Let´s Go!

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14.9.10

Vendo o Crack dominar São Paulo

Trabalhar no centro de SP é conviver com os "nóias".
Eles estão por todo o lado, sem rumo, às vezes pedindo, às vezes olhando, mas na maioria das vezes na fissura para comprar uma pedra e fumar. Vejo isto todo o dia.

Na Liberdade eles ficam próximos aos viadutos, onde dormem e fumam. Sobem para as ruas e tentam assaltar alguém, geralmente pegar um celular e trocar por crack.

Hoje o celular rende duplamente, não é só o aparelho que vale alguma coisa. Sua agenda telefônica do chip também. Ela percorrer uma rota sinuosa até chegar nas penitenciárias, de onde os sujeitos farão ligações para você e para todos seus contatos chantageando ou simulando um seqüestro relâmpago.

O crack age muito rápido, mais do que você imagina. Pelo menos uma vez por semana vejo um jovem bem vestido misturado com a multidão de "nóias" pelas ruas.

Coisa de duas semanas depois ele ainda é reconhecível, mas suas roupas estão gastas e sua aparência é bastante suja. Mas depois de um mês ele já está parecido com todos os outros "nóias", uma transformação rápida e cruel.

Passados três meses ou mais ele simplesmente fica amarelo, a pele seca e o rosto fica todo vincado, mãos sujas e pretas.

E um dia ele simplesmente desaparece, enquanto novos jovens bem vestidos e limpos aparecem para tomar o seu lugar.

Fiquei chocado ao saber que não existem dados oficiais sobre o crack. Desde 2005 não há dados coletados sobre o que acontece. Descaso total.

Só conto o que vejo, nada mais. No centro de SP cruzamos com este universo de mortos-vivos, eles alheios ao nosso mundo, e ao que parece, nós alheios ao mundo deles.

1 comentário:

KakauWilke disse...

Oii Ale, aqui é a Kakau amiga da Luisa lembra? Fui assaltada ontem, na frente da sua casa, por um desse nóias, beem tenso ._. pra você ver como esse mundo tá perdido. beijoos