Lado B, para quem não é da época do vinil, significa o lado menos interessante das coisas. Muita banda tinha de inventar música para poder "rechear" uma bolacha inteira, e nem sempre as melhores músicas ficavam no fim do disco. Daí o termo "Lado B".
Hoje fui correr, como sempre, e aproveitei para passear por caminhos ainda não conhecidos pros lados da Cracolândia. Pode parecer maluquice correr no centro de SP, mas é uma experiência única.
Salvo o cheiro, nem sempre agradável, há praças e prédios lindos. A praça em frente à Igreja Sagrado Coração de Jesus é linda, e a igreja é incrivelmente bonita. É uma região que está isolada, no meio do caos em que se tornou o baixo centro.
Nem tudo está perdido, e nem todos os lugares do centro são horríveis ou destruídos, mas parece que morar no centro é coisa exótica. Um amigo me disse: Você deveria escrever mais sobre esta sua experiência de morar no centro...
Aí fiquei pensando: Por que? O que faz esta experiência tão diferente nos dias de hoje?
E a resposta é simples: Conviver com o diferente e com as diferenças é cada vez menos valorizado na prática, apesar de toda lenga-lenga teórica que ouvimos por aí. Falta prática para a classe média conviver com o diferente. Só quando faz redação na escola e propõe projeto social.
Isto não significa que assistir uma blitz policial seja "normal". Na minha corrida de hoje vi meia dúzia de policiais suando para controlar vinte nóias perto da Santa Ifigênia. Mas sei que a classe média está mais preocupada em que os nóias não cheguem perto dos condomínios fechados onde habitam do que tentar resolver o problema. Parece que os "outros" são o problema, por isto que ainda hoje quem é o grande cronista do pensamento (e da sordidez) da classe média seja o Nélson Rodrigues.
Como disse um sábio taxista, "Meu filho é Viciado, o filho dos outros é Dependente Químico".
Que tal o movimento "Ocupa São Paulo" se transformar em "Viver São Paulo"? A cidade é linda, mas enquanto as pessoas não reocuparem os espaços públicos, não adianta reclamar, eles vão continuar abandonados. Parece óbvio, mas não é.
Let´s Go!
Let´s Go!
20.2.12
19.2.12
O Pior porre que eu já vi (e participei)
Uma vez estava tomando cerveja com um amigo escultor num boteco ao lado de uma rodovia. Do nada surgiu um cara todo animado gritando: "Tombou um caminhão cheio de bebida na estrada!"
O bar ficou vazio em segundos, todos os bebuns resolveram ver se dava para salvar uma bebida grátis no final da noite.
Eu e meu amigo nos animamos e corremos também. Ao chegarmos no local, realmente estava cheio de bebida na estrada, mas era um carregamento de Underberg. Para quem não sabe, é um digestivo (vinho azedo) feito de mais de 40 ervas diferentes, amargo, horrível. Aquelas bebidas que o pessoal toma um cálice pequeno (honestamente não sei por que) antes da refeição.
Pegamos duas garrafas, para não perder a viagem, e fomos para o sítio de meu amigo para tomar aquela bosta. Pois é, numa certa idade você toma tudo, qualquer programa de índio, está valendo!
Botamos gelo, fizemos o diabo, mas o negócio era intragável. E a gente ia beber aquela lavagem, tinha de beber!
O único jeito foi misturar com Coca-Cola, transformando o drink num tipo de "Serra Leoa Libre", versão mais tóxica da Cuba Libre. No quarto ou quinto copo estávamos absolutamente loucos. Não estávamos bêbados, estávamos transtornados, zóio virando e o cacete. Para se ter uma ideia, com a falta de comidinhas para acompanhar pegamos um pacote de ração de gato e comemos. O negócio foi feio.
Lá pelas tantas resolvemos nadar no açude. O fato de estar um frio glacial e de ser mais de meia-noite não nos impediu de tirar a roupa e sair andando no meio do mato para um mergulho refrescante. Por que não, afinal de contas?
Quando chegamos, meu amigo, mais animado que eu, saltou dentro do açude e afundou até o tórax na lama. Ele olhava para mim com o olho que ainda conseguia focar e dizia: "Socorro, eu vou morrer, é areia movediça, não quero morrer..."
Como eu sei que areia movediça só tem no filme do Tarzan, tentei desentrolhar meu amigo da lama. Depois de um certo tempo o cara saiu, como uma rolha de espumante. Voltamos menos animados para casa, meu amigo coberto de lama, ambos em estado lamentável.
A animação deu lugar a um estado mais depressivo, e resolvi dormir. Fui avisar meu amigo que ia deitar e encontrei o cara dormindo abraçado na pia, com uma das lentes de contato na mão. Dormiu daquele jeito mesmo. Não consegui socorrer. O cara estava todo enlameado, pelado, emborcado na pia. Amizade tem limite!
Tive uma azia tremenda e sonhei com gatos a noite toda. Acordei com uma das maiores ressacas de minha vida e fui ver o cara. Surpresa! Ele não estava no banheiro! Mas lá encontrei um, como direi, "resíduo" dele. Olhei para ver se não era lama, e não era lama. O cara relaxou e se borrou todo... Aí vi que tinha um "rastro" indo na direção do quarto dele. Quando entrei tive a mesma sensação que os policiais tiveram quando entraram naqueles buracos na Cracolândia, sabe? Um cheiro horrível, o cara todo sujo, enrolado num cobertor, show de horror...
Acordei o cara e mostrei o rastro e o estado do banheiro. Ele olhou para mim surpreso e disse: "Uai, quem deixou os cachorros entrarem?". Aí tive de explicar que tinha sido ele. Ele nega até hoje.
Esta foi minha experiência com Underberg. Cá entre nós, evitar não custa nada! Se alguém oferecer uma dose maior que um dedal, não beba, vai por mim...
17.2.12
Vídeos para ensinar a cantar e dançar o Carnaval!
Para aprender a cantar!
Nada melhor que os clássicos, prepare-se para a festa!
Grupo Carrapixo - Bate forte o tambor... (segue a letra aí com o Tio Fester versão soviética)
Xuxa - Sempre toca em matinê, apesar da letra ser simples, melhor prestar atenção. Se quiser deitar e ficar dobrando as perninhas como os jogadores de basebol do vídeo, aí é problema seu!
Para aprender a dançar!
Indian Style - Recomendo para quem quer extravasar o sentimento de malemolência carnavalesco e não tem noção de como se dança. Se joga e seja o que os deuses da folia quiserem...
Caras e Bocas - Para o pessoal Mudérrno fica a dica da Xangrilá Bauxita Orisha, filha de Baby do Brasil (ex Baby Consuelo) que migrou para a Rússia. É levantar a mão e fazer carão!
Sadomasoquista - E para quem acha que Carnaval tem de ter um pouco de nonsense, aqui vai uma dica: Vista-se estilo Sadomasô e caia na folia dançando estilo Dita Von Teese!
Samba e Futebol - Mas se você é um cara raiz, e realmente nasceu na terra do Samba e Futebol, que tal sambar ao som do Pelé cantando?
Bom, já deu para perceber, odeio clima de carnaval, acho mega chato assistir desfile de escola de samba, mas se você gosta, aproveita! Não tenho nada contra a folia.
16.2.12
Lady Gaga é uma feiticeira! Eu garanto!
Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Orlando Vilas Boas, um dos mais importantes (senão o mais importante) indigenistas do Brasil.
Uma das coisas que ele me contou certa vez era que existe uma diferença grande entre Curandeiro e Feiticeiro entre os índios do Xingú. O curandeiro, ou pajé, geralmente é o filho do cacique, e herdeiro das tradições mágicas e do poder de seu pai.
Já o feiticeiro é o homem mais feio da aldeia. Como os índios acreditam que só vai para o céu quem é bonito (os feios são comidos pelos urubus quando a alma tenta subir pro céu), o mais feio resolve ficar enchendo o saco de todo o mundo, fazendo mandingas, com o objetivo de gerar o ódio em todos os belos que irão para o céu. E lá vai o feiticeiro, criando feitiços contra tudo e todos. Até que num momento alguém resolve que o feiticeiro encheu demais, e uma turma decide que está na hora de matar o chato.
Por incrível que pareça, o feiticeiro fica feliz. Ele nem pensa em fugir. Ele vai, se pinta, fica bonitão,e preparado para morrer, pois se ele não se pintar ninguém vai dar uma embelezada nele. A chance dele ir para céu é justamente enchendo a paciência dos outros e planejando a própria morte.
Para mim a Lady Gaga é uma feiticeira. Como ela não é aquela beleza, não tem aquela voz, é uma pessoa que, para o Show Business não têm nenhum atrativo, resolveu virar a mais feia, vestindo roupas horrorosas, pesquisando qual vai ser a polêmica mais desagradável ou de mau gosto, tudo para que as pessoas a odeiem. E, se transformando em feiticeira contemporânea, consegue chamar a atenção necessária para poder chegar ao céu, que no caso é o estrelato.
Uma das coisas que ele me contou certa vez era que existe uma diferença grande entre Curandeiro e Feiticeiro entre os índios do Xingú. O curandeiro, ou pajé, geralmente é o filho do cacique, e herdeiro das tradições mágicas e do poder de seu pai.
Já o feiticeiro é o homem mais feio da aldeia. Como os índios acreditam que só vai para o céu quem é bonito (os feios são comidos pelos urubus quando a alma tenta subir pro céu), o mais feio resolve ficar enchendo o saco de todo o mundo, fazendo mandingas, com o objetivo de gerar o ódio em todos os belos que irão para o céu. E lá vai o feiticeiro, criando feitiços contra tudo e todos. Até que num momento alguém resolve que o feiticeiro encheu demais, e uma turma decide que está na hora de matar o chato.
Por incrível que pareça, o feiticeiro fica feliz. Ele nem pensa em fugir. Ele vai, se pinta, fica bonitão,e preparado para morrer, pois se ele não se pintar ninguém vai dar uma embelezada nele. A chance dele ir para céu é justamente enchendo a paciência dos outros e planejando a própria morte.
Para mim a Lady Gaga é uma feiticeira. Como ela não é aquela beleza, não tem aquela voz, é uma pessoa que, para o Show Business não têm nenhum atrativo, resolveu virar a mais feia, vestindo roupas horrorosas, pesquisando qual vai ser a polêmica mais desagradável ou de mau gosto, tudo para que as pessoas a odeiem. E, se transformando em feiticeira contemporânea, consegue chamar a atenção necessária para poder chegar ao céu, que no caso é o estrelato.
15.2.12
Efeitos Colaterais do Botox (em gatos)
Saiu hoje no jornal uma matéria sobre os malefícios do botox em algumas mulheres, e o principal resultado seria um "rosto de gato".
Apesar destas personalidades já serem (ou já terem sido) gatas, resolvi fazer a investigação contrária: Qual seria o efeito do botox nos gatos?
Há, obviamente, um site especializado nisto, onde veterinários se dedicam a trocar informações muitas vezes sigilosas de experiências com os felinos. Eis alguns efeitos colaterais que achei:
Tensão - Os gatos em geral são tranquilos, mas a aplicação de botox para valorizar a sobrecoxa (parece que algumas pessoas gostariam de deixar os gatos com algo parecido com glúteos, honestamente não entendo as razões, prefiro não pensar), deixa o felino em um estado de tensão constante, como é possível ver na foto de Popô, da famosa dançarina Valeska P.
Sorriso "Rodrigo Faro" - A aplicação sistemática de botox têm gerado em alguns gatos um sorriso difícil de descrever o que tem gerado, num primeiro momento um grande prazer para seus donos. Todo o dia a pessoa levanta e o gato está sorrindo. Mas com o decorrer do tempo a diversão se torna desconfiança, pois todos sabemos que os gatos têm seus mistérios. Daí para o dono achar que o gato está tramando alguma coisa é fácil... Muitos donos acabam por abandonar os pobres bichanos pelo medo de que alguma coisa possa acontecer com eles no meio da noite..
Excesso de Pelos - Como a própria foto mostra um efeito colateral é o aumento desproporcional de pelos, o que fez com que alguns tivessem morte trágica ao serem confundidos com Pufes. Eike Baptista já está investindo numa Start Up de nome XGato para pesquisar a potencial aplicação em carecas humanas. Ambulantes do RJ estão processando a nova empresa pois dizem que o nome é de propriedade deles, que há tempos usam para vender sanduíches.
Levitação Involuntária - Apresenta potencial de pesquisa em várias frentes, em especial nas áreas de disfunção erétil e prótese mamária. Fenômeno registrado em apenas um gato. Estão procurando o bichano até hoje, pois seu dono deixou a janela aberta e ele flutuou em direção ao desconhecido. Há rumores que Michael Jackson, John Kennedy e Elvis Presley estariam numa base secreta no Havaí testando os efeitos em humanos, e que o padre que saiu voando com os balões teria sido uma experiência mal-sucedida do trio.
Apesar destas personalidades já serem (ou já terem sido) gatas, resolvi fazer a investigação contrária: Qual seria o efeito do botox nos gatos?
Há, obviamente, um site especializado nisto, onde veterinários se dedicam a trocar informações muitas vezes sigilosas de experiências com os felinos. Eis alguns efeitos colaterais que achei:
Tensão - Os gatos em geral são tranquilos, mas a aplicação de botox para valorizar a sobrecoxa (parece que algumas pessoas gostariam de deixar os gatos com algo parecido com glúteos, honestamente não entendo as razões, prefiro não pensar), deixa o felino em um estado de tensão constante, como é possível ver na foto de Popô, da famosa dançarina Valeska P.
Sorriso "Rodrigo Faro" - A aplicação sistemática de botox têm gerado em alguns gatos um sorriso difícil de descrever o que tem gerado, num primeiro momento um grande prazer para seus donos. Todo o dia a pessoa levanta e o gato está sorrindo. Mas com o decorrer do tempo a diversão se torna desconfiança, pois todos sabemos que os gatos têm seus mistérios. Daí para o dono achar que o gato está tramando alguma coisa é fácil... Muitos donos acabam por abandonar os pobres bichanos pelo medo de que alguma coisa possa acontecer com eles no meio da noite..
Excesso de Pelos - Como a própria foto mostra um efeito colateral é o aumento desproporcional de pelos, o que fez com que alguns tivessem morte trágica ao serem confundidos com Pufes. Eike Baptista já está investindo numa Start Up de nome XGato para pesquisar a potencial aplicação em carecas humanas. Ambulantes do RJ estão processando a nova empresa pois dizem que o nome é de propriedade deles, que há tempos usam para vender sanduíches.
Levitação Involuntária - Apresenta potencial de pesquisa em várias frentes, em especial nas áreas de disfunção erétil e prótese mamária. Fenômeno registrado em apenas um gato. Estão procurando o bichano até hoje, pois seu dono deixou a janela aberta e ele flutuou em direção ao desconhecido. Há rumores que Michael Jackson, John Kennedy e Elvis Presley estariam numa base secreta no Havaí testando os efeitos em humanos, e que o padre que saiu voando com os balões teria sido uma experiência mal-sucedida do trio.
Eu convivi com Crossdressers e não sabia!
Ontem no escritório eu e o Tiago Kaphan estávamos conversando sobre o Laerte e a questão do Crossdessing, gente que se veste com roupas do sexo oposto. Aí, mais tarde, comecei a pensar sobre algumas pessoas que sempre achei meio "diferentes", e uma luz se fez em meu pensamento: Eram Crossdessers! Só que eu era jovem e não tinha a malícia que tenho hoje. Fui buscar algumas fotos delas nos meus arquivos e apresento com grande respeito as Crossdessers do passado.
Dona Leila - Minha professora de Artes da 5a série. Muito simpática, adorava as aulas dela. Acho que o jeitão debochado e levemente perua deixava os garotos impressionados. Ela não era aquele tipo de professora que vinha de avental e cabelinho básico, ela era toda moderna, ia na discoteca Banana Power (o Décio meu amigo encontrou ela uma vez lá, dançando com o John Travolta, quando ele veio divulgar o filme Os Embalos de Sábado à Noite) e vi mais de uma vez ela chegando para dar aula de patins, usando uma legging de lycra parecida com a do David Lee Roth, do Van Halen). Olhando a foto agora percebo que a Dona Leila era 100% Cross...
Tia Wanda - Era o orgulho da família, professora da USP e tudo o mais. Tia Wanda nasceu no Uruguai e veio morar pequena em São Paulo, mas nunca perdeu o sotaque carregado. Adorava fumar cigarro com piteira e tinha uma coleção de chapéus iguais aos que a Audrey Hapburn usou em seus filmes. Tomava Dry Martini e ouvia Mercedes Sosa.
Apesar de ser muito intelectualizada, acabou casando com o Toninho, eletricista do prédio, sujeito troncudo capaz de segurar um fio de 220V sem sentir choque. Nunca tiveram filhos, mas parece que Tia Wanda não se importava com isto...
Sheila, a Bibliotecária - Uma simpatia de pessoa. Como era musculosa, sempre que o professor de Educação Física faltava ela cobria ele. Muito alta, dava vários bailes na molecada quando jogávamos basquete. Um dia um colega, o Minhoca, comentou com a gente que achava estranho o jeito dela, parecia meio lésbica. Olhava as meninas com uns zóio comprido. Eu nunca percebi nada. Mas acho que tinha coisa aí...
Os casos abaixo são mais recentes, não posso comprovar nenhum, mas tenho fontes aqui no Arouche que me garantem que são Crossdessers.
Gushiken - Depois do escândalo do mensalão, muita gente estranhou o sumiço do petista. Um dia estava no cabeleireiro com minhas filhas e um deles apontou e disse: Olha lá a Mitiko! E a tal Mitiko entrou e ficou fazendo as unhas. Quando saiu, fiquei com a sensação de que conhecia a figura. O rapaz me disse que realmente ela tinha sido um político importante e que aproveitou a saída do governo para poder expressar-se com mais tranquilidade. Eu não tenho provas, a não ser esta foto do celular do cabeleireiro...
Amaral - Parece que o caso do famoso jogador do Palmeiras foi meio ao contrário, dizem que ele na verdade é uma das filhas do Itamar Assumpção que não teve oportunidade de jogar profissionalmente no futebol feminino e resolveu assumir uma identidade masculina para poder jogar. Eu sempre achei o Amaral meio estranho, e num site especializado em Esportistas Crossdessers encontrei esta foto com várias sugestões que poderia ser a do ídolo alviverde...
Whitney - Em respeito ao momento de luto da família prefiro não comentar para não botar mais lenha na fogueira...
Dona Leila - Minha professora de Artes da 5a série. Muito simpática, adorava as aulas dela. Acho que o jeitão debochado e levemente perua deixava os garotos impressionados. Ela não era aquele tipo de professora que vinha de avental e cabelinho básico, ela era toda moderna, ia na discoteca Banana Power (o Décio meu amigo encontrou ela uma vez lá, dançando com o John Travolta, quando ele veio divulgar o filme Os Embalos de Sábado à Noite) e vi mais de uma vez ela chegando para dar aula de patins, usando uma legging de lycra parecida com a do David Lee Roth, do Van Halen). Olhando a foto agora percebo que a Dona Leila era 100% Cross...
Tia Wanda - Era o orgulho da família, professora da USP e tudo o mais. Tia Wanda nasceu no Uruguai e veio morar pequena em São Paulo, mas nunca perdeu o sotaque carregado. Adorava fumar cigarro com piteira e tinha uma coleção de chapéus iguais aos que a Audrey Hapburn usou em seus filmes. Tomava Dry Martini e ouvia Mercedes Sosa.
Apesar de ser muito intelectualizada, acabou casando com o Toninho, eletricista do prédio, sujeito troncudo capaz de segurar um fio de 220V sem sentir choque. Nunca tiveram filhos, mas parece que Tia Wanda não se importava com isto...
Sheila, a Bibliotecária - Uma simpatia de pessoa. Como era musculosa, sempre que o professor de Educação Física faltava ela cobria ele. Muito alta, dava vários bailes na molecada quando jogávamos basquete. Um dia um colega, o Minhoca, comentou com a gente que achava estranho o jeito dela, parecia meio lésbica. Olhava as meninas com uns zóio comprido. Eu nunca percebi nada. Mas acho que tinha coisa aí...
Os casos abaixo são mais recentes, não posso comprovar nenhum, mas tenho fontes aqui no Arouche que me garantem que são Crossdessers.
Gushiken - Depois do escândalo do mensalão, muita gente estranhou o sumiço do petista. Um dia estava no cabeleireiro com minhas filhas e um deles apontou e disse: Olha lá a Mitiko! E a tal Mitiko entrou e ficou fazendo as unhas. Quando saiu, fiquei com a sensação de que conhecia a figura. O rapaz me disse que realmente ela tinha sido um político importante e que aproveitou a saída do governo para poder expressar-se com mais tranquilidade. Eu não tenho provas, a não ser esta foto do celular do cabeleireiro...
Amaral - Parece que o caso do famoso jogador do Palmeiras foi meio ao contrário, dizem que ele na verdade é uma das filhas do Itamar Assumpção que não teve oportunidade de jogar profissionalmente no futebol feminino e resolveu assumir uma identidade masculina para poder jogar. Eu sempre achei o Amaral meio estranho, e num site especializado em Esportistas Crossdessers encontrei esta foto com várias sugestões que poderia ser a do ídolo alviverde...
Whitney - Em respeito ao momento de luto da família prefiro não comentar para não botar mais lenha na fogueira...
14.2.12
Macho Style - Confira se você está por fora da moda!
Eu não tenho dúvida que em algum adereço eu sempre erro. Já usei calça semi-bag, tamanco, pochete, boina, bigode estilo moustache (não necessariamente na mesma época, senão já estava vendendo livro de poesia na rua), e muito mais que evito comentar.
Se existem alguns estilos masculinos que nunca saem de moda, outros devem ser evitados, a todo custo. Cito alguns para podermos entender por onde NÃO vai a moda:
Demi-Bear (ou Semi-Peludo) - Se você é peludo, não é culpa sua. A natureza te fez assim, preparou para a Groenlândia mas te jogou em Presidente Prudente. Mas pense que esta maldição pode ser resolvida, depile-se totalmente, mas nunca parcialmente. Já viu aqueles caras que fazem a barba na altura da gola da camisa, para parecer que não tem pelo no peito? Então, não faça. E cortes mais ousados, como o do cara que foi atropelado pelo caminhão da imagem acima, pode esquecer. Sua linhagem genética vai terminar em você, chance de acasalamento zero.
Modalidades orgânicas de piercing ou implantes - Depois da moda de cortar a língua, aplicar umas bolotas na testa, escarificação, alguns se animaram a fazer novas inserções, como o orelhudo da foto ao lado. Além de ser funcionalmente estranho (Para quê? Para ouvir o rim da namorada enquanto está abraçado com ela?), pode gerar problemas como otite quando limpa a boca na camisa depois da refeição. Esqueça. O único benefício seria limpar a cera do ouvido com a língua, dando um ato-barato, mas não sei se vale o preço.
Dentições inovadoras - Nada contra problemas nos dentes, até faz parte da cultura Macho, mas não devemos exagerar. Aquela época que os Rappers americanos resolveram misturar o estilo Índia Boliviana com o vilão Dentes de Aço não fez muito sucesso. Honestamente não sei se existe seguro para dente já arrancado, ou se o pessoal vai no funileiro e pede para pintar de branco geladeira. Mas sei que rapidamente a moda sumiu, e não é de bom tom aparecer por aí deste jeito.
Eu sei que existem outras questões que devemos evitar, agradeço as mulheres se me mandarem dicas, assim o universo masculino poderá ficar livre de algumas manifestações do Macho Style sem que isto comprometa nossas habilidades no relacionamento com a mulherada!
Se existem alguns estilos masculinos que nunca saem de moda, outros devem ser evitados, a todo custo. Cito alguns para podermos entender por onde NÃO vai a moda:
Demi-Bear (ou Semi-Peludo) - Se você é peludo, não é culpa sua. A natureza te fez assim, preparou para a Groenlândia mas te jogou em Presidente Prudente. Mas pense que esta maldição pode ser resolvida, depile-se totalmente, mas nunca parcialmente. Já viu aqueles caras que fazem a barba na altura da gola da camisa, para parecer que não tem pelo no peito? Então, não faça. E cortes mais ousados, como o do cara que foi atropelado pelo caminhão da imagem acima, pode esquecer. Sua linhagem genética vai terminar em você, chance de acasalamento zero.
Modalidades orgânicas de piercing ou implantes - Depois da moda de cortar a língua, aplicar umas bolotas na testa, escarificação, alguns se animaram a fazer novas inserções, como o orelhudo da foto ao lado. Além de ser funcionalmente estranho (Para quê? Para ouvir o rim da namorada enquanto está abraçado com ela?), pode gerar problemas como otite quando limpa a boca na camisa depois da refeição. Esqueça. O único benefício seria limpar a cera do ouvido com a língua, dando um ato-barato, mas não sei se vale o preço.
Dentições inovadoras - Nada contra problemas nos dentes, até faz parte da cultura Macho, mas não devemos exagerar. Aquela época que os Rappers americanos resolveram misturar o estilo Índia Boliviana com o vilão Dentes de Aço não fez muito sucesso. Honestamente não sei se existe seguro para dente já arrancado, ou se o pessoal vai no funileiro e pede para pintar de branco geladeira. Mas sei que rapidamente a moda sumiu, e não é de bom tom aparecer por aí deste jeito.
Eu sei que existem outras questões que devemos evitar, agradeço as mulheres se me mandarem dicas, assim o universo masculino poderá ficar livre de algumas manifestações do Macho Style sem que isto comprometa nossas habilidades no relacionamento com a mulherada!
A Revolução vai ter um botão de Curtir?
Há enormes diferenças entre Falar e Fazer, entre Pensar e Agir. Tem gente que ainda não percebeu isto.
Se eu falar mil vezes que vou até meu quarto isto não fará com que eu me mova até lá.
"Cão que ladra não morde".
Mas a mobilização através das ideias é interessante, debater temas e estabelecer novos parâmetros de enxergar a realidade.
A Revista Veja está penando por causa disto. Cada vez grita mais em torno dos infinitos casos de corrupção dos governos brasileiros, mas nada acontece. Ninguém levanta e atira uma pedra. O escândalo hoje é ruído, incomoda e mudamos de canal. A Veja vai precisar reinventar seu papel, pois este não serve para os dias de hoje.
Muitos gordinhos sofrerão hoje porque vão pensar em fazer um regime e não tomarão nenhuma atitude em relação a isto. Muitos sedentários não irão fazer ginástica também, e por aí vai.
Pensar nas atitudes sem realiza-las é frustrante e doloroso. Totalmente diferente de pensar filosófico ou matemático, questões do universo abstrato que contribuem para a compreensão do Real. Há coisas em que o pensar aparentemente dever preceder o agir.
Uma grande quantidade de pessoas usa o Facebook para expressar um pensar que não gera um agir: Ao contrário, imobiliza, pois cria a falsa sensação de que algo já foi feito ao ser comentado. Como quando você está no ponto de ônibus e uma pessoa começa a resmungar que o ônibus é de má qualidade, demora para chegar, quebra a toda hora. E quando o ônibus chega, ela entra, senta e vai embora, em silêncio.
Imagino que alguém como o Roberto da Matta tenha uma teoria interessante sobre o que faz com que o brasileiro seja assim. Vou investigar.
Eu acho que o poder simbólico da palavra anula parte da iniciativa do indivíduo. Como no caso de muitos dos professores que conheci, que de tanto falarem acabaram acreditando naquilo que falavam, movendo sem se mexer. Ídolos rebeldes dentro de uma lousa.
Quando eu tinha dez anos, o pai malvado de meu melhor amigo me comparava ao filho dele, várias vezes passei por esta situação. Sempre achei estranho ele fazer isto, mas não tinha idade para entender. Um dia, para desqualificar minha capacidade intelectual, ele disse: "Você é apenas um teórico". E durante muitos anos sofri com a sensação de que nunca seria alguém "na prática".
Hoje vejo que a teoria antecede e sucede a prática, numa dinâmica incrível entre pensamento e ação. O Virtual e o Real deveriam interagir da mesma maneira, e as Redes Sociais são um bom espaço para que a teoria e o debate aconteçam. Mas algo no Real precisa acontecer para que o Virtual faça sentido.
Todas estas manifestações de indignação política e pseudo-rebeldia que acontecem nas Redes Sociais não se transformam em um xingamento num comício dum candidato, numa ação de boicote a empresas e produtos... simplesmente não acontece nada.
Reclamar é diferente de Resmungar. Está na hora dos Revolucionários do Facebook descobrirem isto. Ou pararem de encher a plenária com seus resmungos.
Se eu falar mil vezes que vou até meu quarto isto não fará com que eu me mova até lá.
"Cão que ladra não morde".
Mas a mobilização através das ideias é interessante, debater temas e estabelecer novos parâmetros de enxergar a realidade.
A Revista Veja está penando por causa disto. Cada vez grita mais em torno dos infinitos casos de corrupção dos governos brasileiros, mas nada acontece. Ninguém levanta e atira uma pedra. O escândalo hoje é ruído, incomoda e mudamos de canal. A Veja vai precisar reinventar seu papel, pois este não serve para os dias de hoje.
Muitos gordinhos sofrerão hoje porque vão pensar em fazer um regime e não tomarão nenhuma atitude em relação a isto. Muitos sedentários não irão fazer ginástica também, e por aí vai.
Pensar nas atitudes sem realiza-las é frustrante e doloroso. Totalmente diferente de pensar filosófico ou matemático, questões do universo abstrato que contribuem para a compreensão do Real. Há coisas em que o pensar aparentemente dever preceder o agir.
Uma grande quantidade de pessoas usa o Facebook para expressar um pensar que não gera um agir: Ao contrário, imobiliza, pois cria a falsa sensação de que algo já foi feito ao ser comentado. Como quando você está no ponto de ônibus e uma pessoa começa a resmungar que o ônibus é de má qualidade, demora para chegar, quebra a toda hora. E quando o ônibus chega, ela entra, senta e vai embora, em silêncio.
Imagino que alguém como o Roberto da Matta tenha uma teoria interessante sobre o que faz com que o brasileiro seja assim. Vou investigar.
Eu acho que o poder simbólico da palavra anula parte da iniciativa do indivíduo. Como no caso de muitos dos professores que conheci, que de tanto falarem acabaram acreditando naquilo que falavam, movendo sem se mexer. Ídolos rebeldes dentro de uma lousa.
Quando eu tinha dez anos, o pai malvado de meu melhor amigo me comparava ao filho dele, várias vezes passei por esta situação. Sempre achei estranho ele fazer isto, mas não tinha idade para entender. Um dia, para desqualificar minha capacidade intelectual, ele disse: "Você é apenas um teórico". E durante muitos anos sofri com a sensação de que nunca seria alguém "na prática".
Hoje vejo que a teoria antecede e sucede a prática, numa dinâmica incrível entre pensamento e ação. O Virtual e o Real deveriam interagir da mesma maneira, e as Redes Sociais são um bom espaço para que a teoria e o debate aconteçam. Mas algo no Real precisa acontecer para que o Virtual faça sentido.
Todas estas manifestações de indignação política e pseudo-rebeldia que acontecem nas Redes Sociais não se transformam em um xingamento num comício dum candidato, numa ação de boicote a empresas e produtos... simplesmente não acontece nada.
Reclamar é diferente de Resmungar. Está na hora dos Revolucionários do Facebook descobrirem isto. Ou pararem de encher a plenária com seus resmungos.
13.2.12
A gente morre de quê, afinal?
Acompanhando a morte da cantora Whitney Houston (de quem não tenho nenhum apreço musical, mas respeito o vozeirão), pude constatar que sempre as pessoas ficam curiosas da causa da morte.
Já tinha ficado intrigado quando li na Veja (sim, me arrependi de ter comprado) um obituário muito curioso. A última veterana que havia participado da 1a Guerra Mundial morreu esta semana, com 110 anos. Aí, no final, o jornalista escreve: "de causas não divulgadas". Como assim? 110 anos de causas não divulgadas? Do que será que ela teria morrido? Alguém tem alguma dúvida?
Vamos pensar: Um cara morre, qualquer um. Aí vão investigar e descobrem que ele morreu de ataque cardíaco. OK, causa morte? Infarto. Mas aí descobrem que ele tinha tomado remédios para dormir. Causa morte? Medicamentosa. Mas aí descobrem que ele brigou com a mulher e estava com depressão. Causa morte? Potencial suicídio. No IML detectam que ele estava com níveis altos de colesterol e triglicérides, e a polícia descobre que tinha acabado a luz do prédio dele e que o cara subiu cinco andares a pé, sendo obeso e sedentário. Causa morte? Obesidade.
Será que é preciso lembrar que a gente não morre de uma coisa? A gente morre de viver, só isto. E viver bem ou viver mal são valores morais, não só de saúde. E também são questões do indivíduo, morrer é uma consequência da proposta de viver que criamos.
Lembrei imediatamente do belo filme "Despedida em Las Vegas". Vale a pena relembrar...
Já tinha ficado intrigado quando li na Veja (sim, me arrependi de ter comprado) um obituário muito curioso. A última veterana que havia participado da 1a Guerra Mundial morreu esta semana, com 110 anos. Aí, no final, o jornalista escreve: "de causas não divulgadas". Como assim? 110 anos de causas não divulgadas? Do que será que ela teria morrido? Alguém tem alguma dúvida?
Vamos pensar: Um cara morre, qualquer um. Aí vão investigar e descobrem que ele morreu de ataque cardíaco. OK, causa morte? Infarto. Mas aí descobrem que ele tinha tomado remédios para dormir. Causa morte? Medicamentosa. Mas aí descobrem que ele brigou com a mulher e estava com depressão. Causa morte? Potencial suicídio. No IML detectam que ele estava com níveis altos de colesterol e triglicérides, e a polícia descobre que tinha acabado a luz do prédio dele e que o cara subiu cinco andares a pé, sendo obeso e sedentário. Causa morte? Obesidade.
Será que é preciso lembrar que a gente não morre de uma coisa? A gente morre de viver, só isto. E viver bem ou viver mal são valores morais, não só de saúde. E também são questões do indivíduo, morrer é uma consequência da proposta de viver que criamos.
Lembrei imediatamente do belo filme "Despedida em Las Vegas". Vale a pena relembrar...
Meu projeto pessoal para quando ficar velho
Aprendi bastante observando a velharada em minhas andanças pela cidade. E fiquei pensando: Devo estar com os projetos errados para quando estiver verdadeiramente velho (para minhas filhas eu já estou decrépito, mas deixa para lá)
Na minha cabeça estava planejando aproveitar a velhice para ler, estudar línguas, viajar, fazer ginástica, escrever, curtir a família, participar de projetos sociais, aquelas coisas. Mas vejo que a maioria dos velhos não faz isto, portanto, não deve ser bom. Vou seguir o exemplo deles, pois o que eles fazem deve ser mais legal que isto...
1) Vou furar fila!
Deve ser um dos grandes baratos de velho, pois eles olham o mundo com desprezo quando passam na frente dos outros. Não parece que é um direito deles, parece que é algum dever da sociedade, e há evidente rancor. Curtir rancor deve ser bom, vejo muito velho rancoroso por aí...
2) Vou reclamar de jovem!
Vou falar que na minha época era tudo melhor, que o Balão Mágico era melhor que o Restart, que jovem é tudo preguiçoso, que se veste mal e não tem respeito. Vou olhar para as tendências sociais e falar para quem quiser (e quem não quiser) ouvir que a degradação moral aumenta a cada dia, e que na minha época meus filhos me respeitavam através de telepatia, bastava eu pensar e eles já estavam em fila indiana!
3) Vou puxar assuntos idiotas com estranhos
Em ambientes como ônibus, metrô e bancos, vou começar a conversar sobre questões pessoais sem relevância com quem estiver a menos de dois metros de distância de mim. Só para falar mesmo, não precisa nem que o outro preste muita atenção, basta que fique parado olhando e balançando a cabeça, para demonstrar que ainda está respirando.
4) Vou ser sedentário e sem vida cultural!
O lance de velho é ficar em casa e tomar sopa na caneca. Sair para andar? Nem pensar? Cinema, passeios, livros? Esqueça. Se você fizer tudo isto não vai ter tempo de fazer os itens 1,2 e 3. Melhor deixar estas bobagens de lado, ficar em casa e assistir os canais abertos da televisão.
Acho que se seguir estas quatro dicas terei um final de vida digno de um velho.
Na minha cabeça estava planejando aproveitar a velhice para ler, estudar línguas, viajar, fazer ginástica, escrever, curtir a família, participar de projetos sociais, aquelas coisas. Mas vejo que a maioria dos velhos não faz isto, portanto, não deve ser bom. Vou seguir o exemplo deles, pois o que eles fazem deve ser mais legal que isto...
1) Vou furar fila!
Deve ser um dos grandes baratos de velho, pois eles olham o mundo com desprezo quando passam na frente dos outros. Não parece que é um direito deles, parece que é algum dever da sociedade, e há evidente rancor. Curtir rancor deve ser bom, vejo muito velho rancoroso por aí...
2) Vou reclamar de jovem!
Vou falar que na minha época era tudo melhor, que o Balão Mágico era melhor que o Restart, que jovem é tudo preguiçoso, que se veste mal e não tem respeito. Vou olhar para as tendências sociais e falar para quem quiser (e quem não quiser) ouvir que a degradação moral aumenta a cada dia, e que na minha época meus filhos me respeitavam através de telepatia, bastava eu pensar e eles já estavam em fila indiana!
3) Vou puxar assuntos idiotas com estranhos
Em ambientes como ônibus, metrô e bancos, vou começar a conversar sobre questões pessoais sem relevância com quem estiver a menos de dois metros de distância de mim. Só para falar mesmo, não precisa nem que o outro preste muita atenção, basta que fique parado olhando e balançando a cabeça, para demonstrar que ainda está respirando.
4) Vou ser sedentário e sem vida cultural!
O lance de velho é ficar em casa e tomar sopa na caneca. Sair para andar? Nem pensar? Cinema, passeios, livros? Esqueça. Se você fizer tudo isto não vai ter tempo de fazer os itens 1,2 e 3. Melhor deixar estas bobagens de lado, ficar em casa e assistir os canais abertos da televisão.
Acho que se seguir estas quatro dicas terei um final de vida digno de um velho.
12.2.12
Tem gosto para tudo (Cinema pelo Mundo)
Inspirado por uns trailers enviados pelo Tomé Borba, resolvi oferecer uma experiência diferenciada hoje no blog: Ver filminho no domingão! Êêêê!
Seguem algumas pérolas que encontrei pelas andanças no YouTube:
Indian Superman
Espetaculares efeitos especiais, o vôo dos personagens é fino!
Seguem algumas pérolas que encontrei pelas andanças no YouTube:
Indian Superman
Espetaculares efeitos especiais, o vôo dos personagens é fino!
Star Wars Turco
Gostei muito da cena em que o ator principal fica olhando um cérebro de plástico e rola uma química estranha entre eles...
Indian Thriller
O Michael Jackson indiano faz uma mistura de Chicken Foot com sei lá o que, imperdível
Cine de Warrior
Ator cinquentão e fora de forma, um anão (ou criança) e inúmeros golpes e barulhos de madeira quebrada. Show!
A negação do Suvaco
Pobre Suvaco. Ninguém tem orgulho dele.
As mulheres o depilam, os homens jogam toneladas de desodorante nele. Excluindo a sola do pé, o Suvaco definitivamente é a última região do corpo no quesito admiração e respeito (se pensarmos bem, até as regiões mais escondidas tem seus admiradores, menos o pobre Suvaco. Você não imagina como foi difícil arranjar uma foto de alguém curtindo o futum de outra pessoa).
A começar pela palavra em si: Parece doença infantil.
"Pois é, minha senhora, seu filho está bem, mas aparentemente ele contraiu Suvaco".
Nem o corretor ortográfico o respeita, insiste em chamar o pobrezinho de Sovaco. Sovaco parece algo mais elegante, parece nome de órgão público:
"A SOVACO está aqui para melhor atender o cidadão! Faça seu cadastro e tenha todos os benefícios"
Afinal de contas, por que achamos o odor do Suvaco desagradável? Qual o problema? Curioso é que tem gente que compra desodorante com ferormônio para "atrair as mulheres" e usa ferormônio dos outros para esconder o cheiro do seu próprio ferormônio...
Chamar o bicho de "axila" é coisa meio protocolar. Papo de médico, de quem tem vergonha do Suvaco existir. Queria ver se o braço saísse direto do ombro sem o Suvaco! Como eles iriam dançar? Ia parecer um monte de Lego na pista...
Para quem odeia seu Suvaco a situação limite é a Dúvida: A clássica cheirada para ver se a catinga está forte ou não. É divertido, pois não há nenhum gesto semelhante ao de aproximar o nariz e dar aquela fungada. Simplesmente não dá para disfarçar e falar que estava pegando uma caneta no bolso com a boca, ou que estava bocejando. Você está sentindo seus próprios odores, meu caro, e disfarçar de nada vai adiantar. Está na hora de assumir: Você tem um Suvaco! Pior do que isto, você têm dois Suvacos. Aprenda a conviver com eles.
As mulheres o depilam, os homens jogam toneladas de desodorante nele. Excluindo a sola do pé, o Suvaco definitivamente é a última região do corpo no quesito admiração e respeito (se pensarmos bem, até as regiões mais escondidas tem seus admiradores, menos o pobre Suvaco. Você não imagina como foi difícil arranjar uma foto de alguém curtindo o futum de outra pessoa).
A começar pela palavra em si: Parece doença infantil.
"Pois é, minha senhora, seu filho está bem, mas aparentemente ele contraiu Suvaco".
Nem o corretor ortográfico o respeita, insiste em chamar o pobrezinho de Sovaco. Sovaco parece algo mais elegante, parece nome de órgão público:
"A SOVACO está aqui para melhor atender o cidadão! Faça seu cadastro e tenha todos os benefícios"
Afinal de contas, por que achamos o odor do Suvaco desagradável? Qual o problema? Curioso é que tem gente que compra desodorante com ferormônio para "atrair as mulheres" e usa ferormônio dos outros para esconder o cheiro do seu próprio ferormônio...
Chamar o bicho de "axila" é coisa meio protocolar. Papo de médico, de quem tem vergonha do Suvaco existir. Queria ver se o braço saísse direto do ombro sem o Suvaco! Como eles iriam dançar? Ia parecer um monte de Lego na pista...
Para quem odeia seu Suvaco a situação limite é a Dúvida: A clássica cheirada para ver se a catinga está forte ou não. É divertido, pois não há nenhum gesto semelhante ao de aproximar o nariz e dar aquela fungada. Simplesmente não dá para disfarçar e falar que estava pegando uma caneta no bolso com a boca, ou que estava bocejando. Você está sentindo seus próprios odores, meu caro, e disfarçar de nada vai adiantar. Está na hora de assumir: Você tem um Suvaco! Pior do que isto, você têm dois Suvacos. Aprenda a conviver com eles.
11.2.12
O que é Sorte? O que é Azar?
Hoje na minha ginástica (ou seria mais chique dizer fitness?) aconteceu algo interessante. Enquanto estava fazendo musculação tinha um cara fazendo supino com um monte de peso, um pouco mais do que ele aguentava. Quando foi desmontar a barra, três anilhas de 15Kg caíram ao redor dos meus pés, dando um baita susto em mim e nele.
Três objetos deste peso caindo de mais de um metro de altura podem gerar um estrago no pé de uma pessoa, são nove sacos de arroz.
O cara olhou assustado e eu fiquei meio bravo. No fim, eu disse para ele: "Você teve azar de deixar cair e eu tive sorte de não caírem no meu pé".
Aí pensei no que pode ser a Sorte e o que pode ser o Azar? Como naquelas histórias de acidente de avião que o cara chegou atrasado e perdeu o vôo fatídico. Imagino que na hora que o ele chegou no aeroporto se sentiu o último dos mortais, mas quando viu a bola de fogo na televisão ajoelhou e agradeceu aos deuses pelo atraso.
Lembro de uma frase do Steven Pinker, neurocientista instigante, que define a felicidade como sendo "o intervalo de tempo que começa quando você sabe que teve um aumento de 10% no salário até o momento em que descobre que todos seus colegas tiveram um aumento de 20%".
De certa maneira Sorte e Azar são definidos da mesma maneira, dentro de uma linha de tempo e narrativas pessoais, pois o desencadear dos fatos posteriores irá realmente estabelecer o que foi um ou outro. E, como a linha de tempo e narrativa (fluxo e como a consciência estrutura o passado) só terminam com a morte: enquanto estamos vivos teremos de nos contentar em saber que a Sorte ou o Azar são apenas definições temporárias, e que um dia esta "Tag" pode mudar, e ganhar na loteria será péssimo e sua casa desmoronar foi o melhor que poderia ter acontecido em sua vida.
Três objetos deste peso caindo de mais de um metro de altura podem gerar um estrago no pé de uma pessoa, são nove sacos de arroz.
O cara olhou assustado e eu fiquei meio bravo. No fim, eu disse para ele: "Você teve azar de deixar cair e eu tive sorte de não caírem no meu pé".
Aí pensei no que pode ser a Sorte e o que pode ser o Azar? Como naquelas histórias de acidente de avião que o cara chegou atrasado e perdeu o vôo fatídico. Imagino que na hora que o ele chegou no aeroporto se sentiu o último dos mortais, mas quando viu a bola de fogo na televisão ajoelhou e agradeceu aos deuses pelo atraso.
Lembro de uma frase do Steven Pinker, neurocientista instigante, que define a felicidade como sendo "o intervalo de tempo que começa quando você sabe que teve um aumento de 10% no salário até o momento em que descobre que todos seus colegas tiveram um aumento de 20%".
De certa maneira Sorte e Azar são definidos da mesma maneira, dentro de uma linha de tempo e narrativas pessoais, pois o desencadear dos fatos posteriores irá realmente estabelecer o que foi um ou outro. E, como a linha de tempo e narrativa (fluxo e como a consciência estrutura o passado) só terminam com a morte: enquanto estamos vivos teremos de nos contentar em saber que a Sorte ou o Azar são apenas definições temporárias, e que um dia esta "Tag" pode mudar, e ganhar na loteria será péssimo e sua casa desmoronar foi o melhor que poderia ter acontecido em sua vida.
9.2.12
Quando o homem cede e a mulher escolhe a roupa dele
Convivência é uma m..., como diriam alguns.
As mulheres adoram dar pitacos nas roupas masculinas. Homens em geral resistem às suas namoradas e esposas, mas a influência é grande e longa, que começa com nossas mães.
Toda mãe gosta de escolher roupinhas para os filhos pequenos. Mas quando crescem, alguns não desenvolvem gosto próprio ou são dominados pela imagem materna e continuam a se vestir como a mamãe diz.
Vejam o caso deste infeliz da foto. Típica dominação feminina. Como é que um macho adulto se veste deste jeito? Só se for para fazer figuração no Miami Vice. Terno mostarda não é para os fracos! Ou seja, a falta de noção domina. A mãe provavelmente viu numa revista feminina o Johnny Depp vestido assim (bom lembrar que o Johnny Depp pode se vestir de qualquer jeito, ele é o cara) e convenceu o filho solteirão de 40 anos a usar um look amarelão. Não contente, chamou uma senhora do bairro que corta o cabelo do seu avô, que por sinal é careca, e mandou cortar o seu cabelo estilo chanel.
Mulher gosta de vestir tudo. Este pobre cachorro ao lado. Quanto vale que as moças acharam uma gracinha? E ainda aplaudem o coitado animal por ser paciente e ter deixado colocar a tanga. Alguém teria coragem de usar esta tanga depois? Fica a dúvida....
Na adolescência a rebeldia manda! Pica o cabelo, pica a calça, tecnicamente a adolescência não existe sem uma tesoura e furos.
Mas não precisa exagerar e continuar com o visual esquisitão, para não ficar velho e parecido com o cruzamento do Nicholas Cage com uma vassoura. Nem tanto ao céu nem tanto à terra, dá para ser moderno sem levantar dúvidas sobre sua orientação sexual...
Outra manifestação da rebeldia é o total descaso, aquele homem que rejeita Darwin e assume seu momento animal (no caso, o porco)
Não toma banho, não corta o cabelo, não usa roupa, come lavagem e tenta se acasalar com o Xbox, quando o Xbox não está com dor de cabeça.
Mas a modernidade sempre surpreende. Hoje aceitamos como modernos os toques da vovó e da mamma, contanto que em vestimentas inusitadas. Uma barba de crochê, por exemplo. Por que não? Vou sair pela Augusta com um mustache de fuxico! Estou ao mesmo tempo deixando minha mãe feliz e caindo na boca do povo.
A recomendação deste que vos fala é: Evite aceitar todos os toques, mas a maioria deles faz sentido. Se a mulher dominar totalmente o armário masculino, o homem corre sérios riscos de perder a identidade de gênero...
As mulheres adoram dar pitacos nas roupas masculinas. Homens em geral resistem às suas namoradas e esposas, mas a influência é grande e longa, que começa com nossas mães.
Toda mãe gosta de escolher roupinhas para os filhos pequenos. Mas quando crescem, alguns não desenvolvem gosto próprio ou são dominados pela imagem materna e continuam a se vestir como a mamãe diz.
Vejam o caso deste infeliz da foto. Típica dominação feminina. Como é que um macho adulto se veste deste jeito? Só se for para fazer figuração no Miami Vice. Terno mostarda não é para os fracos! Ou seja, a falta de noção domina. A mãe provavelmente viu numa revista feminina o Johnny Depp vestido assim (bom lembrar que o Johnny Depp pode se vestir de qualquer jeito, ele é o cara) e convenceu o filho solteirão de 40 anos a usar um look amarelão. Não contente, chamou uma senhora do bairro que corta o cabelo do seu avô, que por sinal é careca, e mandou cortar o seu cabelo estilo chanel.
Mulher gosta de vestir tudo. Este pobre cachorro ao lado. Quanto vale que as moças acharam uma gracinha? E ainda aplaudem o coitado animal por ser paciente e ter deixado colocar a tanga. Alguém teria coragem de usar esta tanga depois? Fica a dúvida....
Na adolescência a rebeldia manda! Pica o cabelo, pica a calça, tecnicamente a adolescência não existe sem uma tesoura e furos.
Mas não precisa exagerar e continuar com o visual esquisitão, para não ficar velho e parecido com o cruzamento do Nicholas Cage com uma vassoura. Nem tanto ao céu nem tanto à terra, dá para ser moderno sem levantar dúvidas sobre sua orientação sexual...
Outra manifestação da rebeldia é o total descaso, aquele homem que rejeita Darwin e assume seu momento animal (no caso, o porco)
Não toma banho, não corta o cabelo, não usa roupa, come lavagem e tenta se acasalar com o Xbox, quando o Xbox não está com dor de cabeça.
Mas a modernidade sempre surpreende. Hoje aceitamos como modernos os toques da vovó e da mamma, contanto que em vestimentas inusitadas. Uma barba de crochê, por exemplo. Por que não? Vou sair pela Augusta com um mustache de fuxico! Estou ao mesmo tempo deixando minha mãe feliz e caindo na boca do povo.
A recomendação deste que vos fala é: Evite aceitar todos os toques, mas a maioria deles faz sentido. Se a mulher dominar totalmente o armário masculino, o homem corre sérios riscos de perder a identidade de gênero...
8.2.12
Ah, o acasalamento!
Apesar de não ser um especialista na área, tive a oportunidade de ver vários amigos meus se arriscando nas artes do amor. Conto aqui algumas histórias reais, mas com nomes trocados, para evitar o ódio e o ressentimento dos envolvidos.
A primeira história é de um amigo que vamos chamar de Alaor. Ele tinha acabado de conhecer uma menina e o clima estava esquentando entre os dois. Alaor, muito antenado nas modernidades de nossa sociedade, preparou uma noite caliente para sua amada. Tinha ouvido falar que brincar com comida era um estimulante sexual. Pois bem, como bom fã de Leite Condensado, resolveu lambuzar toda a sua parceira com a substância, para criar aquele clima. Se jogasse coco ralado virava um Bolo Prestígio.
Mas Alaor não contava que o negócio seca, e é grudento. Quando os dois corpos se entrelaçaram aconteceu o inesperado: Uma sessão de depilação mútua, regada a muitos "ais" e "uis". Meu amigo ficou com o tórax parecido com daqueles caras que fazem eletrocardiograma, uns tufos prá lá e outros prá cá. Sobre o resto do corpo, prefiro não comentar. A moça, obviamente, sumiu.
Outra história muito interessante foi de um outro amigo, o Vanuso. Estávamos num grupo de teatro e ele de olho numa atriz muito bonita, que estava com dificuldades de "sensualizar" a personagem dela. E eu, como diretor, resolvi segui pelo caminho da "memória afetiva", técnica muito usada para ajudar atores nesta situação. O Vanuso se antecipou e disse que poderia dar uma dica para ela, a partir de sua vivência no ramo.
Ele olhou nos olhos dela e disse, com aquele sorriso meio de lado numa mistura de RPM e Vanilla Ice: "Quer uma dica? Faça como eu: Leia livros de filosofia. Toda vez que leio filosofia tenho uma ereção".
Curiosamente a atriz não saiu correndo, mas nunca mais falou com ele. E eu, por prudência nunca mais pedi livros de filosofia emprestado para ele...
A primeira história é de um amigo que vamos chamar de Alaor. Ele tinha acabado de conhecer uma menina e o clima estava esquentando entre os dois. Alaor, muito antenado nas modernidades de nossa sociedade, preparou uma noite caliente para sua amada. Tinha ouvido falar que brincar com comida era um estimulante sexual. Pois bem, como bom fã de Leite Condensado, resolveu lambuzar toda a sua parceira com a substância, para criar aquele clima. Se jogasse coco ralado virava um Bolo Prestígio.
Mas Alaor não contava que o negócio seca, e é grudento. Quando os dois corpos se entrelaçaram aconteceu o inesperado: Uma sessão de depilação mútua, regada a muitos "ais" e "uis". Meu amigo ficou com o tórax parecido com daqueles caras que fazem eletrocardiograma, uns tufos prá lá e outros prá cá. Sobre o resto do corpo, prefiro não comentar. A moça, obviamente, sumiu.
Outra história muito interessante foi de um outro amigo, o Vanuso. Estávamos num grupo de teatro e ele de olho numa atriz muito bonita, que estava com dificuldades de "sensualizar" a personagem dela. E eu, como diretor, resolvi segui pelo caminho da "memória afetiva", técnica muito usada para ajudar atores nesta situação. O Vanuso se antecipou e disse que poderia dar uma dica para ela, a partir de sua vivência no ramo.
Ele olhou nos olhos dela e disse, com aquele sorriso meio de lado numa mistura de RPM e Vanilla Ice: "Quer uma dica? Faça como eu: Leia livros de filosofia. Toda vez que leio filosofia tenho uma ereção".
Curiosamente a atriz não saiu correndo, mas nunca mais falou com ele. E eu, por prudência nunca mais pedi livros de filosofia emprestado para ele...
7.2.12
O Crustoli e o Sonho (no caso, o Pesadelo)
É incrível como nossa alimentação pode trazer insights interessantes.
Ontem a noite resolvi comer Crustolis, uma sobremesa italiana feita de massa de pastel frita com açúcar e canela, coisa de imigrante pobre. E, uma delícia.
Este tipo de comidinha me lembra infância (como para outras pessoas é o Bolinho de Chuva) e minha avó. Numa padaria italiana comprei um saquinho de crustoli para matar a vontade e lá vou eu atacar o pobrezinho bem antes de dormir.
Quem já teve refluxo sabe o perigo que é comer fritura ou comidas pesadas antes de dormir. E nem preciso dizer que ontem estava um calor amazônico, o que também atrapalha o sono.
Em suma, suei montes e tive um belo pesadelo. E foi ele que me chamou a atenção. Não me lembro de detalhes, mas nele existiam pequenas criaturas que me seguiam, e quando eu olhava na direção delas, elas sumiam ou se escondiam.
E acordei no meio da noite pensando nestas criaturas que não vemos e que nos assombram. E posso dizer que existem muitos medos, mas os maiores de todos são associados ao desconhecido. Temos uma relação ambígua com o desconhecido, pois queremos a novidade mas não queremos o absolutamente novo, que é incontrolável e não categorizável por natureza (até nos acostumarmos a ele).
E lá estava meu sonho me mostrando como tenho medo do desconhecido, e como não consigo enquadrá-lo, organizá-lo, etc etc etc.
A prática do desapego nada mais é que aceitar o desconhecido em nossas vidas, mesmo que tenhamos medo do que possa acontecer. Pois sempre teremos os medos.
Quando era pequeno li uma bela história em quadrinhos do Fantasma, onde ele entrava numa aldeia de canibais, gritava com todo mundo, salvava a mocinha e se mandava. Lá fora, dois guardas florestais perguntam a ele se tinha tido medo. Ele diz que "Tinha morrido de medo", daí um dos guardas pensa (naqueles balões de sonho): "Coragem não é não ter medo, e sim ter medo e continuar".
Nada como um crustoli bem gorduroso para me fazer lembrar que sempre teremos medo, e sempre devemos continuar...
Ontem a noite resolvi comer Crustolis, uma sobremesa italiana feita de massa de pastel frita com açúcar e canela, coisa de imigrante pobre. E, uma delícia.
Este tipo de comidinha me lembra infância (como para outras pessoas é o Bolinho de Chuva) e minha avó. Numa padaria italiana comprei um saquinho de crustoli para matar a vontade e lá vou eu atacar o pobrezinho bem antes de dormir.
Quem já teve refluxo sabe o perigo que é comer fritura ou comidas pesadas antes de dormir. E nem preciso dizer que ontem estava um calor amazônico, o que também atrapalha o sono.
Em suma, suei montes e tive um belo pesadelo. E foi ele que me chamou a atenção. Não me lembro de detalhes, mas nele existiam pequenas criaturas que me seguiam, e quando eu olhava na direção delas, elas sumiam ou se escondiam.
E acordei no meio da noite pensando nestas criaturas que não vemos e que nos assombram. E posso dizer que existem muitos medos, mas os maiores de todos são associados ao desconhecido. Temos uma relação ambígua com o desconhecido, pois queremos a novidade mas não queremos o absolutamente novo, que é incontrolável e não categorizável por natureza (até nos acostumarmos a ele).
E lá estava meu sonho me mostrando como tenho medo do desconhecido, e como não consigo enquadrá-lo, organizá-lo, etc etc etc.
A prática do desapego nada mais é que aceitar o desconhecido em nossas vidas, mesmo que tenhamos medo do que possa acontecer. Pois sempre teremos os medos.
Quando era pequeno li uma bela história em quadrinhos do Fantasma, onde ele entrava numa aldeia de canibais, gritava com todo mundo, salvava a mocinha e se mandava. Lá fora, dois guardas florestais perguntam a ele se tinha tido medo. Ele diz que "Tinha morrido de medo", daí um dos guardas pensa (naqueles balões de sonho): "Coragem não é não ter medo, e sim ter medo e continuar".
Nada como um crustoli bem gorduroso para me fazer lembrar que sempre teremos medo, e sempre devemos continuar...
6.2.12
Cada um tem sua moeda
Estava conversando com um especialista em Recursos Humanos quando ele me disse que uma das coisas mais importantes da vida é identificar qual é a sua moeda.
Moeda é aquilo pelo qual você faz as coisas. Há pessoas muito infelizes não por que não conseguem se realizar, mas pelo fato de não saberem o que querem em troca do mundo.
Lógico que todos queremos felicidade, sucesso, saúde, etc. Mas quando saímos todos os dias em busca de alguma coisa (e praticamente todos fazem isto), acabamos não tendo foco no que queremos trazer de volta.
Uma das moedas é, claro, o dinheiro. Há pessoas que buscam o dinheiro como resultado das coisas que faz. Quando volta para casa com dinheiro, ele se realiza. Mas nem todos são assim, apesar de acharem que este é o caminho, ou o único caminho. Dinheiro é importante, compra brinquedos, paga contas e traz status, mas ele não é a única moeda existente.
A outra é o reconhecimento, que pode ter algumas vertentes, as mais relevantes são:
O aplauso - Você fica feliz de se destacar, de estar num patamar que sacia sua vaidade e mostra para o mundo inteiro seu valor.
O abraço - Você quer que as pessoas te amem, te aceitem, e isto traz sua satisfação e felicidade.
Obviamente não temos moedas "puras", apesar de que algumas pessoas só buscam exclusivamente uma ou outra: A grande maioria tem um mix dentro de si, misturamos um pouco de cada moeda. Mas precisamos manifestar nossa busca por cada uma delas, pois o dinheiro não vai satisfazer nossa vontade de aplauso ou de carinho, nem vice-e-versa.
Da mesma maneira que não dá para eu chegar no açougue, fazer um pedido e na hora de pagar eu abrir os braços e dizer pro cara: "Vem cá e me dá um abraço", também não é possível encontrar certas satisfações em locais que só podem te dar dinheiro.
Por estas e outras razões que sempre dei aula, é uma oportunidade de troca imensa, e é no carinho e no aplauso que preenchemos algumas das coisas que procuramos por aí.
Groucho Marx, um dos meus ídolos e um dos grandes humoristas de todos os tempos comenta em sua autobiografia que certa vez encontrou com um casal de fãs na rua que queriam conversar com ele. Um deles disse: "Você é o Groucho, né? Por favor, não morra!". Para ele, aquilo valeu todo o trabalho.
Me sinto deliciosamente carinhado quando encontro com um ex-aluno que me fala da importância das aulas que dei e como elas tinham sido importantes para ele.
Hoje vi uma manifestação muito bonita no Facebook onde muitos alunos teceram os maiores elogios a mim. Nenhum dinheiro compra isto. Obrigado a todos.
5.2.12
Isto é arte para você?
Foi esta pergunta que inaugurou minha sessão de fotos de domingo. Eu estava embaixo do Minhocão, centro de São Paulo, observando a linda luz de final de tarde quando um morador de rua se aproximou para conversar.
- Isto é arte para você?
Eis a bela pergunta. Sorri, e disse que sim, por algumas razões. A primeira era a luminosidade amarelada que batia num filtro de barro no chão. A outra era a composição gerada pela sombra, filtro e ambiente. E, por último e não menos importante, a descontextualização (e recontextualização) do filtro, aquele objeto que remete à cozinha, colocado no meio da ilha, e os carros passando.
O rapaz sorriu, e ficou me observando fotografar.
Tirei outras belas fotos no dia, depois procurem no meu perfil do Facebook ou no Flickr, mas a pergunta me fez refletir. Do ponto de vista social, o morador de rua é uma versão urbana da questão essencial que Duchamp instalou no meio artístico.
Domingo no viaduto é dia de feira, a quantidade de moradores de rua aumenta consideravelmente na região. E lá estavam eles todos fazendo a siesta, no final de tarde, jogados num determinado local distante do filtro. Portanto, aquele local era a varanda deles, ou o quarto.
Na praça ao lado pude ver outros tantos moradores de rua dormindo ao lado de pilhas de restos de verduras. Perto das árvores, várias frutas, algumas inteiras, outras só os restos. Estávamos na dispensa.
Onde eu pisava sem saber era a cozinha, pude depois notar restos de madeira queimada e panelas velhas.
Entrei num universo mágico semelhante ao meu mundo mas não fui capaz de identifica-lo. Sem pedir entrei na cozinha, comecei a tirar foto "dentro" da casa do cara. E ele, gentilmente me perguntou se isto que eu fazia era arte.
Sempre as perguntas são mais interessantes que as respostas.
- Isto é arte para você?
Eis a bela pergunta. Sorri, e disse que sim, por algumas razões. A primeira era a luminosidade amarelada que batia num filtro de barro no chão. A outra era a composição gerada pela sombra, filtro e ambiente. E, por último e não menos importante, a descontextualização (e recontextualização) do filtro, aquele objeto que remete à cozinha, colocado no meio da ilha, e os carros passando.
O rapaz sorriu, e ficou me observando fotografar.
Tirei outras belas fotos no dia, depois procurem no meu perfil do Facebook ou no Flickr, mas a pergunta me fez refletir. Do ponto de vista social, o morador de rua é uma versão urbana da questão essencial que Duchamp instalou no meio artístico.
Domingo no viaduto é dia de feira, a quantidade de moradores de rua aumenta consideravelmente na região. E lá estavam eles todos fazendo a siesta, no final de tarde, jogados num determinado local distante do filtro. Portanto, aquele local era a varanda deles, ou o quarto.
Na praça ao lado pude ver outros tantos moradores de rua dormindo ao lado de pilhas de restos de verduras. Perto das árvores, várias frutas, algumas inteiras, outras só os restos. Estávamos na dispensa.
Onde eu pisava sem saber era a cozinha, pude depois notar restos de madeira queimada e panelas velhas.
Entrei num universo mágico semelhante ao meu mundo mas não fui capaz de identifica-lo. Sem pedir entrei na cozinha, comecei a tirar foto "dentro" da casa do cara. E ele, gentilmente me perguntou se isto que eu fazia era arte.
Sempre as perguntas são mais interessantes que as respostas.
3.2.12
Algum problema de falar sobre cocô?
Passei por um dilema simples, mas que me fez pensar muito nos últimos tempos. Há umas semanas atrás vi um trecho de um programa (destes matinais) que falava sobre limpeza de banheiro, o que era sujo, onde tinha bactéria, em suma, um prato cheio para os neuróticos em geral.
Duas coisas me chamaram a atenção: A primeira é que os objetos mais sujos e cheios de bactérias que a cientista achou foram as escovas de dente, o que me fez trocar a escova no mesmo dia. Foi fácil, rápido e barato.
A outra questão foi mais complexa, relativa ao cocô. A especialista em higiene disse que o vaso sanitário até que é limpo, mas o real problema é quando damos a descarga de tampa aberta, pois aí a sujeira é lançada no ar e contamina o banheiro todo.
Aí complicou. Como ir ao banheiro e não dar aquela checada no final do processo? Parece fundamental ver o quanto o trabalho todo valeu, há uma espécie de orgulho (ou de frustração) com o resultado.
Mais do que isto, você vai tampar o vaso e dar a descarga? E não vai ver a coisa ir embora? Por que? Tem medo dela? E se uma descarga não for suficiente? É um vôo cego, você perde o controle da situação. Só se você for paranormal ou um matemático incrível para analisar o fluxo de água versus a massa e saber com precisão a hora de tirar a mão do botão. Por segurança, ficaria uns cinco minutos com o dedo no botão só para garantir que foi tudo embora.
Além da frustração de perder o controle do processo, ainda pode ficar um resíduo abandonado no aquário. Seus amigos vão te visitar e, surpresa! Alguém acha o famoso peixe trolha abandonado, olhando tristemente para o nada, exilado no vaso sanitário.
Ainda não consegui resolver meu dilema, mas eu chego lá. Vou refletir profundamente sobre o assunto na próxima vez que for ao banheiro...
2.2.12
Nunca faça estas coisas com uma mulher (2)
Na mesma viagem do post passado (link aqui), falei a pior frase que já disse para uma mulher na vida. E posso garantir que me arrependo até hoje.
Estava numa locação fazendo a sonoplastia de um filme junto de uma saxofonista muito gente boa que tinha conhecido lá mesmo.
Ao final de uma gravação, a equipe toda foi para um boteco para prosear e tomar cerveja. A saxofonista não bebeu cerveja. Ela sentou e bebeu Vodka com St Remy (alguém sabe o que é isto? Um drinque de maçã mais doce que rapadura e com efeito alucinógeno mais poderoso que a Ayuasca).
A mulher ficou ruim de verdade, estrago total. Sabe aquele bêbado que se esforça em prestar atenção no que está sendo falado, ri na hora errada, parece que está meio descabelado? Pois era a pobre infeliz.
Me ofereci para ajudar a leva-la para a casa em que estávamos hospedados pois ela não iria conseguir sair daquela cadeira sozinha.
Quando chegamos ela insistia em ficar acordada, cheia de simpatia para o meu lado. E eu sentindo aquele bafo doce de maçã vindo na minha direção, parecia que tinha alguém com um ventilador apontando vapor de strudel com pinga nas minhas narinas. Quase fiquei bêbado com aquele bafo.
Fui na direção do meu quarto e ela foi atrás. Deitei na minha cama (na verdade era um estrado jogado no chão com um sleeping bag, mas deixa para lá), e ela deitou do meu lado, com aquela pose clássica apoiada no cotovelo jogando os cabelos para trás, saca?
Aí ela disse para mim: "Hoje eu vou transar com você", e começou a serpentear como uma Anaconda na direção do meu sleeping.
E eu olhei para ela e falei:"Desculpa, mas eu só faço sexo com uma ovelha que eu tenho em casa. Sinto muito".
A mulher simplesmente não conseguiu seguir meu raciocínio, por duas razões: Estava completamente bêbada e a frase era absolutamente surreal. Ela deu umas duas piscadas, olhou fixamente e seguiu em direção do quarto dela.
(a única parte boa é que no dia seguinte ela não se lembrava de nada, ou pelo menos não fez referência à ovelhas durante os outros dias...)
Estava numa locação fazendo a sonoplastia de um filme junto de uma saxofonista muito gente boa que tinha conhecido lá mesmo.
Ao final de uma gravação, a equipe toda foi para um boteco para prosear e tomar cerveja. A saxofonista não bebeu cerveja. Ela sentou e bebeu Vodka com St Remy (alguém sabe o que é isto? Um drinque de maçã mais doce que rapadura e com efeito alucinógeno mais poderoso que a Ayuasca).
A mulher ficou ruim de verdade, estrago total. Sabe aquele bêbado que se esforça em prestar atenção no que está sendo falado, ri na hora errada, parece que está meio descabelado? Pois era a pobre infeliz.
Me ofereci para ajudar a leva-la para a casa em que estávamos hospedados pois ela não iria conseguir sair daquela cadeira sozinha.
Quando chegamos ela insistia em ficar acordada, cheia de simpatia para o meu lado. E eu sentindo aquele bafo doce de maçã vindo na minha direção, parecia que tinha alguém com um ventilador apontando vapor de strudel com pinga nas minhas narinas. Quase fiquei bêbado com aquele bafo.
Fui na direção do meu quarto e ela foi atrás. Deitei na minha cama (na verdade era um estrado jogado no chão com um sleeping bag, mas deixa para lá), e ela deitou do meu lado, com aquela pose clássica apoiada no cotovelo jogando os cabelos para trás, saca?
Aí ela disse para mim: "Hoje eu vou transar com você", e começou a serpentear como uma Anaconda na direção do meu sleeping.
E eu olhei para ela e falei:"Desculpa, mas eu só faço sexo com uma ovelha que eu tenho em casa. Sinto muito".
A mulher simplesmente não conseguiu seguir meu raciocínio, por duas razões: Estava completamente bêbada e a frase era absolutamente surreal. Ela deu umas duas piscadas, olhou fixamente e seguiu em direção do quarto dela.
(a única parte boa é que no dia seguinte ela não se lembrava de nada, ou pelo menos não fez referência à ovelhas durante os outros dias...)
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