Estava jogado na cama tentando dormir ontem quando comecei a folhear o Filosofia da Caixa Preta, do Willen Flusser. Achei curioso que fosse o terceiro filósofo que estou lendo que buscava romper com os modelos tradicionais da Filosofia (Bachelard, Heidegger e agora o Flusser).
No caso do Filosofia da Caixa Preta a primeira coisa que Flusser faz é apresentar um glossário logo no começo de seu pensamento, e esclarecer que não vai inserir uma bibliografia, para "... criar atmosfera de campo virgem".
No delicioso Glossário (que transcrevo no final deste post) se destacam duas palavras: O Aparelho e o Funcionário.
A definição de Aparelho, "brinquedo que simula um tipo de pensamento", a princípio é orientada para a máquina fotográfica, mas evidentemente instiga uma amplitude de reflexões. Como diz Flusser, só o fato da máquina transformar quatro dimensões (altura, largura, profundidade e tempo) em duas (altura e largura) já apresenta alta complexidade.
Por outro lado o caráter restritivo da máquina (simular um tipo específico de pensamento), traz a reflexão sobre a relação entre o objeto e a forma que ele é manipulado. Podemos dizer que durante certo tempo o homem moldou o martelo ao seu gesto necessário ao ato pretendido com ele. Hoje, é o martelo que molda no nosso gesto, é ele que cristaliza as possibilidades de relação que temos com o mundo. Assim, há uma cristalização da forma como podemos pensar o mundo nas restrições que os aparelhos nos oferecem.
Mas o que realmente me cutucou foi a definição de "Funcionário", mais precisamente designar o manipulador da máquina em alguém que está mais para Operador do que para Manipulador ou Criador.
"Funcionário : pessoa que brinca com aparelho e age em função dele"
E como estas duas entidades - Aparelho e Funcionário - se relacionam? Através da brincadeira.
O negócio é intrigante. Não li o livro inteiro, estou lendo alternado com o Poética do Espaço do Bachelard, mas senti que tem coelho bom saindo deste mato.
Gozado que já assisti a algumas palestras do Flusser, ouvi meu amigo João Borba falando um monte dele, mas só agora, acidentalmente, comecei a ler. Coisas misteriosas da vida...
GLOSSÁRIO PARA UMA FUTURA FILOSOFIA DA FOTOGRAFIA
Aparelho : brinquedo que simula um tipo de pensamento.
Aparelho fotográfico : brinquedo que traduz pensamento conceitual em fotografias.
Autômato : aparelho que obedece a programa que se desenvolve ao acaso.
Brinquedo : objeto para jogar.
Código : sistema de signos ordenado por regras.
Conceito : elemento constitutivo de texto.
Conceituação : capacidade para compor e decifrar textos.
Consciência histórica : consciência da linearidade ( por exemplo, a causalidade).
Decifrar : revelar o significado convencionado de símbolos.
Entropia : tendência a situações cada vez mais prováveis.
Fotografia : imagem tipo-folheto produzida e distribuída por aparelho.
Fotógrafo : pessoa que procura inserir na imagem informações imprevistas pelo aparelho fotográfico.
Funcionário : pessoa que brinca com aparelho e age em função dele.
História : tradução linearmente progressiva de idéias em conceitos, ou de imagens emtextos.
Idéia : elemento constitutivo da imagem.
Idolatria : incapacidade de decifrar os significados da idéia, não obstante a capacidade delê-la, portanto, adoração da imagem.
Imagem : superfície significativa na qual as idéias se inter-relacionam magicamente.
Imagem técnica : imagem produzida por aparelho.
Imaginação : capacidade para compor e decifrar imagens.
Informação : situação pouco-provável.
Informar : produzir situações pouco-prováveis e imprimi-las em objetos.
Instrumento : simulação de um órgão do corpo humano que serve ao trabalho.
Jogo : atividade que tem fim em si mesma.
Magia : existência no espaço-tempo do eterno retorno.
Máquina : instrumento no qual a simulação passou pelo crivo da teoria.Memória: celeiro de informações.Objeto: algo contra o qual esbarramos.
Objeto cultural : objeto portador de informação impressa pelo homem.
Pós-história : processo circular que retraduz textos em imagens.
Pré-história : domínio de idéias, ausência de conceitos; ou domínio de imagens, ausênciade textos.
Produção : atividade que transporta objeto da natureza para a cultura.
Programa : jogo de combinação com elementos claros e distintos.
Realidade : tudo contra o que esbarramos no caminho à morte, portanto, aquilo que nosinteressa.
Redundância : informação repetida, portanto, situação provável.
Rito : comportamento próprio da forma existencial mágica.
Scanning : movimento de varredura que decifra uma situação.
Setores primário e secundário: campos de atividades onde objetos são produzidos einformados.
Setor terciário : campo de atividade onde informações são produzidas.
Significado : meta do signo.
Signo : fenômeno cuja meta é outro fenômeno.
Símbolo : signo convencionado consciente ou inconscientemente.
Sintoma : signo causado pelo seu significado.
Situação : cena onde são significativas as relações-entre-as-coisas e não as coisas-mesmas.
Sociedade industrial : sociedade onde a maioria trabalha com máquinas.
Sociedade pós-industrial: sociedade onde a maioria trabalha no setor terciário.
Texto : signos da escrita em linhas.
Textolatria: incapacidade de decifrar conceitos nos signos de um texto, não obstante acapacidade de lê-los, portanto, adoração ao texto.
Trabalho: atividade que produz e informa objetos.
Traduzir : mudar de um código para outro, portanto, saltar de um universo a outro.
Universo: conjunto das combinações de um código, ou dos significados de um código.
Valor : dever-se.
Válido : algo que é como deve ser
Let´s Go!
Let´s Go!
27.6.13
26.6.13
Quais são seus fantasmas?
Para começar, deixo claro: Tenho montes de fantasmas.
Fantasmas são espíritos com quem não decidimos conviver. Sem que tenhamos controle, eles surgem em nossas vidas, e depois não sabemos como nos livrar deles.
Eu particularmente tenho dificuldades com todo tipo de desapego, aprendo dia a dia a deixar as coisas irem embora. Mas com enorme dificuldade. Lidar com o desapego é aceitar a finitude das coisas, e, em essência, lidar com sua própria finitude. Caixão não tem gaveta, como dizem.
Mas é muito estranho conviver com fantasmas e não ter desapego em relação a eles. Afinal de contas, você não gosta deles, eles não te fazem bem. Por que então eles grudam, a não ser pela sua própria vontade? Questões abstratas e a princípio não vinculadas a você deveriam ser facilmente descartadas. Mas não são.
Por um lado isto mostra que você é mais complexo do que acha que é. Que aquilo que você delineia com a caneta existencial como "sendo você" vai além do que gostaria ou que consegue captar de si mesmo. Há uma circunscrição da topografia de sua alma que não abrange seu todo: ele se espalha e escorre pelo desenho que fez, borrando as bordas e obrigando a rever as fronteiras de si.
Por outro lado os fantasmas te obrigam a lembrar que além de suas fronteiras serem artificialmente criadas, a caneta que usou para definir a linha que separa o eu do desconhecido têm forte valor moral, de julgamento de si mesmo. Como se usássemos a caneta para distinguir e destacar o que achamos bom em nós mesmos, estabelecendo a linha numa tentativa de nos dissociarmos daquilo que somos e consideramos ruim, que queríamos que não fôssemos, mas somos.
Descobri o poder do desenho ao tentar deixar o traço livre nas bordas da minha existência, do meu existir, um pouco por acaso, um pouco por necessidade, um pouco por distração. Não acredito em borracha, acho que elas deveriam ser banidas do cotidiano, para que lembremos que as coisas não tem volta, devem ser assimiladas ao desenho.
Mas aí entra outro aspecto, o do fetiche, ou do foco, tanto faz. Ao tentar redesenhar as bordas da existência e das definições internas de quem somos, existem reentrâncias mais fascinantes que outras, o apego ao detalhe faz com que fiquemos rabiscando em determinadas regiões e esqueçamos outras. E nas áreas em que não prestamos tanta atenção no desenho (por desinteresse estético ou por medo) é de onde surgem os fantasmas. Damos pouca atenção aos fantasmas, como se pudéssemos deixar para depois aquela região, e eles se avultam, pois fazem parte de um todo mais complexo que envolve desde a forma, a cor, a linha e a espessura e consistência da tinta.
Precisamos prestar atenção aos fantasmas, aceitar que existem, mas não necessariamente entendê-los como borrões de nossa existência, sem deixar que a caneta de cunho moral, superlativa, julgue novamente a forma de como estamos desenhando nossas bordas. Mas não é fácil.
Fantasmas são espíritos com quem não decidimos conviver. Sem que tenhamos controle, eles surgem em nossas vidas, e depois não sabemos como nos livrar deles.
Eu particularmente tenho dificuldades com todo tipo de desapego, aprendo dia a dia a deixar as coisas irem embora. Mas com enorme dificuldade. Lidar com o desapego é aceitar a finitude das coisas, e, em essência, lidar com sua própria finitude. Caixão não tem gaveta, como dizem.
Mas é muito estranho conviver com fantasmas e não ter desapego em relação a eles. Afinal de contas, você não gosta deles, eles não te fazem bem. Por que então eles grudam, a não ser pela sua própria vontade? Questões abstratas e a princípio não vinculadas a você deveriam ser facilmente descartadas. Mas não são.
Por um lado isto mostra que você é mais complexo do que acha que é. Que aquilo que você delineia com a caneta existencial como "sendo você" vai além do que gostaria ou que consegue captar de si mesmo. Há uma circunscrição da topografia de sua alma que não abrange seu todo: ele se espalha e escorre pelo desenho que fez, borrando as bordas e obrigando a rever as fronteiras de si.
Por outro lado os fantasmas te obrigam a lembrar que além de suas fronteiras serem artificialmente criadas, a caneta que usou para definir a linha que separa o eu do desconhecido têm forte valor moral, de julgamento de si mesmo. Como se usássemos a caneta para distinguir e destacar o que achamos bom em nós mesmos, estabelecendo a linha numa tentativa de nos dissociarmos daquilo que somos e consideramos ruim, que queríamos que não fôssemos, mas somos.
Descobri o poder do desenho ao tentar deixar o traço livre nas bordas da minha existência, do meu existir, um pouco por acaso, um pouco por necessidade, um pouco por distração. Não acredito em borracha, acho que elas deveriam ser banidas do cotidiano, para que lembremos que as coisas não tem volta, devem ser assimiladas ao desenho.
Mas aí entra outro aspecto, o do fetiche, ou do foco, tanto faz. Ao tentar redesenhar as bordas da existência e das definições internas de quem somos, existem reentrâncias mais fascinantes que outras, o apego ao detalhe faz com que fiquemos rabiscando em determinadas regiões e esqueçamos outras. E nas áreas em que não prestamos tanta atenção no desenho (por desinteresse estético ou por medo) é de onde surgem os fantasmas. Damos pouca atenção aos fantasmas, como se pudéssemos deixar para depois aquela região, e eles se avultam, pois fazem parte de um todo mais complexo que envolve desde a forma, a cor, a linha e a espessura e consistência da tinta.
Precisamos prestar atenção aos fantasmas, aceitar que existem, mas não necessariamente entendê-los como borrões de nossa existência, sem deixar que a caneta de cunho moral, superlativa, julgue novamente a forma de como estamos desenhando nossas bordas. Mas não é fácil.
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23.6.13
Movidas pela Coragem ou pelo Medo?
Este texto foi escrito pela minha amiga querida Dani, colega da Fecap, que enfrentou uma dura batalha com o câncer de mama. Recomendo a leitura!
Eu já comecei um texto como este várias vezes, mas tinha minha autocrítica me impedindo de terminá-los (todos os antes começados). Como expor algo tão íntimo e ao mesmo tempo tão comum? Ter câncer não é raro, tão pouco incomum hoje, algo que acomete os imortais da tevê e do cinema, mas há nuanças que fazem de cada caso um caso. Parece clichê, mas o assunto veio à tona há semanas com o caso da atriz Angelina Jolie. Eu fiz também o exame genético de busca por mutações celulares, do BRCA1 e do BRCA2, porque descobriu-se em mim um tipo de câncer de mama mais incomum, o triplo negativo e tenho uma prima da minha mãe, que teve câncer de ovário e de mama depois. Passou por tratamento e hoje está viva e bem, sempre foi uma mulher muito bonita por sinal. Esse foi quase o final de minha saga, porque, enfim, sou relativamente jovem e espero que esta luta não termine tão cedo, gostaria de viver ainda muuuuuuuuuuuuuito mais!
Sou professora, desde os 14 anos; cursei o antigo magistério e trabalho, desde os estágios, há 19 anos com educação. Sou formada pela USP em Letras, tenho uma irmã mais nova, gosto de ler, adoro sorvete e sou casada há 6 anos, mas estamos juntos há 14. O mais importante dessa breve apresentação é que sou mãe da Marina, de 2 anos e 8 meses e tive câncer de mama aos 32. Estava amamentando a filhota, querida, planejada, amada, que estava com 6 meses, quando descobri um pequeno caroço de + ou – 1,8 cm no seio esquerdo. Aparentava uma “formação de gordura do leite, célula adiposa”, sei lá, perdoem-me meus médicos o vulgarismo, parecia algo comum.
Minha obstetra, Drª. Ana Angélica Fonseca, minha guia, foi a primeira a me examinar e já devia saber que havia algo estranho, porque saí da consulta com uma bateria de exames a serem feitos com certa urgência. Hoje sei que ela já sabia o que me acometeria! O mastologista indicado foi o Dr. Mario Mourão Netto, só para lembrar que sou professora, todo e qualquer procedimento foi feito pelo convênio.
Eu não podia imaginar que ele, o Dr. Mourão, era o papa da mastologia no Brasil, ex-diretor do Hospital A.C. Camargo, em SP, quem seria para mim como um pai nestes próximos anos. Senhor simpático, mas sério, viajado, inteligentíssimo, com quem chorei compulsivamente quando me deu o meu diagnóstico final, pré-operatório, de carcinoma maligno, com pressa para a cirurgia, porque o pequeno tumor crescia assustadoramente ao toque. Depois de batalhas “homéricas” com a Unimed Palistana Seguros Saúde, apesar de ter direito ao Hospital Osvaldo Cruz ou ao próprio A.C. Camargo, eu só consegui o Hospital Vitória, na Anália Franco, com a rapidez que o Dr. Mourão desejava e que foi ótimo. A “fila de espera” era de dois meses em outros hospitais.
Foram ressonâncias, ultrassons, mamografias, biópsias, pulsões com agulhas finas, grossas, exames de sangue mil, etc, etc, passaram-se quatro meses desde a consulta com a Dr.ª Ana Angélica; fui operada no dia 17 de novembro de 2011, devido à competência e agilidade do Dr. Mourão e de toda a sua esquipe, desde a sua secretária.
Abram aspas para aquele dia na sala do mastologista, quando o médico me disse que eu teria que passar por mastectomia total da mama esquerda e ainda esvaziamento axilar esquerdo, o qual já tinha mais de 20 linfonodos, o que até poderia comprometer parte do movimento do braço, eu saí de lá e só pensava numa coisa: “nunca mais vou amamentar!” Vejam como é engraçado pensar nisso hoje, eu tinha acabado de tirar a Marina da amamentação, eu não sabia se iria viver para vê-la crescer, nem se iria ser mãe de novo, nem se deveria contar aquilo tudo a alguém, porque naquele momento o lugar mais seguro do mundo parecia a sala do Dr. Mourão!
Eu fui para o banheiro da sala de espera, olhei para o espelho e disse para mim mesma: “não vou pedir para ninguém me buscar, porque fiz questão de ir lá sozinha e ...” depois de ter chorado lá por um tempão “...não vou mais chorar quando sair daqui, porque eu vou conseguir dirigir até em casa, tenho minha família, meu companheiro e a Marina esperando por mim!” Mentira, porque eu chorei muito depois, antes, durante, enfim, por todo o tratamento!
Bem, não vou contar toda a saga da cirurgia, do tratamento, da quimioterapia e radioterapia no IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), porque foram 18 sessões de quimio, 32 de radio, engorda, emagrece, quase morri de tanta dor, de tanto vomitar, coloquei cateter para as aplicações, mas o que vale ser mencionado é o carinho de todos, no Hospital Vitória; agradeço a Deus e a todos da equipe cirúrgica, (anestesista, cirurgião oncologista, cirurgião plástico, instrumentalista, enfermeiras, ao Dr. Rogério, em especial, que é um fofo). E beijos carinhosos à Drª. Maristela e à enfermeira Lilian, do IBCC, que foram demais!
Foram os dias mais difíceis e também os mais felizes da minha vida! Posso afirmar com certeza que poucos no mundo vivem o que eu vivi, tanta intensidade, medo, vitórias diárias em tão pouco tempo; mesmo careca (admito, foi muito difícil ver o cabelo cair, eu usei peruca. Não curti o lance do lenço) a melhor parte do dia era … acordar, ver a Marina e ir para o hospital, porque eu estava viva, mais um dia, “estou viva”!
Nós levamos a Marina para o conhecer o mar! Mesmo de peruca eu fui. Fomos eu, o Rô, ela, meus sogros, a Santos! Ela não estava muito bem, pegou uma virose, não dormimos direito, conhecemos muitos Pronto Socorros, mas para mim pareceram as praias gregas! Poder vê-la pisar na areia pela primeira vez foi muito emocionante!
Nesse depoimento há um lado parecido com o que viveu a atriz Angelina Jolie, porque eu nunca esperava ter passado por isso, não tinha nenhum caso diretamente antecedente na família, com 32 anos, nunca tinha feito uma mamografia, não poderia esperar um carcinoma maligno de 9,8 cm (não são milímetros não, são centímetros), que cresceu assustadoramente em três meses. E apesar de tudo o que ela preveniu, eu não teria feito o que ela fez, sei lá, acho que não; foi movida pela medo, ou pela coragem, de não querer passar pelo o que a mãe passou e perder alguém próximo e amado para o câncer também não é fácil; mas ela fez uma escolha, a qual eu não pude fazer. Apesar da medicina ser a favor do método preventivo, ainda assim existia a possibilidade da doença não se desenvolver. Como no meu caso, havia a possibilidade remota dela acontecer e aconteceu! Parece plágio do Gianecchini, mas ele tem razão e só quem passou por isso sabe: o câncer também fez de mim uma pessoa melhor!
Não melhor do que ninguém, antes tivesse a boca e a conta bancária da Jolie, (porque marido eu tenho um de primeira, a pessoa mais calma e mais companheira que alguém poderia ter ao seu lado, que foi pai e mãe da Marina e ficou do meu lado nos piores momentos! Deixa os amigos do Rô lerem isso!), contudo sou muito melhor do que eu era antes! E ainda falta parte de mim, porque não sei se ela fez o esvaziamento da mama, preservando pele e mamilos, o que não deixa de ser uma mastectomia preventiva, mas eu e muitas outras vítimas do câncer fomos mutiladas, (não foi possível ainda fazer a minha cirurgia reparadora, tamanha gravidade foi a cirurgia do dia da retirada do tumor), apesar de todo cuidado de profissionais como o Dr. Alexandre Katalinic Dutra, que é o melhor cirurgião plástico do mundo, porque ele cuida das pessoas que o procuram, não das “partes” do corpo que ele repara! Nunca conheci profissional tão atencioso e gentil, assim como sua secretária Luci, além da linda esposa, que se chama Marina, olhe como é este mundo cheio de não-coincidências!
A vida é um risco diário, esta aposta no que não se sabe que vai acontecer é que temos para hoje! Esta é a graça em estar vivo, saber que se pode morrer! Parece que a descoberta em ser imortal é algo que nos exige tanto! Obrigada inclusive à Drª. Eleonora Haddad Antunes, minha psiquiatra, e à minha terapeuta, Drª. Ana Cristina Marzolla, porque sem elas estar bem hoje não seria possível. Meu exame genético para investigar as possíveis mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 deu a presença de 8 mutações no BRCA1 , mas todas inconclusivas, logo a minha possibilidade inconclusiva de ter câncer, de + ou - 25%, já se concluiu, eu espero que sem reincidências. A Drª. Maria Isabel W. Achatz até ligou em casa para me acalmar sobre o resultado desse exame. Exame que ainda não é feito pelo SUS, tampouco pelos convênios, nem em casos graves como o meu, mesmo com solicitações expressas de médicos tão importantes como a Drª. Maria Isabel, diretora do setor de oncogenética do Hospital A.C. Camargo, em SP. Eu só consegui o meu pedido, na Unimed Paulistana, depois de 40 dias, com jurisprudência, (o que significa que outras pessoas já haviam conseguido o exame antes), depois de tamanha batalha, como foi a minha e ainda prometi ao Dr. Mourão, um profissional incansável, que iria tentar divulgar a todos essa causa que não é inglória: não é luxo o Sintema Único de Saúde dispor esse exame às pessoas que não podem pagar um convênio ou lutar como eu lutei para consegui-lo!
Às vezes, diante das dificuldades, achava que estava sonhando (ou morrendo), tamanho cuidado os profissionais da oncologia tiveram comigo! Enfim, o objetivo da exame era pesquisar se uma ooforectomia profilática seria necessária (retirada do ovário), ou também uma mastectomia da mama direita, preventivamente, as quais provavelmente não seriam cobertas pelo convênio. Inclusive, como a fez a atriz Angelina Jolie, alvo do assunto discutido há semanas pela mídia, ao qual eu estava assistindo na tevê, enquanto lia o resultado de meu exame. Foi quando o meu amigo do trabalho, A. Bender, pediu-me para pensar num depoimento, aqui estou há dias, escrevendo o mesmo texto, e acho que agora foi!
Na verdade está sendo, talvez até tenha sido mais fácil para mim, podem dizer muitos, diziam e dizem que eu tive muita coragem; não sabem que só foi possível porque tenho a Marina, tenho muitos amigos, tive muita ajuda da minha querida mãe, da minha sogra, que é como mãe, da minha irmã, sogro, cunhados, família, dos amigos da escola onde trabalho, minha diretora, minha terapeuta, a fisioterapeuta e acupunturista Simone (quem se tornou a melhor amiga dos últimos tempos), além de todas as companheiras e companheiros de causa que fiz no IBCC, pessoas humildes, ou jornalistas, empregadas domésticas, ou donas de casa, professoras, ou atendentes de telemarketing, pessoas comuns como eu, todos aprendemos a viver apenas um problema de cada vez; já a certeza da cura, não sei, mas com a certeza da esperança na vida, claro, todos os dias!
Danielle Karen de Lima, 06 de junho de 2013.
Dicas de pesquisa:
http://www.ibcc.org.br/
http://www.accamargo.org.br/
http://www.euquerobiologia.com.br/2013/01/desvendando-o-cancer-de-mama-triplo.html
http://www.cancer.org.br/noticia/733/retirada-das-mamas-so-vale-para-casos-extremos
Eu já comecei um texto como este várias vezes, mas tinha minha autocrítica me impedindo de terminá-los (todos os antes começados). Como expor algo tão íntimo e ao mesmo tempo tão comum? Ter câncer não é raro, tão pouco incomum hoje, algo que acomete os imortais da tevê e do cinema, mas há nuanças que fazem de cada caso um caso. Parece clichê, mas o assunto veio à tona há semanas com o caso da atriz Angelina Jolie. Eu fiz também o exame genético de busca por mutações celulares, do BRCA1 e do BRCA2, porque descobriu-se em mim um tipo de câncer de mama mais incomum, o triplo negativo e tenho uma prima da minha mãe, que teve câncer de ovário e de mama depois. Passou por tratamento e hoje está viva e bem, sempre foi uma mulher muito bonita por sinal. Esse foi quase o final de minha saga, porque, enfim, sou relativamente jovem e espero que esta luta não termine tão cedo, gostaria de viver ainda muuuuuuuuuuuuuito mais!
Sou professora, desde os 14 anos; cursei o antigo magistério e trabalho, desde os estágios, há 19 anos com educação. Sou formada pela USP em Letras, tenho uma irmã mais nova, gosto de ler, adoro sorvete e sou casada há 6 anos, mas estamos juntos há 14. O mais importante dessa breve apresentação é que sou mãe da Marina, de 2 anos e 8 meses e tive câncer de mama aos 32. Estava amamentando a filhota, querida, planejada, amada, que estava com 6 meses, quando descobri um pequeno caroço de + ou – 1,8 cm no seio esquerdo. Aparentava uma “formação de gordura do leite, célula adiposa”, sei lá, perdoem-me meus médicos o vulgarismo, parecia algo comum.
Minha obstetra, Drª. Ana Angélica Fonseca, minha guia, foi a primeira a me examinar e já devia saber que havia algo estranho, porque saí da consulta com uma bateria de exames a serem feitos com certa urgência. Hoje sei que ela já sabia o que me acometeria! O mastologista indicado foi o Dr. Mario Mourão Netto, só para lembrar que sou professora, todo e qualquer procedimento foi feito pelo convênio.
Eu não podia imaginar que ele, o Dr. Mourão, era o papa da mastologia no Brasil, ex-diretor do Hospital A.C. Camargo, em SP, quem seria para mim como um pai nestes próximos anos. Senhor simpático, mas sério, viajado, inteligentíssimo, com quem chorei compulsivamente quando me deu o meu diagnóstico final, pré-operatório, de carcinoma maligno, com pressa para a cirurgia, porque o pequeno tumor crescia assustadoramente ao toque. Depois de batalhas “homéricas” com a Unimed Palistana Seguros Saúde, apesar de ter direito ao Hospital Osvaldo Cruz ou ao próprio A.C. Camargo, eu só consegui o Hospital Vitória, na Anália Franco, com a rapidez que o Dr. Mourão desejava e que foi ótimo. A “fila de espera” era de dois meses em outros hospitais.
Foram ressonâncias, ultrassons, mamografias, biópsias, pulsões com agulhas finas, grossas, exames de sangue mil, etc, etc, passaram-se quatro meses desde a consulta com a Dr.ª Ana Angélica; fui operada no dia 17 de novembro de 2011, devido à competência e agilidade do Dr. Mourão e de toda a sua esquipe, desde a sua secretária.
Abram aspas para aquele dia na sala do mastologista, quando o médico me disse que eu teria que passar por mastectomia total da mama esquerda e ainda esvaziamento axilar esquerdo, o qual já tinha mais de 20 linfonodos, o que até poderia comprometer parte do movimento do braço, eu saí de lá e só pensava numa coisa: “nunca mais vou amamentar!” Vejam como é engraçado pensar nisso hoje, eu tinha acabado de tirar a Marina da amamentação, eu não sabia se iria viver para vê-la crescer, nem se iria ser mãe de novo, nem se deveria contar aquilo tudo a alguém, porque naquele momento o lugar mais seguro do mundo parecia a sala do Dr. Mourão!
Eu fui para o banheiro da sala de espera, olhei para o espelho e disse para mim mesma: “não vou pedir para ninguém me buscar, porque fiz questão de ir lá sozinha e ...” depois de ter chorado lá por um tempão “...não vou mais chorar quando sair daqui, porque eu vou conseguir dirigir até em casa, tenho minha família, meu companheiro e a Marina esperando por mim!” Mentira, porque eu chorei muito depois, antes, durante, enfim, por todo o tratamento!
Bem, não vou contar toda a saga da cirurgia, do tratamento, da quimioterapia e radioterapia no IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), porque foram 18 sessões de quimio, 32 de radio, engorda, emagrece, quase morri de tanta dor, de tanto vomitar, coloquei cateter para as aplicações, mas o que vale ser mencionado é o carinho de todos, no Hospital Vitória; agradeço a Deus e a todos da equipe cirúrgica, (anestesista, cirurgião oncologista, cirurgião plástico, instrumentalista, enfermeiras, ao Dr. Rogério, em especial, que é um fofo). E beijos carinhosos à Drª. Maristela e à enfermeira Lilian, do IBCC, que foram demais!
Foram os dias mais difíceis e também os mais felizes da minha vida! Posso afirmar com certeza que poucos no mundo vivem o que eu vivi, tanta intensidade, medo, vitórias diárias em tão pouco tempo; mesmo careca (admito, foi muito difícil ver o cabelo cair, eu usei peruca. Não curti o lance do lenço) a melhor parte do dia era … acordar, ver a Marina e ir para o hospital, porque eu estava viva, mais um dia, “estou viva”!
Nós levamos a Marina para o conhecer o mar! Mesmo de peruca eu fui. Fomos eu, o Rô, ela, meus sogros, a Santos! Ela não estava muito bem, pegou uma virose, não dormimos direito, conhecemos muitos Pronto Socorros, mas para mim pareceram as praias gregas! Poder vê-la pisar na areia pela primeira vez foi muito emocionante!
Nesse depoimento há um lado parecido com o que viveu a atriz Angelina Jolie, porque eu nunca esperava ter passado por isso, não tinha nenhum caso diretamente antecedente na família, com 32 anos, nunca tinha feito uma mamografia, não poderia esperar um carcinoma maligno de 9,8 cm (não são milímetros não, são centímetros), que cresceu assustadoramente em três meses. E apesar de tudo o que ela preveniu, eu não teria feito o que ela fez, sei lá, acho que não; foi movida pela medo, ou pela coragem, de não querer passar pelo o que a mãe passou e perder alguém próximo e amado para o câncer também não é fácil; mas ela fez uma escolha, a qual eu não pude fazer. Apesar da medicina ser a favor do método preventivo, ainda assim existia a possibilidade da doença não se desenvolver. Como no meu caso, havia a possibilidade remota dela acontecer e aconteceu! Parece plágio do Gianecchini, mas ele tem razão e só quem passou por isso sabe: o câncer também fez de mim uma pessoa melhor!
Não melhor do que ninguém, antes tivesse a boca e a conta bancária da Jolie, (porque marido eu tenho um de primeira, a pessoa mais calma e mais companheira que alguém poderia ter ao seu lado, que foi pai e mãe da Marina e ficou do meu lado nos piores momentos! Deixa os amigos do Rô lerem isso!), contudo sou muito melhor do que eu era antes! E ainda falta parte de mim, porque não sei se ela fez o esvaziamento da mama, preservando pele e mamilos, o que não deixa de ser uma mastectomia preventiva, mas eu e muitas outras vítimas do câncer fomos mutiladas, (não foi possível ainda fazer a minha cirurgia reparadora, tamanha gravidade foi a cirurgia do dia da retirada do tumor), apesar de todo cuidado de profissionais como o Dr. Alexandre Katalinic Dutra, que é o melhor cirurgião plástico do mundo, porque ele cuida das pessoas que o procuram, não das “partes” do corpo que ele repara! Nunca conheci profissional tão atencioso e gentil, assim como sua secretária Luci, além da linda esposa, que se chama Marina, olhe como é este mundo cheio de não-coincidências!
A vida é um risco diário, esta aposta no que não se sabe que vai acontecer é que temos para hoje! Esta é a graça em estar vivo, saber que se pode morrer! Parece que a descoberta em ser imortal é algo que nos exige tanto! Obrigada inclusive à Drª. Eleonora Haddad Antunes, minha psiquiatra, e à minha terapeuta, Drª. Ana Cristina Marzolla, porque sem elas estar bem hoje não seria possível. Meu exame genético para investigar as possíveis mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 deu a presença de 8 mutações no BRCA1 , mas todas inconclusivas, logo a minha possibilidade inconclusiva de ter câncer, de + ou - 25%, já se concluiu, eu espero que sem reincidências. A Drª. Maria Isabel W. Achatz até ligou em casa para me acalmar sobre o resultado desse exame. Exame que ainda não é feito pelo SUS, tampouco pelos convênios, nem em casos graves como o meu, mesmo com solicitações expressas de médicos tão importantes como a Drª. Maria Isabel, diretora do setor de oncogenética do Hospital A.C. Camargo, em SP. Eu só consegui o meu pedido, na Unimed Paulistana, depois de 40 dias, com jurisprudência, (o que significa que outras pessoas já haviam conseguido o exame antes), depois de tamanha batalha, como foi a minha e ainda prometi ao Dr. Mourão, um profissional incansável, que iria tentar divulgar a todos essa causa que não é inglória: não é luxo o Sintema Único de Saúde dispor esse exame às pessoas que não podem pagar um convênio ou lutar como eu lutei para consegui-lo!
Às vezes, diante das dificuldades, achava que estava sonhando (ou morrendo), tamanho cuidado os profissionais da oncologia tiveram comigo! Enfim, o objetivo da exame era pesquisar se uma ooforectomia profilática seria necessária (retirada do ovário), ou também uma mastectomia da mama direita, preventivamente, as quais provavelmente não seriam cobertas pelo convênio. Inclusive, como a fez a atriz Angelina Jolie, alvo do assunto discutido há semanas pela mídia, ao qual eu estava assistindo na tevê, enquanto lia o resultado de meu exame. Foi quando o meu amigo do trabalho, A. Bender, pediu-me para pensar num depoimento, aqui estou há dias, escrevendo o mesmo texto, e acho que agora foi!
Na verdade está sendo, talvez até tenha sido mais fácil para mim, podem dizer muitos, diziam e dizem que eu tive muita coragem; não sabem que só foi possível porque tenho a Marina, tenho muitos amigos, tive muita ajuda da minha querida mãe, da minha sogra, que é como mãe, da minha irmã, sogro, cunhados, família, dos amigos da escola onde trabalho, minha diretora, minha terapeuta, a fisioterapeuta e acupunturista Simone (quem se tornou a melhor amiga dos últimos tempos), além de todas as companheiras e companheiros de causa que fiz no IBCC, pessoas humildes, ou jornalistas, empregadas domésticas, ou donas de casa, professoras, ou atendentes de telemarketing, pessoas comuns como eu, todos aprendemos a viver apenas um problema de cada vez; já a certeza da cura, não sei, mas com a certeza da esperança na vida, claro, todos os dias!
Danielle Karen de Lima, 06 de junho de 2013.
Dicas de pesquisa:
http://www.ibcc.org.br/
http://www.accamargo.org.br/
http://www.euquerobiologia.com.br/2013/01/desvendando-o-cancer-de-mama-triplo.html
http://www.cancer.org.br/noticia/733/retirada-das-mamas-so-vale-para-casos-extremos
A Rede Social Offline - A Disseminação das Manifestações não é Fractal, mas sim de Aglutinação
Já falei em um vídeo (veja abaixo) sobre a relação estrutural entre as Manifestações e o Harlem Shake. Mas a questão dos conteúdos de expressão da Manifestação é outra. Estas pessoas se aglutinam em torno de quê, especificamente? Se antigamente o povo se juntava em torno de uma causa, hoje as pessoas levam suas causas para juntar à manifestação.
O que muda?
Enquanto em outros movimentos políticos existia uma causa clara - Liberdade de Imprensa, por exemplo - e as pessoas que se identificavam com esta causa iam às ruas para dar força ao movimento e torna-lo expressivo, hoje, o que vemos é as pessoas levarem suas causas de cada micro-grupo para darem força ao grupo. Por isto vemos tantas faixas e bandeiras, quase individuais, espalhadas pela multidão.Um dos grandes baratos de quem está na manifestação é ver o que cada faixa ou cartolina está dizendo, muito parecido com os memes e os posts que preenchem nossas timelines nas redes sociais.
Um deles, que dizia "Saímos do Facebook" significa um pouco isto. Obviamente isto não significa que a Ágora Virtual que é o Facebook se expandiu e foi para o offline, mas sim que já existiam reflexões pessoais e de pequenos grupos que se manifestavam no online e agora levam seus "posts" para a rua. E isto volta para as redes sociais online, já que as pessoas fotografam os cartazes e postam em suas timelines, gerando um ciclo de comunicação virtuoso, pelo menos até o presente momento.
Voltando a Santo André e as pequenas Manifestações
Um amigo meu publicou, orgulhoso, a manifestação em sua cidade, Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Na foto era possível ver umas 300 pessoas com guarda-chuvas fazendo uma micro manifestação no centro da cidade.
Os alunos da 8a série da escola de minha filha criaram um evento pelo Facebook e juntaram 200 garotos para fazerem uma manifestação na frente da escola, parando a pequena travessa onde ela fica.
Agora vá até o álbum do Flickr onde estão as fotos do Américo Rodrigues e veja: Há um pouco de tudo naquele pequeno grupo. A intenção é se juntar e expressar questões num espaço coletivo, agregando a sua causa pessoal às causas de outras pessoas.
Quando pensamos nas grandes manifestações, como de São Paulo, Rio e Belo Horizonte, devemos ter em mente não apenas o número de pessoas que teoricamente aderiram a uma causa específica, mas sim a um maior número de pessoas por causa e um maior número de causas, o que gera uma complexidade de situação muito maior. Se existe na manifestação de Santo André um casal gay se manifestando em SP há uma passeata específica dos Gays para se expressarem, que se dirige para a Avenida Paulista, onde encontrará as outras manifestações vindas de todos os outros lados da cidade.
E existem grupos menores, como os Nacionalistas Radicais de Direita, que não são significativos em Santa Rosa ou Santo André mas que em SP existem, que também vão juntos avolumar a massa de gente, expressando seu ponto de vista. O mesmo vale para partidos políticos, agremiações, movimentos sociais, ONGs, e por aí vai.
Não é simples atuar perante inúmeros grupos reunidos, que inclusive discordam entre si. A diversidade de interesses e motivos varia de acordo com o local, mas está presente em todos.
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18.6.13
65 Mil Pessoas pararam São Paulo?
Se têm alguma coisa que aprendi nestes movimentos é que definitivamente não vou levar mais a sério os meios de comunicação tradicionais. Os canais de televisão aberta e os grandes portais não entenderam o movimento em São Paulo (ou não quiseram entender), e a cobertura é a mais vergonhosa que vi desde que nasci.
Para deixar claro: Não estou sendo influenciado pelo sentimento de nacionalismo e querendo achar que foi uma manifestação maior do que realmente foi pela sua importância simbólica. No universo do simbólico basta uma, e apenas uma pessoa num ato solitário para que alguma coisa faça sentido.
Primeiro: A mídia estava em busca de quê? O que é notícia? Pelo que entendi notícia é baderna, confusão e vandalismo. Nos locais onde isto aconteceu pelo Brasil sempre tinha gente da mídia registrando. Nos locais onde passei, onde as pessoas andavam tranquilamente numa massa gigantesca, a mídia tradicional não deu cobertura. Será que os canais abertos viraram de vez um grande programa do Datena, onde quanto pior for melhor? Por que aí dá audiência?
Segundo: Incrível como os poucos políticos profissionais falaram bobagem sobre o assunto. É evidente que devem ser raríssimos os políticos profissionais que representam alguém que estava nas manifestações. E estes movimentos tipo PSTU e Passe Livre até tentaram "dirigir" as manifestações, mas não conseguiram, o que acho ótimo. Um fato que reflete a miopia político-partidária é que os governos estão convocando as "lideranças" do movimento para negociar, como se isto existisse de verdade. Quer dizer que se o Alckmin, a Dilma e o líder do PSTU sentarem e negociarem o PSTU vai mandar uma mensagem e todo mundo vai ficar em casa? Será que eles acreditam nisto mesmo?
Terceiro: Os canais de comunicação e os governos precisam escolher, ou foram poucas pessoas para as ruas ou São Paulo parou. Dizem que a Parada Gay junta mais de um milhão de pessoas na rua quando ocupa a Avenida Paulista. Ontem tinha gente na Marginal do Pinheiros, no Largo da Batata, na Faria Lima, na Rebouças, na 23 de Maio, na JK, na Berrini, na Ponte Estaiada, na Santo Amaro, no Palácio do Governo. Para se ter uma ideia, quando estávamos chegando na JK tinha gente que ainda não tinha saído do Largo da Batata, e já tinha gente na Ponte Estaiada, um trajeto de 12 quilômetros.
É manipulação para todo o lado, né? Será que o pessoal não percebeu que a luta é justamente contra isto? Caros representantes do governo e políticos, canais de comunicação, revejam o que estão fazendo pois neste momento vocês não representam ninguém que estava nas ruas, apenas os seus próprios (e muitas vezes questionáveis) interesses.
9.6.13
Retrato do Humano Contemporâneo - O Labrador (ou o Golden, tanto faz)
Nossos cachorros dizem muito sobre nós mesmos.
Sou de outra época, a do Pastor Alemão e do Doberman. O Pastor Alemão é um dos cachorros mais incríveis que conheço.
Fiquei muito feliz de ver a raça reaparecer na mídia depois do filme "Eu Sou a Lenda", do Will Smith.
O Doberman, apesar de ser considerado um cão bravo, na verdade é dócil e obediente. Não me lembro de caso de Doberman atacando dono. Grande cão de guarda.
Não me esqueço do dia em que chegou uma viatura cheia de policiais, chamando o caseiro para testemunhar um crime que tinha acontecido na cidade. O maior macho do canil foi e sentou do lado do carro. Não latiu, nada, só sentou.
Eu estava dentro da casa, escrevendo. Ouvi um barulho de gente chamando lá fora, tipo "psiu?", "oi?", "boa tarde?", coisas do gênero. Quando saí todos os policiais armados estavam dentro da viatura, com só uma frestinha do vidro aberto, esperando alguém aparecer. Fila é bicho ardiloso.
Hoje os cachorros padrão são o Golden e o Labrador. "Marley e Eu" é a Lassie do século XXI.
Bicho mimado, faz bagunça pela casa, mas é amoroso. Nada mais adequado para os dias de hoje.
Vivemos a era do mimo. Confundimos afeto com mimo. Conheço um monte de gente adulta mimada. E carente. Estes cachorros são assim. Identificação total.
O resto é cachorro ornamental, tipo moda. Teve os mini galgo, bulldog, bulldog francês, a lista é enorme. Sabemos a safra de uma pessoa pelo cachorro que ela têm. Por isto adoro as velhinhas que andam pela praça aqui no centro com uns vira-latas centenários como elas, ambos tentando ficar de pé e dar um rolê. E os puxadores de carroça que têm seus vira-latas acompanhando na busca pelos recicláveis. Não há moda nestes casos, aquilo é definitivamente um cachorro ao lado de um humano.
Os Labradores e Goldens são cachorros de médio/grande porte. Pensando que um grande número de pessoas em São Paulo mora em apartamentos, são animais que ocupam espaço, fisicamente falando.
Mas estranhamente parecem ornar com SUVs e famílias passeando no domingo. Só não sei onde eles ficam durante a semana. Os Goldens têm ainda a dificuldade de escovar aquele cabelão, imagino a quantidade de pelos que aquilo solta num apartamento de 100m2...
Não há cachorros mais icônicos de nossa classe média que estes dois. E acredito que seja pela sua doçura e simpatia. Vivemos em tempos carrancudos, em cidades mal humoradas, trânsito infernal, pessoas que viram a cara quando damos bom dia. Nada pior do que se chegássemos em casa e estivesse mais uma coisa olhando feio para a gente.
A melhor frase que conheço sobre cães e humanos é do Seinfeild, que diz que se os ETs viessem agora e vissem os humanos andando atrás dos cães segurando um saquinho e recolhendo o cocô deles pela calçada não teriam dúvida em saber quem é a espécie dominante...
1.6.13
O objeto inalcançável - A Nave Enterprise
Tenho certeza de que os fãs de Star Trek se interessarão por este post, mas garanto que todos vão entender o que quero dizer.
Star Trek é um seriado cujo personagem principal é uma nave. Esta é a verdade, alguém já disse isto e eu não me lembro quem foi. O personagem essencial é a nave. E a grande diversão dos filmes é ver como os personagens interagem entre si diante das adversidades das histórias.
O último filme, Além da Escuridão, resgata vilões antigos (e importantes), têm uma história cheia de correrias para lá e para cá, inversões de situações de filmes anteriores, mas a nave continua sendo o personagem principal.
Por que?
A abertura do seriado e dos filmes sempre cita a missão da Enterprise:
“Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos em busca de estranhos novos mundos, novas vidas e novas civilizações. Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.”
Algumas pessoas dizem que há um fetiche pelo Objeto da nave, a coisa da idolatria. Eu já discordo, o fetiche é pelo Objetivo da nave. Ir em busca do desconhecido, novos mundos: A fronteira final.
A série se propõe a investigar aquilo que não sabemos o que é, as fronteiras do conhecimento, colocar em xeque modos de pensar e abrir a cabeça para o novo.
Neste sentido, Star Trek é imbatível.
Curiosamente ia escrever um texto diferente sobre o assunto. Queria falar sobre a vontade de entrar na nave, e a consciência que temos de que nunca poderemos entrar nesta nave, por mais que queiramos. Mas isto vale para muitos outros conceitos abstratos criados pela nossa sociedade e mantidos por nós, como os julgamentos morais, o amor, a vida comum, e tantas outras abstrações que nos rodeiam e acabamos convivendo com elas. E achamos que realmente entramos nesta nave simbólica, mas apenas simulamos que entramos, já que ela é uma ideia, inatingível, inacessível, como a Enterprise, aquela nave bela que flutua na tela do cinema.
Star Trek é um seriado cujo personagem principal é uma nave. Esta é a verdade, alguém já disse isto e eu não me lembro quem foi. O personagem essencial é a nave. E a grande diversão dos filmes é ver como os personagens interagem entre si diante das adversidades das histórias.
O último filme, Além da Escuridão, resgata vilões antigos (e importantes), têm uma história cheia de correrias para lá e para cá, inversões de situações de filmes anteriores, mas a nave continua sendo o personagem principal.
Por que?
A abertura do seriado e dos filmes sempre cita a missão da Enterprise:
“Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos em busca de estranhos novos mundos, novas vidas e novas civilizações. Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.”
Algumas pessoas dizem que há um fetiche pelo Objeto da nave, a coisa da idolatria. Eu já discordo, o fetiche é pelo Objetivo da nave. Ir em busca do desconhecido, novos mundos: A fronteira final.
A série se propõe a investigar aquilo que não sabemos o que é, as fronteiras do conhecimento, colocar em xeque modos de pensar e abrir a cabeça para o novo.
Neste sentido, Star Trek é imbatível.
Curiosamente ia escrever um texto diferente sobre o assunto. Queria falar sobre a vontade de entrar na nave, e a consciência que temos de que nunca poderemos entrar nesta nave, por mais que queiramos. Mas isto vale para muitos outros conceitos abstratos criados pela nossa sociedade e mantidos por nós, como os julgamentos morais, o amor, a vida comum, e tantas outras abstrações que nos rodeiam e acabamos convivendo com elas. E achamos que realmente entramos nesta nave simbólica, mas apenas simulamos que entramos, já que ela é uma ideia, inatingível, inacessível, como a Enterprise, aquela nave bela que flutua na tela do cinema.
26.5.13
Grafiti? Para mim são entalhes na madeira do mundo
Fiz um grafiti na casa do meu querido amigo Luis Fernando Almeida neste final de semana. Na verdade fiz meio grafiti, pois tem uma parte que preciso terminar, faltou material.
Não tenho grande experiência com grafiti, mas tenho com o riscar. O risco faz parte de meu cotidiano, sem duplos sentidos psicológicos.
Queria falar algumas coisas sobre meu trabalho no universo visual. A primeira é que todo desenho é consequência do anterior, ou seja, ele faz parte de uma grande história, que começa nos meus cadernos no dia em que meu avô morre e se espalham por diversos suportes, em objetos, paredes, telas e mais o que aparecer pela frente. Existe uma mutação da forma, que conduz o tema, e vice-e-versa. Mas há uma proximidade visível entre o anterior e o próximo.
O que é realmente relevante neste tipo de trabalho não é a criação de uma imagem mental e a aplicação desta imagem sobre uma superfície. O que mais me interessa é o diálogo entre a superfície, o traço e a forma. Por isto a importância de alguns tipos de canetas (a fluidez da tinta, a ponta, a quantidade de tinta que escorre, o tempo de secagem) de desenho que uso. E por isto minha pequena produção de desenhos atualmente, já que as canetas que uso estão em falta no mercado. Preciso repensar o que vou fazer com isto.
A hachura (risquinhos), universo de textura/traço que habito, é absolutamente derivada da experiência com o entalhe das matrizes de xilogravura. O diálogo entre tentar cortar e o veio da madeira deixou uma marca importante na minha maneira de enxergar o produzir artístico. Algo como se fosse impossível aplicar uma ideia "pura" no mundo, na hora que traduzimos o pensar ele precisa passar pela característica do traço e depois dialogar com as características do suporte, que já existe, tem sua forma, densidade, etc.
Quando dou aula de Arte para adolescentes costumo dizer que "na vida não há borracha", e acho que todos devíamos pensar desta maneira. O traço que sai da caneta (ou da goiva, do cinzel, do pincel) é o que saiu, portanto, faz parte do gesto. O próximo gesto deverá dialogar com ele, e não corrigi-lo.
Sobre meus temas de desenho? Alguns são meus fantasmas, como o Super Herói que povoa minha alma e tento matar, descobrir qual é a Kriptonita que preciso usar. Enquanto não consigo matar o bicho, sublimo sua fantasmagoria em meus desenhos, deixo o monstro ir para fora de mim. Mas ele é assunto para outro post.
Meus asteróides são os ambientes inóspitos por onde este Super Herói viaja, mas meus asteróides às vezes se transformam em tentáculos (são formas muito semelhantes, um tentáculo enrolado parece muito com um asteróide). Neste exato momento, o asteróide está em mutação, e os tentáculos estão surgindo.
Crédito das duas primeiras fotos para Luis Fernando Almeida.
Não tenho grande experiência com grafiti, mas tenho com o riscar. O risco faz parte de meu cotidiano, sem duplos sentidos psicológicos.
Queria falar algumas coisas sobre meu trabalho no universo visual. A primeira é que todo desenho é consequência do anterior, ou seja, ele faz parte de uma grande história, que começa nos meus cadernos no dia em que meu avô morre e se espalham por diversos suportes, em objetos, paredes, telas e mais o que aparecer pela frente. Existe uma mutação da forma, que conduz o tema, e vice-e-versa. Mas há uma proximidade visível entre o anterior e o próximo.
O que é realmente relevante neste tipo de trabalho não é a criação de uma imagem mental e a aplicação desta imagem sobre uma superfície. O que mais me interessa é o diálogo entre a superfície, o traço e a forma. Por isto a importância de alguns tipos de canetas (a fluidez da tinta, a ponta, a quantidade de tinta que escorre, o tempo de secagem) de desenho que uso. E por isto minha pequena produção de desenhos atualmente, já que as canetas que uso estão em falta no mercado. Preciso repensar o que vou fazer com isto.
A hachura (risquinhos), universo de textura/traço que habito, é absolutamente derivada da experiência com o entalhe das matrizes de xilogravura. O diálogo entre tentar cortar e o veio da madeira deixou uma marca importante na minha maneira de enxergar o produzir artístico. Algo como se fosse impossível aplicar uma ideia "pura" no mundo, na hora que traduzimos o pensar ele precisa passar pela característica do traço e depois dialogar com as características do suporte, que já existe, tem sua forma, densidade, etc.
Quando dou aula de Arte para adolescentes costumo dizer que "na vida não há borracha", e acho que todos devíamos pensar desta maneira. O traço que sai da caneta (ou da goiva, do cinzel, do pincel) é o que saiu, portanto, faz parte do gesto. O próximo gesto deverá dialogar com ele, e não corrigi-lo.
Sobre meus temas de desenho? Alguns são meus fantasmas, como o Super Herói que povoa minha alma e tento matar, descobrir qual é a Kriptonita que preciso usar. Enquanto não consigo matar o bicho, sublimo sua fantasmagoria em meus desenhos, deixo o monstro ir para fora de mim. Mas ele é assunto para outro post.
Meus asteróides são os ambientes inóspitos por onde este Super Herói viaja, mas meus asteróides às vezes se transformam em tentáculos (são formas muito semelhantes, um tentáculo enrolado parece muito com um asteróide). Neste exato momento, o asteróide está em mutação, e os tentáculos estão surgindo.
Crédito das duas primeiras fotos para Luis Fernando Almeida.
19.5.13
Mulher: Você extrairia seus dois seios para faturar uma grana?
Tem uns dias que me divirto com as teorias da conspiração que aparecem nas redes sociais, mas desta vez acho que a imbecilidade humana chegou a um ponto lamentável e surreal.
Algumas pessoas têm escrito em blogs e posts que a Angelina Jolie fez uma mastectomia radical para favorecer a indústria da medicina, ou para forçar a justiça a conceder patentes milionárias para as gigantes farmacêuticas. Quem fala isto desumanizou totalmente a figura da Angelina Jolie, e realmente desconhece o ser humano.
Que os ídolos vivem num tipo de Olimpo todos sabemos, numa região meio mítica, criada e mantida pelo seus seguidores e pela indústria do entretenimento. Mas isto não os faz menos humanos que qualquer um.
Existem exageros no estilo de vida dos famosos, mas pensar que a Angelina Jolie sentaria numa reunião com representantes da indústria farmacêutica e alguém começaria um diálogo assim:
"Sabe, tivemos uma ideia! E se você retirasse os dois seios, afinal de contas existe uma chance de ter câncer... Temos um cheque aqui para você fazer isto... É uma soma e tanto!"
Alguém realmente imagina a atriz pensando:
"O dinheiro é bom, é só eu fazer uma mastectomia radical e embolsar mais uma grana, o Brad estava mesmo querendo comprar um Bugatti Veyron..."
A mutilação é uma questão muito complexa para o ser humano, e no caso da mulher, os seios são muito mais do que duas bolas balançantes penduradas no tórax. São associados com feminilidade, maternidade, sensualidade, atração, vaidade e mais um monte de outras questões.
Que mulher faria isto por dinheiro? E justo uma mulher que sempre se mostrou independente, ousada, um símbolo? Não conheço mulher que não admire a Angelina Jolie.
Caros Conspiradores: Parem de falar besteira. E procurem outra pessoa para desqualificar.
Se tem alguma dúvida sobre o que estou dizendo, pergunte por quanto dinheiro sua mãe faria uma coisa destas...
Algumas pessoas têm escrito em blogs e posts que a Angelina Jolie fez uma mastectomia radical para favorecer a indústria da medicina, ou para forçar a justiça a conceder patentes milionárias para as gigantes farmacêuticas. Quem fala isto desumanizou totalmente a figura da Angelina Jolie, e realmente desconhece o ser humano.
Que os ídolos vivem num tipo de Olimpo todos sabemos, numa região meio mítica, criada e mantida pelo seus seguidores e pela indústria do entretenimento. Mas isto não os faz menos humanos que qualquer um.
Existem exageros no estilo de vida dos famosos, mas pensar que a Angelina Jolie sentaria numa reunião com representantes da indústria farmacêutica e alguém começaria um diálogo assim:
"Sabe, tivemos uma ideia! E se você retirasse os dois seios, afinal de contas existe uma chance de ter câncer... Temos um cheque aqui para você fazer isto... É uma soma e tanto!"
Alguém realmente imagina a atriz pensando:
"O dinheiro é bom, é só eu fazer uma mastectomia radical e embolsar mais uma grana, o Brad estava mesmo querendo comprar um Bugatti Veyron..."
A mutilação é uma questão muito complexa para o ser humano, e no caso da mulher, os seios são muito mais do que duas bolas balançantes penduradas no tórax. São associados com feminilidade, maternidade, sensualidade, atração, vaidade e mais um monte de outras questões.
Que mulher faria isto por dinheiro? E justo uma mulher que sempre se mostrou independente, ousada, um símbolo? Não conheço mulher que não admire a Angelina Jolie.
Caros Conspiradores: Parem de falar besteira. E procurem outra pessoa para desqualificar.
Se tem alguma dúvida sobre o que estou dizendo, pergunte por quanto dinheiro sua mãe faria uma coisa destas...
7.5.13
Luisa e os Rinocerontes Negros
Quando minha filha Luisa nasceu, fiquei sensível ao tema "Mundo". Já tinha um filho, o Marco, mas não tive o prazer de vê-lo nascer, ganhei o Marco com 9 anos, não o vi filhotinho.
Meu primeiro filhotinho foi a Luisa. Aquela coisa desengonçada que gera sentimentos profundos sobre a existência, e principalmente daquele mundo que vai existir quando morrermos.
Quando não vemos filhotinhos, não pensamos muito no mundo que continuará. Quando os vemos, acabamos preocupados com o que vai acontecer depois que formos embora. Pelo menos eu passei a me preocupar muito.
Não me esqueço de um documentário sobre os Rinocerontes Negros, e sobre o perigo de extinção desta espécie. Me lembro de chorar sozinho ao ver os Rinocerontes na TV, pensando em que mundo tinha colocado a Luisa. Um mundo em que ela talvez não visse Rinocerontes Negros pastando pela África.
Durante um bom tempo foi motivo de conversa e curiosidade a história dos Rinocerontes. Meus amigos achavam curioso, "por que esta preocupação com os Rinocerontes?", eles diziam.
Minha verdadeira preocupação é com a nossa capacidade de exterminar outra espécie por motivo fútil, ou por ignorância. O modo destrutivo que é acionado pelo ser humano em muitas situações.
Não posso dizer que não tenha um certo encanto pelos Rinocerontes, em especial depois de ler "O Rinoceronte" do Ionesco. Eles povoam meu imaginário, e quem me conhece sabe que a foto do Dali em frente de um Rinoceronte me toca profundamente. Se quiser ver o diálogo entre o Rinoceronte Negro e o Branco comigo, vale a pena ver meu álbum de desenhos.
Hoje tenho um filho de dois anos, o Daniel, e se eu sobreviver, vou ter de explicar para ele por que os Rinocerontes Negros foram extintos.
Honestamente preferia, como pai, não ter de explicar isto para um filho.
Meu primeiro filhotinho foi a Luisa. Aquela coisa desengonçada que gera sentimentos profundos sobre a existência, e principalmente daquele mundo que vai existir quando morrermos.
Quando não vemos filhotinhos, não pensamos muito no mundo que continuará. Quando os vemos, acabamos preocupados com o que vai acontecer depois que formos embora. Pelo menos eu passei a me preocupar muito.
Não me esqueço de um documentário sobre os Rinocerontes Negros, e sobre o perigo de extinção desta espécie. Me lembro de chorar sozinho ao ver os Rinocerontes na TV, pensando em que mundo tinha colocado a Luisa. Um mundo em que ela talvez não visse Rinocerontes Negros pastando pela África.
Durante um bom tempo foi motivo de conversa e curiosidade a história dos Rinocerontes. Meus amigos achavam curioso, "por que esta preocupação com os Rinocerontes?", eles diziam.
Minha verdadeira preocupação é com a nossa capacidade de exterminar outra espécie por motivo fútil, ou por ignorância. O modo destrutivo que é acionado pelo ser humano em muitas situações.
Não posso dizer que não tenha um certo encanto pelos Rinocerontes, em especial depois de ler "O Rinoceronte" do Ionesco. Eles povoam meu imaginário, e quem me conhece sabe que a foto do Dali em frente de um Rinoceronte me toca profundamente. Se quiser ver o diálogo entre o Rinoceronte Negro e o Branco comigo, vale a pena ver meu álbum de desenhos.
Hoje tenho um filho de dois anos, o Daniel, e se eu sobreviver, vou ter de explicar para ele por que os Rinocerontes Negros foram extintos.
Honestamente preferia, como pai, não ter de explicar isto para um filho.
6.5.13
O Mala das Redes Sociais - Conhece? Espero que não...
Foi dia destes que reparei: Tem gente que para afirmar sua personalidade precisa discordar de você.
Quanto mais ela fizer oposição, mais significará que ela existe. Em alguns casos mais radicais, ela precisa te destruir para poder existir.
No mundo real passei por isto faz um tempo. Primeiro a pessoa se aproxima, se torna íntima, e depois arranja uma maneira de te destruir. A sua existência é um atentado a existência dela. É tão insuportável ela se olhar no espelho que precisa de alguma outra pessoa que a personifique para depois eliminá-la.
Eu sei, eu sei. Qualquer pessoa com o mínimo de autoconhecimento sabe que no fundo a única pessoa que precisamos superar somos nós mesmos. Nem precisa de grande conhecimento, basta ter assistido Star Wars para entender o kit básico. Mas "entender" não tem nada a ver com sentir e expressar. São coisas diferentes. E é neste conflito que surgem pessoas destrutivas.
Como nas Redes Sociais não dá para ser absolutamente destrutivo (o pessoal está vendo, pega mal, tudo documentado pode dar processo, cana, etc), o ser destrutivo e inseguro se transforma no Mala das Redes Sociais.
Para exemplificar sem apontar para os outros, vou contar uma história que aconteceu comigo. Eu estava com dois amigos recém-ingressos na Faculdade de Filosofia tomando cerveja num boteco.
Os dois estavam animadíssimos. Parecia que ter entrado na Filosofia fosse como se alguém tivesse dado autorização formal para elaborar raciocínios abstratos e divagações intermináveis em nome do conhecimento. E os dois falando um monte de abobrinha, e eu entediado que só.
Num determinado momento percebi que poderia me divertir um pouco com a situação. Quando os dois, depois de um longo e tortuoso raciocínio quase estavam chegando a um consenso pretensamente filosófico eu cortava e dizia: "Não necessariamente". Aí os dois se olhavam e tinham de concordar comigo. E começavam a divagar novamente em busca de alguma linha de pensamento consistente.
Resumindo, fui ficando meio bêbado e soltando uns "Não necessariamente" a cada dez ou quinze minutos, o que obrigava os dois a reverem seus argumentos. Eles só perceberam que eu estava trollando o debate quando já estava praticamente debaixo da mesa de tanto rir.
Pois é.
Nas Redes Sociais sempre tem o Mala do "Não Necessariamente..." Você gosta de panquecas? Postou uma foto de uma bela panqueca? Ele vai comentar: "Não gosto de panqueca".
Você gosta de Rock Clássico? Ele vai dizer " Tenho dúvidas se Rock é realmente música".
Não dá para dizer que tecnicamente isto seja um diálogo. É só ele se contrapondo a você. Mais importante que debater, o que ele quer é discordar. Discordar para Existir.
Deve ser terrível olhar no espelho, entendo sua tristeza Mr Mala, mas vai encher o saco de outra pessoa...
Quanto mais ela fizer oposição, mais significará que ela existe. Em alguns casos mais radicais, ela precisa te destruir para poder existir.
No mundo real passei por isto faz um tempo. Primeiro a pessoa se aproxima, se torna íntima, e depois arranja uma maneira de te destruir. A sua existência é um atentado a existência dela. É tão insuportável ela se olhar no espelho que precisa de alguma outra pessoa que a personifique para depois eliminá-la.
Eu sei, eu sei. Qualquer pessoa com o mínimo de autoconhecimento sabe que no fundo a única pessoa que precisamos superar somos nós mesmos. Nem precisa de grande conhecimento, basta ter assistido Star Wars para entender o kit básico. Mas "entender" não tem nada a ver com sentir e expressar. São coisas diferentes. E é neste conflito que surgem pessoas destrutivas.
Como nas Redes Sociais não dá para ser absolutamente destrutivo (o pessoal está vendo, pega mal, tudo documentado pode dar processo, cana, etc), o ser destrutivo e inseguro se transforma no Mala das Redes Sociais.
Para exemplificar sem apontar para os outros, vou contar uma história que aconteceu comigo. Eu estava com dois amigos recém-ingressos na Faculdade de Filosofia tomando cerveja num boteco.
Os dois estavam animadíssimos. Parecia que ter entrado na Filosofia fosse como se alguém tivesse dado autorização formal para elaborar raciocínios abstratos e divagações intermináveis em nome do conhecimento. E os dois falando um monte de abobrinha, e eu entediado que só.
Num determinado momento percebi que poderia me divertir um pouco com a situação. Quando os dois, depois de um longo e tortuoso raciocínio quase estavam chegando a um consenso pretensamente filosófico eu cortava e dizia: "Não necessariamente". Aí os dois se olhavam e tinham de concordar comigo. E começavam a divagar novamente em busca de alguma linha de pensamento consistente.
Resumindo, fui ficando meio bêbado e soltando uns "Não necessariamente" a cada dez ou quinze minutos, o que obrigava os dois a reverem seus argumentos. Eles só perceberam que eu estava trollando o debate quando já estava praticamente debaixo da mesa de tanto rir.
Pois é.
Nas Redes Sociais sempre tem o Mala do "Não Necessariamente..." Você gosta de panquecas? Postou uma foto de uma bela panqueca? Ele vai comentar: "Não gosto de panqueca".
Você gosta de Rock Clássico? Ele vai dizer " Tenho dúvidas se Rock é realmente música".
Não dá para dizer que tecnicamente isto seja um diálogo. É só ele se contrapondo a você. Mais importante que debater, o que ele quer é discordar. Discordar para Existir.
Deve ser terrível olhar no espelho, entendo sua tristeza Mr Mala, mas vai encher o saco de outra pessoa...
5.5.13
Burocracia desenvolvida para te enlouquecer
Tive de ir resolver um problema na prefeitura, e depois desta minha experiência cheguei a conclusão que existem sádicos de verdade projetando a burocracia de uma cidade.
Como o posto de atendimento é único (um posto para todos os cidadãos paulistanos, que beira os vinte milhões de pessoas), fica tecnicamente impossível de atender todo mundo.
Ao invés de criarem mais postos de atendimento ou distribuírem postos por serviços (lixo é em tal lugar, IPTU em outro, etc), os caras criaram a máquina dos infernos para gerenciar o mundo de gente que vai lá.
A coisa funciona da seguinte maneira: Na triagem a atendente te dá uma senha, composta de letras e números. Esta senha não tem ordem cronológica, ou seja, o K490 não vem depois do K399. Dependendo da situação o K400 é chamado antes do K399. Mas você não sabe qual é a situação.
Somado a isto, existem várias outras letras iniciais, e um grande luminoso fica apresentando uma sequencia como A032, J890, B004, X123, e por aí vai.
Como nossa mente tenta criar sentido nas coisas, você fica observando aquele luminoso tentando entender em que posição você provavelmente estará, mas é impossível. E se deixar de prestar atenção pode correr o risco de perder a sua vez e ser jogado para o fim da fila (eu acho, ou deduzo, pois não há uma lógica no processo).
Conclusão? Fiquei duas horas olhando fixamente para aquele letreiro, como um sapo hipnotizado por uma cobra, sem poder sair, ir ao banheiro, decidir se vou embora ou não...
É um negócio maligno, quem arquitetou aquilo é um gênio do mal. Espero que não seja o mesmo que vai coordenar a campanha de algum candidato fascista, pois se for o cara ganha e a gente vira tudo zumbi...
Como o posto de atendimento é único (um posto para todos os cidadãos paulistanos, que beira os vinte milhões de pessoas), fica tecnicamente impossível de atender todo mundo.
Ao invés de criarem mais postos de atendimento ou distribuírem postos por serviços (lixo é em tal lugar, IPTU em outro, etc), os caras criaram a máquina dos infernos para gerenciar o mundo de gente que vai lá.
A coisa funciona da seguinte maneira: Na triagem a atendente te dá uma senha, composta de letras e números. Esta senha não tem ordem cronológica, ou seja, o K490 não vem depois do K399. Dependendo da situação o K400 é chamado antes do K399. Mas você não sabe qual é a situação.
Somado a isto, existem várias outras letras iniciais, e um grande luminoso fica apresentando uma sequencia como A032, J890, B004, X123, e por aí vai.
Como nossa mente tenta criar sentido nas coisas, você fica observando aquele luminoso tentando entender em que posição você provavelmente estará, mas é impossível. E se deixar de prestar atenção pode correr o risco de perder a sua vez e ser jogado para o fim da fila (eu acho, ou deduzo, pois não há uma lógica no processo).
Conclusão? Fiquei duas horas olhando fixamente para aquele letreiro, como um sapo hipnotizado por uma cobra, sem poder sair, ir ao banheiro, decidir se vou embora ou não...
É um negócio maligno, quem arquitetou aquilo é um gênio do mal. Espero que não seja o mesmo que vai coordenar a campanha de algum candidato fascista, pois se for o cara ganha e a gente vira tudo zumbi...
2.5.13
Por que as mulheres rebolam?
Há uma explicação para as mulheres rebolarem.
A questão óbvia é obter a atenção do macho. Mas por quê o rebolado faz com que os homens parem tudo e fiquem observando?
Homens prestam atenção em alguns sinais. Aprenderam durante os últimos milhares e milhares de anos. Depois de observarem o rosto da mulher (identificando empatia a partir dos neurônios-espelho e do micro-gestos faciais), sua atenção irá direto para o quadril.
Existe uma proporção áurea no corpo da mulher que o homem calcula sem perceber, que está na relação do tamanho do quadril e a cintura. O cálculo deve chegar em 0,70 aproximadamente na relação entre o tamanho dos dois. Se a relação estiver mais ou menos neste número, os homens tendem a se sentir atraídos pela mulher.
Isto tem muita relação com a capacidade de procriar da fêmea, e os homens não calculam isto conscientemente, é uma coisa que acontece, herdada de gerações e gerações que evoluíram neste sentido. Os homens apenas sabem disto, e ponto.
E as mulheres também.
E por que rebolam então?
O rebolado aumenta o tamanho do quadril, e o movimento chama a atenção do macho. Acelera o processo de atenção, atraindo o olhar do potencial parceiro.
A mulher emite sinais, e o homem percebe.
A questão óbvia é obter a atenção do macho. Mas por quê o rebolado faz com que os homens parem tudo e fiquem observando?
Homens prestam atenção em alguns sinais. Aprenderam durante os últimos milhares e milhares de anos. Depois de observarem o rosto da mulher (identificando empatia a partir dos neurônios-espelho e do micro-gestos faciais), sua atenção irá direto para o quadril.
Existe uma proporção áurea no corpo da mulher que o homem calcula sem perceber, que está na relação do tamanho do quadril e a cintura. O cálculo deve chegar em 0,70 aproximadamente na relação entre o tamanho dos dois. Se a relação estiver mais ou menos neste número, os homens tendem a se sentir atraídos pela mulher.
Isto tem muita relação com a capacidade de procriar da fêmea, e os homens não calculam isto conscientemente, é uma coisa que acontece, herdada de gerações e gerações que evoluíram neste sentido. Os homens apenas sabem disto, e ponto.
E as mulheres também.
E por que rebolam então?
O rebolado aumenta o tamanho do quadril, e o movimento chama a atenção do macho. Acelera o processo de atenção, atraindo o olhar do potencial parceiro.
A mulher emite sinais, e o homem percebe.
1.5.13
É Possível Surgirem Flores no Pântano?
Não sou behaviorista, não acredito na proposta do Skinner que dizia que toda nossa personalidade depende de nosso ambiente. Se formos criados num lugar bom seremos bons, se formos criados de uma maneira ruim, seremos ruins.
Minha maneira de pensar é que nossa personalidade é construída num mix entre genética e ambiente. Não penso que seja 50/50, acho que varia de acordo com a pessoa, a época, o momento, etc,etc. Mas é inegável que o ambiente contamina nosso comportamento, mesmo que não percebamos.
Um exemplo (bobo) disto foi um dia que decidi parar de pintar em Preto e Branco e resolvi comprar tintas coloridas. Estava na loja e me encantei com um verde escuro, foi o primeiro pote que peguei. Quando cheguei em casa descobri que era exatamente a cor de uma de minhas paredes da sala.
Aquela cor estava impregnada no meu pensamento.
Descobri, através de um amigo, o trabalho de uma fotógrafa muito interessante, a Fabi Futata. Em um dos seus belos e instigantes álbuns, vi esta foto acima, que me chamou a atenção: um garoto com o dinheiro do Banco Imobiliário espalhado pelo corpo, óculos escuros na cabeça e um gesto muito interessante nas mãos. O que este gesto simboliza?
Simboliza Armas.
Já vi fotos de assaltantes exatamente deste jeito. Símbolo de status e poder, dinheiro e armas. E de bandidagem. Orgulho.
Quantos anos têm este garoto? Esta postura simbólica não é algo que vemos nos filmes, é algo que de vez em quando vemos nas redes sociais, ou nos noticiários policiais.
E aí vem o pessoal falar de "maioridade penal", como se isto resolvesse alguma coisa. O garoto mora numa ocupação, prédio abandonado, sem nenhuma condição. Se apega as referências que têm, ou que pode ter.
Ele é inocente? Pode ter sido, mas dificilmente continuará a ser sem que surja algum contraponto a esta visão de mundo que está impregnada na sua existência.
Isto vale para outros redutos existentes que a classe média "formadora de opinião" evita enxergar.
Internação compulsória de dependentes químicos? Para quê? Para tirar da rua este povo "feio e doente"?
Caminho todos os dias pelo centro de São Paulo e vejo inúmeros prédios abandonados e ocupados pelos Sem Moradia. Vejo ambulantes sendo retirados das ruas pela Polícia Metropolitana, moradores de rua com problemas mentais vagando por uma sociedade que se diz plural, mas na verdade é cada vez mais monolítica, engessada e sem a mínima capacidade de absorver aquilo que foge de seus padrões estreitos.
Infelizmente acredito cada vez menos na possibilidade de surgirem belas flores no pântano. Acho que o lixo social vai gerar cada vez mais lixo social. E vejo poucas pessoas preocupadas de verdade com isto.
Agradeço a Fabi Futata por permitir que eu tenha usado sua bela, porém complexa fotografia em meu post.
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