Depois de todo o rebuliço causado pela reportagem de capa da Veja SP desta Semana, o empresario Alexander Almeida está chateado. De acordo com conhecidos e amigos, o Rei do Camarote se arrependeu de ter dado a entrevista, e olha com tristeza para os inúmeros memes, vídeos e sátiras que apareceram sobre ele.
Reconheço que ele foi no mínimo displicente ao aceitar fazer este papel na mídia (a maioria diria que ele foi arrogante elevado a enésima potência). Ao se deixar filmar para uma ação de marketing que não se sabe qual seria, acabou virando motivo de piada.
Mas por que não devemos odiar o Famigerado Rei do Camarote?
1 - Ele é o modelo de sucesso da grande maioria das pessoas jovens
Apesar de ter quase quarenta anos, Alexander está onde a maioria dos jovens (e muitos adultos) gostaria de estar. Ao sair na rua de Ferrari, ele está acima dos outros (carro melhor). Ao circular com seguranças está menos vulnerável que a maioria (protegido). Vai nas melhores baladas e está no melhor camarote, em local de total destaque. E consome os produtos mais caros. Seja honesto! Você nunca quis estar na posição dele? Eu queria! Deixe de ser hipócrita. O que pode gerar diferença é que o que eu considero "Destaque" é outra coisa. Se ele acha que isto é bom para ele, não atrapalhando os outros, tudo bem.
2 - Você quer fazer parte de um grupo de linchamento?
O cara foi linchado nas redes sociais, ridicularizado, criticado, as pessoas julgaram o cara sem conhecer, sem saber quem é, apenas pelo seu estilo de vida. "Ah, mas ele é fútil e babaca". Pois é, você está julgando alguém que não conhece, e que não fez nenhum mal para você. depois não venha bancar o santo postando fotos de gente pobre, memes para ajudar criança desaparecida. Se você soltou o verbo em cima do Alexander você participou de um linchamento virtual. Se fosse em uma escola, isto seria considerado bullying e dava processo bravo.
3 - Você odeia quem é diferente de você?
O que foi visto, mais do que ironia, foi ódio, aquele ódio de gente recalcada, que odeia quem faz sucesso, que define que os valores de pessoas diferentes de si são fúteis e sem sentido. Você quer que os direitos das minorias seja preservado? Mas a custa de quê? Da destruição dos direitos dos outros?
4 - Ou retire o que disse ou assuma que é invejoso
Sabe pedir desculpas? Têm exercido esta prática nos últimos dias? Então está na hora de se retratar. Até semana passada a Veja era considerada pela intelligentsia um veículo pouco confiável e manipulador. Agora virou uma mídia confiável? Só porque permitiu que você destilasse sua maldade por outra pessoa que têm padrões diferentes do seu, ou que conseguiu aquilo que você tanto queria e você não? Retrate-se. Ainda não vi isto acontecer nas redes sociais. A maioria das pessoas ignora as maldades virtuais que faz.
Uma vez estava no estacionamento de uma faculdade em que dava aula, estacionando minha Vespa 1986, e chegou um professor numa moto BKing 1300 zero km. Ele parou a moto dele ao lado da minha, olhou para a minha pipoqueira, deu um sorriso e disse "Agora estou no topo da cadeia evolutiva", orgulhoso de sua moto nova e de seu status. Na hora senti o impacto da provocação, mas deixa o cara ser feliz do jeito que ele acha que a felicidade é. Deixa o Alexander tomar champanhe e vai atrás da "sua champanhe", seja qual for ela. E para de linchar os outros na Internet que é feio, muito feio.
Let´s Go!
Let´s Go!
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23.8.13
Sobre a Exclusão
Por um lado isto poderia ser definido como livre-arbítrio. Afinal de contas, eu não preciso conviver com alguém que não tenha nada a ver comigo ou que me desagrade. Quero apenas viver a minha vida e quero conviver com os meus, com aqueles que gosto e que tenho afinidade.
Claro que é uma postura individualista, a grande maioria das pessoas hoje vive assim.
Mas a exclusão têm várias nuances. Pode ir desde uma postura de apatia perante o outro, aquele que me é estranho, até um genocídio de um determinado grupo. Afinal de contas, a exclusão absoluta é privar de viver aquele que não quero por perto.
O bullying, que tanto vemos nas escolas, nada mais é que a reprodução do sistema de exclusão de dos valores impressos nos adultos com quem as crianças e os jovens convivem. A classe média se auto-excluiu do convívio social, vivendo em pequenas redomas, sem ter de andar pelas ruas e ver os excluídos dos valores que ela prega e exercita.
Para quem quer entender o ponto de vista da classe média semi-abastada, há um belo texto do Contardo Calligaris circulando nas redes sociais, basta clicar aqui para entender como a Inveja é uma mola propulsora da exclusão.
Pensei bastante sobre o assunto ao ler o livro Holocausto Brasileiro, da Daniela Arbex, sobre o manicômio de Colônia, em Barbacena, Minas Gerais. dentro de seus muros milhares de pessoas passaram por privações e torturas semelhantes aos dos campos de concentração nazistas. Com a justificativa de que seriam "loucas" (portanto não humanas), todo tipo de gente foi mandado para lá, mas todas tinham um ponto em comum: Sua família, seus pares, seu contexto social as consideravam inadequadas para a convivência dentro daquele grupo ou "estranhas". Jogavam estas pessoas dentro dos muros do Colônia e esqueciam. Apesar do tom meio piegas do livro, a reportagem é poderosa e comovente do quanto conseguimos desumanizar as relações quando excluímos alguém.Esta semana o governo da Síria lançou armas químicas contra a população, e centenas ou milhares de pessoas morreram. As fotos de fileiras de crianças mortas pelo governo está aí para quem quer ver. Tive a oportunidade de ver um vídeo (infelizmente) da AFP com crianças agonizando enquanto médicos tentam salva-las mas não tenho coragem de postar o link, é muito triste e perturbador.
O que é necessário entender é que a Exclusão, radical ou não, gera consequências graves naqueles que são excluídos. E que precisamos estar muito atentos ao nosso comportamento, já que muitas vezes excluímos sem nos darmos conta que estamos fazendo isto.
Não deveria ser possível negar o outro. Mas é possível destrui-lo. E é o que fazemos todos os dias com aqueles que são estranhos a nós.
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