Let´s Go!

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24.5.12

Hoje é o Dia do Nunca!

Durante uma conversa com uma de minhas filhas, ela me perguntou: "Por que você está agindo assim? Você nunca agiu assim antes comigo". E eu pensei bastante sobre este tal de Nunca. E descobri que todo o dia é dia do Nunca.
Nunca vivi o dia de hoje, nunca passei pelos problemas que hoje vou passar, nunca vi o trânsito deste jeito, nunca acordei de um sonho como o de hoje.


Cada dia apresenta sua singularidade, e a cada momento pensamos coisas novas, mudamos de conceitos, somos colocados em situações novas ou nos colocamos deliberadamente em situações para as quais nunca fomos preparados.


Se aceitarmos este Nunca diário, talvez não fiquemos chocados com a mesmice aparente do cotidiano, talvez descubramos novas maneiras de enfrentar problemas que nunca enfrentamos antes, e encontraremos soluções que nunca tínhamos pensado antes.


O Sempre é um perigo, principalmente por que a maioria das pessoas o procura insistentemente. Todos querem ser Sempre felizes, Sempre saudáveis, Sempre bem sucedidos, e sabemos que Nem Sempre ele acontece. Na verdade, ele Nunca acontece.


Aceite que hoje é o Dia do Nunca e abra sua cabeça e seu coração para o que o pode acontecer. É um dos encantos da vida.

17.4.12

Pequenas Tragédias do Cotidiano

Apesar de estarmos atentos aos grandes problemas da humanidade, eles parecem estar longe, muito longe de nós. Minha mãe comentava que quando estava no hospital sentindo as dores do parto de minha irmã meu avô, para consolá-la dizia: "Pense no sofrimento das pessoas na Guerra da Coréia"...
Nenhuma Guerra, nem a da Coréia (a do Norte está assanhadíssima lançando foguetes) é mais importante ou dolorosa que a nossa virose, ou a ressonância magnética de nosso pai. Nossos dilemas cotidianos sempre são mais banais, e ao mesmo tempo mais impactantes.
Fui fazer uma rápida compra antes de voltar para casa, quando vi um casal na frente do supermercado. Como o cachorro não podia entrar, um deles ficou na porta e o outro entrou para fazer as compras. Dois minutos depois, se muito, o que estava fora começa a gritar, chamando o outro. No seu colo o cachorro, se esvaindo em sangue. A camisa do dono cheia de sangue, o chão todo pintado. Em segundos o basset tinha se soltado da coleira e tinha sido atropelado. Morria nas mãos do dono.
Quando o outro chega e vê o cachorro, sente-se mal, têm tontura, é acudido pelos passantes, que falam para levar o cachorro num veterinário próximo. Mas o dono sabe o que aconteceu, é evidente, na sua calma, que percebe que seu cachorro está agonizando.
Saio do supermercado e vejo os dois sentados do outro lado da calçada, em silêncio, acarinhando o mascote.
São as tragédias do cotidiano que nos tocam.