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9.6.13

Retrato do Humano Contemporâneo - O Labrador (ou o Golden, tanto faz)


Nossos cachorros dizem muito sobre nós mesmos.

Sou de outra época, a do Pastor Alemão e do Doberman. O Pastor Alemão é um dos cachorros mais incríveis que conheço.
Fiquei muito feliz de ver a raça reaparecer na mídia depois do filme "Eu Sou a Lenda", do Will Smith.
O Doberman, apesar de ser considerado um cão bravo, na verdade é dócil e obediente. Não me lembro de caso de Doberman atacando dono. Grande cão de guarda.
Por outro lado...tive a oportunidade de conviver com muitos Fila Brasileiros. Muitos. Um amigo tinha uma criação. É tipo uma vaca, só que é cachorro. E é bravo.
Não me esqueço do dia em que chegou uma viatura cheia de policiais, chamando o caseiro para testemunhar um crime que tinha acontecido na cidade. O maior macho do canil foi e sentou do lado do carro. Não latiu, nada, só sentou.
Eu estava dentro da casa, escrevendo. Ouvi um barulho de gente chamando lá fora, tipo "psiu?", "oi?", "boa tarde?", coisas do gênero. Quando saí todos os policiais armados estavam dentro da viatura, com só uma frestinha do vidro aberto, esperando alguém aparecer. Fila é bicho ardiloso.

Hoje os cachorros padrão são o Golden e o Labrador. "Marley e Eu" é a Lassie do século XXI.
Bicho mimado, faz bagunça pela casa, mas é amoroso. Nada mais adequado para os dias de hoje.

Vivemos a era do mimo. Confundimos afeto com mimo. Conheço um monte de gente adulta mimada. E carente. Estes cachorros são assim. Identificação total.


O resto é cachorro ornamental, tipo moda. Teve os mini galgo, bulldog, bulldog francês, a lista é enorme. Sabemos a safra de uma pessoa pelo cachorro que ela têm. Por isto adoro as velhinhas que andam pela praça aqui no centro com uns vira-latas centenários como elas, ambos tentando ficar de pé e dar um rolê. E os puxadores de carroça que têm seus vira-latas acompanhando na busca pelos recicláveis. Não há moda nestes casos, aquilo é definitivamente um cachorro ao lado de um humano.

Os Labradores e Goldens são cachorros de médio/grande porte. Pensando que um grande número de pessoas em São Paulo mora em apartamentos, são animais que ocupam espaço, fisicamente falando.
Mas estranhamente parecem ornar com SUVs e famílias passeando no domingo. Só não sei onde eles ficam durante a semana. Os Goldens têm ainda a dificuldade de escovar aquele cabelão, imagino a quantidade de pelos que aquilo solta num apartamento de 100m2...

Não há cachorros mais icônicos de nossa classe média que estes dois. E acredito que seja pela sua doçura e simpatia. Vivemos em tempos carrancudos, em cidades mal humoradas, trânsito infernal, pessoas que viram a cara quando damos bom dia. Nada pior do que se chegássemos em casa e estivesse mais uma coisa olhando feio para a gente.


A melhor frase que conheço sobre cães e humanos é do Seinfeild, que diz que se os ETs viessem agora e vissem os humanos andando atrás dos cães segurando um saquinho e recolhendo o cocô deles pela calçada não teriam dúvida em saber quem é a espécie dominante...

11.3.12

Conhece a história de um cachorro de rua?

Nos últimos anos tive a oportunidade de conhecer muita gente, e, em especial, um cachorro. Ele mora na rua, tem porte de Pastor Alemão, mas é legítimo Vira-Lata.
Ele morava num cortiço na Avenida Liberdade, perto da praça. Pois um dia este cortiço pegou fogo (até saiu na televisão) e o cachorro foi morar na frente de um prédio abandonado, cem metros do cortiço.
O prédio abandonado acabou virando uma loja, Casas Bahia. Antes era uma ocupação do Movimento dos Sem Teto, que vendia produtos para apoiar a causa. E o cachorro dormia entre os produtos.
Quando o MST saiu as Casas Bahia entraram. E o cachorro continuou lá. Dentro da loja. Até botaram um papelão para ele dormir, entre uma TV de Plasma e um armário Sakai.
Acompanhei a chegada de outros cachorros na região. No terreno do cortiço criaram um estacionamento, e vários cachorros se conheceram por lá.
O pessoal do ponto de táxi sempre levou comida para eles, em especial um taxista barrigudo. Uma velhinha japonesa cuidava da água, e a cachorrada continuava.
Nesta semana passei na Liberdade e encontrei meu amigo cachorro tirando uma bela soneca em frente a outra loja, com expressão tranquila e curtindo sua velhice.
Uma pena que as pessoas não reparem no cotidiano, no cachorro da praça, na velhinha japonesa, no taxista barrigudo. Aprenderiam um monte.

29.2.12

Para os amantes dos animais e otakus em geral

Linda campanha, realismo fora de série, jingle incrível! Adorei os óculos vintage... Por sinal o que são aqueles gestos com uma cesta que ele faz?