Let´s Go!

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2.10.13

Que tal passar um dia sem reclamar?

Será que você consegue? Passar um dia sem reclamar? Só um dia?

Reclamar é um hábito, assim como fumar, roer as unhas e escovar os dentes.
A primeira vez que percebi o poder da reclamação foi quando ainda morava na casa de minha mãe, estava na faculdade e em um novo emprego. E, óbvio, ainda tinha tempo de sair com a namorada, ler, ir ao cinema, fazer teatro, exposições e um monte de coisas. Sempre fui de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Chegava em casa cansado da faculdade, do trabalho, tomava um banho e ia me divertir. E minha mãe ficava olhando meio torto para mim.

"Como foi o seu dia", ela perguntava.
"Ótimo, mãe!" E saía para curtir a vida.
E minha mãe me olhando esquisito.

Um dia tive uma ideia. Quando cheguei em casa, minha mãe novamente me perguntou como tinha sido o meu dia. E eu respondi:

" Uma droga, mãe. Estou acabado. Além de trabalhar por mim e por outros colegas incompetentes, meu chefe agora está pegando no meu pé. Resolveu encanar e tudo ele acha ruim. E na faculdade o pessoal não leva nada a sério, nem o professor quer dar aula, fica batendo papo com aluno e eu fico sem saber o que fazer. Um dia bem difícil..."

Na mesma hora minha mãe foi até a cozinha e começou a fazer um lanche para mim. Me deu atenção, queria saber mais, ficou preocupada... Em suma, descobri que reclamar era mais negócio que não reclamar!

Na verdade não descobri isto naquela hora, a gente descobre quando nasce,  quando entende que é reclamando que a gente ganha as coisas: Leite, Atenção, Carinho e Afeto.

Mas o processo de amadurecimento envolve aprender a conviver com as frustrações. Não é fácil, ninguém está preparado para se frustrar, mas é uma das certezas da vida: Sempre nos frustraremos, nunca a vida vai ser como imaginamos ou queremos. Nunca. E se não aceitarmos a frustração ficaremos a vida toda incomodados pelo fato do mundo não ser como a gente acha que deveria ser.

Como eu disse, reclamar é um hábito. Serve, de alguma maneira, para compensarmos nossas frustrações. Não consegui o que queria? Se eu reclamar talvez alguém me dê um prêmio de consolação, ou seja, atenção e conforto.
O risco é de contágio: Cada vez que eu reclamo abro a possibilidade do outro reclamar também, afinal, ele também quer seu prêmio de consolação, quer atenção. E a reclamação se torna uma competição: Quem reclamar mais ganha mais.
Abra sua rede social hoje, veja sua linha do tempo e repare como, sem perceber, as pessoas reclamam o tempo inteiro. Todas querendo atenção e conforto por não saberem lidar com suas próprias frustrações.

Faça um bem para a sociedade: Passe um dia sem reclamar. Tente, pelo menos. Não é fácil, estamos viciados nisto. Mas se reclamarmos o tempo todo, vamos acabar acreditando no que falamos, e um hora realmente vamos achar que tudo é uma droga, que nada funciona, que as pessoas são um saco, que o dia está horrível. De tanto reclamar, bobeou sua vida vai se transformar nos seus próprios resmungos. E isto não vai ser nada bom.

7.7.13

Resmungando no Face - O Universo das Indiretas nas Redes Sociais

Depois de resolver mil problemas no trabalho, me sento para navegar um pouco nas redes sociais, e o que vejo? Um mundo de indiretas. Como têm gente que solta indiretas nas timelines. Como têm casal brigando publicamente, como têm gente reclamando dos colegas de trabalho...
Mas tudo de uma maneira semi-escondida, sem declarar explicitamente, sem resolver a questão falando, ligando, mandando mensagem inbox. Não. O que as pessoas querem é resmungar.

Do ponto de vista da efetividade, o resmungo não gera nada de positivo, no sentido de melhorar a situação daquele quem resmunga. O máximo que pode gerar é raiva ou constrangimento daquele a quem o resmungo se destina. Isto se ele descobrir.

O resmungo pode ser perigoso, pois algumas pessoas podem achar que você está falando delas. Se está reclamando do trabalho, você com certeza têm mais colegas do que só aquele para quem está jogando as indiretas. E eles podem achar que a indireta é para eles, o que realmente pode ser ruim. O mesmo vale para amigos.

Curiosamente alguns amigos mais próximos poderão se solidarizar, pois eles sabem de informações que os outros não sabem, aumentando o ruído e o perigo.

No fundo, o que o resmungo mostra é uma tentativa de vitimização, de mostrar para os outros como você é um pobre coitado e que merece lambidas de acolhimento por parte dos outros componentes do bando. Como todas as perdas são subjetivas (o que faz com que eu perder o emprego não signifique que meu sofrimento possa ser maior que o seu, que acabou de perder seu peixinho de estimação, já que cada um sente diferente as perdas), não podemos julgar improcedente um sentimento de alguém que esqueceu a bolsa em casa e está sinalizando sua tristeza no Facebook.

Mas como toda sinalização, se ela der certo, muitas pessoas se acostumam com ela. Um bebê de meses de idade sabe disto. Se eu gritar e me atenderem, vou continuar usando o recurso para obter atenção. E isto tem transformado as redes sociais num universo de resmungo infantil impressionantemente grande.

Aliando a isto o fato do prazer gerado no universo virtual ser menor que o real, o resmungo gera um acolhimento baixo, ou seja, não há abraço, conforto real por aquele que dá apoio aos reclamões, o que faz com que fique uma sensação de ausência de saciedade no processo. Sem saciar a vontade de obter atenção através do resmungo, o resmungão vai continuar a reclamar. Infelizmente parece ser um ciclo sem dia nem hora para terminar. Vamos ter de continuar a nos relacionar virtualmente, só que desviando dos resmungos virtuais, cada vez maiores, mais pseudo-trágicos, mais lamuriosos, e menos eficazes em nossas timelines.

28.2.12

Aula de Resmungar - Parte 1

Vemos muitas pessoas resmungando por aí, é comum ouvirmos pessoas que acham que o mundo deve algo a elas. De certa maneira elas têm razão, pois compraram um projeto de vida criado por alguém e na hora de entregar o vendedor sumiu...
Mas resmungar é uma arte, e vejo que há um número enorme de pessoas que simplesmente não conhecem a etiqueta do Resmungo. Seguem algumas orientações básicas:


1 - O mundo é contra você, e a pessoa que está na sua frente também é
Vejo um monte de pessoas resmungando sem aproveitar a oportunidade de culpar o outro pela sua infelicidade. Foque no seu interlocutor, veja como ele deixou de te fazer feliz e explore melhor esta questão! Uma oportunidade única de transferir seus problemas em tempo real.


2 - Resmungar sobre saúde é coisa de velho
Pare de falar que tem dor nas pernas, varizes ou dor nas costas, é de mau gosto e denuncia a sua idade. Seu resmungo deve ser sobre duas coisas: Dinheiro para realizar luxúrias de consumo ou Tempo para realizar suas luxúrias carnais. Assim a pessoa vai saber que você conhece coisas bacanas e quer mais e que é assediada mas não tem tempo para desbundar como poderia. Só se o dia tivesse 40 horas e tivesse uma provisão interminável de Pomada Minâncora.


3 - Resmungar baixinho é para os fracos
De que adianta reclamar se ninguém ouve? A ideia é que o resmungo atrapalhe o bom andamento das conversas dos outros, que ele predomine no ambiente, de tal maneira que qualquer um tenha um dia pior depois de ter cruzado com você.


4 - Não arranje cúmplices, sofra sozinho
A coisa mais odiosa de resmungar é encontrar alguém que compartilhe de seus sentimentos. Quando seu interlocutor concordar, mude de assunto e use a técnica número um, mande bala no seu interlocutor! É horrível sentir empatia e ao mesmo tempo resmungar. Há um misto de felicidade e desagrado que acaba prejudicando todo aquele momento infeliz que você está passando.


Continue resmungando, mas com estilo, por favor!