparente, é bufa na certa!
Já o motociclista que dirige motos esportivas é um felizardo. Se por um lado fica todo torto, parecendo um corcunda, do ponto de vista flatulento é uma posição incrível, que ajuda até a acelerar a trajetória do bólido.
A grande questão é: Ficar todo encurvado e preferir as motos esportivas ou sair com as motos de passeio e scooters e simplesmente ficar entalado? A vida é uma grande encruzilhada...
O motorista que anda num carro sempre está tranquilão. Tira catota do nariz, tira sujeira do dente, limpa a ramela dos olhos e peida à vontade, sem medo de ser feliz. Basta abrir a janela e pronto!
Quando passamos de moto ao lado dos carros sentimos o poder da flatulência nos carros, o pessoal não se intimida, manda bala mesmo.
Tenho inclusive reparado que existe um batalhão de gente fumando maconha e dirigindo. A maresia é braba, e nós, os motoqueiros, sentimos todos os odores que saem dos carros (além de uma fumaça infernal).
Mas o pobre do motoqueiro nem peidar pode. A moto não tem uma ergonomia compatível com o intestino, esta é a verdade. A posição de quem dirige moto de passeio é praticamente um lacre intestinal. Se quer se aliviar, tem de levantar da moto. Esta é uma imagem que você observa de vez em quando. Repare: Se o motociclista deu uma levantadinha sem razão aparente, é bufa na certa!
Já o motociclista que dirige motos esportivas é um felizardo. Se por um lado fica todo torto, parecendo um corcunda, do ponto de vista flatulento é uma posição incrível, que ajuda até a acelerar a trajetória do bólido.
A grande questão é: Ficar todo encurvado e preferir as motos esportivas ou sair com as motos de passeio e scooters e simplesmente ficar entalado? A vida é uma grande encruzilhada...
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15.3.12
Há pouco o que fazer com a infelicidade dos outros
Parece fatalismo, mas não é. O que podemos fazer pelos outros é muito pouco.
Não adianta dar atenção, tratar com carinho, sorrir, fazer agrados, ser gentil. Isto só dá certo se já existe na pessoa a disponibilidade de receber esta atenção. Há pessoas que não ativaram este botão, e que sofrem sem saber por que estão sofrendo.
Não quer dizer que você não deva fazer tudo isto. Faça! Mime as pessoas queridas, dê atenção, carinho, mas não espere que isto vá gerar algum resultado, pois possivelmente não vai gerar.
Precisamos aprender a oferecer afeto sem gerar nada em troca, o que em muitas situações parece impossível.
É necessário lutar contra uma prepotência que temos, parte inflada pelo ego, parte estimulada pela lógica "ação-reação" (se eu faço o bem para alguém ele necessariamente irá se sentir ou ficar bem).
No fundo o grande desafio é a prática do desapego. Conseguir oferecer o afeto sem esperar nada em troca, nem para você nem para a outra pessoa. Muitas vezes falamos do desapego e associamos com o desapego pessoal, aquele que faz que você não espere nada para você do que fez, mas é bom lembrar que é necessário se desapegar inclusive de que seu sentimento vá gerar algo no outro.
Temos inúmeros ditados que vão contra este pensamento, acho que o principal é "Não adianta jogar pérolas aos porcos", como se fosse preciso selecionar a quem dirigir o afeto. Eu mesmo penso muitas vezes assim, já que é uma chatice ser gentil com quem te trata mal, ser afetuoso com quem está azedo. Mas, se pararmos para pensar, o que interessa mesmo? Ser afetuoso ou gerar algum resultado com o afeto? É uma troca o que você espera? Então é melhor definir qual tipo de troca está esperando e qual a moeda que vai utilizar. Mais do que isto, é bom também definir o quanto vale a sua moeda. Um "bom dia" vale um sorriso? Se não receber "sorriso" de volta não dá mais "bom dia"?
Se soubermos gerenciar a frustração e a expectativa da sensação de gratuidade, é possível ter uma relação afetuosa com o mundo. Mas não espere que isto vá gerar nada, é só pelo afeto mesmo.
Não adianta dar atenção, tratar com carinho, sorrir, fazer agrados, ser gentil. Isto só dá certo se já existe na pessoa a disponibilidade de receber esta atenção. Há pessoas que não ativaram este botão, e que sofrem sem saber por que estão sofrendo.
Não quer dizer que você não deva fazer tudo isto. Faça! Mime as pessoas queridas, dê atenção, carinho, mas não espere que isto vá gerar algum resultado, pois possivelmente não vai gerar.
Precisamos aprender a oferecer afeto sem gerar nada em troca, o que em muitas situações parece impossível.
É necessário lutar contra uma prepotência que temos, parte inflada pelo ego, parte estimulada pela lógica "ação-reação" (se eu faço o bem para alguém ele necessariamente irá se sentir ou ficar bem).
No fundo o grande desafio é a prática do desapego. Conseguir oferecer o afeto sem esperar nada em troca, nem para você nem para a outra pessoa. Muitas vezes falamos do desapego e associamos com o desapego pessoal, aquele que faz que você não espere nada para você do que fez, mas é bom lembrar que é necessário se desapegar inclusive de que seu sentimento vá gerar algo no outro.
Temos inúmeros ditados que vão contra este pensamento, acho que o principal é "Não adianta jogar pérolas aos porcos", como se fosse preciso selecionar a quem dirigir o afeto. Eu mesmo penso muitas vezes assim, já que é uma chatice ser gentil com quem te trata mal, ser afetuoso com quem está azedo. Mas, se pararmos para pensar, o que interessa mesmo? Ser afetuoso ou gerar algum resultado com o afeto? É uma troca o que você espera? Então é melhor definir qual tipo de troca está esperando e qual a moeda que vai utilizar. Mais do que isto, é bom também definir o quanto vale a sua moeda. Um "bom dia" vale um sorriso? Se não receber "sorriso" de volta não dá mais "bom dia"?
Se soubermos gerenciar a frustração e a expectativa da sensação de gratuidade, é possível ter uma relação afetuosa com o mundo. Mas não espere que isto vá gerar nada, é só pelo afeto mesmo.
14.3.12
A 3a Guerra Mundial será na África? (Uma reflexão pós KONY 2012)
Esta semana vi o belo filme Kony 2012, onde um americano propõe expor ao máximo a figura de Kony, um rebelde de Uganda que sequestra e maltrata crianças para criar um exército próprio (já faz isto há décadas). Com isto o cineasta pretende fazer com que este problema se torne visível, sensibilizando a população e as autoridades mundiais para tentar parar com esta prática.
A ação e a ideia são muito positivas, apesar de exalarem um certo messianismo, mas nada contra. E o filme é belo, triste e emocionante.
Por outro lado acompanhamos um crescente expansionismo da China no território africano. Empresas chinesas estão envolvidas em projetos de infraestrutura em diversas regiões da África. A China percebeu a oportunidade e está exportando sua capacidade e seu baixo custo para literalmente "pavimentar" o desenvolvimento africano.
Que a África precisa de ajuda humanitária e de infraestrutura ninguém duvida, mas o que acontecerá quando estes dois modelos mentais entrarem em conflito naquele continente? Pelo que me parece os chineses não aparentam muita preocupação com o indivíduo, mas sim com o coletivo, ou macro-coletivo (um ideal ou ideia por trás de massas humanas implantando este ideal). O governo chinês nunca demonstrou muita preocupação humanitária em relação aos próprios chineses (conceitos como direitos humanos e trabalhistas são bem diferentes na China, ao que parece). Não imagino que ele teria este tipo de preocupação em relação a outros povos. Assim, é possível que ao construir esta infraestrutura necessária ao povo africano as empresas chinesas gerem situações delicadas nestes aspectos em relação aos africanos nelas envolvidos, funcionários, comunidade, etc.
Numa situação desta, agora os vilões não seriam mais os próprios africanos, mas sim os chineses, e como reagiria o messianismo americano quando as estatais chinesas forem as culpadas por situações de miséria ou exploração de um povo já sofrido?
Não digo que isto esteja acontecendo ou que vá necessariamente acontecer, mas se a postura salvacionista americana cruzar com o expansionismo coletivo chinês na África talvez vejamos um conflito de grande ordem por lá. Honestamente espero que isto não aconteça, mas é algo para se pensar.
A ação e a ideia são muito positivas, apesar de exalarem um certo messianismo, mas nada contra. E o filme é belo, triste e emocionante.
Por outro lado acompanhamos um crescente expansionismo da China no território africano. Empresas chinesas estão envolvidas em projetos de infraestrutura em diversas regiões da África. A China percebeu a oportunidade e está exportando sua capacidade e seu baixo custo para literalmente "pavimentar" o desenvolvimento africano.
Que a África precisa de ajuda humanitária e de infraestrutura ninguém duvida, mas o que acontecerá quando estes dois modelos mentais entrarem em conflito naquele continente? Pelo que me parece os chineses não aparentam muita preocupação com o indivíduo, mas sim com o coletivo, ou macro-coletivo (um ideal ou ideia por trás de massas humanas implantando este ideal). O governo chinês nunca demonstrou muita preocupação humanitária em relação aos próprios chineses (conceitos como direitos humanos e trabalhistas são bem diferentes na China, ao que parece). Não imagino que ele teria este tipo de preocupação em relação a outros povos. Assim, é possível que ao construir esta infraestrutura necessária ao povo africano as empresas chinesas gerem situações delicadas nestes aspectos em relação aos africanos nelas envolvidos, funcionários, comunidade, etc.
Numa situação desta, agora os vilões não seriam mais os próprios africanos, mas sim os chineses, e como reagiria o messianismo americano quando as estatais chinesas forem as culpadas por situações de miséria ou exploração de um povo já sofrido?
Não digo que isto esteja acontecendo ou que vá necessariamente acontecer, mas se a postura salvacionista americana cruzar com o expansionismo coletivo chinês na África talvez vejamos um conflito de grande ordem por lá. Honestamente espero que isto não aconteça, mas é algo para se pensar.
12.3.12
Facebook é o delírio coletivo
Carros lindos e potentes, vídeos de festas maravilhosas, sentimentos profundos e nobres.
O Facebook é hoje a representação do delírio das pessoas. Neste sentido ele é muito mais do que o Second Life, que ainda têm desafios gráficos a serem transpostos para poder representar o mundo ideal. Hoje o mundo ideal é o Facebook.
Há muito de sórdido e banal também eu sei, mas é como se fosse um dos círculos internos desta grande fantasia. Mas existe, sem sombra de dúvida uma projeção das pessoas querendo simular o que queriam ser, ter, como queriam estar conectadas umas às outras e com as divindades contemporâneas, em especial Gaia, nosso grande arquétipo místico do século XXI.
Até o Muro das Lamentações (Afetivas, Profissionais e Políticas) que aparece vez em quando em nossa timeline é um grande delírio: Como se o resmungo pudesse melhorar relações amorosas, consertar as relações de trabalho ou derrubar modelos centenários de poder no país e no mundo.
Durante uma de minhas corridas no centro de SP comentei com o Ricardo, brother de coração e atual colega de correria, que o fato de estarmos correndo e as pessoas ao redor olharem (somos as únicas pessoas correndo nesta região, acreditem) geraria mais reflexão do que se fizéssemos milhares de pessoas participarem de um grupo no Facebook estimulando a ginástica.
Esta hipertrofia do desejo que o mundo virtual traz gera riscos, em especial a possibilidade de insatisfação absoluta com o Real. Nenhum carro será tão potente, nenhum amor tão maravilhoso, nenhuma causa tão nobre.
Esta virtualização dos sentimentos e expectativas é para o mundo das relações a mesma coisa que a Pornografia é para o Sexo: Altamente estimulante, absolutamente dirigida (segmentada pelo indivíduo, visando uma prática solitária, mesmo quando acompanhada), orientadora do desejo e frustrante, pois nunca a sexualidade se manifestará como ela acontece nos filmes.
As redes sociais hoje criam uma expectativa que nunca se cumprirá na vida real. Você está preparado para esta grande frustração?
Lembrando obviamente do Baudrillard e sua teoria pós-orgia em A Transparência do Mal, que por sinal recomendo.
O Facebook é hoje a representação do delírio das pessoas. Neste sentido ele é muito mais do que o Second Life, que ainda têm desafios gráficos a serem transpostos para poder representar o mundo ideal. Hoje o mundo ideal é o Facebook.
Há muito de sórdido e banal também eu sei, mas é como se fosse um dos círculos internos desta grande fantasia. Mas existe, sem sombra de dúvida uma projeção das pessoas querendo simular o que queriam ser, ter, como queriam estar conectadas umas às outras e com as divindades contemporâneas, em especial Gaia, nosso grande arquétipo místico do século XXI.
Até o Muro das Lamentações (Afetivas, Profissionais e Políticas) que aparece vez em quando em nossa timeline é um grande delírio: Como se o resmungo pudesse melhorar relações amorosas, consertar as relações de trabalho ou derrubar modelos centenários de poder no país e no mundo.
Durante uma de minhas corridas no centro de SP comentei com o Ricardo, brother de coração e atual colega de correria, que o fato de estarmos correndo e as pessoas ao redor olharem (somos as únicas pessoas correndo nesta região, acreditem) geraria mais reflexão do que se fizéssemos milhares de pessoas participarem de um grupo no Facebook estimulando a ginástica.
Esta hipertrofia do desejo que o mundo virtual traz gera riscos, em especial a possibilidade de insatisfação absoluta com o Real. Nenhum carro será tão potente, nenhum amor tão maravilhoso, nenhuma causa tão nobre.
Esta virtualização dos sentimentos e expectativas é para o mundo das relações a mesma coisa que a Pornografia é para o Sexo: Altamente estimulante, absolutamente dirigida (segmentada pelo indivíduo, visando uma prática solitária, mesmo quando acompanhada), orientadora do desejo e frustrante, pois nunca a sexualidade se manifestará como ela acontece nos filmes.
As redes sociais hoje criam uma expectativa que nunca se cumprirá na vida real. Você está preparado para esta grande frustração?
Lembrando obviamente do Baudrillard e sua teoria pós-orgia em A Transparência do Mal, que por sinal recomendo.
11.3.12
Conhece a história de um cachorro de rua?
Ele morava num cortiço na Avenida Liberdade, perto da praça. Pois um dia este cortiço pegou fogo (até saiu na televisão) e o cachorro foi morar na frente de um prédio abandonado, cem metros do cortiço.
O prédio abandonado acabou virando uma loja, Casas Bahia. Antes era uma ocupação do Movimento dos Sem Teto, que vendia produtos para apoiar a causa. E o cachorro dormia entre os produtos.
Quando o MST saiu as Casas Bahia entraram. E o cachorro continuou lá. Dentro da loja. Até botaram um papelão para ele dormir, entre uma TV de Plasma e um armário Sakai.
Acompanhei a chegada de outros cachorros na região. No terreno do cortiço criaram um estacionamento, e vários cachorros se conheceram por lá.
O pessoal do ponto de táxi sempre levou comida para eles, em especial um taxista barrigudo. Uma velhinha japonesa cuidava da água, e a cachorrada continuava.
Nesta semana passei na Liberdade e encontrei meu amigo cachorro tirando uma bela soneca em frente a outra loja, com expressão tranquila e curtindo sua velhice.
Uma pena que as pessoas não reparem no cotidiano, no cachorro da praça, na velhinha japonesa, no taxista barrigudo. Aprenderiam um monte.
10.3.12
Sex Shop Ecológico!
Para quem acha que a preocupação com o Meio Ambiente deve estar em todos os momentos da vida, agora temos Sex Shop Ecológicas! Na Alemanha existe um que é totalmente Vegan.
Sem entrar nos detalhes sórdidos (que era exatamente isto que você queria, seu depravado), será que a quantidade de látex usada nos vibradores é tão grande a ponto de influir negativamente no meio ambiente?
Uma vez eu li uma matéria falando que o impacto ambiental da fumaça dos carros de todo o planeta era praticamente irrisório se comparado à poluição gerada pelos superpetroleiros, navios de mais de um quilômetro de comprimento que navegam pelos mares. Será que o vibrador é tão poluente assim?
Conheço Marketing, e sei que isto na verdade se chama valor agregado, uma qualificação de um produto para gerar valor subjetivo e ampliar a margem de lucro. Mas depois do Consolo Vegan Biodegradável acho que precisamos repensar, voltar às raízes da questão.
Ah, e não vou fazer nenhuma piada com pepinos e outros vegetais naturalmente Vegans! Vejam a matéria e o vídeo e tirem as suas conclusões!
Sem entrar nos detalhes sórdidos (que era exatamente isto que você queria, seu depravado), será que a quantidade de látex usada nos vibradores é tão grande a ponto de influir negativamente no meio ambiente?
Uma vez eu li uma matéria falando que o impacto ambiental da fumaça dos carros de todo o planeta era praticamente irrisório se comparado à poluição gerada pelos superpetroleiros, navios de mais de um quilômetro de comprimento que navegam pelos mares. Será que o vibrador é tão poluente assim?
Conheço Marketing, e sei que isto na verdade se chama valor agregado, uma qualificação de um produto para gerar valor subjetivo e ampliar a margem de lucro. Mas depois do Consolo Vegan Biodegradável acho que precisamos repensar, voltar às raízes da questão.
Ah, e não vou fazer nenhuma piada com pepinos e outros vegetais naturalmente Vegans! Vejam a matéria e o vídeo e tirem as suas conclusões!
9.3.12
Gosta de imagens divertidas? Eu também! (primeiras tentativas)
Tenho acompanhado as criatividades de imagens e legendas pelo 9GAG e pelo Facebook, e sempre aparece algo legal e curioso. Comecei esta semana a fazer algumas, honestamente acho que ainda estão meia-boca (para não falar palavrão), mas como tem gosto para tudo, resolvi compartilhar!
Aceito sugestões e dicas!
Aceito sugestões e dicas!
8.3.12
Dia Internacional da Feminilidade
Acho que deveriam mudar o nome do Dia Internacional da Mulher para Dia Internacional da Feminilidade. Sei das agruras dos movimentos feministas em defender mulheres que estão em condições complicadas (abusos sociais, econômicos, familiares, miséria), há muito o que melhorar, e isto vale para a toda a sociedade, não só para as mulheres. Sei o quanto é cara esta luta para as mulheres, mas sei que hoje podemos comemorar grandes avanços. Mas sinto que a essência do dia de hoje é uma declaração de amor à feminilidade, e acho que isto deveria ser mais explicitado. Vejo que a feminilidade foi muito abafada pelos movimentos feministas, como se a delicadeza, a suavidade, o carinho fossem visões estereotipadas que atrapalhavam a busca por um espaço igualitário na sociedade. Hoje vejo as mulheres que trilharam este caminho duro numa busca pelo resgate de sua feminilidade, da mesma maneira que há alguns anos os homens têm tentado se entender com a masculinidade. Não há nada de errado em ser macho, nem em ser fêmea. Nem há nada de errado em manifestar a masculinidade nem a feminilidade. E, cá entre nós, ser macho não significa manifestar masculinidade nem ser fêmea significa manifestar feminilidade. Mas isto fico para outro post.
Hoje para mim é o dia da feminilidade, do essencial que há, da poesia e beleza que a mulher traz para todas as relações existentes neste pequeno planeta.
Ilustro este post com duas imagens que acho que simbolizam o que eu quero dizer: Uma é de uma soldado (soldada?) americana no Afeganistão acarinhando um cachorro no colo. E a outra é da nossa presidente (presidenta?) Dilma, quando encontrou com o Sean Penn no Haiti e posou com um sorriso muito bonitinho ao lado do seu galã de Hollywood.
Aproveitem a feminilidade, ela é linda de se ver e de se conviver, em todas as fases da mulher.
Tenho duas filhas, sou fã declarados das mulheres, cresci num clã matriarcal, criado por mulheres e entre mulheres. E me sinto um privilegiado.
7.3.12
Os Demônios dentro de nós
Originalmente a palavra Daemon surgiu para definir a voz interior que temos, ou as vozes (no plural) que agem dentro de nossa cabeça. Enfatizo a questão plural, pois existem muitos dentro de nós. Alguns pesquisadores da área da Neurociência não conseguem definir dentro de um indivíduo apenas uma consciência, parece que há várias, da mesma maneira que também não é possível definir um indivíduo como uno, são vários dentro de uma pessoa. É confuso, mas é o que sabemos hoje. Talvez no futuro seja mais claro como isto acontece.
Estes indivíduos e estas consciências não são desdobramentos de nosso ego, como se existissem vários egos, são mais coisas, de acordo com os seguidores de Jung, discípulo de Freud. Há como uma fauna dentro de nós, e nem tudo é regido pelos nossos egos, há outras manifestações, que compõem este "ecossistema", que ainda podem e devem ser investigados.
Mas esta investigação esbarra num fator cultural importante, vivemos numa cultura monoteísta, que define uma "unicidade" das vozes que temos. Melhor dizendo, não devem haver "vozes", mas sim uma única voz dentro de nós, convergente a um único sentimento em relação a um único Deus.
Isto acaba afetando nosso modo de pensar, mesmo quando não somos necessariamente religiosos. Não há como negar que este ambiente "mono" acaba ajudando a construir um pensamento ou uma proposição de pensamento único, fortalecendo a imagem de que somos apenas um, e estamos conectados a outro "um" também. E assim acabamos evitando a dubiedade, a complexidade. Temos de ter um único pensamento, uma única opinião, não sabemos trabalhar com os conflitos interiores que temos e que deveriam ser parte de nós, não algo a ser extirpado.
A dubiedade não é uma situação instável a ser resolvida. Ela é parte de nós. E, sem ela, perdemos muito de nossa "fauna" interior de vozes, que discordam, que surpreendem e que nos fazem sermos o que somos. E se Deus não é um, e sim vários, porque nós não poderíamos ser vários também?
6.3.12
Precisamos dos opostos! (Ou você acha que realmente os elefantes têm medo de ratos?)
Uma vez minha irmã citou uma frase de Krishna (a divindade hindu): "Combater o mal só deixará o mal mais forte". Demorei para entender esta frase, como bom ocidental. Mas depois de ler, reler, e ver todos os vídeos disponíveis do Joseph Campbell, e acho que posso falar um pouco sobre o assunto.
Deus e o Diabo, Bem e o Mal, tudo precisa de seu complementar, de seu oposto. E quando não existe nós o inventamos. Vejam o exemplo dos Reis. De onde surge a figura do Bobo da Côrte? Para quê serve esta figura? Este papel? Para contrabalançar o poder do Rei. Da mesma maneira que existe um homem super-poderoso, há o mais miserável e ridículo de todos.
Curiosamente vemos inúmeras pessoas falando em "acabar com o Mal", e poucas falando em "aceitar o Mal". Se acabarmos com o Mal, viveremos com o Bem Absoluto? Não é um pouco ingênuo? Aceitar o Mal, da mesma maneira que é necessário aceitar os complementares dos bons sentimentos (alguns chamam de nossa Sombra) talvez seja aceitar a nossa condição dupla, dúbia, ambígua, bipolar, que gera diálogos internos e externos extremamente ricos, e em algumas situações, problemas. Uma das fontes de nossa complexidade é a polarização, acabarmos com ela é simplesmente impossível. Mas há uma horda de pessoas que propõem isto, através dos mais variados argumentos, mas todos disfarçando uma coisa feiosa, chamada Hipocrisia. São os Santos de Pau Oco espalhando suas verdades unidimensionais por aí.
Pensei nisto por uma questão simples. Todo mundo já ouviu falar que Elefante têm medo de Rato. Mas isto não é verdade comprovada, é verdade complementar, das necessidades que temos de criar opostos. Como aceitar algo majestoso e gigantesco como o Elefante, sem que ele tenha sua Sombra, o pequeno Rato? Não há nenhuma comprovação que Elefantes tenham medo de Ratos.
Nossa mente precisa de complementares, não conseguimos pensar em algo absoluto sem pensarmos no seu oposto complementar.
Como você explicaria isto para seu chefe?
Digamos que você fosse um policial que estivesse fazendo ronda polícial e, num momento de descontração, encoxasse uma vaca da Cow Parade de uma maneira sensual e rebolante. Até aí tudo bem, brincadeira de madrugada entre colegas, para descontrair.
Mas aí vem um chato, resolve fotografar e mandar a foto para seus superiores e para a mídia. O que você diria?
Se fosse eu, falaria o seguinte:
"Chefe, gostaria de deixar claro que estou tranquilo perante os fatos. Posso garantir que conheço aquela vaca, a escultura da vaca, como o senhor quiser definir. Minha irmã é amiga dela, melhor dizendo, da pessoa que a criou.
Fomos a uma festa semana passada, eu e minha irmã. Fiquei interessado pela vaca da amiga dela, e perguntei se podia conhecê-la mais de perto. Ela disse que sim, e que precisava de ajuda para carrega-la para dentro do caminhão. Eu arrastei a vaca e levei para dentro do caminhão. A escultora ficou impressionada com a minha força, e sabe como é, papo vai, papo vem, acabamos na boa e velha conjunção carnal... Aí o pessoal da ronda noturna ficou me perguntando sobre a festa e um deles disse: E aí, como foi que conseguiu pegar a vaca da escultora? Aí eu mostrei como tinha pegado. Sem nenhuma malícia, mas o senhor sabe como as pessoas gostam de inventar coisas..."
Mas aí vem um chato, resolve fotografar e mandar a foto para seus superiores e para a mídia. O que você diria?
Se fosse eu, falaria o seguinte:
"Chefe, gostaria de deixar claro que estou tranquilo perante os fatos. Posso garantir que conheço aquela vaca, a escultura da vaca, como o senhor quiser definir. Minha irmã é amiga dela, melhor dizendo, da pessoa que a criou.
Fomos a uma festa semana passada, eu e minha irmã. Fiquei interessado pela vaca da amiga dela, e perguntei se podia conhecê-la mais de perto. Ela disse que sim, e que precisava de ajuda para carrega-la para dentro do caminhão. Eu arrastei a vaca e levei para dentro do caminhão. A escultora ficou impressionada com a minha força, e sabe como é, papo vai, papo vem, acabamos na boa e velha conjunção carnal... Aí o pessoal da ronda noturna ficou me perguntando sobre a festa e um deles disse: E aí, como foi que conseguiu pegar a vaca da escultora? Aí eu mostrei como tinha pegado. Sem nenhuma malícia, mas o senhor sabe como as pessoas gostam de inventar coisas..."
5.3.12
Hoje é o aniversário da morte do Stalin!
Por isto eu acredito que não há absolutamente nenhuma racionalidade em Futebol, Política e (obviamente) Religião. Hoje é o aniversário da morte do Stalin, e vi algumas pessoas exaltando o cara no Facebook.
Respeito todas as doutrinas, ou pelo menos a maioria delas, mas a aplicação das doutrinas é em geral desastrosa. A vaidade, o poder, a ganância, a violência acabam por destruir qualquer bom princípio ou boa ideia. Muitas vezes quem destrói é a ignorância, importante e perigosa para as doutrinas.
Bom, o que falar sobre o Stalin? Que ele tirou a vida de milhões de pessoas? Tudo em nome de um ideal, matou milhões de pessoas do seu povo para proteger o seu povo? Não entendo.
Como todos os partidos hoje no Brasil são de esquerda e pretensamente ou parcialmente de cunho social (ou socialistas), deduzo que está tendo festa em muito comitê e sindicato por aí.
Só peço que as ideias não se tornem mais importantes do que a vida das pessoas.
Nunca vou me esquecer de uma greve que aconteceu na USP, quando eu estudava lá. O pessoal politizado ergueu uma barreira de pneus na porta principal da Universidade e tacou gasolina para botar fogo.
Conheci o cara que era responsável por acender aquela pira gigantesca de pneus. Ele contou que na hora que ia botar fogo, um motociclista derrapou na gasolina e caiu no meio dos pneus. Ele lá, com a tocha na mão, ficou pensando:
"Devo acender? Se o motociclista morrer podemos considerar que a morte dele foi aceitável para chegarmos finalmente na Revolução. Acendo ou não acendo?"
Felizmente o cara desistiu de botar fogo nos pneus, e no motociclista. Não preciso dizer que ele entrou em crise existencial depois do ocorrido e resolveu fazer militância em outras áreas... Todos agradecemos. Em especial o motociclista...
Respeito todas as doutrinas, ou pelo menos a maioria delas, mas a aplicação das doutrinas é em geral desastrosa. A vaidade, o poder, a ganância, a violência acabam por destruir qualquer bom princípio ou boa ideia. Muitas vezes quem destrói é a ignorância, importante e perigosa para as doutrinas.
Bom, o que falar sobre o Stalin? Que ele tirou a vida de milhões de pessoas? Tudo em nome de um ideal, matou milhões de pessoas do seu povo para proteger o seu povo? Não entendo.
Como todos os partidos hoje no Brasil são de esquerda e pretensamente ou parcialmente de cunho social (ou socialistas), deduzo que está tendo festa em muito comitê e sindicato por aí.
Só peço que as ideias não se tornem mais importantes do que a vida das pessoas.
Nunca vou me esquecer de uma greve que aconteceu na USP, quando eu estudava lá. O pessoal politizado ergueu uma barreira de pneus na porta principal da Universidade e tacou gasolina para botar fogo.
Conheci o cara que era responsável por acender aquela pira gigantesca de pneus. Ele contou que na hora que ia botar fogo, um motociclista derrapou na gasolina e caiu no meio dos pneus. Ele lá, com a tocha na mão, ficou pensando:
"Devo acender? Se o motociclista morrer podemos considerar que a morte dele foi aceitável para chegarmos finalmente na Revolução. Acendo ou não acendo?"
Felizmente o cara desistiu de botar fogo nos pneus, e no motociclista. Não preciso dizer que ele entrou em crise existencial depois do ocorrido e resolveu fazer militância em outras áreas... Todos agradecemos. Em especial o motociclista...
E o resultado é exatamente o contrário do que se esperava!
Quantas campanhas publicitárias geram o resultado oposto do esperado? Eu conheço um monte.
Uma das que mais me chamaram a atenção foi a de uma marca de palmito que colocou um outdoor numa avenida de São Paulo (na época podia) com um palmito gigante, na horizontal, que ocupava toda a imagem. Em baixo, o slogan: "Palmitos X, 14cm de puro prazer". Eu olhava aquela forma branca e cilíndrica e pensava se só eu tinha a mente poluída. Palmito? Prazer? Que papo é este?
O mesmo acontece com as campanhas anti-drogas (apesar delas terem melhorado muito nos últimos tempos). Achei um vídeo de uma campanha contra a maconha dos anos 1930, e posso garantir que é uma grande ideia para estimular o uso desta droga. No vídeo as pessoas são alertadas para evitarem o uso da maconha, senão iriam participar de festas muito loucas, com mulheres seminuas e muita diversão. Bom, imagino que as pessoas que assistiam ao filme saíam para comprar maconha logo depois da sessão, parece até uma apologia ao uso.
Não precisa ser gênio para saber que campanhas destinadas aos jovens não devem tentar proibir nada, afinal de contas, tudo o que é proibido é excitante, misterioso, passível de investigações. Estimula a curiosidade.
Veja a campanha e tire suas próprias conclusões.
Uma das que mais me chamaram a atenção foi a de uma marca de palmito que colocou um outdoor numa avenida de São Paulo (na época podia) com um palmito gigante, na horizontal, que ocupava toda a imagem. Em baixo, o slogan: "Palmitos X, 14cm de puro prazer". Eu olhava aquela forma branca e cilíndrica e pensava se só eu tinha a mente poluída. Palmito? Prazer? Que papo é este?
O mesmo acontece com as campanhas anti-drogas (apesar delas terem melhorado muito nos últimos tempos). Achei um vídeo de uma campanha contra a maconha dos anos 1930, e posso garantir que é uma grande ideia para estimular o uso desta droga. No vídeo as pessoas são alertadas para evitarem o uso da maconha, senão iriam participar de festas muito loucas, com mulheres seminuas e muita diversão. Bom, imagino que as pessoas que assistiam ao filme saíam para comprar maconha logo depois da sessão, parece até uma apologia ao uso.
Não precisa ser gênio para saber que campanhas destinadas aos jovens não devem tentar proibir nada, afinal de contas, tudo o que é proibido é excitante, misterioso, passível de investigações. Estimula a curiosidade.
Veja a campanha e tire suas próprias conclusões.
4.3.12
Tribos indígenas isoladas são descobertas!
Pois é, ainda existem povoamentos isolados sendo descobertos pelo mundo afora! Desta vez foram descobertos os índios Maschio-Piro, na Amazônia Peruana, veja a matéria, coisa interessante. Os caras realmente parecem perdidos da civilização, descabelados, zoião arregalado, tipo um show de heavy metal, só que com todo mundo pelado.
Mas existem outras inúmeras tribos que vão sendo descobertas todos os dias, e estas não estão isoladas, elas muitas vezes estão mergulhadas em nossa civilização, mas não nos damos conta da existência delas. Vejam alguns exemplos que garimpei com meus amigos Sociólogos.
Os Furta-Cor
Muita gente não é capaz de identificar a tribo dos Furta-Cor pelo simples fato de não associar um indivíduo ao outro. Por exemplo, seu vizinho, que resolveu pintar as janelas da casa dele de azul real, as paredes de verde bandeira e os muros de amarelo gema, provavelmente é um Furta-Cor. E você achou que ele apenas era um nacionalista que resolveu transformar a casa numa versão sólida da bandeira do Brasil.
Sua tia que usa aquele vestido-sofá, sabe? Com Hibiscos estilizados alaranjados num fundo de mata tropical com variados tons de marrom e verde, pois é, ela também faz parte desta tribo.
Antigamente os Furta-Cor se tornavam mais visíveis na meia-idade, mas hoje muitos deles já são percebidos na adolescência, pelos tênis e bonés. Basta ir a um show do Restart ou Cine (eles ainda existem?) que você vai encontrar a ala jovem da tribo reunida.
Os Eólicos
Tribo muito antiga, foi confundida com os Estóicos por problemas de má tradução.
São pessoas simples, silenciosas, geralmente estão sorrindo e trazem paz aos que estão ao seu redor.
Apesar de cultuarem o Deus Éolo, têm uma relação ambígua com seu Deus, pois a característica mais marcante desta tribo é ficar totalmente descabelada ao tomar qualquer ventinho. Não há laquê, alisamento permanente ou boina que resolva. Foram muito confundidos com os Beatniks nos anos 1950.
Atualmente uma parte da tribo rompeu com os laços culturais e fundou a tribo dos Rastafári, que besuntam seus cabelos com tanta banha de porco que a moita não mexe nem no meio de um tornado.
Os Falsos Magros
Tribo que já esteve confinada na ilha de Tonga, hoje se espalhou pelo mundo. São extremamente inteligentes e sedentários, responsáveis por 50% do consumo de Pingo D´Ouro de todo o planeta.
Sua habilidade é se mimetizar ao máximo entre os magros, mesmo sendo rochunchudos. Usam roupas com listras, bem folgadas, fazem maquiagem para afinar o rosto, em suma, experts na arte da camuflagem.
São avessos ao contato social direto, em parte pelo fato de saberem que um abraço bem dado poderá colocar o disfarce em risco, já que eles ainda não conseguiram inventar uma estratégia para aparentarem magreza do ponto de vista táctil.
Os Juke Boxers
Em plena extinção nos dias de hoje. Com o desaparecimento dos Juke Boxs a tribo ficou sem moradia, muitos tentaram viver em cima de máquinas de salgadinhos dentro das empresas, mas a falta de música gera depressão e banzo na maioria dos indivíduos desta tribo.
Muito difíceis de serem encontrados por sua capacidade de passarem desapercebidos. A imagem acima mostra o quanto é complexo seu disfarce. Se prestar bastante atenção poderá reparar que há algo estanho na foto. Foque na parte superior do Juke Box e tente não focar em nada, vá se acostumando com a cor da parede e finalmente verá uma sombra um pouco mais escura. Agora foque e poderá ver algo parecido com um ser humano. Eis um Juke Boxer! Se por acaso não conseguir ver, pegue um daqueles livros de imagens 3D e fique treinando. Não são todas as pessoas que conseguem perceber a presença destes indivíduos.
Mas existem outras inúmeras tribos que vão sendo descobertas todos os dias, e estas não estão isoladas, elas muitas vezes estão mergulhadas em nossa civilização, mas não nos damos conta da existência delas. Vejam alguns exemplos que garimpei com meus amigos Sociólogos.
Os Furta-Cor
Muita gente não é capaz de identificar a tribo dos Furta-Cor pelo simples fato de não associar um indivíduo ao outro. Por exemplo, seu vizinho, que resolveu pintar as janelas da casa dele de azul real, as paredes de verde bandeira e os muros de amarelo gema, provavelmente é um Furta-Cor. E você achou que ele apenas era um nacionalista que resolveu transformar a casa numa versão sólida da bandeira do Brasil.
Sua tia que usa aquele vestido-sofá, sabe? Com Hibiscos estilizados alaranjados num fundo de mata tropical com variados tons de marrom e verde, pois é, ela também faz parte desta tribo.
Antigamente os Furta-Cor se tornavam mais visíveis na meia-idade, mas hoje muitos deles já são percebidos na adolescência, pelos tênis e bonés. Basta ir a um show do Restart ou Cine (eles ainda existem?) que você vai encontrar a ala jovem da tribo reunida.
Os Eólicos
Tribo muito antiga, foi confundida com os Estóicos por problemas de má tradução.
São pessoas simples, silenciosas, geralmente estão sorrindo e trazem paz aos que estão ao seu redor.
Apesar de cultuarem o Deus Éolo, têm uma relação ambígua com seu Deus, pois a característica mais marcante desta tribo é ficar totalmente descabelada ao tomar qualquer ventinho. Não há laquê, alisamento permanente ou boina que resolva. Foram muito confundidos com os Beatniks nos anos 1950.
Atualmente uma parte da tribo rompeu com os laços culturais e fundou a tribo dos Rastafári, que besuntam seus cabelos com tanta banha de porco que a moita não mexe nem no meio de um tornado.
Os Falsos Magros
Tribo que já esteve confinada na ilha de Tonga, hoje se espalhou pelo mundo. São extremamente inteligentes e sedentários, responsáveis por 50% do consumo de Pingo D´Ouro de todo o planeta.
Sua habilidade é se mimetizar ao máximo entre os magros, mesmo sendo rochunchudos. Usam roupas com listras, bem folgadas, fazem maquiagem para afinar o rosto, em suma, experts na arte da camuflagem.
São avessos ao contato social direto, em parte pelo fato de saberem que um abraço bem dado poderá colocar o disfarce em risco, já que eles ainda não conseguiram inventar uma estratégia para aparentarem magreza do ponto de vista táctil.
Os Juke Boxers
Em plena extinção nos dias de hoje. Com o desaparecimento dos Juke Boxs a tribo ficou sem moradia, muitos tentaram viver em cima de máquinas de salgadinhos dentro das empresas, mas a falta de música gera depressão e banzo na maioria dos indivíduos desta tribo.
Muito difíceis de serem encontrados por sua capacidade de passarem desapercebidos. A imagem acima mostra o quanto é complexo seu disfarce. Se prestar bastante atenção poderá reparar que há algo estanho na foto. Foque na parte superior do Juke Box e tente não focar em nada, vá se acostumando com a cor da parede e finalmente verá uma sombra um pouco mais escura. Agora foque e poderá ver algo parecido com um ser humano. Eis um Juke Boxer! Se por acaso não conseguir ver, pegue um daqueles livros de imagens 3D e fique treinando. Não são todas as pessoas que conseguem perceber a presença destes indivíduos.
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