Complexíssima a discussão que está acontecendo sobre o direito ou não de interromper a gravidez (ou seja Aborto) de mães que gestam fetos (embriões humanos) sem cérebro.
A gestação é delicada nestes casos, e a grande maioria das crianças morre assim que é desconectada da mãe, grande geradora do embrião até o final. Valeria a pena passar nove meses com uma criança que irá morrer logo depois de nascer? E os traumas que a mãe carregará durante a gravidez, ao saber que a criança não sobreviverá?
A primeira questão é: O Estado deve definir uma política para isto? Ou deve oferecer as possibilidades para o cidadão decidir? Se o Estado proibir, a prática abortiva será ilegal, passível de penalidades. Se oferecer a possibilidade de escolha, deixará que o(s) indivíduo(s) envolvidos decidam.
A segunda questão, talvez mais importante, é: Como definimos vida? A Anencefalia é interessante pois definiria "Vida" como algo que resida no cérebro, na atividade cerebral. Se não tem cérebro, não tem vida. É a mesma coisa quando constatam morte cerebral num paciente em coma irreversível.
Aconteceu um caso há alguns anos de uma mulher italiana, que depois de brigas na justiça, a família obteve o direito de desligar os aparelhos que a nutriam até que ela morresse de inanição. Na época fiquei muito incomodado com o caso, pois pensei com a mesma lógica que penso em relação às plantas (sei que muita gente vai discordar, mas foi assim que pensei): Será que eu tenho o direito de deixar de regar uma planta, até que ela morra? Será que o estado consciente ou as ondas alfa definem a vida? Apesar de entender o sofrimento da família ao conviver com aquela pessoa (que não reconhecem mais como a pessoa de antes), fico na dúvida se temos o direito de tirar a vida dela. Mas isto não significa que o debate não tenha de ser aprofundado, muito pelo contrário, pois sacrificamos animais quando estão irreversivelmente doentes mas não sacrificamos humanos na mesma condição, não há respaldo legal para o aborto no Brasil mas há inúmeros países que legalizaram o aborto, e por aí vai.
A comunidade deveria se mobilizar para debater o assunto, e especialistas são bem-vindos, desde os leigos, passando pelos religiosos, até os maiores conhecedores do assunto.
O que não se pode fazer é evitar o debate, pois o tema do Direito à Vida é essencial para todos.
