Let´s Go!

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12.2.12

Tem gosto para tudo (Cinema pelo Mundo)

Inspirado por uns trailers enviados pelo Tomé Borba, resolvi oferecer uma experiência diferenciada hoje no blog: Ver filminho no domingão! Êêêê!
Seguem algumas pérolas que encontrei pelas andanças no YouTube:


Indian Superman
Espetaculares efeitos especiais, o vôo dos personagens é fino!

Star Wars Turco
Gostei muito da cena em que o ator principal fica olhando um cérebro de plástico e rola uma química estranha entre eles...


Indian Thriller 
O Michael Jackson indiano faz uma mistura de Chicken Foot com sei lá o que, imperdível


Cine de Warrior 
Ator cinquentão e fora de forma, um anão (ou criança) e inúmeros golpes e barulhos de madeira quebrada. Show!



A negação do Suvaco

Pobre Suvaco. Ninguém tem orgulho dele.


As mulheres o depilam, os homens jogam toneladas de desodorante nele. Excluindo a sola do pé, o Suvaco definitivamente é a última região do corpo no quesito admiração e respeito (se pensarmos bem, até as regiões mais escondidas tem seus admiradores, menos o pobre Suvaco. Você não imagina como foi difícil arranjar uma foto de alguém curtindo o futum de outra pessoa).


A começar pela palavra em si: Parece doença infantil. 
"Pois é, minha senhora, seu filho está bem, mas aparentemente ele contraiu Suvaco".
 

Nem o corretor ortográfico o respeita, insiste em chamar o pobrezinho de Sovaco. Sovaco parece algo mais elegante, parece nome de órgão público: 
"A SOVACO está aqui para melhor atender o cidadão! Faça seu cadastro e tenha todos os benefícios"

Afinal de contas, por que achamos o odor do Suvaco desagradável? Qual o problema? Curioso é que tem gente que compra desodorante com ferormônio para "atrair as mulheres" e usa ferormônio dos outros para esconder o cheiro do seu próprio ferormônio...

Chamar o bicho de "axila" é coisa meio protocolar. Papo de médico, de quem tem vergonha do Suvaco existir. Queria ver se o braço saísse direto do ombro sem o Suvaco! Como eles iriam dançar? Ia parecer um monte de Lego na pista...


Para quem odeia seu Suvaco a situação limite é a Dúvida: A clássica cheirada para ver se a catinga está forte ou não. É divertido, pois não há nenhum gesto semelhante ao de aproximar o nariz e dar aquela fungada. Simplesmente não dá para disfarçar e falar que estava pegando uma caneta no bolso com a boca, ou que estava bocejando. Você está sentindo seus próprios odores, meu caro, e disfarçar de nada vai adiantar. Está na hora de assumir: Você tem um Suvaco! Pior do que isto, você têm dois Suvacos. Aprenda a conviver com eles.

11.2.12

O que é Sorte? O que é Azar?

Hoje na minha ginástica (ou seria mais chique dizer fitness?) aconteceu algo interessante. Enquanto estava fazendo musculação tinha um cara fazendo supino com um monte de peso, um pouco mais do que ele aguentava. Quando foi desmontar a barra, três anilhas de 15Kg caíram ao redor dos meus pés, dando um baita susto em mim e nele.


Três objetos deste peso caindo de mais de um metro de altura podem gerar um estrago no pé de uma pessoa, são nove sacos de arroz.


O cara olhou assustado e eu fiquei meio bravo. No fim, eu disse para ele: "Você teve azar de deixar cair e eu tive sorte de não caírem no meu pé".


Aí pensei no que pode ser a Sorte e o que pode ser o Azar? Como naquelas histórias de acidente de avião que o cara chegou atrasado e perdeu o vôo fatídico. Imagino que na hora que o ele chegou no aeroporto se sentiu o último dos mortais, mas quando viu a bola de fogo na televisão ajoelhou e agradeceu aos deuses pelo atraso.


Lembro de uma frase do Steven Pinker, neurocientista instigante, que define a felicidade como sendo "o intervalo de tempo que começa quando você sabe que teve um aumento de 10% no salário até o momento em que descobre que todos seus colegas tiveram um aumento de 20%".


De certa maneira Sorte e Azar são definidos da mesma maneira, dentro de uma linha de tempo e narrativas pessoais, pois o desencadear dos fatos posteriores irá realmente estabelecer o que foi um ou outro. E, como a linha de tempo e narrativa (fluxo e como a consciência estrutura o passado) só terminam com a morte: enquanto estamos vivos teremos de nos contentar em saber que a Sorte ou o Azar são apenas definições temporárias, e que um dia esta "Tag" pode mudar, e ganhar na loteria será péssimo e sua casa desmoronar foi o melhor que poderia ter acontecido em sua vida.

9.2.12

Quando o homem cede e a mulher escolhe a roupa dele

Convivência é uma m..., como diriam alguns. 
As mulheres adoram dar pitacos nas roupas masculinas. Homens em geral resistem às suas namoradas e esposas, mas a influência é grande e longa, que começa com nossas mães.


Toda mãe gosta de escolher roupinhas para os filhos pequenos. Mas quando crescem, alguns não desenvolvem gosto próprio ou são dominados pela imagem materna e continuam a se vestir como a mamãe diz.


Vejam o caso deste infeliz da foto. Típica dominação feminina. Como é que um macho adulto se veste deste jeito? Só se for para fazer figuração no Miami Vice. Terno mostarda não é para os fracos! Ou seja, a falta de noção domina. A mãe provavelmente viu numa revista feminina o Johnny Depp vestido assim (bom lembrar que o Johnny Depp pode se vestir de qualquer jeito, ele é o cara) e convenceu o filho solteirão de 40 anos a usar um look amarelão. Não contente, chamou uma senhora do bairro que corta o cabelo do seu avô, que por sinal é careca, e mandou cortar o seu cabelo estilo chanel.




Mulher gosta de vestir tudo. Este pobre cachorro ao lado. Quanto vale que as moças acharam uma gracinha? E ainda aplaudem o coitado animal por ser paciente e ter deixado colocar a tanga. Alguém teria coragem de usar esta tanga depois? Fica a dúvida....




Na adolescência a rebeldia manda! Pica o cabelo, pica a calça, tecnicamente a adolescência não existe sem uma tesoura e furos.
Mas não precisa exagerar e continuar com o visual esquisitão, para não ficar velho e parecido com o cruzamento do Nicholas Cage com uma vassoura. Nem tanto ao céu nem tanto à terra, dá para ser moderno sem levantar dúvidas sobre sua orientação sexual...
Outra manifestação da rebeldia é o total descaso, aquele homem que rejeita Darwin e assume seu momento animal (no caso, o porco)
Não toma banho, não corta o cabelo, não usa roupa, come lavagem e tenta se acasalar com o Xbox, quando o Xbox não está com dor de cabeça.


Mas a modernidade sempre surpreende. Hoje aceitamos como modernos os toques da vovó e da mamma, contanto que em vestimentas inusitadas. Uma barba de crochê, por exemplo. Por que não? Vou sair pela Augusta com um mustache de fuxico! Estou ao mesmo tempo deixando minha mãe feliz e caindo na boca do povo.




A recomendação deste que vos fala é: Evite aceitar todos os toques, mas a maioria deles faz sentido. Se a mulher dominar totalmente o armário masculino, o homem corre sérios riscos de perder a identidade de gênero...

8.2.12

Ah, o acasalamento!

Apesar de não ser um especialista na área, tive a oportunidade de ver vários amigos meus se arriscando nas artes do amor. Conto aqui algumas histórias reais, mas com nomes trocados, para evitar o ódio e o ressentimento dos envolvidos.


A primeira história é de um amigo que vamos chamar de Alaor. Ele tinha acabado de conhecer uma menina e o clima estava esquentando entre os dois. Alaor, muito antenado nas modernidades de nossa sociedade, preparou uma noite caliente para sua amada. Tinha ouvido falar que brincar com comida era um estimulante sexual. Pois bem, como bom fã de Leite Condensado, resolveu lambuzar toda a sua parceira com a substância, para criar aquele clima. Se jogasse coco ralado virava um Bolo Prestígio.
Mas Alaor não contava que o negócio seca, e é grudento. Quando os dois corpos se entrelaçaram aconteceu o inesperado: Uma sessão de depilação mútua, regada a muitos "ais" e "uis". Meu amigo ficou com o tórax parecido com daqueles caras que fazem eletrocardiograma, uns tufos prá lá e outros prá cá. Sobre o resto do corpo, prefiro não comentar. A moça, obviamente, sumiu.


Outra história muito interessante  foi de um outro amigo, o Vanuso. Estávamos num grupo de teatro e ele de olho numa atriz muito bonita, que estava com dificuldades de "sensualizar" a personagem dela. E eu, como diretor, resolvi segui pelo caminho da "memória afetiva", técnica muito usada para ajudar atores nesta situação. O Vanuso se antecipou e disse que poderia dar uma dica para ela, a partir de sua vivência no ramo.
Ele olhou nos olhos dela e disse, com aquele sorriso meio de lado numa mistura de RPM e Vanilla Ice: "Quer uma dica? Faça como eu: Leia livros de filosofia. Toda vez que leio filosofia tenho uma ereção".
Curiosamente a atriz não saiu correndo, mas nunca mais falou com ele. E eu, por prudência nunca mais pedi livros de filosofia emprestado para ele...

7.2.12

O Crustoli e o Sonho (no caso, o Pesadelo)

É incrível como nossa alimentação pode trazer insights interessantes.
Ontem a noite resolvi comer Crustolis, uma sobremesa italiana feita de massa de pastel frita com açúcar e canela, coisa de imigrante pobre. E, uma delícia.


Este tipo de comidinha me lembra infância (como para outras pessoas é o Bolinho de Chuva) e minha avó. Numa padaria italiana comprei um saquinho de crustoli para matar a vontade e lá vou eu atacar o pobrezinho bem antes de dormir.


Quem já teve refluxo sabe o perigo que é comer fritura ou comidas pesadas antes de dormir. E nem preciso dizer que ontem estava um calor amazônico, o que também atrapalha o sono.


Em suma, suei montes e tive um belo pesadelo. E foi ele que me chamou a atenção. Não me lembro de detalhes, mas nele existiam pequenas criaturas que me seguiam, e quando eu olhava na direção delas, elas sumiam ou se escondiam.


E acordei no meio da noite pensando nestas criaturas que não vemos e que nos assombram. E posso dizer que existem muitos medos, mas os maiores de todos são associados ao desconhecido. Temos uma relação ambígua com o desconhecido, pois queremos a novidade mas não queremos o absolutamente novo, que é incontrolável e não categorizável por natureza (até nos acostumarmos a ele).


E lá estava meu sonho me mostrando como tenho medo do desconhecido, e como não consigo enquadrá-lo, organizá-lo, etc etc etc.


A prática do desapego nada mais é que aceitar o desconhecido em nossas vidas, mesmo que tenhamos medo do que possa acontecer. Pois sempre teremos os medos.


Quando era pequeno li uma bela história em quadrinhos do Fantasma, onde ele entrava numa aldeia de canibais, gritava com todo mundo, salvava a mocinha e se mandava. Lá fora, dois guardas florestais perguntam a ele se tinha tido medo. Ele diz que "Tinha morrido de medo", daí um dos guardas pensa (naqueles balões de sonho): "Coragem não é não ter medo, e sim ter medo e continuar".


Nada como um crustoli bem gorduroso para me fazer lembrar que sempre teremos medo, e sempre devemos continuar...

6.2.12

Cada um tem sua moeda

Estava conversando com um especialista em Recursos Humanos quando ele me disse que uma das coisas mais importantes da vida é identificar qual é a sua moeda.

Moeda é aquilo pelo qual você faz as coisas. Há pessoas muito infelizes não por que não conseguem se realizar, mas pelo fato de não saberem o que querem em troca do mundo.

Lógico que todos queremos felicidade, sucesso, saúde, etc. Mas quando saímos todos os dias em busca de alguma coisa (e praticamente todos fazem isto), acabamos não tendo foco no que queremos trazer de volta.

Uma das moedas é, claro, o dinheiro. Há pessoas que buscam o dinheiro como resultado das coisas que faz. Quando volta para casa com dinheiro, ele se realiza. Mas nem todos são assim, apesar de acharem que este é o caminho, ou o único caminho. Dinheiro é importante, compra brinquedos, paga contas e traz status, mas ele não é a única moeda existente.

A outra é o reconhecimento, que pode ter algumas vertentes, as mais relevantes são:

O aplauso - Você fica feliz de se destacar, de estar num patamar que sacia sua vaidade e mostra para o mundo inteiro seu valor.

O abraço - Você quer que as pessoas te amem, te aceitem, e isto traz sua satisfação e felicidade.

Obviamente não temos moedas "puras", apesar de que algumas pessoas só buscam exclusivamente uma ou outra: A grande maioria tem um mix dentro de si, misturamos um pouco de cada moeda. Mas precisamos manifestar nossa busca por cada uma delas, pois o dinheiro não vai satisfazer nossa vontade de aplauso ou de carinho, nem vice-e-versa.

Da mesma maneira que não dá para eu chegar no açougue, fazer um pedido e na hora de pagar eu abrir os braços e dizer pro cara: "Vem cá e me dá um abraço", também não é possível encontrar certas satisfações em locais que só podem te dar dinheiro.

Por estas e outras razões que sempre dei aula, é uma oportunidade de troca imensa, e é no carinho e no aplauso que preenchemos algumas das coisas que procuramos por aí.

Groucho Marx, um dos meus ídolos e um dos grandes humoristas de todos os tempos comenta em sua autobiografia que certa vez encontrou com um casal de fãs na rua que queriam conversar com ele. Um deles disse: "Você é o Groucho, né? Por favor, não morra!". Para ele, aquilo valeu todo o trabalho.

Me sinto deliciosamente carinhado quando encontro com um ex-aluno que me fala da importância das aulas que dei e como elas tinham sido importantes para ele.

Hoje vi uma manifestação muito bonita no Facebook onde muitos alunos teceram os maiores elogios a mim. Nenhum dinheiro compra isto. Obrigado a todos. 

5.2.12

Isto é arte para você?

Foi esta pergunta que inaugurou minha sessão de fotos de domingo. Eu estava embaixo do Minhocão, centro de São Paulo, observando a linda luz de final de tarde quando um morador de rua se aproximou para conversar.


- Isto é arte para você?


Eis a bela pergunta. Sorri, e disse que sim, por algumas razões. A primeira era a luminosidade amarelada que batia num filtro de barro no chão. A outra era a composição gerada pela sombra, filtro e ambiente. E, por último e não menos importante, a descontextualização (e recontextualização) do filtro, aquele objeto que remete à cozinha, colocado no meio da ilha, e os carros passando.


O rapaz sorriu, e ficou me observando fotografar.


Tirei outras belas fotos no dia, depois procurem no meu perfil do Facebook ou no Flickr, mas a pergunta me fez refletir. Do ponto de vista social, o morador de rua é uma versão urbana da questão essencial que Duchamp instalou no meio artístico.


Domingo no viaduto é dia de feira, a quantidade de moradores de rua aumenta consideravelmente na região. E lá estavam eles todos fazendo a siesta, no final de tarde, jogados num determinado local distante do filtro. Portanto, aquele local era a varanda deles, ou o quarto.


Na praça ao lado pude ver outros tantos moradores de rua dormindo ao lado de pilhas de restos de verduras. Perto das árvores, várias frutas, algumas inteiras, outras só os restos. Estávamos na dispensa.


Onde eu pisava sem saber era a cozinha, pude depois notar restos de madeira queimada e panelas velhas.


Entrei num universo mágico semelhante ao meu mundo mas não fui capaz de identifica-lo. Sem pedir entrei na cozinha, comecei a tirar foto "dentro" da casa do cara. E ele, gentilmente me perguntou se isto que eu fazia era arte.


Sempre as perguntas são mais interessantes que as respostas.

3.2.12

Algum problema de falar sobre cocô?

Passei por um dilema simples, mas que me fez pensar muito nos últimos tempos. Há umas semanas atrás vi um trecho de um programa (destes matinais) que falava sobre limpeza de banheiro, o que era sujo, onde tinha bactéria, em suma, um prato cheio para os neuróticos em geral.

Duas coisas me chamaram a atenção: A primeira é que os objetos mais sujos e cheios de bactérias que a cientista achou foram as escovas de dente, o que me fez trocar a escova no mesmo dia. Foi fácil, rápido e barato.

A outra questão foi mais complexa, relativa ao cocô. A especialista em higiene disse que o vaso sanitário até que é limpo, mas o real problema é quando damos a descarga de tampa aberta, pois aí a sujeira é lançada no ar e contamina o banheiro todo.

Aí complicou. Como ir ao banheiro e não dar aquela checada no final do processo? Parece fundamental ver o quanto o trabalho todo valeu, há uma espécie de orgulho (ou de frustração) com o resultado.

Mais do que isto, você vai tampar o vaso e dar a descarga? E não vai ver a coisa ir embora? Por que? Tem medo dela? E se uma descarga não for suficiente? É um vôo cego, você perde o controle da situação. Só se você for paranormal ou um matemático incrível para analisar o fluxo de água versus a massa e saber com precisão a hora de tirar a mão do botão. Por segurança, ficaria uns cinco minutos com o dedo no botão só para garantir que foi tudo embora.

Além da frustração de perder o controle do processo, ainda pode ficar um resíduo abandonado no aquário. Seus amigos vão te visitar e, surpresa! Alguém acha o famoso peixe trolha abandonado, olhando tristemente para o nada, exilado no vaso sanitário.

Ainda não consegui resolver meu dilema, mas eu chego lá. Vou refletir profundamente sobre o assunto na próxima vez que for ao banheiro...

2.2.12

Nunca faça estas coisas com uma mulher (2)

Na mesma viagem do post passado (link aqui), falei a pior frase que já disse para uma mulher na vida. E posso garantir que me arrependo até hoje.


Estava numa locação fazendo a sonoplastia de um filme junto de uma saxofonista muito gente boa que tinha conhecido lá mesmo.


Ao final de uma gravação, a equipe toda foi para um boteco para prosear e tomar cerveja. A saxofonista não bebeu cerveja. Ela sentou e bebeu Vodka com St Remy (alguém sabe o que é isto? Um drinque de maçã mais doce que rapadura e com efeito alucinógeno mais poderoso que a Ayuasca).
A mulher ficou ruim de verdade, estrago total. Sabe aquele bêbado que se esforça em prestar atenção no que está sendo falado, ri na hora errada, parece que está meio descabelado? Pois era a pobre infeliz.
Me ofereci para ajudar a leva-la para a casa em que estávamos hospedados pois ela não iria conseguir sair daquela cadeira sozinha.
Quando chegamos ela insistia em ficar acordada, cheia de simpatia para o meu lado. E eu sentindo aquele bafo doce de maçã vindo na minha direção, parecia que tinha alguém com um ventilador apontando vapor de strudel com pinga nas minhas narinas. Quase fiquei bêbado com aquele bafo.


Fui na direção do meu quarto e ela foi atrás. Deitei na minha cama (na verdade era um estrado jogado no chão com um sleeping bag, mas deixa para lá), e ela deitou do meu lado, com aquela pose clássica apoiada no cotovelo jogando os cabelos para trás, saca?


Aí ela disse para mim: "Hoje eu vou transar com você", e começou a serpentear como uma Anaconda na direção do meu sleeping.


E eu olhei para ela e falei:"Desculpa, mas eu só faço sexo com uma ovelha que eu tenho em casa. Sinto muito".


A mulher simplesmente não conseguiu seguir meu raciocínio, por duas razões: Estava completamente bêbada e a frase era absolutamente surreal. Ela deu umas duas piscadas, olhou fixamente e seguiu em direção do quarto dela.


(a única parte boa é que no dia seguinte ela não se lembrava de nada, ou pelo menos não fez referência à ovelhas durante os outros dias...)

Nunca faça estas coisas com uma mulher!!

Como escrevi sobre gafes no post anterior, hoje acabei ruminando algumas más experiências com o gênero feminino. E quando digo isto, estou falando daqueles momentos, sabe como é, do flerte, do tete-a-tete, ou como diria um velho amigo meu, do "vem cá neném" (até hoje ele não sabe por que a vida sexual dele não vai para frente...)


O mais chato é que a maioria destas situações não têm script, você está lá e sua capacidade de improvisar vai definir o resultado da história.


Uma das piores coisas é quando você não está a fim e a moça está. Quem já passou por isto sabe a ira que surge, aquele semblante feminino e meigo que vai se transformando em fúria, tipo a Tempestade do X Men, os zóio virando, sabe?


Uma das minhas situações foi numa viagem que fiz como Sonoplasta de um Filme Experimental (ou Alternativo, sei lá). Pois é, já fiz trilha sonora de filme e de teatro, coisa chique, ou pelo menos antes de fazer eu achava.


Me juntei a trupe, levei meus equipamentos e fomos embora, em direção da locação. Que por sinal era longe, bem longe.


Descobri durante a viagem que teria uma companheira de sonoplastia, uma saxofonista que eu nem tinha noção que existia. Coisa de filme experimental, sabe?


Como a filmagem era longe pacas, precisamos parar no meio do caminho e dormir num hotel, lá pros lados do Sul de Minas.


No caminho percebi que uma das atrizes olhava com o rabo de olho na minha direção. Sorrisinho para lá e para cá. Mas eu estava compenetrado no papel de Sonoplasta, eu estava lá para trabalhar e não para me divertir (sempre tive esta mentalidade idiota, mas já me acostumei a ela).


Peguei minhas mochilas na van e fui procurar um lugar para dormir. Quando percebi, todos os quartos estavam lotados, menos qual? O da atriz, que surpresa, né? E ela estava na porta do quarto, com um sorriso maroto, dizendo: " Puxa, sobramos só nós dois..."


Imagino que a maioria dos homens irá pensar: "O cara se deu bem", "Nem chegou no set de filmagem e já tá pegando as atrizes". No meu caso, eu pensei: "Que merda, caí numa cilada, virei marmita da mina". E emburrei, fechei a cara e o tempo.


A garota foi até o banheiro e voltou de lingerie, até fez pose no batente da porta. Lógico que o quarto só tinha uma cama, de casal. E deitou na cama virada pro meu lado. Eu resolvi seguir a mesma lógica, fui até o banheiro, coloquei um moletom velho horroroso, deitei do lado dela, e ela me secando. Sabe aqueles desenhos que o lobo está com fome e vê o amigo como se fosse uma coxinha? Eu era o hot dog dela naquele momento...


Como a situação estava começando a ficar tensa, falei que ia dormir e fechei os olhos. E não conseguia dormir, óbvio. Até um momento que tive uma ideia maligna e infeliz: Abri os olhos, fitei diretamente a figura e disse que tinha perdido o sono. Ela deu um sorriso estilo "Oba".

Eu levantei, liguei a televisão e fiquei assistindo reprise de filme de Kung Fu até de madrugada.


Não preciso dizer que os olhos da garota viraram e não desviraram durante todos os dias da filmagem. Por onde eu andava a mulher ficava me olhando estilo Serial Killer.


Como diz o título deste post, nunca faça isto com uma mulher, falo de experiência própria.

31.1.12

Meu maior mico (que eu me lembre)

Todo mundo coleciona micos, acredito que seja natural darmos gafes de vez em quando. Algumas são normais, mas outras são especialidades de cada um.


Como tenho uma leve dislexia, tendo a confundir algumas palavras. Isto já me fez passar por situações bem idiotas, como por exemplo dar Parabéns em velório, Muito Obrigado ao invés de dar Tchau, e por aí vai.


Uma das boas gafes que cometi foi num antigo emprego. Estava entrando na sala do meu chefe e cruzei com um homem saindo. Fiquei muito impressionado, pois era o homem mais feio que eu já tinha visto. A pele amarela, rosto fino, cabelo desgrenhado e algo estranhíssimo: Um olho enorme, mas só um dos olhos, o outro normal. Me lembrou imediatamente um primo meu que tinha pisado na tartaruga de estimação e o olho dela inchou com a pressão. Parecia que ela estava encarando a gente de uma maneira estranha, sinistra.
Na hora que o cara saiu pelo corredor eu disparei: Meu amigo, que homem horroroso! Nunca tinha visto alguém tão feio!
Meu chefe rapidamente respondeu: É meu irmão, tem uma doença grave, e rezamos para que ele melhore...


Obviamente quis morrer depois daquilo.


Mas o meu maior mico até o presente momento (que eu me lembre) foi num restaurante chinês. Estava com a família toda e encontrei uma querida amiga e seu namorado. Ela era uma senhora de certa idade, bonita e vaidosa, e ele um cara grandão, encorpado.
Levantei da cadeira e fui dar um abraço gostoso neles. Como o cara era largo, abri aquele abraço estendido para poder cumprimenta-lo. No que eu estendi os braços, bati na cabeça de minha amiga, e como ela sofria de calvície, estava de peruca, e a peruca dela saiu voando pelo restaurante.
Como percebi o fato, resolvi ficar um tempo abraçado no meu amigo para que ela conseguisse catar a peruca e colocar no lugar. Ela rapidamente catou a peruca da mesa de outro cliente e colocou do jeito que deu na cabeça.
Quando me virei, a peruca dela estava ao contrário, e eu pedi mil desculpas pelo ocorrido. Ela me disse: "Não tem problema, quem usa peruca corre estes riscos".


Não preciso dizer que nossa amizade nunca mais foi a mesma depois disto.

30.1.12

O que faz um homem adulto usar uma peruca?

Elas estão cada vez mais escassas (como os cabelos de seus proprietários), mas resistem bravamente em nossa sociedade: As perucas masculinas.

Adoro ver passando pela rua um cara adulto, com roupa social, cara de mau, e de peruca.

Será que ele acha que ninguém percebeu que ele está com um castor morto em cima da careca? Ele acha que engana alguém?

Por sinal, você consegue se concentrar conversando com um cara que está de peruca? Uns fiozinhos grisalhos do lado da orelha e aquela moita preta penteada tão perfeitamente como o cabelo de um búfalo? Eu sempre tenho medo de soltar uma risada ou de ficar olhando fixamente para o objeto inanimado que repousa em sua cabeça...



Mas, se elas estão em extinção, podemos pelo menos aproveitar um exemplar premiado, que poderia ser de ouro e pedras preciosas, a julgar a cabeça que ele habita: A do homem mais rico do Brasil, que um dia ainda será o homem mais rico do mundo, não tenho dúvida: Eike Batista.

O cara é poderoso, tem muito, muito dinheiro, é um atleta, tem gana e vontade, empreendedor nato. Dizem que é uma pessoa dura com funcionários, focado em metas e resultados, mas seus resultados são simplesmente espetaculares.

E o cara sai de peruca por aí? Como assim?

Mistérios da vaidade masculina...

Dos Kikos Marinhos ao Big Brother, a evolução da infância

Quando eu era pequeno teve um cara que ganhou muito dinheiro vendendo uns vermes para botar no aquário que a propaganda dizia serem parecidos com mini-pessoas.
Melhor de tudo que vinha num saquinho, igual Tang, você jogava e magicamente surgia uma pequena colônia de amiguinhos! Uau!
Devo ter sido a única criança que não teve Kikos Marinhos, mas pelo que entendi a decepção foi total. Os vermes nem de longe pareciam pessoas, e eram bem sem graça.


Depois de um certo tempo surgiu a mania dos hamsters. Cá entre nós, um hamster nada mais é que um rato sem rabo, por isto cheguei a conclusão que os cientistas deveriam procurar uma mutação genética para que todas as ratazanas do mundo nascessem sem rabo. As pessoas, ao invés de correrem dos bichos, iriam gritar de alegria: "Veja, querida, um bichinho de estimação está tomando a sopa do vovô! Que gracinha! Chame as crianças!"
E o negócio de ter hamster se profissionalizou, filmes com hamsters surgiram, seriados, e, obviamente, casinhas cada vez mais sofisticadas. Era o mercado do pet shop em seus primórdios. E as casinhas dos hamsters eram  (e ainda são) incrivelmente complexas, com banheiro, rodinha, tubulações... praticamente um Cingapura misturado com Hopi Hari para os roedores...


Se pararmos para pensar, o Big Brother nada mais é que a evolução dos Kikos Marinhos, com uma etapa de transição de hamsters. O que mudou? Eles estão aprisionados na televisão, e não no aquário ou na gaiolinha, ficamos observando os bichos por horas, mesmo que eles não façam nada de interessante, e temos assunto para comentar com outras pessoas que gostam de hamsters, Kikos Marinhos ou Big Brothers.


Meu receio é que os próximos a serem confinados para ficarmos observando serão os Aliens. E é por esta razão que eles nos visitam com tanto sigilo. Se algum for pego, vai ser jogado imediatamente na gaiolinha e vamos acompanhar em tempo real ele andando para lá e para cá...

29.1.12

Por que gente velha não toma banho?

Alguém já reparou neste fenômeno? Por que será que quanto mais velha a pessoa menos banho ela toma?
Quando meu avô era vivo eu reparava que ele exalava um odor de colônia e suor. Não sei se era a roupa, que às vezes ficava meio encardida (velho também fica usando a mesma roupa por dias...)


Há alguns anos atrás eu sugeri para minha avó que estava na hora dela começar a fumar. Ela deu uma risada e me perguntou por que. Eu disse que ela tinha sobrevivido a tudo, já tinha passado dos noventa anos, portanto, ter medo de que? Mas velho não pensa assim.


Minha teoria sobre o banho é que ele é arriscado, o velho pode escorregar e morrer. Para gente nova tomar banho é a coisa mais normal do mundo. Pro velho é uma aventura. Primeiro tem de ficar pelado, e pelado é a palavra exata, pois em algum momento da vida os pelos caem, e velho fica com pelo só no nariz, na orelha e na sobrancelha, que por sinal fica gigante! Um dia o Alckmin ainda vai pentear as sobrancelhas para trás para disfarçar a sua lustrosa careca.


Bom, depois de ficar pelado tem de ir sem sapato no banheiro molhado, o que pode gerar um escorregão mortal. E para finalizar tem de entrar naquela cabine de vidro toda molhada e passar sabonete em tudo! Imagina o risco? É praticamente a mesma coisa que um cara de 20 anos saltar sem pára-queda. Na verdade é pior, pois o cara de 20 anos acha que é só procurar um aplicativo de Iphone e baixar que está tudo resolvido. O Iphone se acha o cinto de utilidades do Batman da modernidade...


Também, afinal de contas, para que tomar banho quando se tem quase 100 anos de idade? Vai ao baile? Quer impressionar a vizinha ninfeta de 80 anos? Vai sair de casa? Talvez os velhos tenham razão em não tomar banho. Repare, o banho só faz sentido numa pequena fase da vida, dos 10 aos 80 anos. Já viu alguma criança querer tomar banho? Só quando entra na puberdade e descobre algumas coisinhas e começa a gostar. Antes disto, só amarrado.


E se o velho sair de casa (o que é raro), alguém vai chegar e dizer: Nossa, que velho fedido? E ele vai se importar? Claro que não. E são raras as pessoas que chegam perto de velho, acho que velho deve sentir a maior falta de abraço e contato físico. Todo mundo aperta criancinha, ninguém abraça velhinho. Aí fica a questão dialética: O velho não toma banho porque ninguém abraça ele ou ninguém abraça porque ele não toma banho?


A vida é complicada... E eu estou começando a ficar com preguiça de tomar banho...

Aprendendo com os seres humanos: Os Garçons

Garçom é um bicho interessante. Há mais variedades de garçom do que de besouros no planeta (e olha que existem mais de 800.000 tipos de besouro). A grande maioria é digna de respeito, têm uma paciência sem limites com bêbados, crianças e casais estressados. Mas alguns se destacam pela exuberância, entre eles:


O Garçom Zumbi
O pobre coitado deve ter virado três noites sem dormir, para ganhar um extra. Seu cheiro é de desodorante em cima de desodorante. Cabelo com gel (ou ensebado, não dá para verificar), olheiras que fazem com que ele pareça um guaxinim depois do tsunami, o cara não desiste. É homem de raça, vai conseguir trabalhar de novo, precisa deste dinheiro. Mesmo que anote tudo errado e que aparente um sorriso demente, daqueles que dá medo.
Peça alguma coisa para ele, repare que ele vai checar todos os pedidos, enquanto você fala: "Uma água, mineral?", ou "O arroz, é no ponto?", e coisas do gênero.
Infelizmente, para você e para ele, o pedido sempre vem errado. Sua Tubaína vira Fogo Paulista, sua salada, um risoto.
O que fazer numa situação destas? Já vi gente quase ter acesso de fúria pra cima do Zumbi, mas nada o tirará do torpor, não vai mudar nada. A dica é aceitar que a vida é feita de acaso e o aleatório permite aprender coisas novas, como por exemplo tomar um suco de calabresa. Se joga, meu chapa, antes que ele resolva comer seu cérebro.


O Garçom que não é Garçom
Fenômeno bastante comum nos States, e também nos bares moderninhos de São Paulo. O cara não é garçom, ele apenas complementa sua renda com esta atividade. Ou pelo menos é o que ele fala. Cabelo ajeitado, tatuagem, saradinho, dá até a impressão de outras atividades alternativas gerariam mais receita pro bofe. Há dois tipos: O mudo e o falante. O mudo evidentemente se envergonha de sua situação, queria algo mais nobre para a vida, mas assim aconteceu, e dinheiro precisa entrar. Já o falante têm pretensões, gostou do ambiente, e trata todos como se fossem da turma dele. Na verdade ele tenta aparentar ser um dos clientes, que casualmente está vestido de garçom.


Garçom Homo Habilis
Este aparenta estar lá desde que o restaurante foi construído, melhor, construíram o restaurante em torno dele. Sua feição é o retrato do nada, não é possível saber nada dele. Ele estará feliz? Cansado? Tem filhos? Joga futebol? É uma incógnita total.
Recomendo que tente encostar nele, para verificar que ele é de carne e osso. Às vezes você está sendo atendido por uma entidade e nem percebeu...

28.1.12

Violência no game dos outros é colírio

Como acabei de comprar um Xbox e eu eu minha filha estamos começando a jogar GTA, fiquei pensando na polêmica sobre a violência nos Games. Será que realmente os críticos preferiam outros tipos de jogos?
O GTA é um jogo onde você basicamente faz tudo errado, rouba carros, atropela pessoas, entra em roubada com traficantes, e por aí vai. E reze para que a polícia não te pegue...


Mas... estes críticos queriam o quê? Que os jogos retratassem o cotidiano? Para estes chatos de plantão, resolvi criar alguns jogos especialmente para eles:


O Incrível Jogo de Pagar Contas!


Pode ser jogado sozinho, ou acompanhado. Um dos participantes fica olhando os tributos na tela enquanto o outro vai dando dicas, como: "Isto, preenche ali, o DPVAT pode ser excluído em caso de demência de um dos familiares. Vai, Uhuu".
O objetivo do jogo é não ficar louco nem comprar uma AK 47 e ir em direção de Brasília.


The Sims módulo Funcionário Público


Viva o dia-a-dia de um funcionário público em vias de se aposentar. Você vai poder acompanhar o trajeto dele até o trabalho, escolher a cor do paletó que vai pendurar na hora do cafezinho e até definir se seu café é com açúcar ou com adoçante! 
Aprenda a digitar formulários num Windows 3.11, converta planilhas Excel em Lotus 1,2,3 com a maior facilidade! Sua vida nunca mais será a mesma depois de instalar o módulo Funcionário Público no seu The Sims...


O Maravilhoso Jogo de Assistir Televisão


Este simulador da vida real permite que você faça inúmeras atividades, estimulando a convivência pacífica. Na verdade quanto mais imóvel você ficar em frente ao game mais pontos ganha.  Recuse o convite da vizinha sexy para sair e ganhe 500 pontos. Enterro de sua avó? Deixe para lá e ganhe 700 pontos.
Cheiro de pipoca na cozinha? Não se mexa e ganhe 250 pontos. O jogo mais fiel à realidade da família brasileira desde Quake 2.


Aproveito a oportunidade e me coloco à disposição das empresas de game para criar os roteiros destes jogos. Existe mercado para eles sim, e é justamente o dos chatos de plantão que querem moralizar até os poucos momentos de distração que temos.

O pior salgadinho de festa junina de todos os tempos

Um querido amigo tinha um sítio e convidou uma turma para ir na Festa Junina que ia acontecer por lá. Toda a família dele estaria presente, primos e tios de tudo quanto é lugar. Como a família deste amigo é festeira das boas, ninguém queria perder o encontro.

Para economizar, resolvemos juntar os amigos para irmos num carro só. E no dia, passei recolhendo todos em suas casas. O último foi um querido amigo filósofo, que estava reformando a casa dele.

Este amigo tinha achado o orçamento de descupinização muito caro, e resolveu fazer o serviço por conta própria. Para quem não sabe, o veneno mais forte de todos é o contra cupim. Você mistura um copo para cada balde de água para aplicar.

Fiquei surpreso ao ver meu amigo filósofo aplicando o veneno nos móveis na base da pincelada, com uma grande brocha, diretamente da lata. Diluir é coisa para fracos, não é verdade? E sem usar nenhuma proteção, máscara, luvas, nada.

Num determinado momento o gato dele passou pela sala. Estranhei o visual do gato, que estava sem nenhum pelo da cintura para baixo. Parecia que tinham roubado as calças do bichano. Meu amigo filósofo me despreocupou: O gato tinha sentado na lata do veneno e deu alguma reação alérgica, mas agora já estava tudo bem. Pelo menos do ponto de vista dele. E o gato lá, passeando sem calças pela sala.

Os anfitriões pediram que cada um levasse um salgado para contribuir com a festança. O filósofo resolveu fazer um de seus quitutes prediletos: Tomate recheado com ovos e maionese. E enquanto ele pincelava o veneno puro nos móveis o tomate recheado ficava lá, fora da geladeira já há alguns dias, entranhando os vapores malignos daquela lata.

Tentei demovê-lo da ideia de levar aqueles tomates, mas o cara fechou o tempo: Tinha feito com todo o carinho e ia levar. Bom, seja o que Deus quiser, pensei, entramos no carro levando os tomates enquanto o gato sem calças passeava pelo jardim.

A viagem foi tranquila, apesar do estranho cheiro que aquele troço exalava no colo do filósofo/descupinizador. Quando chegamos no sítio fomos deixar os salgados na grande tenda armada para o evento. Em suma, o tomate ficou mais uma tarde inteira fora do gelo antes da festa começar.

A festa estava ótima, os parentes de meu amigo todos muito simpáticos, música boa e bailão. Bela festa junina.

Curiosamente, ou sensatamente, ninguém tocou nos tomates recheados. Vez por outra eu passava pela mesa para conferir, temendo o pior, mas apenas uma pessoa comeu aquilo. Quem? Obviamente, meu amigo filósofo.

Não preciso dizer que umas 2h da manhã meu amigo veio na minha direção completamente verde. Foi a pessoa mais verde que eu já vi na minha vida. Os olhos virando, a pele azeitona, e cambaleante.

Imediatamente levamos o infeliz para o hospital, e depois de uma bela lavagem estomacal, soro e um monte de injeção, o cara melhorou. A mistura da descupinização com os tomates foi quase mortal.

Foi a última vez que ele fez seu delicioso e perigoso quitute. A raça humana agradece.

Fazendo Academia no Arouche

Para quem não sabe, moro no Arouche, onde a comunidade gay é absolutamente presente. Minha academia é aqui, por sinal.
Há alguns códigos básicos nas academias. Por exemplo, quando chegamos, cumprimentamos todo mundo.


No Arouche isto significa outra coisa.


Assim, cumprimentar significa outra coisa, portanto, melhor não cumprimentar.


Durante um bom tempo simplesmente entrei na academia e fui fazer meus exercícios, na minha. Dependendo do horário encontrava tribos diferentes. Os gays gigantes estavam lá à noite. Para quem faz academia, basta dizer que todas as máquinas ficam com peso acima de 90kg.


Como único representante dos héteros, sigo eu nos meus exercícios. E eis que um dia eu olho e vejo... outro hétero! Foi uma coisa mágica, íntima, olhei para ele, ele olhou para mim, e nós pensamos: Olha outro hétero! 


Foi a primeira vez que vi outro hétero lá. Batemos papo, trocamos ideia de exercícios, dicas etc.


O chato é que nunca mais vi ele lá, não liga, não manda e-mail.... :o)

27.1.12

Meus primeiros passos como professor

Quando comecei a dar aula tive uma experiência incrível: Dar aula de teatro para adolescentes. Como já era diretor de teatro, apesar de relativamente jovem (20 anos) e ter montado algumas peças de teatro (nada fora do comum, mas já tinha feito algumas turnês no circuito), fui encarar a garotada.


Uma de minhas primeiras aulas foi aplicar a técnica de relaxamento. Música tranquila, reflexão, percepção do corpo, entender a ferramenta de trabalho do ator, em suma.


O que eu não previa é que minha aula seria logo depois da aula de Educação Física, o que significa que os alunos estavam mortos de cansaço. E fedidos.


Bom, coloquei a música, os alunos em posição de relaxamento (para quem não sabe, deitados mas com os joelhos dobrados), fiz alguns exercícios de respiração, superior, inferior, dupla, e por aí vai.


Num determinado momento, para reforçar o estado esperado de todos, comecei a falar: " Relaxa, agora relaxa, fica à vontade... relaxa todos os músculos". Nesta hora, um dos alunos mergulhou na situação e soltou o corpo. E teve uma ereção.


Infelizmente o colega do lado viu e começou a gritar: "O cara está de pau duro!"


Toda a turma saiu do estado de relaxamento e foi ver o que acontecia. A aula, em suma, foi um fracasso, e o pobre infeliz sofreu um bullying involuntário... Mas todos sobreviveram no final.


Saí para o intervalo e pensei: " Depois desta nada pior pode acontecer".


(Como todos sabem, nunca devemos falar ou pensar isto, acaba chamando coisa pior)


Quando voltei, apliquei a mesma aula para outra turma. Depois da música e dos exercícios de respiração estimulei os garotos a relaxarem, o que ouvi foi um grande pum, de um aluno que relaxou tanto que se livrou dos gases acumulados do almoço justo naquele momento.


Dar aula é para os fortes...

O dia em que eu raspei o bigode do Charlie Chaplin

Esta é uma história real.
Fiz um evento há muito tempo para uma indústria de autopeças e para ela contratei um monte de sósias de artistas, já que o tema era Hollywood. O evento foi um sucesso, e um dos sósias era particularmente talentoso, o sósia do Chaplin.

Nos encontramos mais algumas vezes e ele me confidenciou que queria expandir seus horizontes, afinal de contas, queria fazer papéis diferentes. Eu, como fui diretor e professor de teatro por décadas (literalmente), me ofereci para ajuda-lo. 
Uma das estratégias que achei conveniente foi quebrar com a "casca" chapliniana que ele tinha. Afinal de contas, ele não precisava ter o cabelo igual o do Chaplin, nem o bigode. Quando fosse fazer o personagem bastaria uma peruca e um bigode falso e pronto!

Meio a contragosto, o sósia topou mudar o layout. Como eu tinha uma máquina de cortar cabelos (ainda tenho) em casa, propus uma raspada básica no cabelo, para modernizar o visual dele.

Quanto terminei o trabalho, fiquei bastante satisfeito. Ele aparentava agora quinze anos  a menos, e, se não era bonito, pelo menos parecia mais limpo e jovial.

Quando ele olhou para o espelho, algo aconteceu. Não sei o que, mas o olho embaçou, ficou meio vidrado, um olhar vazio. O cara entrou em crise sem se enxergar como Chaplin. Dali a pouco saiu de minha casa e ficou vagando pela quadra, sem rumo. Logo depois pegou suas coisas e sumiu. Nunca mais o vi, até que um dia estava assistindo o jornal na televisão sobre a festa da Achiropita, aquele negócio do bolo gigante que é destruído em segundos por uma turba enfurecida, e vi, no meio dela, o sósia, com seu cabelo e bigodes perfeitamente naturais, atacando para pegar um pedaço do bolo...

26.1.12

A evolução dos símbolos de poder masculino

Você já deve ter visto que um número razoável de homens adora canetas e relógios. 
Já parou para se perguntar por que?
Antigamente o relógio simbolizava o domínio do tempo, como se ao ter um relógio o homem tivesse controle de sua vida.
Já a caneta é símbolo da capacidade de decisão, de assinar papéis importantes. Há valor naquilo que assino, e minha caneta reflete o valor que a minha assinatura tem.


Ainda existe muito fetiche pelos dois objetos, mas com a mudança dos valores da sociedade, os objetos que simbolizam valor mudaram, e os homens passaram a ostenta-los.
Pense bem, qual é a primeira coisa que um homem faz quando chega em algum lugar? Imediatamente tira seu celular, as chaves do carro e a carteira e coloca em algum lugar visível.
 A chave e o celular simbolizam atualmente o poder de mobilidade absoluto. Posso estar em qualquer lugar, real ou virtual, na hora em que quiser. Acesso o mundo e as pessoas de todos os pontos em que estou. E obviamente, minha capacidade de acessar é representada por marcas que mostrem que não sou qualquer um, estou em todos os lugares em grande estilo.
Já a carteira demonstra o valor diferenciado que meu crédito têm. Meu crédito é exclusivo, refinado, tem grife.

Quem não leva a sério esta linguagem simbólica corre o risco de achar que é apenas ostentação. Mais do que isto, é uma maneira de posicionar-se nas hierarquias da sociedade em que vivemos. É assim que nos comunicamos... Para o bem ou para o mal.

25.1.12

Pescar (do ponto de vista masculino e feminino)

Pescar significa coisas diferentes para homens e mulheres. Dê uma olhada nas razões pelas quais os homens gostam de pescar e as mulheres (geralmente) não.


Para os homens, pescar é:

  • Resgatar forças ancestrais de sair em direção ao desconhecido para trazer seu próprio alimento ao voltar de sua jornada
  • Trabalhar em equipe mesmo diante dos mais complicados desafios
  • Usar a força física para controlar o barco, puxar a âncora ou tirar um peixe grande da água
  • Concentrar-se durante horas apenas observando um fio, e identificar quando ele mexe com o balanço do mar ou quando o peixe está ciscando
  • Ver o pôr-do-sol e o nascer do sol em silêncio, ouvindo apenas o barulho do mar
  • Fazer happy hour num local distante, cercado de amigos e de paisagem
  • Comer na hora que tiver vontade e o que tiver vontade
  • Dormir na hora que quiser, do jeito que quiser

Mas, para as mulheres, pescar é:
  • Ficar dois dias sem poder tomar um banho decente, e sem espelho por perto
  • Manipular iscas vivas e mortas como sardinhas velhas e camarão mole
  • Ver um peixe agonizando ao seu lado, de olhos arregalados, até ficar duro
  • Dormir empilhada em beliches que mais parecem estantes, ao lado de gente que ronca, exala ruídos e cheiros estranhos durante a siesta
  • Acordar às 4h da manhã só porque um cardume resolveu aparecer por perto do barco
  • Ficar olhando em silêncio durante horas para um fio dentro da água
  • Ficar com o cabelo cheirando a peixe, com as unhas cheirando a peixe, com a roupa cheirando a peixe
  • Descobrir que o motor quebrou e você está a deriva, mas talvez, quem sabe, algum barco possa vir dar uma ajuda
  • Chacoalhar durante uma tempestade e vomitar até a ceia de natal do ano passado
  • Ter de usar um vaso sanitário que parece com um banheiro químico pendurado num bungee jump
  • Conversar sobre peixe, e quando não é sobre peixe, é sobre arraia